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Da boa morte: autonomia e dignidade

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Se existe um as­sunto di­fí­cil de tra­tar, este é o da morte. O que nom deixa de ser cu­ri­oso até por­que nom há ex­pe­ri­ên­cia mais co­mum e uni­ver­sal do que esta. Essa falta de aten­çom, com ori­gem em di­ver­sas cau­sas de ín­dole so­ci­o­cul­tu­ral, tem como con­sequên­cia umha evi­dente in­ca­pa­ci­dade emo­ci­o­nal para sa­ber como li­dar com ela ade­qua­da­mente. Cumpre lem­brar que quando re­fle­ti­mos so­bre a eu­ta­ná­sia es­ta­mos a pen­sar no jeito de mor­rer­mos bem, de o fa­zer­mos de um modo de­se­já­vel ou pre­fe­rí­vel. Em que con­siste umha boa morte? Cadaquém deve ten­tar dar-lhe umha res­posta sa­tis­fa­tó­ria a tal per­gunta pois é claro que nom existe umha só res­posta, ob­je­tiva e vá­lida para to­dos, sendo ra­zoá­vel, por­tanto, que a le­gis­la­çom vá ao en­con­tro das ne­ces­si­da­des de cada pes­soa de molde a de­sen­vol­ver, na prá­tica, a sua au­to­no­mia. Em re­la­çom às si­tu­a­çons onde se ava­lia le­ga­li­zar as téc­ni­cas eu­ta­ná­si­cas: do­ença ter­mi­nais ou in­cu­rá­veis, de­gra­dan­tes ou in­ca­pa­ci­ta­do­ras, que pro­vo­cam umha pro­funda dor e que nom pu­dé­rom ser tra­ta­das de forma su­ce­dida com me­di­das pa­li­a­ti­vas, aquilo que está em jogo é a ca­pa­ci­dade do do­ente mais vul­ne­rá­vel para dis­por de con­trolo so­bre a pró­pria morte, de jeito a se evi­tar che­gar a es­ta­dos em que se con­si­dere ter per­dido a dig­ni­dade -como em si­tu­a­çons de de­pen­dên­cia ab­so­luta- ou onde nom existe umha mí­nima qua­li­dade de vida -quer seja pola dor, quer pola falta de ex­pe­ta­ti­vas fu­tu­ras-, abrindo a pos­si­bi­li­dade de mor­rer sem vi­o­lên­cia nem so­fri­mento, mas de um modo pa­cí­fico, sos­se­gado e, so­bre­tudo, li­vre­mente ele­gido. A le­gis­la­çom de­vera ba­sear-se na ética dos cui­da­dos, re­co­mendá-la para toda a prá­tica clí­nica, par­tindo do res­peito polo de­sejo do pa­ci­ente, se for com­pe­tente e pos­suir a in­for­ma­çom su­fi­ci­ente, a dis­por da pró­pria ca­pa­ci­dade de de­ci­som so­bre a sua do­ença, dei­xando para trás ati­tu­des pa­ter­na­lis­tas que le­sam a sua von­tade, obri­gando mesmo a mantê-lo com vida quando nom o de­seja.

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