Periódico galego de informaçom crítica

Da subversão cultural como forma de ativismo nacional e protesto político social: a Irmandade da Fala da Crunha (1916–1923) (III)

por
ex­cur­são das Irmandades da Fala da Corunha, 1919 (ar­quivo fa­mi­liar va­rela bao)

Em lembrança de Elvira Varela Bao, mestra gratuita e ponte de memórias.

Uma das mi­ra­gens que nos dei­xou a tra­di­ção que­brada do ga­le­guismo é a das IF como ce­ná­cu­los de in­te­lec­tu­ais, ar­tis­tas e aca­dé­mi­cos, al­guns já ati­vos no re­gi­o­na­lismo do sé­culo XIX. Porém, a que se des­prende das me­mó­rias e das fo­to­gra­fias fala de ati­vis­tas, gente nova que se reu­nia e fa­zia ter­tú­lia, ex­cur­si­o­nismo, te­a­tro, mú­sica, que com­par­ti­lhava li­vros e co­nhe­ci­men­tos, que ti­nha um jor­nal rei­vin­di­ca­tivo e par­ti­ci­pava em pro­tes­tos po­lí­ti­cos, so­ci­ais e nacionais.

Na da Crunha des­taca a quan­ti­dade de mu­lhe­res nessa vida as­so­ci­a­tiva. Protagonistas que vão saindo à luz gra­ças ao tra­ba­lho pi­o­neiro de tan­tas ati­vis­tas con­tem­po­râ­neas e pe­las que po­de­mos con­si­de­rar que houve uma in­cor­po­ra­ção nu­me­rosa de mu­lhe­res à IF em 1917. Graças à cam­pa­nha de abril e maio para an­ga­riar fun­dos e fa­bri­car o es­tan­darte co­nhe­ce­mos os no­mes das as­si­nan­tes (vid Marco Irmandiñas, p. 63).

Na Irmandade da Crunha des­taca a quan­ti­dade de mu­lhe­res na vida as­so­ci­a­tiva. ro­ta­go­nis­tas que vão saindo à luz gra­ças ao tra­ba­lho pi­o­neiro de tan­tas ati­vis­tas contemporâneas

Isto pa­rece ter pro­vo­cado uma mu­dança. O re­gu­la­mento da Sociedade Os Amigos Da Fala Gallega (24/6/1916) não men­ci­ona uma única vez a pa­la­vra “Muller”. Mas, na Modificação do Regulamento (12/6/18) “Os AmigOs da Fala” pas­sam a ser “Irmandade da Fala”:

ARTICULOVIII- Pueden ser so­cios de esta so­ci­e­dad to­dos los gal­le­gos ‑hom­bres y mu­je­res- mayo­res de 16 años y to­dos aquel­los que sin serlo de na­ci­mi­ento lo sean de co­ra­zón. […] Las mu­je­res que in­gre­sen en esta so­ci­e­dad cons­ti­tui­rán una sec­ción fe­me­nina que se re­girá por si misma nom­brando de en­tre sus mi­em­bros una di­rec­tiva igual a la de la Irmandade si bien el pre­si­dente de esta será co­mún a ambas.[…]

ARTICULOIX- En donde no exista una Irmandade da Fala pu­e­den cre­arla las mu­je­res y ella ten­drá la misma au­to­ri­dad que si es­tu­vi­era cons­ti­tuida por hombres.

E no re­gu­la­mento de 1932, na IF como sec­ção do PG:

Artículo 3º- Podrán in­gre­sar como so­cios to­dos los gal­le­gos mayo­res de 16 años hom­bres y mu­je­res o ave­ci­na­dos en la de­mar­ca­ción res­pec­tiva que lo so­li­ci­ten, si­em­pre que se com­pro­me­tan a de­fen­der in­te­gra­mente el pro­grama del par­tido y se so­me­tan a los pre­cep­tos de este Reglamento y fir­men la fi­cha de fi­li­a­ción del Partido Galeguista.

A. Villar Ponte de­fen­derá “El su­fra­gio fe­me­nino” (LVG 13–1‑1918). No ma­ni­festo “Aos Galegos re­si­den­tes nas Américas” (as­si­nado “Por to­dal-as Irmandades de Galicia, A Diretiva da Crunha Xulio de 1918”) in­dica nos seus Fins:

6º Um am­plio es­pí­ritu fe­mi­nista, fa­guendo Irmandades fe­mi­ni­nas, por en­ten­der que a mul­ler en Galicia debe têr mais di­rei­tos que os qu’as lei­ses oxe lles conceden.

No Manifesto de Lugo, en­tre os Problemas constituentes:

2º. Autonomia mu­ni­ci­pal, dis­tin­guindo o mu­ni­ci­pio al­dean do vi­lego, axei­tán­dose o Concello al­dean só­bor da base do re­co­no­ci­mento da per­so­a­li­dade xu­rí­dica das par­ro­quias, que te­rán as súas Xuntas, ele­xi­das antr-os ca­be­zas de fa­mi­lia, (pe­tru­cios) ho­mes ou mul­le­res, pra ter­ma­ren dos seus bés privativos.

E como pri­meiro dos Problemas Políticos (III. 1):

1º. Igoaldade de de­rei­tos pr‑a muller.

E em Cuestiós Xurídicas (V.3):

4ª. Igoaldade de de­rei­tos da mul­ler ca­sada pol‑o me­nos no caso de emi­gra­zón do marido. 

Os di­rei­tos que re­cla­mam são re­pre­sen­ta­ção, voto e a igual­dade ju­rí­dica (eman­ci­pa­ção, pro­pri­e­dade) dé­ca­das an­tes de que na Espanha te­nham qual­quer re­co­nhe­ci­mento. Mas a au­sên­cia de as­si­na­tu­ras fe­mi­ni­nas na fun­da­ção e nos ma­ni­fes­tos é no­tó­ria. Por que se in­te­gram nesse clube de se­nho­res, em 1917 tan­tas, in­de­pen­den­tes, for­ma­das, com dis­curso e reivindicações? 

A res­posta tal­vez é que ao abrigo le­gal da IF cons­ti­tuem uma or­ga­ni­za­ção própria: 

o der­ra­deiro do­mingo houbo xunta xe­ne­ral da “Irmandade Femenina” da Cruña que conta con mais de dous cen­tos d’axuntadas. Con fon­do­ní­simo en­tu­si­asmo eli­xeuse a se­guinte di­rei­tiva: Conselleira, Dª Josefa Vázquez; se­gre­da­ria Dª Elvira Brabo(sic); vi­ce­se­gre­da­ria Dª Teresa Chao; con­ta­dora Dª María Balboa; te­sou­reira, Ermita López; vo­cás doña Micaela Chao, Dª Rosa Martínez, doña Avelina Fernández, Dª Teresa Fernández, doña María Miramontes, Dª Genoveva Casal y Dª Avelina Sardina. Ista im­por­tan­tí­sima sei­ción fe­mi­nina vense or­gai­zando por gru­pos e dis­tri­tos. E unha cousa exem­prar, que honra a Galicia, ás mul­le­res ga­le­gas e que debe ser imi­tada. (ANT, 23-12-1918, “Novas da causa”)

O peso das ga­le­guis­tas no su­fra­gismo da Crunha, nas as­so­ci­a­ções de mu­lhe­res re­pu­bli­ca­nas, se­ria forte. Pelo mo­mento co­nhe­ce­mos as mar­gens: bi­o­gra­fias par­ci­ais, da­dos dos quais emerge uma con­fluên­cia en­tre uma elite in­te­lec­tual e de classe e a van­guarda social

O peso das ga­le­guis­tas no su­fra­gismo da Crunha, nas Associações de mu­lhe­res re­pu­bli­ca­nas, se­ria forte. Pelo mo­mento co­nhe­ce­mos as mar­gens: bi­o­gra­fias par­ci­ais, da­dos dos quais emerge uma con­fluên­cia en­tre uma elite in­te­lec­tual e de classe (mes­tras, ar­tis­tas, fa­mí­lias da bur­gue­sia co­mer­cial, de­pois jor­na­lis­tas, taquí­gra­fas) e a van­guarda so­cial (cos­tu­rei­ras, te­le­fo­nis­tas, ten­dei­ras, co­zi­nhei­ras, pe­quena in­dus­tria, em­pre­ga­das de ser­viço, ope­rá­rias). O ma­gis­té­rio mo­derno das Maria Barbeito, Jacinta Landa, Lopez Jean, Elvira Bao, (e as mes­tras saí­das da Escola Normal de Magistério); os es­pa­ços de reu­nião ar­tís­tica com saída pro­fis­si­o­nal na classe mé­dia, a mú­sica, a pin­tura e te­a­tro (as ir­mãs Chao, Maria Balboa, Concha González); as ini­ci­a­ti­vas de for­ma­ção pro­fis­si­o­nais, gre­mi­ais, sin­di­cais (Maria Miramontes, Genoveva, Casal, Josefa González).

Mulheres “muy si­glo XX”, in­cor­po­ra­das ao mundo la­bo­ral, que ir­rom­pem, com de­bate, nos es­pa­ços so­ci­ais, for­ma­ti­vos e as­so­ci­a­ti­vos (por fora da igreja e a Caridade que – nas clas­ses al­tas — li­mi­tara as ge­ra­ções an­te­ri­o­res). Os fe­mi­nis­mos lai­cis­tas, re­pu­bli­ca­nos e li­bre­pen­sa­do­res an­te­ri­o­res re­o­ri­en­tam-se para pos­tu­ras aber­ta­mente su­fra­gis­tas e de rei­vin­di­ca­ção la­bo­ral e de direitos.

A ma­ni­fes­ta­ção de­fi­ni­tiva deste fe­mi­nismo co­a­lha no Manifesto “Habla la mu­jer ga­lega: res­pu­esta a un Manifiesto”, con­tra o Manifesto fun­da­ci­o­nal da ANME Asociación Nacional de Mujeres es­paño­las, de ja­neiro de 1919. O ma­ni­festo é ful­cral por­que des­taca que as mu­lhe­res na IF eram já um grupo or­ga­ni­zado; es­ta­vam ao dia do que em su­fra­gismo se fa­zia e que­riam mar­car uma Posição Nacional ga­lega. (Marco: Irmandiñas, p. 40 e ss.)

O último de O bom viver

Ilhas Sies

João Aveledo descobre-nos o tesouro submerso dumha das jóias do Parque Natural
Ir Acima