Periódico galego de informaçom crítica

A nova Constituiçom cubana e a participaçom popular

por
al­fredo mar­ti­rena her­nán­dez

Em ju­lho de 2018 a Assembleia Nacional do Poder Popular apro­vou um pro­jeto de cons­ti­tui­çom que pos­te­ri­or­mente foi sub­me­tido à opi­niom do povo cu­bano. Em qua­tro me­ses de in­ten­sos de­ba­tes houvo 133.681 reu­ni­ons, com par­ti­ci­pa­çom de 8.945.521 pes­soas, das quais saí­rom 783.174 pro­pos­tas. Da emi­gra­çom che­gá­rom 2.125 pro­pos­tas re­a­li­za­das po­los cu­ba­nos e cu­ba­nas re­si­den­tes no ex­te­rior, até de Miami, onde o de­bate foi or­ga­ni­zado pola Alianza Martiana. 700 opi­ni­ons fô­rom re­co­lhi­das pola co­mis­som re­da­tora (in­cluíam um 68% de mu­dan­ças so­bre o pro­jeto ori­gi­nal) e pas­sá­rom de novo à Assembleia Nacional do Poder Popular, onde foi apro­vado o texto que será vo­tado em re­fe­rendo o 24 de fe­ve­reiro.

A Constituiçom re­fere o hu­ma­nismo, a jus­tiça so­cial e a luta pola paz como prin­cí­pios que sem­pre ins­pi­rá­rom e guiá­rom a Revoluçom cu­bana. Lembra as ori­gens do país quando se re­co­nhece na luta con­tra a es­cra­va­tura, con­tra os im­pe­ri­a­lis­mos es­pa­nhol e ian­que, con­tra as su­ces­si­vas di­ta­du­ras e “na re­vo­lu­çom den­tro da re­vo­lu­çom” que, se­guindo umha grande tra­di­çom de luta fe­mi­nista das mu­lhe­res cu­ba­nas, es­tas le­vá­rom a cabo

A Constituiçom re­co­nhece-se “na re­vo­lu­çom den­tro da re­vo­lu­çom” das mu­lhe­res

Comunismo
A nova Constituiçom da República de Cuba trata de in­cor­po­rar as mu­dan­ças eco­nó­mi­cas, po­lí­ti­cas e so­ci­ais que houvo no país nos úl­ti­mos anos. Qualquer pes­soa mi­ni­ma­mente co­nhe­ce­dora da re­a­li­dade cu­bana re­cente, com a pro­li­fe­ra­çom do “tra­ba­lho por conta pró­pria” e o de­sen­vol­vi­mento dumha am­pla eco­no­mia in­for­mal, en­ten­derá que en­tre os te­mas que mais de­bate sus­ci­tá­rom es­ti­vé­rom a “con­cen­tra­çom da ri­queza” (o que este con­ceito sig­ni­fica, se é lí­cita ou nom, que ache­gam à so­ci­e­dade es­tas pes­soas que tra­ba­lham “para si”) ou a con­si­de­ra­çom do tra­ba­lho como um “de­ver so­cial”.

Na in­tro­du­çom di-se que “O sis­tema eco­nó­mico man­tém como prin­cí­pios es­sen­ci­ais a pro­pri­e­dade so­ci­a­lista de todo o povo so­bre os mé­dios fun­da­men­tais e a pla­ni­fi­ca­çom, ao que se acres­centa o re­co­nhe­ci­mento do pa­pel do mer­cado e de no­vas for­mas de pro­pri­e­dade nom es­ta­tal, in­cluída a pri­vada”. O co­mu­nismo de­sa­pa­re­cera do pro­jeto ini­cial mas, fi­nal­mente, por pro­posta da mai­o­ria das as­sem­bleias, in­tro­du­ziu-se de novo “como le­gí­tima as­pi­ra­çom de to­dos”.

Nos te­mas com maior de­bate es­ti­vé­rom a “con­cen­tra­çom da ri­queza” ou a con­si­de­ra­çom do tra­ba­lho como “de­ver so­cial”

Artigo 68
O novo texto tam­bém re­co­lhe que nom pode ha­ver ne­nhum tipo de dis­cri­mi­na­çom por ra­zom de sexo, raça, op­çom se­xual, re­li­giom, ti­pos de fa­mí­lias, etc. e in­te­gra os di­rei­tos e ga­ran­tias da di­ver­si­dade se­xual e de gé­nero. Mesmo as­sim, um dos ar­ti­gos mais de­ba­ti­dos foi o 68, re­fe­rido ao ma­tri­mó­nio. Mobilizou toda a co­mu­ni­dade LGTBIQ, mas tam­bém os se­to­res mais tra­di­ci­o­nais da so­ci­e­dade cu­bana e os mais re­a­ci­o­ná­rios das igre­jas ca­tó­lica e evan­gé­lica. A mai­o­ria das emen­das pre­ten­diam man­ter o an­tigo ar­ti­cu­lado, que in­di­cava que o ma­tri­mó­nio só pode ser con­si­de­rado como tal se se der en­tre um ho­mem e umha mu­lher.

Finalmente, para nom con­tra­di­zer o de­ci­dido nas as­sem­bleias, mas tam­bém para nom fe­char as por­tas aos no­vos mo­de­los de fa­mí­lia, fi­cou que o ma­tri­mó­nio é a uniom en­tre duas pes­soas. O pró­ximo Código de Família de­sen­vol­verá este ar­tigo e será sub­me­tido a re­fe­rendo. Já há quem vê nesse fu­turo pro­cesso umha nova opor­tu­ni­dade de vi­si­bi­li­dade e de­bate, mas tam­bém quem acha que os di­rei­tos nom po­dem ser ob­jeto deste tipo de con­sul­tas.

Em qual­quer caso, é o povo cu­bano quem deve de­ci­dir o seu des­tino e este pro­cesso de­mons­tra, mais umha vez, com to­das as suas im­per­fei­çons, que nom é o mesmo umha de­mo­cra­cia re­pre­sen­ta­tiva que umha de­mo­cra­cia par­ti­ci­pa­tiva.

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