Periódico galego de informaçom crítica

Atividade sindical em tempos de coronavírus

por
vera-cruz mon­toto

As medidas que desde o governo se tomárom para controlar a pandemia da COVID-19 conta com umha clara oposiçom por parte das centrais sindicais, quem vem nestas decisons umha vontade de manter os interesses do padroado empresarial por acima da saúde das trabalhadoras e trabalhadores. Ademais, denunciam que as vidas das pessoas som postas em risco com a demora na adoçom de medidas de segurança, a continuidade nos seus postos de pessoal sensível ou a extensa extinçom de emprego que estamos a viver e cujos efeitos serám mais graves nos próximos meses.

A se­gu­rança e a saúde das pes­soas tra­ba­lha­do­ras está a con­ver­ter-se no campo de ba­ta­lha cen­tral no campo sin­di­cal na atual fase da pan­de­mia da Covid-19. Assim, para o se­cre­tá­rio con­fe­de­ral de Emprego e Indústria da CIG, Fran Cartelle, há umha ques­tom es­pe­ci­al­mente gra­vosa, e é “que as pes­soas mais vul­ne­rá­veis, as es­pe­ci­al­mente sen­sí­veis, es­te­jam ainda a tra­ba­lhar”. Deste jeito, de­nun­cia que o go­verno es­ta­tal co­lo­casse nas maos dos ser­vi­ços de pre­ven­çom a re­a­li­za­çom das ava­li­a­çons de risco dos pos­tos de tra­ba­lho. Cartelle re­clama tam­bém a au­sên­cia de meios pre­ven­ti­vos. Assim, in­dica que em al­guns se­to­res con­cre­tos em que es­tám a de­te­tar esta falta de meios como o se­tor do co­mér­cio e ali­men­ta­çom, as em­pre­ga­das do­més­ti­cas e as re­si­dên­cias de pes­soas ido­sas, mas as­si­nala que “é mai­o­ri­tá­ria e mas­siva a ex­po­si­çom das pes­soas tra­ba­lha­do­ras neste pro­blema”. 

Brais González, da as­ses­so­ria ju­rí­dica da CUT, acres­centa nessa enu­me­ra­çom de se­to­res em­pre­sa­ri­ais com umha maior ex­po­si­çom de risco as fá­bri­cas de con­ge­la­dos, “que con­ti­nuam a tra­ba­lhar em li­nha e ne­gam-se a es­ta­be­le­cer pro­to­co­los de dis­tan­ci­a­mento so­cial”. González sa­li­enta a des­pro­te­çom que em ge­ral es­tám a en­fren­tar as pes­soas tra­ba­lha­do­ras e cri­tica que o es­tado nom atu­a­li­zasse ou com­ple­men­tasse a le­gis­la­çom de pre­ven­çom de ris­cos. “Ademais, o or­ga­nismo su­per­vi­sor de ris­cos la­bo­rais, que é Inspeçom de Trabalho, está com­ple­ta­mente au­sente”, as­si­nala. 

Fran Cartelle (CIG): “É mui grave que o pes­soal mais sen­sí­vel es­teja ainda a tra­ba­lhar”

Por ou­tra banda, González ex­pom que o agir mai­o­ri­tá­rio das em­pre­sas a res­peito das me­di­das de pre­ven­çom está a ser a emis­som de umha nota de pre­ven­çom mas sem umha ava­li­a­çom pro­funda dos ris­cos, as­si­na­lando que a em­presa pode dar al­guns equi­pa­men­tos de se­gu­rança des­ne­ces­sá­rios e nom res­pei­tar ou­tras me­di­das como o dis­tan­ci­a­mento en­tre o pes­soal. 

Destruçom de em­prego

A 8 de abril apre­sen­ta­ram-se na Galiza um to­tal de 32.206 ex­pe­di­en­tes de re­gu­la­çom tem­po­ral de em­prego (ERTE), que afe­tam a um to­tal de 205.396 pes­soas tra­ba­lha­do­ras. No re­fe­rido aos da­dos que ofe­rece a ad­mi­nis­tra­çom, Fran Cartelle cri­tica que o Serviço Público de Emprego Estatal (SEPE) “nom es­pe­ci­fica quan­tas em­pre­sas, nem que di­men­som te­nhem, nem de que se­to­res som, nem muito me­nos se som de sus­pen­som ou de re­du­çom de jor­nada”. Na ati­vi­dade sin­di­cal que está a de­sen­vol­ver a CIG en­con­tra-se a de­nún­cia das em­pre­sas que nom es­tám a cum­prir em ma­té­ria pre­ven­tiva e tam­bém “de­nun­ciar to­dos aque­les in­cum­pri­men­tos re­la­ti­vos a ERTEs pois há mui­tas em­pre­sas que es­tám a in­ten­tar co­lar ERTEs por causa de força maior quando nom é as­sim”, ex­pom Cartelle. 

No caso dos ERTEs de força maior, es­tes som apro­va­dos pola au­to­ri­dade la­bo­ral, fi­cando nas maos de ins­pe­çom ape­nas a emis­som de um re­la­tó­rio se a au­to­ri­dade la­bo­ral o con­si­de­rar pre­ciso. Da as­ses­so­ria ju­rí­dica da CUT in­di­cam que nom es­tám a re­ce­ber res­posta quando en­viam co­mu­ni­ca­çons à ins­pe­çom e às au­to­ri­da­des la­bo­rais de­nun­ci­ando ERTEs de força maior frau­du­len­tos. “A au­to­ri­dade la­bo­ral di que nom lhes com­pete e eles só au­to­ri­zam, Inspeçom di que só pode emi­tir re­la­tó­rio se o so­li­cita a au­to­ri­dade la­bo­ral, e esta nom o so­li­cita. Ninguém se res­pon­sa­bi­liza e es­tám a apro­var-se re­gu­la­men­tos de em­prego a to­das lu­zes ilí­ci­tos” ex­pom González. 

Brais González (CUT): “As ad­mi­nis­tra­çons nom se res­pon­sa­bi­li­zam e es­tám a apro­var-se re­gu­la­men­tos de em­prego ilí­ci­tos”

As cen­trais sin­di­cais tam­bém se mos­tram crí­ti­cas com a ga­ran­tia de con­ti­nui­dade du­rante seis me­ses após o es­tado de alarma no caso dos ERTEs, pois con­si­de­ram-na ir­real. “Veremos que me­ca­nis­mos exis­tem para que se cum­pra na prá­tica isso, pois há bas­tan­tes ou­tros mo­ti­vos po­los que ra­cha umha re­la­çom la­bo­ral. Haverá que ter mesmo em conta que de­pois de um ERTE ha­verá em­pre­sas que nom vol­tem abrir”, ex­pom Cartelle. Assim, este sin­di­ca­lista lem­bra as pro­pos­tas for­mu­la­das pola CIG para a pro­te­çom dos di­rei­tos das pes­soas tra­ba­lha­do­ras: “Nós for­mu­lá­va­mos nom pas­sar-lhe a fa­tura às tra­ba­lha­do­ras e tra­ba­lha­do­res, dar umha li­cença re­tri­buída e logo ve­ría­mos como pa­gar essa fa­tura, que te­ria que pagá-la quem pode pagá-la, como po­dem ser os ban­cos que se res­ga­ta­ram no seu dia, ou as gran­des for­tu­nas”. 

Perspetivas

Por di­ante, fica umha pers­pe­tiva de umha grande crise eco­nó­mica que se no­tará nas vi­das das pes­soas tra­ba­lha­do­ras. “Acho que vai ha­ver uns da­dos muito ne­ga­ti­vos. Já se des­truiu muito com a de­mora em to­mar as pri­mei­ras me­di­das, com muita gente even­tual à que res­cin­di­ram os con­tra­tos an­tes de que saís­sem os ERTEs e agora a ten­dên­cia nom é mui pro­mis­sora”, afirma Cartelle.

Pola sua banda, Brais González con­corda com que “vai ha­ver umha ex­tin­çom de em­prego mas­siva”, acres­cen­tando um in­ter­ro­gante so­bre a parte pas­siva: “se todo o te­cido eco­nó­mico pas­sou a ser sus­tido po­los fun­dos de pres­ta­çom do es­tado, os sa­lá­rios pas­si­vos como se vam sus­ter?”. 

Correios: um exem­plo de de­mora nas me­di­das de pro­te­çom

A co­me­ços do mês de abril, no pes­soal de Correios do nosso país ha­via uns 38 ca­sos po­si­ti­vos de Covid-19. Desde o iní­cio do es­tado de alarma, as cen­trais sin­di­cais es­ti­vé­rom a so­li­ci­tar umha sé­rie de me­di­das de pre­ven­çom pe­rante a in­ca­pa­ci­dade de Correios de cum­prir com os seus pró­prios pro­to­co­los, os quais tam­bém fô­rom mu­dando desde o iní­cio de crise. Da CGT de­nun­ciam que na se­gunda-feira da pri­meira se­mana do es­tado de alarme, quando no dia an­te­rior a em­presa afir­mara que ha­ve­ria ma­te­rial de pro­te­çom para as tra­ba­lha­do­ras e tra­ba­lha­do­res, vá­rias re­par­ti­do­ras se ne­ga­ram a sair ante a au­sên­cia do dito ma­te­rial. 

Estivérom as­sim quinze dias, sem nada, nem lu­vas nem gel hi­dro­al­coó­lico nem más­ca­ras”, de­nun­cia John Vivanco, se­cre­tá­rio con­fe­de­ral da CIG-Correos. Passados es­ses quinze dias co­me­çou a che­gar o ma­te­rial, mas foi aos pou­cos e nal­guns cen­tros só se en­vi­a­vam lu­vas de um ta­ma­nho que nom va­liam para to­das as tra­ba­lha­do­ras. Vivanco de­nun­cia tam­bém que nom há umha de­sin­fe­çom pro­gra­mada e diá­ria dos e dos veí­cu­los e sa­li­enta que desde a CIG es­tám “a so­li­ci­tar tra­ba­lhar ao 25% igual que o resto da ad­mi­nis­tra­çom, para que um car­teiro só saia à rua 1 de cada 4 dias. A em­presa en­tende o con­trá­rio, pri­o­ri­zando os re­sul­ta­dos co­mer­ci­ais di­ante da saúde dos tra­ba­lha­do­res. Agora o pes­soal está a tra­ba­lhar ao 50% no re­parto”. Outra das me­di­das que se foi to­mando ao longo das úl­ti­mas se­ma­nas foi a ins­ta­la­çom de di­vi­só­rias de acrí­lico nas ofi­ci­nas, po­rém, na se­gunda se­mana de abril, se­gundo in­di­cam as fon­tes sin­di­cais con­sul­ta­das, ainda nom es­tám pre­sen­tes em to­das as ofi­ci­nas do país.

Outro con­flito nas me­di­das de cui­dado da saúde das tra­ba­lha­do­ras é a dis­tân­cia de se­gu­rança. Da CGT de­nun­ciam que a di­re­çom de Correios nom aten­deu as re­co­men­da­çons de co­lo­car esta dis­tân­cia nos dous me­tros e re­duzi-na a um me­tro. Para cum­prir com umha dis­tân­cia de dous me­tros, desta cen­tral sin­di­cal sa­li­en­tam que Correios te­ria que re­du­zir mais a sua ati­vi­dade e fa­zer tur­nos me­nos nu­me­ro­sos.

Correios Express

Em Correios existe umha di­vi­som que conta com umha pro­ble­má­tica di­fe­ren­ci­ada. Trata-se da di­vi­som de Correios Express. Segundo in­di­cam fon­tes da CGT, esta di­vi­som nas­ceu como umha es­pé­cie de ex­ter­na­li­za­çom den­tro do grupo Correios, quando após a crise de 2008, e ante a emer­gên­cia do co­mér­cio on-line, in­te­res­sava criar um ser­viço de re­parto de en­co­men­das que de­pois fosse ren­dí­vel ven­der. Isto tra­duz-se tam­bém numha es­tru­tura la­bo­ral pe­cu­liar, pois, se­gundo ex­pom umha pes­soa tra­ba­lha­dora desta em­presa, nom exis­tem re­par­ti­do­ras con­tra­ta­das por Correios Express, se­nom que a em­presa saca a con­curso vá­rias ro­tas e as pes­soas que as ad­qui­rem fa­tu­ram como au­tó­no­mas para a em­presa. Também se dá o caso de que es­tas au­tó­no­mas, se te­nhem vá­rias ro­tas, con­tra­tem pes­soal para o re­parto.

Assim, en­tre as re­par­ti­do­ras de Correios Express co­me­çá­rom a che­gar lu­vas na pri­meira se­mana do es­tado de alarma, “mas nom ti­nham muito sen­tido pois es­ta­mos o dia todo a to­car cou­sas”, in­dica um re­par­ti­dor. Nas se­guin­tes se­ma­nas iriam che­gando o gel de­sin­fe­tante e as más­ca­ras ci­rúr­gi­cas. Este mesmo de­nun­cia tam­bém que na nave de Compostela nom se es­tám a man­ter as dis­tân­cias de se­gu­rança: “Há umha cor­reia pola que vám pas­sando os pa­co­tes e ali es­ta­mos lado a lado”.

Ademais, as jor­na­das la­bo­rais das re­par­ti­do­ras de Correios Express in­cre­men­tou-se “e é o mo­mento em que mais gente há na nave, mais do que nas cam­pa­nhas de na­tal ou no Black Friday”, tes­te­mu­nha este tra­ba­lha­dor, quem tam­bém de­nun­cia que nesta si­tu­a­çom es­tám a ver-se fa­vo­re­ci­das as gran­des em­pre­sas do co­mér­cio on-line. 

Publicidade

O último de Economia

Ir Acima