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Contra o imaginário colonial

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Detalhe de mapa do Reino da Galiza de 1603.

A pu­bli­ca­çom em 1972 de O atraso eco­nó­mico de Galicia, por Xosé Manuel Beiras, con­so­li­dou a hi­pó­tese co­lo­nial como parte cons­ti­tu­tiva do ima­gi­ná­rio po­lí­tico de boa parte do na­ci­o­na­lismo ga­lego. Existiria umha re­la­çom co­lo­nial en­tre a Galiza e Espanha na qual o es­pó­lio eco­nó­mico e o as­so­va­lha­mento po­lí­tico e cul­tu­ral do povo ga­lego iriam da mao. Apesar de a re­a­li­dade do nosso país ter mu­dado subs­tan­ci­al­mente nes­tes anos, e de as pro­cla­mas co­lo­ni­ais te­rem me­nor pre­sença pú­blica a dia de hoje, o ima­gi­ná­rio co­lo­nial se­gue bem pre­sente na auto-com­pre­en­som que boa parte do na­ci­o­na­lismo de es­quer­das tem so­bre si pró­prio. A hi­pó­tese co­lo­nial de­volve-nos a umha Galiza que já nom é a nossa, a umha Galiza de pe­que­nas pro­pri­e­tá­rias, fos­sem cam­pe­si­nhas ou pes­ca­do­ras, com um agro sub­de­sen­vol­vido, de sub­sis­tên­cia, na qual as di­vi­sons lin­guís­ti­cas e de classe se so­bre­pu­nham ni­ti­da­mente. Porém, a Galiza de hoje é a Galiza das pe­ri­fe­rias ur­ba­nas; a emi­nen­te­mente ter­ciá­ria, pre­cá­ria e ave­lhen­tada; a que se fijo mais prós­pera, mas ta­mém mais pe­quena. E, de er­rar­mos nos di­ag­nós­ti­cos, nom há dú­vida de que fa­re­mos ou­tro tanto com a praxe po­lí­tica alu­me­ada por aqueles.

Apesar de a re­a­li­dade do nosso país ter mu­dado subs­tan­ci­al­mente nes­tes anos, o ima­gi­ná­rio co­lo­nial se­gue bem pre­sente na auto-com­pre­en­som que boa parte do na­ci­o­na­lismo de es­quer­das tem so­bre si próprio

A hi­pó­tese co­lo­nial, ao pôr a ên­fase ex­clu­si­va­mente na re­la­çom en­tre a Galiza e Espanha, perde de vista a ma­deixa de re­la­çons trans­na­ci­o­nais na qual aquela se si­tua. Por umha banda, nós so­mos ta­mém parte do pri­meiro mundo ca­pi­ta­lista, e parte do nosso bem-es­tar bebe tanto da so­bre-ex­plo­ra­çom da força de tra­ba­lho do Bangladeche como da tala de ár­vo­res no Amazonas. Por ou­tra banda, Espanha é ta­mém umha área su­bor­di­na­das no con­texto eu­ro­peu, sub­me­tida ao po­der das fi­nan­ças trans­na­ci­o­nais e dos plu­to­cra­tas sem pá­tria. As for­ças que te­mos de en­fren­tar mo­ram em Madrid, sim, mas ta­mém em Compostela, em Frankfurt, em Bruxelas.

A hi­pó­tese co­lo­nial, ao pôr a ên­fase ex­clu­si­va­mente na re­la­çom en­tre a Galiza e Espanha, perde de vista a ma­deixa de re­la­çons trans­na­ci­o­nais na qual aquela se situa

À con­si­de­ra­çom ex­clu­siva da re­la­çom en­tre a Galiza e Espanha vem-lhe apa­re­lhada umha con­tí­nua luita por dis­cri­mi­nar en­tre ga­le­gos cons­ci­en­tes e ga­le­gos co­lo­ni­za­dos. Operar po­li­ti­ca­mente so­bre a base da Galiza de­se­jada, em tro­ques de nos in­car­di­nar na re­al­mente exis­tente, a cri­oula, a de­sar­te­lhada, a que so­fre a pre­ca­ri­e­dade em duas lín­guas e se vê na obriga de emi­grar, como já fi­ge­ram seus avós, nom pode se­nom afasta-la mais ainda da luita po­lí­tica por umha Galiza eman­ci­pada. Mas a con­sequên­cia mais ne­fasta e pe­ri­gosa da hi­pó­tese co­lo­nial é que nos per­mite li­ber­tar-nos da res­pon­sa­bi­li­dade pola nossa praxe po­lí­tica. Frente a cada um dos nos­sos er­ros, o ima­gi­ná­rio co­lo­nial en­con­tra em Espanha a des­culpa úl­tima. Nom há lu­gar para a au­to­crí­tica. De ser­mos co­ló­nia, já fa­ze­mos abondo, dis­que. O ima­gi­ná­rio co­lo­nial é as­sim um ima­gi­ná­rio com­pla­cente, de der­rota e re­sis­tên­cia. As for­ças que go­ver­nam o nosso país há dé­ca­das te­nhem um pro­jeto de pais do qual nom gosto, mas isso nom as fai me­nos ga­le­gas. Se hoje nom ha­bi­ta­mos umha Galiza li­be­rada nom é por mor das for­ças de ocu­pa­çom es­pa­nho­las. O pro­jeto de quem go­verna pode ser an­ta­gó­nico ao nosso, mas nom por isso é me­nos ga­lego. Se que­re­mos ou­tra Galiza, ha­verá que lhe-la disputar.

investigador pós-doutoral no University College de Londres (@preyaraujo)

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