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Cornellà versus Fargo

por
Fotograma do filme ‘Fargo’

No pas­sado mês de agosto, Abdelouahab Taib re­ce­bia três ti­ros, dous de­les em zo­nas vi­tais, de­pois de en­trar na de­le­ga­cia dos Mossos d’Esquadra em Cornellà por­tando na mao umha arma branca (dim-nos que um cui­telo ou umha na­va­lha “de gran­des di­men­sons”). Os fei­tos, sem ou­tro fun­da­mento que umha su­posta ex­cla­ma­çom que te­ria pro­fe­rido Taib, fo­rom logo qua­li­fi­ca­dos de ter­ro­rismo jiha­dista po­los man­dos po­lí­tico-po­li­ci­ais dos Mossos. A morte do ata­cante, cau­sada por dous dos três ti­ros da mossa com que to­pou na en­trada, ime­di­ata.

Um ano an­tes, em agosto de 2017, ou­tros sete jo­vens –su­pos­tos– im­pli­ca­dos nos aten­ta­dos de Barcelona e Cambrils fo­ram tam­bém aba­ti­dos a ti­ros. Também eles por­ta­vam só ar­mas bran­cas. Algum foi cri­vado de ba­las quando ten­tava fu­gir.

A crí­tica so­cial a es­tas atu­a­çons qua­li­fi­ca­das como “exe­cu­çons ex­tra­ju­di­ci­ais” foi e é ver­go­nho­sa­mente morna

Os ex­ces­sos no uso das fa­cul­da­des con­fe­ri­das aos mem­bros das di­fe­ren­tes po­lí­cias que exer­cem no Reino de Espanha nom som só quan­ti­ta­ti­va­mente ele­va­dos (como a pró­pria Amnistia Internacional re­co­lhe nos seus re­la­tó­rios), tam­bém som qua­li­ta­ti­va­mente sig­ni­fi­ca­ti­vos. Umha for­ma­çom ina­de­quada, con­fi­ada em parte subs­tan­cial a en­ti­da­des si­o­nis­tas afei­tas a trei­na­rem for­ças po­li­cias de co­nhe­cida ten­dên­cia le­tal; um sis­tema de con­trolo (in­terno, po­lí­tico, ju­ris­di­ci­o­nal…) es­casso e per­mis­sivo com as atu­a­çons po­li­ci­ais ir­re­gu­la­res; umha di­nâ­mica de “cri­a­çom do ini­migo” em que o mais pe­ri­goso –e frente ao qual nom há li­mi­tes– é o “ter­ro­rismo jiha­dista”… som fa­to­res que po­dem aju­dar a ex­pli­car esta po­lí­tica po­li­cial de ga­ti­lho fá­cil que alas­tra por Europa fora.

Porque in­fe­liz­mente, non som só as po­lí­cias do Reino de Espanha que dis­pa­ram a ma­tar con­tra (su­pos­tos) jiha­dis­tas. Em Londres, Paris ou Bruxelas, “aba­ter” pa­rece ser a pa­la­vra de or­dem. Com umha ex­ce­çom im­por­tante: quando se trata de um ter­ro­rista que ar­re­mete com umha ca­mi­o­neta com von­tade ma­ni­festa de ma­tar con­tra pes­soas que saem de umha mes­quita (caso da mes­quita de Finsbury Park que aca­bou com a vida de umha des­sas pes­soas) a po­lí­cia nom abate, li­mita-se a de­ter o –su­posto– as­sas­sino.

E que di a so­ci­e­dade?

Pois a cri­tica so­cial a es­tas atu­a­çons qua­li­fi­ca­das como “exe­cu­çons ex­tra­ju­di­ci­ais” foi e é ver­go­nho­sa­mente morna. Afora al­gumhas pes­soas in­di­vi­du­ais e a CUP, a acei­ta­çom des­tas mor­tes da mao da ver­som ofi­cial foi unâ­nime no seu mo­mento. Como unâ­nime ti­nha sido em agosto de ano 2017 a Declaraçom Institucional do Congresso es­pa­nhol apoi­ado de forma acrí­tica por gru­pos como Bildu ou En Marea.

Longe, mui longe no tempo po­lí­tico, fica aquela dura res­posta com que a so­ci­e­dade re­ce­bia an­tes atu­a­çons po­li­ci­ais se­me­lhan­tes, como a ci­lada da Guarda Civil em Pasaia ou a exe­cu­çom de mi­li­tan­tes do IRA em Gibraltar, mor­tos a ti­ros pola po­lí­cia do Reino Unido.

O frio de Fargo
E tam­bém mui mui dis­tante do nosso real pre­sente é a forma como os Cohen re­sol­vem fic­ci­o­nal­mente no seu filme Fargo umha si­tu­a­çom si­mi­lar atra­vés de Marge Gunderson, aquela chefe da po­lí­cia de Dakota do Norte en­car­nada por Frances McDormand que, ape­sar de en­con­trar o as­sas­sino em de­lito fla­grante e ape­sar do seu avan­çado es­tado de gra­vi­dez, ve­mos to­mar to­das as cau­te­las ne­ces­sá­rias, nom para aba­ter o de­lin­quente se­nom para detê-lo, umha vez que já o imo­bi­li­zou –isso sim– de um cer­teiro tiro na perna.

Ficçom ver­sus re­a­li­dade?

é membro de Esculca, observatório para a defesa dos direitos e liberdades.

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