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Alcoa Sam Cibrao, um gigante vermelho na Marinha lucense

por
a.p.

Em ja­neiro de 1979, a uni­dade de Alumina-Alumínio de Sam Cibrao, pro­pri­e­dade da em­presa pú­blica INESPAL (Industria Española de Aluminio), ini­ci­ava a pro­du­çom de alu­mí­nio ele­tro­lí­tico. Na al­tura fal­tava ainda com­ple­tar a cons­tru­çom do porto co­mer­cial –ces­som ex­clu­siva da au­to­ri­dade por­tuá­ria–, que nom aca­ba­ria até março de 1980. Com dous di­ques de 942 e 1.129 me­tros de com­pri­mento e zona de ma­no­bra de 420.000 me­tros qua­dra­dos, a in­fra­es­tru­tura es­tava de­se­nhada para alo­jar na­ves de até 60.000 to­ne­la­das. O rei Juan Carlos I e a rai­nha Sofia fô­rom os en­car­re­ga­dos de inau­gu­rar em ou­tu­bro de 1980 o com­plexo in­dus­trial, que atin­giu a sua plena pro­du­çom em 1981.

Culminava as­sim um pro­cesso ini­ci­ado em 1972, quando nas­ceu o an­te­pro­jeto que si­tu­ava a uni­dade fa­bril em Vila Garcia de Arouça. A pres­som po­pu­lar des­bo­tou ra­pi­da­mente esta op­çom e foi em 1974 que o Conselho de Ministros co­lo­cou a fá­brica de alu­mí­nio no ter­ri­tó­rio que di­vide os con­ce­lhos de Jove e Cervo –ainda que a en­trada está em Sam Cibrao, a maior parte do com­plexo está lo­ca­li­zada no con­ce­lho jo­vense-. “Na al­tura o pre­si­dente era Calvo Sotelo e foi quem, por causa da opo­si­çom dos ma­ris­ca­do­res da Arouça, de­ci­diu tra­zer a fá­brica para a costa de Lugo. Estudárom desde Ribadéu até ao Vicedo e pa­re­ceu-lhes que este era o sí­tio mais idó­neo, e foi as­sim como co­me­çou a his­tó­ria”, re­lata Jesús López, al­calde de Jove desde 1975 até 2007.

Calvo Sotelo mu­dou a lo­ca­li­za­çom da fá­brica de vila Garcia para a costa de lugo por causa dos pro­tes­tos


E a his­tó­ria co­me­çou, e as coi­sas co­me­çá­rom a mu­dar muito rá­pido. A Marinha pas­sou dumha eco­no­mia ba­se­ada ex­clu­si­va­mente na ex­plo­ra­çom agrí­cola e a ati­vi­dade ma­ri­nheira a um te­cido in­dus­trial do­mi­nado pola fá­brica de alu­mí­nio. “Antes da fá­brica vi­via-se quase ex­clu­si­va­mente do mar, a gente ia ao bo­nito ou ao bo­carte e só umhas 20 fa­mí­lias do con­ce­lho po­diam vi­ver da terra”, lem­bra López. O di­nheiro co­me­çou a fluir pri­meiro com a com­pra dos ter­re­nos. Alumina-Alumínio ia pre­ci­sar de 500 hec­ta­res, den­tro das quais en­tra­ria o com­plexo in­dus­trial, o porto, o en­coro de água de rio Covo, a ba­cia de re­ten­çom de re­sí­duos –lama ver­me­lha–, a su­bes­ta­çom de ener­gia elé­trica, os es­cri­tó­rios ge­rais, os re­fei­tó­rios, os la­bo­ra­tó­rios cen­trais e os obra­doi­ros.


“O dos ter­re­nos foi umha au­tên­tica ver­go­nha, que­riam a 30 ou 50 pe­se­tas o me­tro como má­ximo, e o go­ver­na­dor cha­mou-me para que fa­ci­li­tasse a com­pra. Eu reuni-me com os vi­zi­nhos e che­ga­mos ao acordo de que, se ven­diam a 200 pe­se­tas o me­tro, ven­diam to­dos. A em­presa nom acei­tou e co­me­çou a ne­go­ciar in­di­vi­du­al­mente com cada um, che­gá­rom mesmo a com­prar por 500 pe­se­tas o me­tro”, de­ta­lha o ex-al­caide. O grupo pro­mo­tor es­tava for­mado pola Endasa (Empresa Nacional del Aluminio), Alugasa (Aluminio de Galicia, S. A.), Unión Fenosa e di­fe­ren­tes en­ti­da­des ban­cá­rias. As suas ne­go­ci­a­çons vi­rá­rom po­lé­mi­cas quando as pes­soas que ce­de­ram an­tes à pres­som aca­bá­rom por re­ce­ber me­nos di­nheiro que aque­les vi­zi­nhos que ne­go­ci­a­ram mais tempo. Entre as 3.000 pro­pri­e­da­des ven­di­das há que in­cluir tam­bém aque­las nas que ins­ta­la­riam a du­pla li­nha de alta ten­som –até 410.000 vól­tios– que co­mu­nica a cen­tral tér­mica das Pontes com o com­plexo. “Lembro muito bem que os ca­bos pas­sa­vam en­tre as ca­sas e a vi­zi­nhança mo­bi­li­zara-se muito, co­lo­cara-se no meio para im­pe­dir o passo das má­qui­nas, e a Guarda Civil acu­dira lá para os ti­rar”, conta Demetrio Salgueiro, su­ces­sor de López no Concelho.

Um Far West ga­lego
As obras do com­plexo re­que­re­ram do tra­ba­lho de 20.000 pes­soas. As pa­ró­quias ane­xas à cons­tru­çom ex­pe­ri­men­tá­rom umha re­vo­lu­çom com as ca­sas par­ti­cu­la­res a se re­con­ver­te­rem em pou­sa­das para aco­lher pes­soas de to­dos os pon­tos do País. Anexos de nova cons­tru­çom, bar­ra­cons e até ca­bo­ços fei­tos dor­mi­tó­rios im­pro­vi­sa­dos. “Aquilo pa­re­cia o Oeste, nom ha­via con­ce­lho que nom ti­vesse gente a tra­ba­lhar lá, e mui­tos fi­cá­rom cá na fá­brica de­pois da obra”, brinca López.
E as­sim, essa pai­sa­gem de praias, lei­ras e ma­ris­mas que ocu­pava a fron­teira en­tre a pa­ró­quia de Lieiro (Cervo) e Lago (Jove) foi aba­lada por umha cons­tru­çom que de­mo­rou 5 anos –um ano mais do pro­gra­mado– du­rante os quais fô­rom vo­a­dos 10.000.000 me­tros cú­bi­cos de pe­dra e en­chi­dos 10.000 me­tros qua­dra­dos de are­ais para fa­zer sí­tio a um gi­gante de alu­mí­nio com umha ne­ces­si­dade de con­sumo elé­trico de 4500 mi­lhons de Kilowatios por ano. Isto, na al­tura, su­pu­nha 50% do to­tal de con­sumo elé­trico de toda a Galiza.
Paralelamente à uni­dade de Alumina-Alumínio nas­cé­rom dous pro­je­tos de­se­nha­dos pre­ci­sa­mente para abas­te­cer esta nova de­manda elé­trica. Por um lado, es­tava a cen­tral nu­clear de Regodela, um plano vin­cu­lado à fá­brica que nunca che­gou a se ma­te­ri­a­li­zar. Em 1973, o plano pro­me­tia “quase 100.000 mi­lhons de pe­se­tas e tra­ba­lho para duas mil pes­soas”. Nesta etapa se­ró­dia do fran­quismo, a as­so­ci­a­çom cul­tu­ral Sementeira de Viveiro ani­mou a açom po­lí­tica. Celebrarom-se gran­des mar­chas desde a vila até Jove, em 1974, 1977 e 1979. Perante a pres­som po­pu­lar de mi­lha­res de pes­soas, a Administraçom lo­cal de­ci­diu nom ex­pe­dir li­cença ao pro­jeto, fre­ando a ins­ta­la­çom. “Nom sa­bía­mos nada da nu­clear, es­tá­va­mos com os olhos fe­cha­dos e a gente co­me­çou a mo­ver-se. Sobretudo o BNG, ti­nha umha in­for­ma­çom que nom tí­nha­mos nós e co­me­çou a fa­lar com os vi­zi­nhos. Eu tra­tei de me in­for­mar e foi com essa in­for­ma­çom que de­cidi nom dar-lhes a li­cença de obra”, narra López.

O pro­jeto dumha cen­tral nu­clear em Jove para abas­te­cer a fá­brica foi bo­tado abaixo pola mo­bi­li­za­çom po­pu­lar


Perante o fra­casso da nu­clear, a cen­tral tér­mica das Pontes apa­re­ceu como a op­çom mais vá­lida para nu­trir de ener­gia à fá­brica. Atualmente, dous dos qua­tro gru­pos ele­tró­ge­nos es­tám ex­clu­si­va­mente des­ti­na­dos à Alcoa. Isto é, me­tade da pro­du­çom das Pontes é di­ri­gida à in­dús­tria pro­du­tora de alu­mí­nio, umha in­dús­tria que na al­tura che­gou a em­pre­gar quase 2.000 pes­soas e da que, a dia de hoje, vi­vem 980 em­pre­gos di­re­tos e mais de 600 em­pre­gos in­di­re­tos.


O sis­tema di­ges­tivo da má­quina
O pes­soal da em­presa, pro­pri­e­dade da mul­ti­na­ci­o­nal es­ta­du­ni­dense Alcoa (Aluminum Company of America) desde 1998, é dis­tri­buído por duas fá­bri­cas: Alumina –onde a bau­xite é des­car­re­gada e con­ver­tida em óxido de alu­mí­nio– e Alumínio –onde este óxido é pro­ces­sado e trans­for­mado em alu­mí­nio me­di­ante a ele­tró­lise–.
A cor óxida tam ca­ra­te­rís­tica da fá­brica é de­vida à Alumina, onde os prin­ci­pais ma­te­ri­ais som a bau­xite, a soda cáus­tica, o ácido sul­fú­rico e a cal. “Aí é a zona de di­ges­tom, é tal qual o corpo hu­mano”, ex­plica Abilio Benito Calvo, ex tra­ba­lha­dor de fá­brica. Como um prato de co­mida, a bau­xite chega car­re­gada em gran­des bu­ques de grande en­ver­ga­dura que che­gam –prin­ci­pal­mente– desde a Guiné-Conacri para se­rem mas­ti­ga­dos na ‘mo­a­gem’, onde o ma­te­rial é tri­tu­rado até se con­ver­ter em pó. Logo vai à di­ges­tom, onde passa por di­fe­ren­tes tu­ba­gens e de­pó­si­tos para ser mis­tu­rado com ma­te­ri­ais como soda cáus­tica, cal ou ácido sul­fú­rico, que se­pa­ram o alu­mí­nio da bau­xite. Depois da di­ges­tom, o ma­te­rial é ex­pulso –tanto o óxido de alu­mí­nio quanto a lama ver­me­lha que fica como re­sí­duo– por uns ta­pe­tes ro­lan­tes.
A alu­mina, ou óxido de alu­mí­nio, é um pó de cor branco ou cin­zento –quanto mais seco, mais branco– que é le­vado até aos 512 tan­ques de ele­tró­li­ses. Já a lama ver­me­lha é trans­fe­rida para a ba­cia de re­sí­duos. As me­di­das no pro­cesso som exa­tas: por cada 4 to­ne­la­das de bau­xite, som sub­traí­das 2 to­ne­la­das de alu­mina que, umha vez pro­ces­sa­das, da­rám 1 to­ne­lada de alu­mí­nio.
Umha vez na fá­brica de Alumínio -a área de cor cin­zenta-, a alú­mina é ar­ma­ze­nada em dous gran­des si­los que re­par­tem o ma­te­rial em dis­tri­bui­do­res. Estas má­qui­nas fun­ci­o­nam com uns ci­lin­dros que in­tro­du­zem au­to­ma­ti­ca­mente a alu­mina den­tro do tan­que. “Antigamente a alu­mina me­tia-se com umhas pon­tes de carga, mas agora uti­li­zam dis­tri­bui­do­res. É mui pe­ri­goso por­que nos tan­ques de ele­tró­lise pode che­gar a ha­ver umha in­ten­si­dade de até 1000 am­pe­res, as­sim que nom deve ha­ver con­tato en­tre os dous tan­ques, den­tro das quais a alu­mina é fun­dida a, apro­xi­ma­da­mente, uns 800 graus cen­tí­gra­dos”, ex­plica Calvo.
No iní­cio da sua ati­vi­dade, po­rém, o pro­cesso in­dus­trial nom es­tava tam afi­nado, e era ha­bi­tual que os tan­ques pro­vo­cas­sem pro­ble­mas. “Antes nom exis­tiam os dis­tri­bui­do­res e de­via ha­ver um tra­ba­lha­dor -o em­pre­gado res­pon­sá­vel polo tan­que, cha­mado de «cu­bista»– que ti­nha que cal­cu­lar as quan­ti­da­des. Se algo nom cor­ria bem, su­biam ga­ses e cum­pria me­ter eu­ca­lip­tos para que con­su­misse o gás”, lem­bra o ex tra­ba­lha­dor. Esses pri­mei­ros tes­tes tam­bém os lem­bram os vi­zi­nhos de Lago, quem nos pri­mei­ros anos as­sis­tiam as­sus­ta­dos a grande pre­sença de emis­sons. “Começárom a fun­ci­o­nar sem me­di­das de cor­re­çom, sem fil­tros, e aquilo quei­mou tudo, quei­ma­vam os eu­ca­lip­tos como se fos­sem pa­pel. Foi ter­rí­vel”, de­clara Jesús López.
Umha vez fi­na­li­zado o pro­cesso de ele­tró­lise, o lí­quido é as­pi­rado desde a ponte polo que cha­mam de ‘bolsa de co­lada’, que é a en­car­re­gada de dei­tar o con­teúdo numha tomba mais grande para le­var a fun­di­çom. Já em fun­di­çom, o alu­mí­nio é aque­cido de novo para ela­bo­rar as li­gas me­tá­li­cas com ferro, ti­tâ­nio, zinco… “O que pida o com­pra­dor, o alu­mí­nio pode ser feito em lin­go­tes pe­que­nos de 2 qui­los, em pran­chas lon­gas de até 2000 qui­los ou mesmo de 10 to­ne­la­das”, in­dica Abilio, quem tra­ba­lhou vinte anos na fá­brica como ofi­cial no obra­doiro cen­tral, no de­par­ta­mento de ane­xos e no de ele­tró­lise.
Portas, ja­ne­las, te­lha­dos, car­ros ou mesmo tam­pas de io­gur­tes. A ex­ce­çom da Alumínios Cortizo, o alu­mí­nio de Sam Cibrao é en­vi­ado quase na sua to­ta­li­dade para fora do te­cido eco­nó­mico da Galiza. Fábricas de Granada, Alicante, Amorebieta ou, mesmo, ou­tros paí­ses, re­ce­bem o ma­te­rial atra­vés de barco, ca­miom ou com­boio. Segundo os da­dos da pró­pria em­presa, a Alcoa Sam Cibrao pro­duz ar­re­dor de 1,5 mi­lhom de to­ne­la­das de alu­mina e 250.000 to­ne­la­das de alu­mí­nio por ano que vam des­ti­na­dos ao mer­cado es­ta­tal –60%– e além do es­tado es­pa­nhol –40%, prin­ci­pal­mente paí­ses eu­ro­peus e asiá­ti­cos–.

Galiza nom tem te­cido eco­nó­mico para pro­ces­sar o alu­mí­nio pro­du­zido em Alcoa

Calor, soda e tra­ba­lho
Para se che­gar a con­se­guir es­tes ní­veis de pro­du­çom, é ne­ces­sá­rio o tra­ba­lho de cen­te­nas de ope­rá­rios em tur­nos de 8 ho­ras –de 6 a 14 ho­ras, de 14 a 22 ho­ras e de 22 a 3 ho­ras–. Vinte e qua­tro ho­ras por dia, sete dias por se­mana. O ritmo de pro­du­çom nom para nunca, já que os tan­ques de ele­tró­lise nom dei­xam de fun­ci­o­nar em ne­nhum mo­mento. No caso das em­pre­sas au­xi­li­a­res, em­pre­ga­das prin­ci­pal­mente em ta­re­fas de ma­nu­ten­çom, o côm­puto de ho­ras pode as­cen­der até doze. Altas tem­pe­ra­tu­ras, es­pa­ços con­fi­na­dos, ex­po­si­çom a ga­ses, char­cos de soda cáus­tica no chao… Esses som ape­nas al­gu­mas das coi­sas que vi­veu R.C.L. como tra­ba­lha­dor even­tual de TECRASA, em­presa au­xi­liar es­pe­ci­a­li­zada em ci­mento re­fra­tá­rio.
“Nós mu­dá­va­mos o ci­mento re­fra­tá­rio dos tan­ques de cal­ci­na­çom no meio de pa­ra­gens de 15 ou 20 dias. Eu che­guei polo INEM, sem qual­quer ex­pe­ri­ên­cia nem es­pe­ci­a­li­za­çom, só ti­nha o Bacharelato. Tiravam o pro­duto do tan­que e abriam as com­por­tas até que se re­gis­tasse umha tem­pe­ra­tura acei­tá­vel, uns 30º, e da­quela en­trá­va­mos pi­car com o mar­telo pneu­má­tico”, conta o moço, que ti­nha 20 anos na al­tura da­quele con­trato.
Entre as en­fer­mi­da­des mais fre­quen­tes en­tre as pes­soas que tra­ba­lham na Alcoa en­con­tram-se os pro­ble­mas de pele –por ex­po­si­çom a quí­mi­cos no am­bi­ente– e as do­en­ças reu­má­ti­cas e ar­ti­cu­la­res. “Penso que quase 60% do pes­soal tem al­gum pro­blema de cer­vi­cais, aju­dam as más pos­tu­ras e os mo­vi­men­tos re­pe­ti­ti­vos, car­re­gar sa­cos… Eu mesmo tive que pas­sar de tra­ba­lhar a ele­tró­lise a ane­xos por umha le­som num braço”, afirma José Manuel Pena Abeijón, tra­ba­lha­dor da fá­brica desde 1989 e de­le­gado sin­di­cal da CIG. Abilio Calvo, por sua vez, tam­bém tivo de so­frer si­tu­a­çons de risco como tra­ba­lha­dor da ma­nu­ten­çom e bom­beiro da fábrica.“Desde a re­pa­ra­çom de tan­ques em que tens que tro­car o pi­ca­dor en­quanto fun­ci­ona, a 700º, até tra­ta­res de even­tu­ais in­cên­dios na fá­brica ou fu­gas de soda cáus­tica”, enu­mera.
Estas con­di­çons de tra­ba­lho nom fô­rom, no iní­cio, equi­pa­ra­das com umha re­com­pensa sa­la­rial equi­va­lente. “Muitos dos tra­ba­lha­do­res que iam ao mar e fi­cá­rom na fá­brica quando abriu ga­nha­vam muito me­nos do que ga­nha­vam no mar, pode que umha quarta ou quinta parte”, disse Demetrio Salgueiro, al­caide de Jove. Com o pas­sar dos anos, isto foi mu­dando gra­ças à pres­som sin­di­cal exer­cida polo pes­soal da fá­brica. “Isso deve-se às de­man­das, claro, au­men­tar os sa­lá­rios e me­lho­rar as con­di­çons, a gente fa­zia força e tí­nha­mos me­lho­res con­ven­çons”, frisa José García González, tra­ba­lha­dor da ma­nu­ten­çom na Alcoa desde 1991. A pre­sença de ope­rá­rios che­ga­dos de ou­tros pon­tos da pe­nín­sula –Astúrias, Cantábria, Castela…– aju­dá­rom a criar os ali­cer­ces dumha cul­tura sin­di­cal que nom exis­tia pre­vi­a­mente na con­torna.


Da Inespal à Alcoa, por 19 mil mi­lhons de pe­se­tas
No ano 1998 tor­nou-se efe­tiva a com­pra da Inespal pola mul­ti­na­ci­o­nal es­ta­du­ni­dense Alcoa. Por umha soma de 19.000 mi­lhons de pe­se­tas, as fá­bri­cas de alu­mí­nio de Avilés, A Corunha e Sam Cibrao pas­sa­vam a ser ca­pi­tal ame­ri­cano. Esta mu­dança trouxe, prin­ci­pal­mente em ter­mos de se­gu­rança, ino­va­çons à fá­brica ma­ri­nhá. Dentro dos seus pro­to­co­los in­ter­nos, o novo dono da fá­brica co­me­çou a apli­car re­for­ços nas áreas me­nos pro­te­gi­das no que toca à ques­tom dos ris­cos pro­fis­si­o­nais: es­pa­ços con­fi­na­dos, tra­ba­lhos em al­tu­ras, pro­te­çom em má­qui­nas e con­sig­na­çom (cer­ti­fi­ca­çom de que as má­qui­nas nom têm ener­gia quando se tra­ba­lha com elas). Além disto, a planta de Sam Cibrao in­ci­diu na for­ma­çom dos tra­ba­lha­do­res –do pró­prio pes­soal ou con­tra­tan­tes– e a es­tan­dar­di­za­çom e me­lhora de pro­ces­sos e ati­vi­da­des. Explosímetro, fa­tos de se­gu­rança, cur­sos de for­ma­çom, lu­vas, ócu­los in­te­grais, du­plo bote de di­fo­te­rina –neu­tra­li­za­dor da soda cáus­tica–, luz pró­pria, ob­ser­va­do­res du­rante os tra­ba­lhos de ma­nu­ten­çom… Tudo isto já exis­tia ou foi au­men­tado du­rante as úl­ti­mas dé­ca­das e, con­tudo, exis­tem al­gu­mas dis­cre­pân­cias en­tre os fun­ci­o­ná­rios na hora de ava­liar esta me­lho­ria nas suas con­di­çons de tra­ba­lho.
Por um lado, ope­rá­rios como Abilio Calvo ga­ran­tem que nunca re­ce­be­ram pres­sons para dei­xa­rem de aten­der os pro­to­co­los, e ou­tros como R.C.L. apon­tam que nom é pos­sí­vel sal­tar as nor­mas se nom é cons­ci­en­te­mente. Contudo, exis­tem tam­bém tes­te­mu­nhas que apon­tam o con­trá­rio. “Há su­fi­ci­en­tes nor­ma­ti­vas, sendo que por ve­zes pa­re­cem ex­ces­si­vas por­que se con­tra­di­zem e logo, quando nom há apuro, vai tudo bem, mas ou­tras ve­zes por ne­ces­si­dade de pro­du­çom es­sas nor­ma­ti­vas som ig­no­ra­das por­que a ge­rên­cia fe­cha os olhos e pe­dem-che para re­sol­ve­res o pro­blema, seja como for”, re­lata García González. Concorda com ele José Manuel Pena, quem si­nala que “a te­o­ria está muito bem, mas na prá­tica é di­fe­rente, e quando há apuro o pri­meiro que se deixa de fora é a se­gu­rança, de­ram-se mui­tos ca­sos”.
Para além des­tes de­ba­tes acres­cem as de­man­das co­muns dos sin­di­ca­tos, que têm a ver com a re­du­çom do pes­soal. “Quando eu en­trei éra­mos cerca de 1.600 e agora es­ta­mos em 980. Menos pes­soas fa­ze­mos o mesmo tra­ba­lho. Aumenta, de fato”, la­menta Pena Abeijón. Da CIG tam­bém des­ta­cam a falta de in­ves­ti­men­tos, que nom se­me­lha mu­dar nem quando o preço do alu­mí­nio sobe. “Há pon­tos crí­ti­cos, so­bre­tudo em ele­tró­lise, fun­di­çom e elé­trodo, que pre­ci­sam dumha so­lu­çom», re­sume.
Além disto, a ques­tom prin­ci­pal que nes­tes me­ses se co­lo­cou acima da mesa foi o en­cer­ra­mento das fá­bri­cas da Corunha e Avilés, e como este po­derá in­fluir so­bre a fá­brica de Sam Cibrao, a única do grupo que fi­cará aberta no Estado. Segundo as úl­ti­mas ne­go­ci­a­çons, há um pré-acordo para a trans­fe­rên­cia de 106 tra­ba­lha­do­res –53 da Corunha e 53 de Avilés– para as duas uni­da­des de Sam Cibrao e Jove. Perante essa de­ci­som, o co­mité de em­presa ex­plica que está dis­po­ní­vel para acei­tar o que for desde que isso nom sig­ni­fi­que a des­trui­çom dos pos­tos de tra­ba­lho atu­ais. “a Alcoa atuou de má fe por­que nos deu umha carta que nom nos cor­res­ponde, nós nom es­tá­va­mos na mesa de ne­go­ci­a­çom e me­teu-nos um ERE en­co­berto em Sam Cibrao”, cri­tica Pena Abeijón, quem vê que a in­clu­som des­tes no­vos tra­ba­lha­do­res sig­ni­fi­cará o fim dos des­pe­di­men­tos vo­lun­tá­rios a con­tra­tos re­levo para os tra­ba­lha­do­res das ETT –ar­re­dor de 80 pes­soas–, even­tu­ais e bol­sei­ros.

A pri­va­ti­za­çom da fá­brica pro­vo­cou um au­mento da es­tan­da­ri­za­çom e umha re­du­çom dos pos­tos de tra­ba­lho


Para já, a maior parte do pes­soal e da con­torna nom teme um fu­turo si­mi­lar às uni­da­des da Corunha e Avilés. A pró­pria mul­ti­na­ci­o­nal cha­mou à calma com umha nota no pas­sado 17 de ou­tu­bro onde as­se­gu­rava que a fá­brica de Sam Cibrao nom se­ria afe­tada por ne­nhuma me­dida de en­cer­ra­mento, e que a pro­du­çom se­ria re­or­ga­ni­zada lá ao ter “umha in­fra­es­tru­tura mo­derna e mais efi­ci­ente, com a uni­dade de alu­mina in­cor­po­rada”. Única no Estado, a Alcoa Sam Cibrao con­ti­nua a sua pro­du­çom vinte e qua­tro sete, sem pausa mas com a in­tran­qui­li­dade que dá a de­pen­dên­cia a umha fá­brica que trouxe imen­sas mu­dan­ças à co­marca e im­plica nom só pos­tos de tra­ba­lho di­re­tos e in­di­re­tos, mas 70% das re­cei­tas dos con­ce­lhos onde se si­tua e mais de 30% do PIB bruto da pro­vín­cia.

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