Periódico galego de informaçom crítica

Anxo Noceda: “É necessário recuperar militância e criar estrutura social”

por
pa­blo santiago

Na sua assembleia nacional de setembro, o Movimento Galego ao Socialismo (MGS) anunciava o início de um processo para a criaçom de umha nova organizaçom política cujo objetivo será reforçar o espaço independentista, socialista e feminista no soberanismo. Esta decisom vinha precedida de umha série de debates polo país arredor dos desafios futuros do soberanismo. O novo processo foi batizado como ‘Somarmos forças pola ruptura’ e está a organizar encontros abertos polas comarcas do país. Porém, o desenvolvimento desta fase está a ver-se afetada polas restriçons relacionadas com a pandemia da Covid19.

O que no­tas­tes nes­ses en­con­tros que con­se­guí­rom realizar-se?

Estamos no­tando um im­por­tante aco­lhi­mento, tanto no qua­li­ta­tivo, como no quan­ti­ta­tivo. Há ache­ga­mento de pes­soas do BNG e da CIG, que som as nos­sas re­fe­rên­cias no sin­di­cal e na es­tru­tura po­lí­tica, mas tam­bém alheias a elas e que se ve­nhem ache­gando a este pro­cesso. Acho que umha das cou­sas mais po­si­ti­vas deste é a ge­ra­çom de es­pa­ços de de­bate que a dia de hoje quase nom exis­tem no con­junto do na­ci­o­na­lismo. Já nos aper­ce­bê­ra­mos no de­sen­vol­vi­mento de umha sé­rie de jor­na­das aber­tas em di­fe­ren­tes re­gi­ons do país no úl­timo tri­mes­tre de 2019, e que cul­mi­ná­rom no pas­sado mês de ja­neiro com umhas jor­na­das na­ci­o­nais. Essa ge­ra­çom de pon­tos de en­con­tro e de de­bate en­tre pes­soas que par­ti­ci­pam de di­ver­sos ám­bi­tos de atu­a­çom, tanto no so­cial como no po­lí­tico, é umha das cou­sas que po­de­mos co­lo­car como um dos pon­tos mais significativos. 

Nessas jor­na­das aber­tas que mais ne­ces­si­da­des de­te­tas­tes no campo soberanista? 

Se nos iso­la­mos de or­ga­ni­za­çons das que po­da­mos par­ti­ci­par, como é no nosso caso o BNG, há um pro­cesso que se­me­lha que é de per­ma­nente re­cons­tru­çom, com di­fe­ren­tes pro­pos­tas e al­ter­na­ti­vas. De al­gumha ma­neira trans­la­dou-se neste pro­cesso a ne­ces­si­dade de es­pa­ços em que po­da­mos de­ba­ter e cons­truir esse pro­cesso. Depois, fun­da­men­tal­mente, a ne­ces­si­dade de re­cu­pe­rar a mi­li­tân­cia e criar es­tru­tura social. 

O que vos le­vou ao MGS dar um passo atrás e re­ma­tar umha etapa?

Mais do que um passo atrás, con­si­de­ramo-lo como um passo adi­ante. Chegar a con­clu­som de que é ne­ces­sá­rio cons­truir umha nova fer­ra­menta po­lí­tica nom é ne­ga­tivo e fa­zemo-lo para alar­gar o es­paço po­lí­tico que vi­mos ocu­pando. Somos umha or­ga­ni­za­çom que foi de­ter­mi­nante no de­vir do BNG após a Assembleia Nacional de Ámio, mas é certo que os mo­men­tos fô­rom mu­dando. A di­ná­mica de par­ti­ci­pa­çom or­ga­ni­za­tiva é umha das mu­dan­ças que cons­ta­ta­mos, e en­ten­de­mos que nom nos acon­tece só a nós. 

Umha das cou­sas po­si­ti­vas deste pro­cesso é a ge­ra­çom de es­pa­ços de de­bate, que eram quase ine­xis­ten­tes no con­junto do nacionalismo”

Achamos que so­ci­al­mente a par­ti­ci­pa­çom e a or­ga­ni­za­çom mi­li­tante como a co­nhe­ci­a­mos está a per­der-se e ao lado disso há umha forte de­pen­dên­cia das re­des so­ci­ais. Passamos de or­ga­ni­zar-nos de un jeito fí­sico a or­ga­ni­zar-nos de jeito vir­tual, com os seus prós e con­tras. Acho que a uti­li­za­çom das re­des so­ci­ais deve par­tir de pre­mis­sas em base às quais es­sas re­des se­jam úteis para nós e nom à in­versa. Um exem­plo que acho que é claro para iden­ti­fi­car isto é o sur­gi­mento e o de­vir da or­ga­ni­za­çom po­lí­tica que pre­ten­deu ser o nú­cleo or­ga­ni­za­tivo da es­querda e que es­tivo jo­gando no nosso país com o so­be­ra­nismo desde 2012 até a atu­a­li­dade. Foi um tipo de or­ga­ni­za­çom que se cen­trou nas re­des e nom em es­ta­be­le­cer es­tru­tu­ras so­ci­ais, fi­cando de­pen­den­tes por­tanto do que o po­der de­ter­mi­nasse em cada mo­mento. Também no na­ci­o­na­lismo dos pri­mei­ros 2000, com o que se deu em cha­mar ‘quin­ta­nismo’, houvo umha perda de pers­pe­tiva. Nom se quijo es­tru­tu­rar a so­ci­e­dade e pas­sou-se a de­pen­der, por exem­plo, dos meios de comunicaçom. 

Sobre a crise de va­lo­res mi­li­tan­tes que apon­tas, que com­por­ta­men­tos no­vos per­ce­be­des na mi­li­tân­cia e como acha­des que tem que ser um mo­delo or­ga­ni­za­tivo fle­xí­vel? 

Além de cons­ta­tar essa fle­xi­bi­li­za­çom da mi­li­tân­cia, há ou­tro pro­blema, tanto para nós como para qual­quer or­ga­ni­za­çom. Às ve­zes tende-se a or­ga­ni­zar o tra­ba­lho con­tando com que pode ha­ver uns mil mi­li­tan­tes, mas de­pois na prá­tica nom exis­tem es­ses mil mi­li­tan­tes se­nom que tal­vez te­nhas cem mi­li­tan­tes, al­guns cen­tos de quo­ti­zan­tes e ou­tros cen­tos de sim­pa­ti­zan­tes. E se de­se­nhas tra­ba­lho para mil e o te­nhem que fa­zer cem, po­des cair no sim­ples vo­lun­ta­rismo, que a longo prazo pode pro­vo­car o “queime” das pes­soas. Pode aca­bar por ge­rar frus­tra­çons e nom é esse o ca­mi­nho que se pre­tende se­guir, mas todo o con­trá­rio. A con­clu­som a que che­ga­mos é a de co­lo­car em riba mesa um mo­delo or­ga­ni­za­tivo mais acaído, por um lado, para adap­tar o nosso de­se­nho do tra­ba­lho or­ga­ni­za­tivo às pes­soas com­pro­me­ti­das como mi­li­tan­tes e, ao mesmo tempo, con­tar com aque­las que num mo­mento de­ter­mi­nado nom es­tám em dis­po­si­çom de mi­li­tar mas sim de con­tri­buir e de co­la­bo­rar. Estabelecemos ní­veis de com­pro­misso, mas tam­pouco som ní­veis es­tan­ques. Naturalmente, a nossa aposta é cons­truir e criar mi­li­tan­tes, nom é re­la­xar a mi­li­tân­cia ainda que po­da­mos com­pre­en­der es­sas si­tu­a­çons numha so­ci­e­dade como esta. 

pa­blo santiago

Apostades numha uni­dade de açom em base a ob­je­ti­vos co­muns, com re­fe­ren­ci­a­li­dade para o BNG, a CIG e os mo­vi­men­tos so­ci­ais. Como ide­a­des que tem que ser? 

Para nós, o BNG con­ti­nua sendo a es­tru­tura de par­ti­ci­pa­çom po­lí­tica e de ar­ti­cu­la­çom do so­be­ra­nismo. Por ou­tro lado, con­si­de­ra­mos a CIG como re­fe­rên­cia sin­di­cal. E con­jun­ta­mente com isto, está a par­ti­ci­pa­çom de di­fe­ren­tes mo­vi­men­tos so­ci­ais. Neste sen­tido fa­la­mos de fe­mi­nismo, de mo­ci­dade, do ati­vismo nos cen­tros so­ci­ais… Desde essa par­ti­ci­pa­çom, que­re­mos co­lo­car acima da mesa a in­ter­lo­cu­çom que já vi­mos exer­cendo e es­ta­be­le­cendo, além da nossa par­ti­ci­pa­çom no BNG, com or­ga­ni­za­çons que nom es­tám no BNG ou na CIG, ou que par­ti­ci­pam em mo­vi­men­tos so­ci­ais onde coin­ci­dem tam­bém com a nossa militância. 

Achades que in­de­pen­den­tis­tas que nom te­nhem o BNG como re­fe­rên­cia po­dem sen­tir-se dis­tan­tes a par­ti­ci­par deste processo?

Nom de­vera sig­ni­fi­car isso, mas en­tendo que po­dam exis­tir res­sen­ti­mento. Porém, o MGS for­mou sem­pre parte do BNG e com a nossa praxe po­lí­tica te­mos de­mons­trado que den­tro dele se pode exer­cer de in­de­pen­den­tista e se pode exer­cer de so­ci­a­lista. É com­plexo e com­pli­cado, sim, pois a mai­o­ria do BNG por de­fi­ni­çom nom se move no in­de­pen­den­tismo. Ainda as­sim, acho que é per­fei­ta­mente pal­pá­vel o que foi a evo­lu­çom do BNG desde Ámio até a atu­a­li­dade. O que pre­ten­de­mos em todo o caso é afor­ta­lar jus­ta­mente as po­si­çons in­de­pen­den­tista e socialista.

Pretendemos afor­ta­lar as po­si­çons in­de­pen­den­tista e socialista”

Porque acha­des im­por­tante afor­ta­lar es­sas posiçons?

Com a crise eco­nó­mica de 2008 e tam­bém com a crise atual que mis­tura o so­cial, o sa­ni­tá­rio e o eco­nó­mico, está a evi­den­ciar-se o pa­pel do ca­pi­ta­lismo e a ne­ces­si­dade de rom­per. Por isso, o lema de rup­tura. É rom­per com o re­gime do 78 mas tam­bém com um sis­tema ca­pi­ta­lista que con­ti­nua re­sol­vendo cada crise com umha maior acu­mu­la­çom de ri­queza em me­nos maos. E a Covid19 o ex­pom mais cla­ra­mente do que nunca. Nom se dota dos re­cur­sos ne­ces­sá­rios para com­ba­ter a pan­de­mia se­nom que se apro­veita esta si­tu­a­çom para fins de acu­mu­la­çom de riqueza. 

Já por ou­tra banda, na sequên­cia das úl­ti­mas elei­çons ga­le­gas, es­ta­mos a ava­liar a ne­ces­si­dade de or­ga­ni­zar o nú­mero de vo­tos que tivo o na­ci­o­na­lismo. Para nós se­ria um ab­so­luto erro que nom apro­vei­tás­se­mos o tempo para con­so­li­dar o voto que apoiou o BNG no mês de ju­lho e que pen­se­mos que sim­ples­mente com de­po­si­tar umha pa­pe­leta na urna está todo feito. Há mui­tís­sima cons­ci­ên­cia que con­tri­buir para fa­zer avan­çar e essa é umha das ta­re­fas fundamentais.

Publicidade

O último de Em movimento

Ir Acima