Periódico galego de informaçom crítica

Trás os passos da guerrilha anti-franquista

por
ale­jan­dro ro­za­dos

Casaio, Cambedo e Repil som três topónimos que tenhem umha fonda relaçom com o movimento guerrilheiro anti-franquista que de 1936 até a década de 50 estivo ativo no nosso país. Os vales próximos a Casaio acolhérom a mítica Cidade da Selva, umha agrupaçom de assentamentos guerrilheiros nos vales das Morteiras e da Brunha assaltada em 1946; Cambedo é umha aldeia raiana -em território português- assediada e bombardeada em dezembro do mesmo ano pola Guardia Civil espanhola e a Guarda Republicana portuguesa polo seu apoio à guerrilha, e algo semelhante aconteceu em Repil, na paróquia monfortina de Chavaga em 20 de abril de 1949.

Com es­tes três lu­ga­res pode ser de­se­nhado um mapa em que de­sen­vol­ver a cro­no­lo­gia do auge e a queda da Federaçom de Guerrilhas Galiza-Leom, as­sim como a tra­je­tó­ria da II Agrupaçom do Exército Guerrilheiro, or­ga­ni­zado a par­tir da se­çom co­mu­nista da Federaçom após o as­salto da Cidade da Selva acon­te­cido no ve­rao de 1946. E mais umha cousa te­nhem em co­mum es­tes três lu­ga­res: ne­les de­sen­vol­vé­rom-se, ou es­tám a se de­sen­vol­ver, pro­je­tos ar­que­o­ló­gi­cos que apro­fun­dam na me­mó­ria deste pas­sado re­cente e que vi­si­bi­li­zam os pon­tos de con­tato en­tre as clas­ses po­pu­la­res do ru­ral e o mo­vi­mento guer­ri­lheiro.

Casaio
Um grupo de in­ves­ti­ga­do­ras, di­ri­gido polo ar­queó­logo Carlos Tejerizo e que se deu em cha­mar Sputnik Labrego, está a tra­ba­lhar na zona de Casaio, em Carvalheda de Valdeorras, as trans­for­ma­çons do seu mundo la­brego. Ademais de ser umha zona de es­pe­cial ati­vi­dade guer­ri­lheira, a in­ves­ti­ga­çom ana­li­sará tam­bém os pro­ces­sos in­dus­tri­a­li­za­do­res que aqui se de­ram, como é a mina de vol­frâ­mio de Valborraz ou a che­gada das ex­plo­ra­çons de lousa.

Chouço en­con­trado no Teixadal de Casaio | sput­nik la­brego

Celtia Rodríguez e Mario Fernández fam parte da equipa téc­nica de Sputnik Labrego, que em ju­lho es­tivo a re­a­li­zar es­ca­va­çons ar­que­o­ló­gi­cas na Cidade da Selva. “Contabilizamos mais de vinte sí­tios ocu­pa­dos por pes­soas fu­gi­das ou in­te­gran­tes da Federaçom”, ex­po­nhem. “Pola si­tu­a­çom dos chou­ços já sa­bes se se trata de fu­gi­dos ou pas­to­res. No chouço dum fu­gido nom co­lhe um ra­ba­nho, mas as ca­ba­nas dos pas­to­res ne­ces­si­tam de umha ex­pla­nada em que po­dem es­tar os ani­mais pola noite”. Mário e Celtia acres­cen­tam que o to­pó­nimo ‘Cidade da Selva’, o qual apa­re­cia re­co­lhido no ór­gao ofi­cial da Federaçom El Guerrillero era pra­ti­ca­mente des­co­nhe­cido na vi­zi­nhança de Casaio até a che­gada da equipa de in­ves­ti­ga­do­ras.

Sputnik Labrego: “Contabilizamos mais de vinte sí­tios ocu­pa­dos por pes­soas fu­gi­das ou in­te­gran­tes da Federaçom”

O ‘Bailarim’
A pre­sença de pes­soas fu­gi­das nos mon­tes de Casaio pode re­mon­tar-se ao ve­rao de 1936, quando se bota ao monte Manuel Álvarez Arias ‘Bailarim’ e ar­re­dor do qual se nu­cleia um grupo. Neste caso ainda nom se pode fa­lar de guer­ri­lha, pois ‘Bailarim’ te­ria fu­gido ao monte para es­ca­par do cár­cere após ter co­me­tido um as­sas­si­nato. É a par­tir de fi­nais de 1937 que che­ga­rám a Casaio di­ver­sos ex-com­ba­ten­tes re­pu­bli­ca­nos da frente de Astúrias, es­pe­ci­al­mente de ten­dên­cia so­ci­a­lista e anar­quista, que irám im­ple­men­tando um per­fil mais ide­o­lo­gi­zado. Entre eles en­con­tram-se Manuel Girón, Marcelino de la Parra ou Abelardo Macías Fernández ‘O Liebre’. Mais tarde che­ga­rám tam­bém de Astúrias Marcelino Fernández Villanueva ‘O Gafas’ ou os ir­máns César e Arcadio Ríos.

Em 1940 ‘Bailarim’ de­cide en­tre­gar-se e pac­tua a sua li­ber­dade em troca de in­for­mar de onde se en­con­tram os guer­ri­lhei­ros. Antes desta açom, a Guardia Civil pra­ti­cou umha ex­trema vi­o­lên­cia con­tra a sua fa­mí­lia, com o fim de que re­ve­las­sem o seu pa­ra­doiro. A sua mu­lher foi en­car­ce­rada em vá­rias oca­si­ons e a sua so­gra foi as­sas­si­nada, ti­rada de umha ponte pola pró­pria Guardia Civil após ser tor­tu­rada com ex­trema vi­o­lên­cia. Porém, no lu­gar in­di­cado por ‘Bailarim’ nom en­con­tra­riam guer­ri­lhei­ros, que se en­con­tra­vam num in­tento de fu­gida cara a Portugal, o que pro­vo­ca­ria o seu en­car­ce­ra­mento e pos­te­rior fu­zi­la­mento em 1943.

Mulheres guer­ri­lhei­ras
“A la­bor das mu­lhe­res na guer­ri­lha era fun­da­men­tal­mente de en­lace”, ex­pom Celtia. Mas tam­bém houvo mu­lhe­res que es­ti­vé­rom no monte, como é o caso das ir­más Consuelo ‘Chelo’ e Antonia Rodríguez López. Estas duas ir­más, ori­gi­ná­rias de Soulecim, no Barco, mar­cha­ram com a guer­ri­lha em 1945. Até en­tom já pas­sa­ram por vá­rios cár­ce­res e vi­ram como a Guardia Civil le­vava a sua mae e o seu pai para as­sas­siná-los. Alguns dos seus ir­maos es­ta­vam já no monte e to­dos eles dei­xa­riam a vida em di­ver­sos com­ba­tes com as for­ças do re­gime fran­quista.

Em 1941 es­tas ir­más, al­gumhas fa­mi­li­a­res de ‘Bailarim’ e ou­tras en­la­ces, in­ten­tam in­tro­du­zir ar­mas no cár­cere de Ourense, numha ope­ra­çom com a qual se pro­gra­mava as­sal­tar o cár­cere e li­be­rar três guer­ri­lhei­ros que fo­ram de­ti­dos no Porto quando ten­ta­vam fu­gir. Porém, a ope­ra­çom foi des­co­berta e os guer­ri­lhei­ros le­va­dos à Corunha, onde se­riam exe­cu­ta­dos.

Durante as es­ca­va­çons, as in­ves­ti­ga­do­ras de Sputnik Labrego achá­rom algo cu­ri­oso: um creme para a cara, da marca Nievina, cuja pu­bli­ci­dade vin­cu­lava o uso deste creme com as mu­lhe­res. “Nom te­mos cer­teza de se esta creme foi em­pre­gue por mu­lhe­res ou se ti­nha al­gum ou­tro uso”, ex­pom Celtia. De to­dos os mo­dos, ser­viu para vi­si­bi­li­zar a pre­sença de mu­lhe­res na guer­ri­lha.

Vista par­cial dos ob­je­tos ex­traí­dos na cam­pa­nha de ju­lho nos chou­ços do Teixadal | sput­nik la­brego

As mi­nas
A Federaçom de Guerrilhas Galiza-Leom cons­ti­tuirá-se ofi­ci­al­mente em 1942, num con­gresso ce­le­brado nos mon­tes de Ferradillo, perto de Ponferrada. Vários dos se­guin­tes con­gres­sos pos­te­ri­o­res re­a­li­za­rám-se na Cidade da Selva de Casaio, até que em ju­lho de 1946 esta é ata­cada du­rante um des­tes con­gres­sos. Entre a ati­vi­dade atri­buída aos guer­ri­lhei­ros nes­tes anos en­con­tram-se di­ver­sas sa­bo­ta­gens e açons ar­ma­das con­tra pá­ro­cos e fa­lan­gis­tas que co­la­bo­ra­ram na re­pres­som de 1936.

A mina de Valborraz, em Casaio, é tam­bém ob­jeto de es­tudo do Sputnik Labrego e tivo re­la­çom com a guer­ri­lha. Nos anos 40 esta mina de vol­frâ­mio es­tava em maos dos ale­máns e foi con­ver­tida num des­ta­ca­mento pe­nal para pre­sos re­pu­bli­ca­nos. Celtia e Mario in­di­cam que es­tám do­cu­men­ta­dos vá­rios ata­ques, e num de­les es­ca­pam vá­rios mi­nei­ros que pas­sam a in­te­grar a guer­ri­lha, mui­tos de­les de ori­gem an­da­luza e ide­o­lo­gia co­mu­nista.

Escavaçons e mi­tos
Entre as pes­soas que aju­da­ram a Sputnik Labrego a en­con­trar os chou­ços da guer­ri­lha nos va­les das Morteiras e da Brunha en­con­tra­vam-se duas que eram cri­an­ças quando a Federaçom es­tava ativa. Segundo os tes­te­mu­nhos re­co­lhi­dos, exis­tia na­quela al­tura umha in­tensa co­la­bo­ra­çom en­tre os pas­to­res e a guer­ri­lha. “Conheceram-nos e da­vam-lhes de co­mer, aju­da­vam-nos a cons­truir os chou­ços”, ex­pom Celtia e Mário. “Também con­tam que a guer­ri­lha pa­gava pola co­mida que le­va­vam, ou as vi­zi­nhas da­vam-lho por te­rem fame. Mas vi­nha a Guardia Civil e di­ziam ‘qui­ero este ca­brito’ e o le­va­vam sem pa­gar nada. Recalcam muito que a Guardia Civil le­vava todo, mas que os “‘ro­xos’ pa­ga­vam todo”, acres­centa Celtia.

A ní­vel ar­que­o­ló­gico es­ca­vá­rom-se três chou­ços neste ve­rao: dous no val das Morteiras e um no Teixadal de Casaio. Este úl­timo pensa-se que po­de­ria es­tar mais re­la­ci­o­nado com pes­soas fu­gi­das do que com in­te­gran­tes da Federaçom. Porém, os do vale das Morteiras po­de­riam for­mar parte da Cidade da Selva.

Alguns acha­dos po­dem pôr em ques­tom al­guns dos lu­ga­res co­muns ar­re­dor da guer­ri­lha, como o feito de que pas­sa­vam fame, pois nos chou­ços en­con­tra­ram-se res­tos de ani­mais, e mesmo con­ta­vam com ele­men­tos de hi­gi­ene pes­soal.

Em ju­lho de 1946 a Guardia Civil e vá­rias con­tra­par­ti­das ata­ca­vam a Cidade da Selva de Casaio du­rante a ce­le­bra­çom do cha­mado ‘con­gresso de reu­ni­fi­ca­çom’

Cara Cambedo
Em ju­lho de 1946 a Guardia Civil e vá­rias con­tra­par­ti­das ata­cam em vá­rias on­das a Cidade da Selva de Casaio du­rante a ce­le­bra­çom do cha­mado ‘con­gresso de reu­ni­fi­ca­çom’. Nestes com­ba­tes cai­rám mor­tos os guer­ri­lhei­ros Francisco Elvira e Arcadio Ríos, e tal ata­que su­porá o iní­cio do de­clí­nio da Federaçom, a qual se dis­sol­verá em 1947. Algumhas das pes­soas da Federaçom con­se­gui­rám exi­lar-se na França, en­tre elas César Ríos, ‘O Gafas’ ou as ir­más Rodríguez López.

Por ou­tra banda, vá­rios guer­ri­lhei­ros, fun­da­men­tal­mente os mais pró­xi­mos ao ideá­rio co­mu­nista, in­te­gram-se na II Agrupaçom do Exército Guerrilheiro, o qual es­tava co­or­de­nado po­las de­le­ga­çons do Partido Comunista de Espanha. Esta nova agru­pa­çom con­se­gue a co­la­bo­ra­çom de ou­tras par­ti­das que agiam de jeito au­tó­nomo. Outros guer­ri­lhei­ros pro­ce­den­tes da Federaçom como Manuel Girón ou Abelardo Macías ‘o Liebre’ con­ti­nu­a­rám com as suas pró­prias par­ti­das.

Serám guer­ri­lhei­ros da par­tida li­de­rada por Demetrio García, que es­ta­vam a co­la­bo­rar com a II Agrupaçom, os pro­ta­go­nis­tas do as­sé­dio e bom­bar­deio da al­deia rai­ana de Cambedo. Numha casa deste lu­gar en­con­tra­vam-se vá­rios guer­ri­lhei­ros no 21 de de­zem­bro de 1946, após vá­rios dias de umha ba­tida pola zona que re­a­li­zou con­jun­ta­mente a Guardia Civil e a Guarda Nacional Republicana por­tu­guesa. Dous guer­ri­lhei­ros re­sul­ta­riam mor­tos e ou­tros dous cap­tu­ra­dos, e a casa de dona Albertina, na qual se en­con­tra­vam, des­truída. Após a ba­ta­lha che­gou a re­pres­som, que en­car­ce­ra­ria dú­zias de pes­soas.

Arqueologia da ba­ta­lha
O ar­queó­logo Xurxo Ayán par­ti­ci­pou neste mês de agosto no pro­jeto ar­que­o­ló­gico em Cambedo, umha ini­ci­a­tiva que co­or­dena com Rui Gomes Coelho. Nessas pros­pe­çons apa­re­cé­rom res­tos de me­tra­lha, res­tos de ra­ja­das de me­tra­lha­do­ras, mesmo res­tos fos­si­li­za­dos de ele­men­tos do­més­ti­cos na casa de dona Albertina, a qual fi­cou aban­do­nada desde aquele 1946.

Há umha du­pla po­lí­tica de me­mó­ria ar­re­dor de Cambedo”, ex­plica Ayán. Por um lado, es­ta­ria a Associaçom de Amigos da República de Ourense, que em 1996 inau­gu­ra­ram um mo­nó­lito ao pé da ca­pela de Cambedo com a le­genda ‘Em lem­brança do vosso so­fri­mento’. Naquele 1996 ainda vi­viam pes­soas que atu­a­ram como en­la­ces na guer­ri­lha. Por ou­tro lado, na me­mó­ria po­pu­lar o to­pó­nimo Cambedo fi­cou li­gado com gente dura e rude.

Guerrilheiros da Federaçom Galiza-Leom. De es­querda a di­reita e de ar­riba abaixo: Guillermo Morán García, Mario Morán García, Evaristo González Pérez ‘Rocesvinto’, Arcadio Ríos Rodríguez e Abelardo Macías Fernández ‘Liebre’.

Repil
O 20 de abril de 1949 era as­ses­tado um novo golpe aos gru­pos guer­ri­lhei­ros que ope­ra­vam na II Agrupaçom, nesta oca­siom em Repil, na pa­ró­quia de Chavaga -Monforte-. Xurxo Ayán, tam­bém em co­la­bo­ra­çom com Rui Gomes Coelho, tra­ba­lhou numha in­ter­ven­çom ar­que­o­ló­gica neste lu­gar em 2016. “Chavaga era umha es­pé­cie de san­tuá­rio da guer­ri­lha, nesta zona con­ta­vam com muito apoio”, ex­póm o ar­queó­logo. Ayán, na­tu­ral desta zona, apre­senta-nos a fi­gura do co­man­dante Miguel Arricivita, o qual foi en­vi­ado pola che­fa­tura da Guardia Civil para re­ma­tar com os mo­vi­men­tos guer­ri­lhei­ros na Galiza. “O que fijo Arricivita foi fo­men­tar as de­la­çons, os ata­ques às po­pu­la­çons para que dei­xas­sem de apoiar a guer­ri­lhas -com tor­tu­ras e de­mais-, e in­fil­trou pes­soas”, ex­plica Ayán, quem tam­bém in­dica que nes­tes anos es­tivo ativo o ‘Comandante Félix’, um pre­sunto di­ri­gente co­mu­nista que re­al­mente tra­ba­lhava para a Guardia Civil.

O as­sé­dio às ca­sas de Repil e Montecelo co­me­çá­rom as três da tarde e con­tá­rom com um am­plo des­pre­gue de efe­ti­vos da Guardia Civil. Este ata­que pro­du­ziu-se pola de­la­çom dum fa­mi­liar da dona da casa de Repil, quem sa­bia que nesse dia de abril, que eram fes­tas na Chavaga, às três da tarde os guer­ri­lhei­ros en­con­tra­riam-se nes­sas ca­sas.

Repil é umha pai­sa­gem la­brega que se con­ver­teu em campo de ba­ta­lha. “É a me­tá­fora de um es­tado to­ta­li­tá­rio”, re­flete o ar­queó­logo Xurxo Ayán

Fijo-se um as­sé­dio da vi­venda de Repil” ex­pom Ayám; “era um pe­queno ou­teiro, dis­pu­gé­rom-se mor­tei­ros e três li­nhas de fu­zi­lei­ros da Guardia Civil. Os com­ba­tes co­me­ça­ram na casa de Montecelo -onde se en­con­trava o ex-guer­ri­lheiro da Federaçom Evaristo González Perez ‘o Rocesvintes’- e quando sen­tí­rom os ti­ros, um da de Repil saiu pola ja­nela e já per­ce­beu a pre­sença dos guar­das”. “Entom de­ci­dí­rom sair pola porta da horta”, con­ti­nua o re­lato de Ayán, “para ten­tar cru­zar a es­trada e aju­dar os que es­ta­vam na ou­tra casa. Tam pronto saem pola porta, três som mor­tos a ti­ros. Um de­les bo­tou-se para den­tro da casa, sai pola porta prin­ci­pal dis­pa­rando e con­se­gue es­ca­par”. Este é o guer­ri­lheiro Fermín Segura, o qual re­cebe um dis­paro na quei­xada que lhe des­fi­gura a cara. “Consegue che­gar à Freixa, onde é au­xi­li­ado polo cura, don Plácido, que de­pois terá mui­tís­si­mos pro­ble­mas e será en­vi­ado para o Brasil. O Fermin so­bre­vi­veu, mas foi aba­tido dous anos de­pois”, con­clui Ayán.

Os res­tos de car­tu­chos de ba­las en­con­tra­dos mais de ses­senta anos de­pois con­se­guem re­criar as li­nhas de van­guarda, os lu­ga­res onde fo­ram mas­sa­cra­dos os guer­ri­lhei­ros e mesmo qual foi a li­nha de fuga que se­guiu Fermín Segura. “É umha pai­sa­gem la­brega”, re­flete Ayán, “que se con­verte em campo de ba­ta­lha. É a me­tá­fora dum es­tado to­ta­li­tá­rio que ataca a po­pu­la­çom ci­vil”. As fa­mí­lias das ca­sas onde se aga­cha­vam os guer­ri­lhei­ros dei­xa­ram tam­bém duas pes­soas mor­tas e vá­rias en­car­ce­ra­das, na sua maior parte mu­lhe­res.

A es­ca­lada re­pres­siva do re­gime fran­quista irá pro­vo­cando a queda e a morte dos ex-guer­ri­lhei­ros da Federaçom que con­ti­nu­a­vam ainda ati­vos. Em 1951 en­con­trará a morte Manuel Girón, um dos ob­je­ti­vos mais per­se­gui­dos para o co­man­dante Arricivita.

Durante os anos 50 re­a­ti­vam-se na Galiza os mo­vi­men­tos mi­gra­tó­rios, e Xurxo Ayán quer cha­mar a aten­çom so­bre “que mui­tas des­tas mi­gra­çons som por mo­ti­vos po­lí­ti­cos, de pes­soas que an­te­ri­or­mente fo­ram en­la­ces da guer­ri­lha”. E conta da ex­pe­ri­ên­cia de Antonio Díaz, um an­tigo en­lace que mi­grou para Cuba, onde foi cho­fer do bispo da Havana. Díaz mar­chará cara a Sierra Maestra e, di-nos Ayán, será tam­bém quem es­teja ao vo­lante do ‘jeep’ em que Fidel Castro e Ernesto Guevara en­tra­rám triun­fan­tes na ci­dade da Havana.

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