Periódico galego de informaçom crítica

Austeridade democrática

por
wil­liam brown

Já desde Platom, a elite des­pre­zou a in­ter­ven­çom po­lí­tica das mas­sas ale­gando que ne­las do­mi­nava a pai­xom so­bre a ra­zom. A in­ca­pa­ci­dade da chusma ante a com­ple­xi­dade do mundo e mais a sua pul­som polo ime­di­ato está de­trás da ideia tec­no­crá­tica e da sal­ga­lhada popu­lista.

Na dé­cada de 90 do sé­culo XX, Christopher Lasch deu a volta à equa­çom: as eli­tes som quem ame­aça a de­mo­cra­cia de­vido ao seu iso­la­mento, à sua cor­ru­çom mo­ral e ao seu des­dém pola sorte dos mais. A fi­nan­ci­a­ri­za­çom é a base ma­te­rial que per­mite a se­pa­ra­çom en­tre elite e povo. O con­tri­buto min­guante do mundo do tra­ba­lho ao PIB dá a me­dida do pres­cin­dí­veis que som os tra­ba­lha­do­res no pre­sente.

A ex­pan­som glo­bal da Covid-19 – e a re­ces­som que anun­cia – volta a pôr no cen­tro a con­ce­çom da so­ci­e­dade como um todo. Os da­nos que cau­sará o ví­rus som tam gran­des que as eli­tes que fam de­ma­si­ada gala da pu­tre­fa­çom mo­ral apon­tada por Lasch (Trump, Bolsonaro, Abascal etc.) apa­re­cem como aber­ran­tes.

Os da­nos que cau­sará o ví­rus som tam gran­des que as eli­tes que fam de­ma­si­ada gala da pu­tre­fa­çom mo­ral apon­tada por Lasch (Trump, Bolsonaro, Abascal etc.) apa­re­cem como aber­ran­tes.

Mas quer isto di­zer que o mundo pós-pan­de­mia será um lu­gar me­lhor para os po­vos da Terra? Nom o pa­rece. Problemas como o da crise cli­má­tica se­rám in­ten­si­fi­ca­dos e nada in­dica que as eli­tes vaiam re­nun­ciar ao seu pro­grama se­pa­ra­dor, ma­ni­pu­lando as mas­sas atra­vés do “salve-se quem pu­der”, do es­va­zi­a­mento das de­mo­cra­cias li­be­rais, do uso do Estado como Leviatám bi­o­po­lí­tico e da re­cu­pe­ra­çom de ideias como a renda bá­sica, en­ten­dida como ca­ri­dade para a ges­tom do mal-es­tar da po­pu­la­çom so­brante em tem­pos de ro­bo­ti­za­çom.

No con­texto do fra­casso da re­vo­lu­çom so­ci­a­lista mun­dial que anun­ci­ara a ir­rup­çom das mas­sas em 1917, Gramsci con­si­de­rou o for­dismo como um jeito de “re­vo­lu­çom pas­siva”. Esta ca­te­go­ria tem para o sardo o sig­ni­fi­cado de re­vo­lu­çom feita desde acima, de ga­to­par­dismo para so­bre­voar as épo­cas de pe­rigo para o statu quo. Com as ideias de Immanuel Wallerstein e Giovanni Arrighi so­bre os ci­clos de he­ge­mo­nia mun­dial em mente, a ex­pan­som do for­dismo que in­te­gra­ria as mas­sas tra­ba­lha­do­ras oci­den­tais no sis­tema cons­ti­tui a ex­pres­som eco­nó­mica dos tem­pos cul­mi­nan­tes da he­ge­mo­nia dos EUA. O pe­ríodo pos­te­rior, de­fi­nido polo There Is No Alternative, é, pa­ra­do­xal­mente, o da de­ca­dên­cia dessa he­ge­mo­nia e o do auge dou­tras po­tên­cias as­pi­ran­tes a ser no­vos he­ge­mons (China).

Ora bem, será ca­paz o ca­pi­ta­lismo de mu­dar em al­gumha cousa que per­mita umha nova “re­vo­lu­çom pas­siva”? A pri­ori, dado que o mo­delo fi­nan­ceiro está tec­ni­ca­mente morto e que a crise ener­gé­tica im­posta po­los li­mi­tes fí­si­cos do pla­neta nom pa­rece per­mi­tir umha nova época dou­rada de ca­pi­ta­lismo ba­se­ado na eco­no­mia ma­te­rial, em que po­derá rein­ven­tar-se este sis­tema? Alguns pen­sam no Green New Deal como nova re­vo­lu­çom pas­siva, mas se par­ti­mos da hi­pó­tese pro­vi­só­ria de o ca­pi­ta­lismo ser in­ca­paz de fun­ci­o­nar sem des­truir a na­tu­reza gra­ve­mente, nom ca­berá es­pe­rar, mais bem, umha pro­fun­di­za­çom da se­pa­ra­çom das eli­tes que as po­nha a salvo das con­sequên­cias da mu­dança cli­má­tica?

Dado que o mo­delo fi­nan­ceiro está tec­ni­ca­mente morto e que a crise ener­gé­tica im­posta po­los li­mi­tes fí­si­cos do pla­neta nom pa­rece per­mi­tir umha nova época dou­rada de ca­pi­ta­lismo ba­se­ado na eco­no­mia ma­te­rial, em que po­derá rein­ven­tar-se este sis­tema?

Frente a isto, as mas­sas de­ve­riam ir­rom­per de novo com um pro­grama en­ca­mi­nhado a sal­var-se a si pró­prias e, o que é o mesmo, a sal­var o me­ta­bo­lismo do pla­neta Terra. O Green New Deal res­pon­derá re­al­mente ao que na te­o­ria pro­mete se as mas­sas en­car­nam umha nova ideia de de­sen­vol­vi­mento ba­se­ado na des­glo­ba­li­za­çom da pro­du­çom, na dis­tri­bui­çom do tra­ba­lho e na re­for­mu­la­çom do ne­ces­sá­rio e do aces­só­rio; um pro­grama gui­ado, em suma, pola ideia for­mu­lada há bem anos polo úl­timo Enrico Berlinguer: a aus­te­ri­dade de­mo­crá­tica.

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