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Aplicam-nos umha cláusula para privatizar o serviço”

por
ze­lia gar­cia

Desde o 2015, os con­tra­tos das tra­ba­lha­do­ras de es­co­las in­fan­tis na pro­vín­cia de Pontevedra al­ber­gam umha cláu­sula que só se ativa no caso das que re­a­li­zam subs­ti­tui­çons. A con­sequên­cia desta cláu­sula nos pe­río­dos em que o cen­tro fe­cha, como em ve­rao ou na­tal, é que as tra­ba­lha­do­ras subs­ti­tu­tas som ces­sa­das. Nesse tempo, que­dam re­du­zi­das a um limbo onde nem po­dem co­brar o sa­lá­rio nem ir ao paro. 

nos períodos em que o centro fecha, como em verao ou natal, as trabalhadoras substitutas som cessadas. Nesse tempo, quedam reduzidas a um limbo onde nem podem cobrar o salário nem ir ao paro

Perdemos ante os jul­ga­dos”, sus­tém Mónica, a única tra­ba­lha­dora das es­co­las in­fan­tis da pro­vín­cia de Pontevedra que de­ci­diu de­man­dar à em­presa por umha cláu­sula no seu con­trato que lhe resta di­rei­tos por sim­ples­mente fa­zer subs­ti­tui­çons.  Essa cláu­sula co­me­çou a apa­re­cer nos con­tra­tos re­a­li­za­dos na pro­vín­cia pon­te­ve­dresa a par­tir de ja­neiro de 2015, quando as tra­ba­lha­do­ras pas­sá­rom de de­pen­der do Departamento de Política Social à Agência Galega de Serviços Sociais. Nessa época, Susana Figueroa con­ver­teu-se na nova chefa de ser­viço de co­or­di­na­çom ad­mi­nis­tra­tiva.   

Cumpre lem­brar­mos que Figueroa sal­tara à cena me­diá­tica em ju­lho de 2016, quando de­cla­rou em qua­li­dade de tes­te­mu­nha  pe­rante o jul­gado de Instruçom nú­mero 7 de Vigo no marco da ‘ope­ra­çom Patos’, que in­ves­tiga umha trama de su­posta cor­rup­çom na ad­ju­di­ca­çom de con­tra­tos pú­bli­cos, que suma meio cento de po­lí­ti­cos. Na sua de­cla­ra­çom, Figueroa, ne­gou ter visto ir­re­gu­la­ri­da­des na ad­ju­di­ca­çom de cur­sos de for­ma­çom a Aulatel. 

As tra­ba­lha­do­ras das es­co­las in­fan­tis acu­sam-na de “fa­zer umha lei­tura di­fe­rente dos con­tra­tos” do resto de ter­ri­tó­rios com to­tal im­pu­ni­dade. Explicam como o sub­di­re­tor de pes­soal, Eduardo Mato, sabe desta in­ter­pre­ta­çom que só tem lu­gar na pro­vín­cia de Pontevedra e os pro­ble­mas que acar­reta ao pes­soal a posta em mar­cha desta cláu­sula mas que, em­bora, nom faz nada. “Nom que­rem en­fren­tar-se en­tre si”, apon­tam. 

 

A cláu­sula é cousa de to­das”
A cláu­sula diz o se­guinte: “du­rante o pe­ríodo de fe­che da es­cola in­fan­til o pre­sente con­trato fica sus­pen­dido, fi­cando exo­ne­ra­das as par­tes con­tra­tan­tes das suas obri­gas re­cí­pro­cas de tra­ba­lhar e re­mu­ne­rar o tra­ba­lho du­rante o dito pe­ríodo” 

Na prá­tica, im­plica um re­corte de di­rei­tos para as tra­ba­lha­do­ras que re­a­li­zam subs­ti­tui­çons frente as tra­ba­lha­do­ras fi­xas. “As tra­ba­lha­do­ras que cui­da­mos das cri­an­ças nas es­co­las in­fan­tis nom va­mos tra­ba­lhar em se­mana santa e na­tal”, di Clara. 

implica um recorte de direitos para as trabalhadoras que realizam substituiçons frente as trabalhadoras fixas

Nesses pe­río­dos nom há fé­rias para o pes­soal, as fi­xas sim­ples­mente nom tra­ba­lham e polo de agora nom se lhes des­conta”, con­ti­nua a ex­pli­car Clara, “mas ás subs­ti­tu­tas ativa-se-lhes essa cláu­sula que te­nhem no con­trato”. Deste jeito, anula-se-lhe a re­la­çom la­bo­ral e se ge­rá­rom va­ca­çons, “quí­tam-lhas”. Boa parte das ve­zes “obri­gam-te a co­lher as va­ca­çons por adi­an­tado” e, se nom as ge­raste, re­ce­bes a men­sa­gem de Tesouraria con­forme o cesse. 

Clara as­si­nala que esta é umha cousa “de to­das e de to­dos” e ad­verte do ca­rác­ter per­verso que pode ter a cláu­sula. Chamam-nas a tra­ba­lhar até que ge­ram polo me­nos um ano e en­tom bai­xam a lista qua­tro me­ses com o co­bro do paro mas, com esta sus­pen­som do con­trato que ar­ti­cula a em­presa, houvo umha tra­ba­lha­dora à que man­dá­rom ao fi­nal da lista sem o co­bro do sub­sí­dio por de­sem­prego. “Para a em­presa tra­ba­lha o ano mas para o Inem nom, de­vido aos ces­ses, polo que tam­bém neste tempo es­tivo sem tra­ba­lhar e sem  co­brar o sub­sí­dio polo paro”. 

 

Represálias às tra­ba­lha­do­ras
Tanto Mónica como Clara la­men­tam que essa tra­ba­lha­dora nom de­ci­disse de­man­dar à em­presa. “Existe muito medo”, sus­te­nhem. No 2016 de­nun­ciá­rom a dis­cri­mi­na­çom e pou­cos me­ses de­pois, como res­posta, a cláu­sula foi in­cor­po­rada tam­bém à pro­vín­cia de Ourense. “Se tra­ba­lhas na Corunha ou em Lugo nom tes a cláu­sula mas na pro­vín­cia de Pontevedra e Ourense sim”, apon­tam, “todo um dis­pa­rate!”. 

Eva, tra­ba­lha­dora fixa, in­dica como na hora de jun­tar-se e de­nun­ciar ante a Direçom da Funcom Pública esta dis­cri­mi­na­çom en­tre as tra­ba­lha­do­ras acu­mu­lam-se os obs­tá­cu­los. “Quando de­nun­ciei acu­sá­rom-me de que­rer mais di­rei­tos que as fi­xas”, as­si­nala Mónica, “fum a única em de­man­dar por­que di­ziam que nós sa­bía­mos o que as­si­ná­va­mos ainda que nom se nos ex­pli­casse nada nem exis­tisse da­quela ne­nhum pre­ce­dente”. 

Ao per­der o caso de Mónica, o resto bo­tou-se atrás”, di com má­goa Clara. “E na hora de de­man­dar um con­flito co­le­tivo, os pró­prios sin­di­ca­tos dé­rom-nos as cos­tas”. Relatam como lhe apre­sen­tá­rom o caso à CIG, CIS, UGT e CCOO e o re­sul­tado “foi vo­mi­tivo”. 

Mandamos um es­crito e o pri­meiro que nos dim é que o vol­te­mos es­cre­ver por­que nom es­tava bem for­mu­lado”, ex­plica Mónica ainda zan­gada. “O pre­si­dente do co­mité foi o pri­meiro em in­char peito na reu­niom que man­ti­ve­mos e em di­zer-nos que isto nom era um ga­li­nheiro e que nom se­guís­se­mos pro­tes­tando”, acres­centa Clara. Ainda que sen­tem o aban­dono do apoio sin­di­cal e das com­pa­nhei­ras, ne­gam-se a es­tar ca­la­das ou dei­xar de pe­le­jar. 

 

Privatizaçom do ser­viço
Na raiz do con­flito en­con­tra-se o facto de que a mai­o­ria  dos cen­tros in­fan­tis pú­bli­cos fe­cham du­rante as va­ca­çons de na­tal, se­mana santa e ve­rao. As cri­an­ças que, por di­ver­sos mo­ti­vos, con­ti­nuam acu­dindo a este ser­viço acos­tu­mam ser de­ri­va­das a cen­tros de ges­tiom pri­vada. “É o caso de ‘Gota de le­che’ em Vigo e da es­cola in­fan­til do edi­fí­cio ad­mi­nis­tra­tivo do Campo Longo, em Pontevedra”, ex­pli­cam. 

Nesse pe­ríodo, em que se nos fai o cesse ou obriga a co­lher va­ca­çons, tra­ba­lham os cen­tros de ges­tiom pri­vada que con­tra­tam o seu pró­prio pes­soal”, re­lata Mónica com in­dig­na­çom. “As es­co­las in­fan­tis pú­bli­cas fe­cham por­que nom lhes con­vém eco­no­mi­ca­mente”, es­pe­ci­fica Clara, “mas este é um ser­viço que nom tem que dar lu­cro to­dos os dias do ano”. 

“queremos conseguir que as escolas públicas abram nessa época e buscar a aliança com as maes e pais”

As tra­ba­lha­do­ras ne­go­ciá­rom com o se­cre­tá­rio ge­ral de pes­soal, Eduardo Mato, a pos­si­bi­li­dade de que nes­tes pe­río­dos de va­ca­çons se ro­tasse a aber­tura en­tre os di­ver­sos cen­tros pú­bli­cos exis­ten­tes e nom os de ges­tiom pri­vada. “A dia de hoje ainda nom sa­be­mos nada”, aponta Eva. “Aqui o que su­cede é que a nossa chefa pro­vin­cial, Figueroa, está a pôr a prova com nós o ca­mi­nho cara a pri­va­ti­za­çom to­tal”, ex­plica Mónica, “polo que agora que­re­mos con­cen­trar-nos em con­se­guir que as es­co­las pú­bli­cas abram nessa época e bus­car a ali­ança com as maes e pais”. 

Todas elas sa­bem que a luita vai ser dura mas Mónica sus­tém com fir­meza que “é umha luita para to­das e to­dos”.  Indica que “nom me te­nhem que apoiar to­das as mi­nhas com­pa­nhei­ras, ainda que gos­ta­ria disso, por­que sei que tam­bém luito por elas”. Eva acres­centa, “a em­presa fo­menta que nos pe­le­je­mos en­tre nós e é algo que nom po­de­mos con­sen­tir”. 

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