Periódico galego de informaçom crítica

A falácia do debate social sobre o extrativismo

por
mi­guel núñez

Mesmo as­su­mindo que a le­gis­la­ção que re­gula a mi­ne­ra­ção no nosso país tem gran­des ei­vas, se o sis­tema ve­lasse polo seu es­trito cum­pri­mento se­ria tal­vez su­fi­ci­ente para não ter­mos que en­fren­tar pro­je­tos que são uma au­tên­tica aber­ra­ção.

Um dos ar­gu­men­tos mais tri­lha­dos por aque­las pes­soas que pre­ten­dem per­pe­tuar o es­pó­lio e o mal­trato da nossa terra é que “te­mos umas das le­gis­la­ções mais res­tri­ti­vas e pro­te­ci­o­nis­tas quanto à mi­ne­ra­ção e ao am­bi­ente”. Tentam as­sim tras­la­dar a per­ce­ção de efi­cá­cia das ad­mi­nis­tra­ções na sua mis­são de ve­lar por que os pro­je­tos se ajus­tem à le­ga­li­dade. A ideia é, ba­si­ca­mente, con­se­guir que a gente con­ti­nue a acre­di­tar, ou queira con­ti­nuar a acre­di­tar, que os mi­la­gres acon­te­cem.

Um dos ar­gu­men­tos mais tri­lha­dos por aque­las pes­soas que pre­ten­dem per­pe­tuar o es­pó­lio e o mal­trato da nossa terra é que “te­mos umas das le­gis­la­ções mais res­tri­ti­vas e pro­te­ci­o­nis­tas quanto à mi­ne­ra­ção e ao am­bi­ente”.

O atual de­bate so­cial “mina sim vs. mina não” é mais uma fa­lá­cia con­ce­bida polo lobby da Câmara Oficial Mineira em con­so­nân­cia com parte da ad­mi­nis­tra­ção, no in­tuito de fa­zer-nos acre­di­tar que a opi­nião so­cial tem re­le­vân­cia para que um pro­jeto seja ou não apro­vado pola Administração. O ob­je­tivo é de­bi­li­tar os mo­vi­men­tos que lu­tam por que se cum­pra, no mí­nimo, a le­ga­li­dade am­bi­en­tal.

Para isso, pro­cu­ram con­ven­cer com os seus dis­cur­sos uma parte da so­ci­e­dade e ins­tru­men­ta­lizá-la para ma­ni­pu­lar o de­bate reduzindo‑o a opi­niões pes­so­ais sem fun­da­mento que des­fo­cam a re­a­li­dade, apa­gando a evi­dên­cia de que os pro­je­tos não cum­prem os re­qui­si­tos mí­ni­mos para se­rem apro­va­dos.

Geram as­sim um con­flito so­cial em que os mo­vi­men­tos que de­fen­dem a terra são res­pon­sa­bi­li­za­dos po­los en­tra­ves com que ba­tem os pro­je­tos ex­tra­ti­vis­tas, como se es­ses en­tra­ves fos­sem fruto de ca­pri­chos ide­o­ló­gi­cos e não, como acon­tece na re­a­li­dade, de pro­ble­mas de­ri­va­dos da in­vi­a­bi­li­dade téc­nica e ju­rí­dica dos pró­prios pro­je­tos.

Para isto, uti­li­zam imen­sas quan­ti­da­des de re­cur­sos e di­nheiro, na maior parte dos ca­sos sub­sí­dios pú­bli­cos, em cam­pa­nhas de la­va­gem de cé­re­bros e com­pra de von­ta­des que vão da pro­messa de pos­tos de tra­ba­lho até pro­pos­tas “edu­ca­ti­vas” que di­fun­dem sem pu­dor di­re­ta­mente nos cen­tros de en­sino.

O lobby mi­neiro cria um con­flito so­cial em que os mo­vi­men­tos que de­fen­dem a terra são res­pon­sa­bi­li­za­dos po­los en­tra­ves com que ba­tem os pro­je­tos ex­tra­ti­vis­tas, que na ver­dade se de­ri­vam da sua pró­pria in­vi­a­bi­li­dade.

Verdadeiras cam­pa­nhas de dou­tri­na­mento des­ti­na­das a con­se­guir a li­cença mais am­bi­ci­o­nada po­las con­ces­si­o­ná­rias nesta al­tura: a li­cença so­cial para po­de­rem ope­rar sem que nin­guém es­cru­tine ou pa­ra­lise os seus pre­cá­rios pro­je­tos. O se­cre­tismo com que fo­ram de­se­nha­das es­tas cam­pa­nhas de dou­tri­na­mento mesmo faz com que as or­ga­ni­za­ções do lobby, como a Câmara Mineira ou a Associação de Áridos, ini­ciem lon­gas ba­ta­lhas ju­di­ci­ais para evi­ta­rem que se­jam co­nhe­ci­dos os ex­pe­di­en­tes dos sub­sí­dios re­ce­bi­dos para os pro­je­tos de en­ge­nha­ria so­cial.

Todos es­ses es­for­ços, com os quais eti­que­tam de agi­ta­do­ras, ilu­mi­na­das, egoís­tas e fa­ná­ti­cas as pes­soas que tra­ba­lham para des­ven­dar as ir­re­gu­la­ri­da­des, ile­ga­li­da­des e tra­mas de cor­rup­ção que en­vol­vem os seus pro­je­tos, es­tão mais do que jus­ti­fi­ca­dos, pois são bem sa­be­do­res de que uma so­ci­e­dade ci­ente da par­ci­mó­nia ad­mi­nis­tra­tiva e que com­bate a cor­rup­ção im­pede que os seus pla­nos ex­tra­ti­vis­tas pos­sam ir para a frente. Desacreditar e neu­tra­li­zar a mo­vi­men­ta­ção so­cial torna-se fun­da­men­tal para o lobby por­que a ver­dade é o ad­ver­sá­rio que de­vem der­ru­bar para os seus pro­je­tos pros­pe­ra­rem.

Um grande de­sa­fio para as cor­ren­tes edu­ca­ti­vas res­pon­sá­veis.

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