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A maquinária do medo

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Qualquer mo­vi­mento po­lí­tico que pre­tenda umha re­forma, umha mu­dança subs­tan­cial na so­ci­e­dade ou de­fenda os in­te­res­ses das clas­ses tra­ba­lha­do­ras en­frenta-se à cri­mi­na­li­za­çom e a con­se­quente per­se­gui­çom por parte do Estado. A re­pres­som po­lí­tica conta com di­ver­sos me­ca­nis­mos ju­di­ci­ais, le­gis­la­ti­vos e po­li­ci­ais para o com­bate das dis­si­dên­cias e, junto com a ex­pul­som de pes­soas mi­gran­tes nom re­gu­la­men­ta­das, é um dos pi­a­res prin­ci­pais das po­lí­ti­cas de se­gu­rança nas de­mo­cra­cias li­be­rais.

O abano nas maos do Estado é am­plo. Entre os me­ca­nis­mos le­gis­la­ti­vos en­con­tra-se a apli­ca­çom da le­gis­la­çom an­ti­ter­ro­rista, co­mum­mente acom­pa­nhado de um in­tenso tra­ba­lho de in­te­li­gên­cia e se­gui­mento po­li­cial, que re­duze as ga­ran­tias da pes­soa de­tida e en­du­rece os anos de pri­som. Movimentos como o in­de­pen­den­tismo e o anar­quismo pa­de­ce­ram ope­ra­çons an­ti­ter­ro­ris­tas nos úl­ti­mos anos. Vários mo­vi­men­tos anti-re­pres­si­vos sa­li­en­tam mu­dan­ças no pa­ra­digma des­tas ex­ce­ci­o­na­li­da­des, fo­cando-se atu­al­mente mais nas in­ten­ci­o­na­li­da­des ou nas re­la­çons das pes­soas acu­sa­das do que em fac­tos con­cre­tos re­a­li­za­dos por elas.

Mas os ní­veis e os me­ca­nis­mos de re­pres­som à ati­vi­dade po­lí­tica e sin­di­cal som múl­ti­plos e cada tipo de mo­bi­li­za­çom po­pu­lar e so­cial pode en­con­trar-se na sua ati­vi­dade com a acu­sa­çom de ter co­me­tido um de­lito e en­fren­tar-se a san­çons, mul­tas ou mesmo pe­nas de pri­som. Por co­lo­car al­guns exem­plos, a jus­tiça tem con­si­de­rado em oca­si­ons que o exer­cí­cio dum di­reito como a greve pode co­ar­tar as li­ber­da­des das pes­soas e as for­ças de se­gu­rança do Estado te­nhem de­nun­ci­ado que a exi­bi­çom dumha ban­deira ga­lega com umha es­trela ver­me­lha é umha in­ci­ta­çom ao ódio.

Centos de ca­sos
A re­pres­som exer­cida polo Estado con­tra a po­pu­la­çom pola sua ati­vi­dade po­lí­tica se­gue di­ver­sos pa­trons, se­gundo se pode ti­rar dos da­dos re­co­lhi­dos polo Observatório para a Defensa dos Direitos e Liberdades Esculca en­tre os anos 2010 e 2017. Os in­for­mes re­co­lhem mais de 310 ca­sos de re­pres­som po­li­cial con­cen­trando-se a mai­o­ria nos anos 2013 e 2014, com 52 e 61 ca­sos re­gis­tra­dos res­pe­ti­va­mente. Conscientes de que os in­for­mes nom mos­tram to­dos os ca­sos, mas sim os mais re­pre­sen­ta­ti­vos, ana­li­sa­mos a es­tra­té­gia re­pres­siva re­a­li­zada du­rante os úl­ti­mos anos na Galiza.
Quinze agen­tes das Unidades de Intervençom Policial (UIPs) in­cum­prí­rom, sem ter con­sequên­cias, a nor­ma­tiva de le­var os iden­ti­fi­ca­ti­vos vi­sí­veis du­rante a ma­ni­fes­ta­çom ju­ve­nil do 24 de ju­lho do ano 2013. Nesse mesmo ano, umha moça foi ame­a­çada e san­ci­o­nada por um agente da po­lí­cia na­ci­o­nal es­pa­nhola após pe­dir-lhe o nú­mero de placa.
Este tipo de abuso de po­der por parte da po­lí­cia es­pa­nhola re­pete-se no tempo. Por exem­plo, em ju­nho de 2012, os agen­tes im­pe­dem que vá­rias pes­soas as­sis­tam a um juízo e iden­ti­fi­cam to­das as pes­soas que so­li­ci­tam que os po­lí­cias se iden­ti­fi­quem. Inclusive em 2014 vá­rias pes­soas som iden­ti­fi­ca­das por man­ter umha “ati­tude chu­lesca” du­rante umha con­cen­tra­çom em apoio a umha ati­vista an­ti­fas­cista.

uxía amigo

As re­pres­sons rá­pi­das
A es­tra­té­gia re­pres­siva, seja atra­vés de san­çons eco­nó­mi­cas ou in­ti­mi­da­çons por parte da po­lí­cia, é quase ime­di­ata no caso dos mo­vi­men­tos po­pu­la­res que apa­re­cem logo e com força. Este é o caso das mo­bi­li­za­çons das pre­fe­ren­tis­tas que se ini­ciam em 2013 após es­tou­rar a fraude ban­cá­ria na emis­som e venda de açons pre­fe­ren­tes por ban­cos e Caixas de Aforros do Reino de Espanha.
Os ca­sos re­la­ci­o­na­dos com as pre­fe­ren­tis­tas re­pre­sen­tam o 27 por cento das in­ci­dên­cias que re­co­lhe Esculca esse ano. A mai­o­ria som san­çons por de­sor­dens pú­bli­cas, mas tam­bém se re­co­lhem car­gas po­li­ci­ais ou agres­sons in­di­vi­du­ais como a exer­cida por um po­lí­cia lo­cal de Tui con­tra umha pes­soa com um 63 por cento de in­ca­pa­ci­dade psí­quica. Este mesmo es­quema de re­pres­som ime­di­ata tam­bém é apli­cá­vel a ou­tros mo­vi­men­tos po­pu­la­res nas­cen­tes nes­ses anos como os co­le­tivo an­ti­des­pe­jos.

Procedimentos aber­tos
“A fi­na­li­dade da re­pres­som sem­pre é que a pes­soa se as­suste e vaia para a casa”, ex­po­nhem ati­vis­tas do or­ga­nismo anti-re­pres­sivo Ceivar, um co­le­tivo que conta já com quinze de anos de ati­vi­dade. No mês de ju­nho do pas­sado ano três mi­li­tan­tes desta or­ga­ni­za­çom, que nos úl­ti­mos anos cen­trou os seus es­for­ços na so­li­da­ri­e­dade com as in­de­pen­den­tis­tas pre­sas, fô­rom de­ti­das pola Guarda Civil e ví­rom os seus do­mi­cí­lios re­gis­tra­dos baixo acu­sa­çom de “enal­te­ci­mento do ter­ro­rismo”. Com esta ope­ra­çom con­tra Ceivar, as suas ati­vis­tas acham o es­tado pro­cura ter as pes­soas com a ten­som de te­rem um pro­ce­di­mento aberto na sua con­tra. “Trata-se de man­ter o medo”, ex­po­nhem.
Os pro­ce­di­men­tos aber­tos sem data con­creta de re­so­lu­çom re­pe­tem-se em di­fe­ren­tes cau­sas con­tra mo­vi­men­tos so­ci­ais e em di­ver­sos ní­veis re­pres­si­vos. No eido sin­di­cal, duas pes­soas le­vam atu­al­mente qua­tro anos com a en­trada em pri­som sus­pensa à es­pera da re­so­lu­çom dumha pe­ti­çom de in­dulto. Estes dous sin­di­ca­lis­tas fô­rom con­de­na­dos a três anos de pri­som pola sua par­ti­ci­pa­çom num pi­quete du­rante a greve do trans­porte de mer­ca­do­rias na pro­vín­cia de Ponte Vedra em 2008.

As sançons económicas ou intimidaçons som quase inmediatas no caso dos movimentos que emergem com força

Também as san­çons eco­nó­mi­cas de ca­rác­ter ad­mi­nis­tra­tivo con­tam com um longo per­curso de re­cur­sos até a re­so­lu­çom fi­nal. A se­cre­tá­ria con­fe­de­ral de or­ga­ni­za­çom do sin­di­cato na­ci­o­na­lista CIG, Susana Méndez, ex­póm que a re­so­lu­çom de san­çons pola via con­ten­ci­oso-ad­mi­nis­tra­tiva “con­verte-se num cal­vá­rio lento, cus­toso e que efe­ti­va­mente pro­voca mais di­fi­cul­da­des para sacá-lo adi­ante”.

Expulsom do es­paço pú­blico
Se umha das ca­ras da re­pres­som é o medo, ou­tra é a cen­sura e a proi­bi­çom de al­gumhas opi­ni­ons po­lí­ti­cas em es­pa­ços pú­bli­cos. Um exem­plo foi o acon­te­cido du­rante os anos 2013 e 2014 com as pes­soas que mos­tra­vam a sua so­li­da­ri­e­dade em pú­blico com as pre­sas in­de­pen­den­tis­tas em si­tu­a­çom de dis­per­som pe­ni­ten­ciá­ria e lon­gas es­ta­dias de pri­som pro­vi­só­ria. Neste pe­ríodo, a umhas trinta pes­soas fo­ram-lhes aber­tos pro­ce­di­men­tos por “enal­te­ci­mento do ter­ro­rismo” por mos­trar em es­pa­ços pú­bli­cos fo­to­gra­fias das pre­sas in­de­pen­den­tis­tas. Porém, es­ses pro­ce­di­men­tos fo­ram ar­qui­vando-se nos me­ses se­guin­tes.

Os dispositivos especiais de segurança, como os que se desenvolvem o 25 de julho, aplicam na prática um estado de exceçom encoberto


Qualquer tipo de sim­bo­lo­gia so­be­ra­nista pode ser sus­ce­tí­vel de aten­çom por parte das for­ças de se­gu­rança do Estado. Durante o am­plo dis­po­si­tivo po­li­cial que toma a ci­dade de Compostela no 25 de ju­lho e nas suas vés­pe­ras, or­ga­nis­mos de de­fesa dos di­rei­tos ci­vis te­nhem re­co­lhido ca­sos de proi­bi­çom de cir­cu­la­çom pola zona ve­lha a pes­soas que le­va­vam al­gum tipo de sim­bo­lo­gia so­be­ra­nista. Nessas jor­na­das de es­pe­cial pre­sença po­li­cial efe­tua-se tam­bém umha per­se­gui­çom e vi­gi­lân­cia sis­te­má­tica a qual­quer ati­vi­dade pro­gra­mada polo in­de­pen­den­tismo ga­lego.
Outro mo­mento em que a ci­dade de Compostela se viu en­vol­vida numha es­pé­cie de es­tado de ex­ce­çom em que as li­ber­da­des se vi­ram co­ar­ta­das foi du­rante a vi­sita do Papa Bento XVI em no­vem­bro de 2010. Nas jor­na­das pré­vias à vi­sita pen­du­rá­rom-se em vá­rias va­ran­das da ci­dade ban­dei­ras com a le­genda ‘Eu nom te es­pero’ e or­ga­ni­za­çons como o Movimento po­los Direitos Civis ou Esculca de­nun­ciá­rom que houvo vi­zi­nhas que re­ce­bê­rom vi­si­tas po­li­ci­ais para re­ti­rar as ban­dei­ras ou efe­tuar re­gis­tros nas vi­ven­das.

Reuniom e ma­ni­fes­ta­çom
Fora da atu­a­çom po­li­cial nas ruas, a Administraçom tam­bém exerce vi­o­lên­cia con­tra a po­pu­la­çom ao nom pro­te­ger di­rei­tos fun­da­men­tais como é o da li­ber­dade à reu­niom ou ma­ni­fes­ta­çom.
Entre os anos 2010 e 2012, im­pe­dí­rom-se umha dú­zia de ma­ni­fes­ta­çons e vá­rios con­cer­tos e jan­ta­res po­pu­la­res. Entre as cen­su­ra­das, está a Marcha a Teijeiro em 2010, a con­cen­tra­çom con­tra a Lei de Família do ano 2011 ou umha con­cen­tra­çom pe­rante a es­tá­tua de Manuel Fraga Iribarne em 2012. Para além disso, Esculca in­ter­preta as me­di­das ope­ra­ti­vas e de se­gu­rança to­ma­das du­rante a vi­sita do Papa a Compostela em 2010 como vul­ne­ra­çons dos di­rei­tos à li­bre cir­cu­la­çom den­tro do Reino de Espanha, a pro­du­çom ar­tís­tica e o di­reito à reu­niom, en­tre ou­tros.

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