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A Límia: xurros que acabam nas águas

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Onde no século passado se encontrava a singular lagoa de Antela, na Límia, agora estende-se umha chaira de uns 300.000 hectares. A comarca da Límia passou de ser ponto de passo de bandadas de aves migratórias que poderiam mesmo tapar o sol a converter-se numha zona de gadaria intensiva cujos problemas de gestom de resíduos estám a chegar às suas águas.

agos­tiño igle­sias

O Movimento Ecologista da Límia (MEL) vem de­nun­ci­ando há anos a forte carga pe­cuá­ria da co­marca da Límia. Segundo as suas es­ti­ma­ti­vas, atu­al­mente na Límia exis­tem umhas 400 gran­jas de­di­ca­das prin­ci­pal­mente à pro­du­çom suína e aví­cola. Ademais, este ter­ri­tó­rio tem que ge­rir anu­al­mente um mi­lhom de to­ne­la­das de re­sí­duos pro­du­zi­dos nas di­ver­sas ex­plo­ra­çons pe­cuá­rias da co­marca, a grande mai­o­ria pro­ce­den­tes de gran­jas in­te­gra­das na Coren.

Após as de­nún­cias apre­sen­ta­das por vi­zi­nhança e eco­lo­gis­tas pola má ges­tom que as gran­jas vin­cu­la­das à Coren fam dos seus re­sí­duos gan­dei­ros, con­vo­cou-se no pas­sado mês de fe­ve­reiro a Mesa da Límia. Nesta, a Junta pre­tende abor­dar a pro­ble­má­tica dos re­sí­duos reu­nindo co­le­ti­vos gan­dei­ros e re­pre­sen­tan­tes do mo­vi­mento eco­lo­gista.

O Movimento Ecologista da Límia vem de­nun­ci­ando há anos a forte carga pe­cuá­ria da co­marca

Esta con­vo­ca­tó­ria chega após umha in­tensa mo­bi­li­za­çom de vi­zi­nhas afe­ta­das pola pro­li­fe­ra­çom dos re­sí­duos da zona. Em ja­neiro nas­cia a pla­ta­forma Augas Limpas Já para de­nun­ciar a con­ta­mi­na­çom nas águas da Límia po­los xur­ros das ex­plo­ra­çons gan­dei­ras. Meses an­tes, o MEL e a Sociedade Galega de História Natural de­nun­ci­a­vam esta pro­ble­má­tica pe­rante o Parlamento Europeu.

Sem dú­vida, es­tes mo­vi­men­tos pro­vo­ca­ram que a Junta re­a­ci­o­nasse. Existem vá­rias de­nún­cias de des­car­gas des­con­tro­la­das re­a­li­za­das pola vi­zi­nhança. Umha das úl­ti­mas foi em ja­neiro, quando era apre­sen­tada umha de­nún­cia pe­rante a Procuradoria do Meio Ambiente e a Confederaçom Hidrográfica Minho-Sil onde se des­cre­viam pon­tos de des­carga de xur­ros nos mon­tes do Furriolo, um de­les um poço em que se ti­nham ob­ser­vado ca­mi­ons a dei­tar xurro.

Terra para re­ce­ber xur­ros
Manuel Garcia é mem­bro do MEL e tem umha ex­plo­ra­çom em eco­ló­gico na Límia. García apre­senta a re­a­li­dade das par­ce­las em que des­can­sava a la­goa de Antela, que agora se vem atra­ves­sa­das po­las can­les de de­se­ca­çom: “som ter­ras para re­ce­ber xur­ros”.
García pom em ques­tom a uti­li­dade des­tes xur­ros, mai­o­ri­ta­ri­a­mente pro­ce­den­tes das gran­jas por­ci­nas e aví­co­las, como fer­ti­li­zante. “Fertilizante para pa­ta­cas só pode ser o de frango e em do­ses ade­qua­das”, ex­póm. Acrescenta que na Límia exis­tem tam­bém ‘par­ce­las de sa­cri­fí­cio’, que es­tám des­ti­na­das só a re­ce­ber os xur­ros. Estas par­ce­las as­su­la­gam-se com fa­ci­li­dade quando chove, pois, cria umha ca­mada que im­pede a po­ro­si­dade do solo, inu­ti­li­zando es­tas ter­ras para qual­quer tipo de cul­tivo. García as­si­nala tam­bém que vá­rias das par­ce­las que se en­con­tram ama­re­las e se­cas es­tám nesta si­tu­a­çom de­vido ao em­prego do gli­fo­sato ne­las.
Este eco­lo­gista, pre­o­cu­pado há anos com os pro­ble­mas de con­ta­mi­na­çom da sua co­marca, as­si­nala ou­tros pon­tos em que se des­car­re­gam xur­ros: os pra­dos das ex­plo­ra­çons gan­dei­ras de va­cuno que es­tám a ocu­par as ter­ras to­das dos mon­tes vi­zi­nhais da co­marca. Assim, García in­dica que no Vale do Salas a Coren conta com ex­plo­ra­çons em ex­ten­sivo em cujo ter­reno se te­nhem re­co­lhido ima­gens de ca­mi­ons a des­car­re­ga­rem xurro. Também as­si­nala que em Forte Arcada, no con­ce­lho de Os Brancos fo­ram cul­ti­va­das par­ce­las des­ti­na­das a ce­re­ais para onde som tam­bém di­ri­gi­dos os xur­ros que aca­bam por se fil­trar às águas sub­ter­râ­neas. Perto des­tas par­ce­las, onde an­tes ha­via ma­tos de tojo e ur­zes, tam­bém se en­con­tra umha granja de por­cino vin­cu­lada à Coren.

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Todos os dias as es­tra­das da chaira li­miá som per­cor­ri­das por ca­mi­ons de umha ca­pa­ci­dade de 28.000 li­tros da em­presa Aser, que é a que conta com a con­ces­som para o trans­porte de xur­ros des­tas gran­jas. “Realiza este ser­viço, mas nom se lhe co­nhece qual­quer es­ta­çom para a ges­tom dos re­fe­ri­dos re­sí­duos”, de­nun­cia García. Numha vi­sita do Conselheiro de Meio Rural, José González, a Ginço de Límia o MEL ache­gou-se a ele para co­mu­ni­car-lhe, en­tre ou­tros as­sun­tos, a res­pon­sa­bi­li­dade desta em­presa nos der­ra­mes des­con­tro­la­dos nas fin­cas da co­marca.

Macrogranjas
Ainda nos ter­re­nos da la­goa e na parte do con­ce­lho de Sarreaus, cer­cada por ár­vo­res e a ca­rom de umha das can­les prin­ci­pais de de­se­ca­çom da la­goa, en­con­tra-se umha das gran­des ma­cro­gran­jas do país. Trata-se da Cooperativa Alta Pedra, da Coren. Esta granja tem ca­pa­ci­dade para 5.000 por­cos e 300.000 aves, e a sua pro­du­çom anual atinge os 15.000 por­cos e as 1.650.000 aves. Trata-se de umha ga­da­ria in­ten­siva, sem terra, com gran­des es­tá­bu­los em que os ani­mais es­tám fe­cha­dos e onde se lhes vai ad­mi­nis­trando o seu ali­mento, mai­o­ri­ta­ri­a­mente com­posto por soja ou mi­lho trans­gé­nico.
Ao seu ca­rom, en­con­tra-se o Centro Tecnológico Ambiental da Coren. Este en­con­trava-se fe­chado desde 2014, mas en­vol­vida na po­lé­mica dos úl­ti­mos me­ses a Coren anun­ciou a re­a­ber­tura. Para já, conta com um pai­nel novo a anun­ciar a sua lo­ca­li­za­çom. Este cen­tro para a ges­tom de re­sí­duos gan­dei­ros fora inau­gu­rado em 2007, e fo­ram pre­ci­sos 22 mi­lhons para a sua cons­tru­çom. Esteve em fun­ci­o­na­mento no tempo que pu­dé­rom des­fru­tar das pri­mas às ener­gias re­no­vá­veis. A sua fi­na­li­dade era criar com­post com a parte seca dos re­sí­duos e ele­tri­ci­dade a par­tir do va­por da parte lí­quida.

Do eco­lo­gismo tem-se de­nun­ci­ado que mui­tos dos xur­ros que vi­nham nos ca­mi­ons nom se pro­ces­sava e aca­bava por dis­cor­rer po­los ca­nais de de­se­ca­çom da la­goa. Acrescentam que esta es­ta­çom tem ca­pa­ci­dade para umhas 110.000 to­ne­la­das de re­sí­duos, umha quan­ti­dade que ainda dei­xa­ria sem pos­si­bi­li­dade de ges­tom a mai­o­ria dos xur­ros pro­du­zi­dos po­las gran­jas da Límia.

Contaminaçom por ni­tra­tos
Em 2014 a Sociedade Galega de História Natural (SGHN) pu­bli­cava um es­tudo das aná­li­ses so­bre a carga de nu­tri­en­tes do rio Límia que ti­nha re­a­li­zado o CSIC du­rante os anos 2012 e 2013 so­bre a pre­sença de ma­té­ria or­gá­nica na sua ba­cia. Neste tra­ba­lho in­di­cava-se que um dos prin­ci­pais pon­tos de con­ta­mi­na­çom por ni­tra­tos en­con­tra­vam-se um qui­ló­me­tro águas abaixo de onde es­tám si­tu­a­das a Cooperativa Alta Pedra e o Centro Tecnológico Ambiental da Coren. Outros pon­tos de forte con­ta­mi­na­çom eram par­ce­las em que fo­ram en­vor­ca­das e amon­to­a­das gran­des quan­ti­da­des de ga­li­ná­cea. No seu es­tudo, o CSIC as­si­na­lava que os ín­di­ces en­con­tra­dos sa­li­en­ta­vam que se es­tava a fa­zer um uso es­ten­dido dos xur­ros como fer­ti­li­zante e que é nas prá­ti­cas gan­dei­ras onde ha­ve­ria que pro­cu­rar a ori­gem da con­ta­mi­na­çom do rio Límia.

A Sociedade Galega de História Natural aler­tava em 2018 de que a con­cen­tra­çom mé­dia de ni­tra­tos au­men­tou de jeito glo­bal na co­marca um 39% en­tre 2014 e 2017

Por ou­tra banda, a SGHN aler­tava em 2018 de que a con­cen­tra­çom mé­dia de ni­tra­tos au­men­tou de jeito glo­bal na co­marca um 39% en­tre 2014 e 2017, as­si­na­lando qua­tro pon­tos com ex­cesso de ni­tra­tos -mais de 50 mi­li­gra­mas por li­tro-.

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Mais im­pac­tos
Por parte da Confederaçom Hidrográfica re­co­nhe­cem-se os pro­ble­mas de eu­tro­fi­za­çom -alta pre­sença de ma­té­ria or­gâ­nica- na bar­ra­gem das Conchas, cu­jas águas con­ti­nuam até Portugal. Porém, os pro­ble­mas de con­ta­mi­na­çom nom aca­bam por aí, o eco­lo­gismo da Límia tam­bém de­nun­cia epi­só­dios de eu­tro­fi­za­çom na bar­ra­gem de Gundim, no rio Faramontaos, e ou­tros ca­sos de der­ra­mes e con­ta­mi­na­çom por re­sí­duos de­vido às gran­jas de Coren. Por exem­plo, no lu­gar de A Chaira, em Celanova, um vi­zi­nho ad­ver­tia ao MEL da pre­sença de ba­cias onde se de­can­ta­vam xur­ros de umha ex­plo­ra­çom de por­cas de cria que logo se es­pa­re­giam polo monte.
Do MEL in­di­cam tam­bém que numha granja de por­cos de Sam Vitoiro, no con­ce­lho de Ginço da Límia, te­nhem mesmo que fa­zer po­ços de 100 me­tros de pro­fun­di­dade para po­der con­se­guir água po­tá­vel para os seus ani­mais. Ademais, de­nun­ciam que as par­ce­las ad­ja­cen­tes es­tám a dis­po­si­çom da granja para bo­tar os xur­ros.

Debate na Límia
Há umhas se­ma­nas, a im­prensa ou­ren­sana re­co­lhia umhas de­cla­ra­çons de María Teresa Joga, pre­si­denta da Associaçom de Empresários, Gandeiros e Agricultores da Límia (Adegal), em que afir­mava que “os agri­cul­to­res da Límia nom te­nhem nada de que en­ver­go­nhar-se”.
Tais de­cla­ra­çons in­dig­na­ram ao eco­lo­gismo, que vem re­cla­mando que se aprove um de­creto de de ges­tom de re­sí­duos agro­gan­dei­ros, pois o atual có­digo de boas prá­ti­cas agrá­rias nom é de obri­gado cum­pri­mento.
A re­cém-nas­cida pla­ta­forma Águas Limpas Já tem en­tre as suas pro­pos­tas para com­ba­ter a con­ta­mi­na­çom, sa­li­enta-se umha como ur­gente: a mo­ra­tó­ria para a ins­ta­la­çom de no­vas ex­plo­ra­çons gan­dei­ras ou am­pli­a­çom das já exis­ten­tes, en­quanto nom haja um es­tudo com­pleto do im­pacto que te­nhem os re­sí­duos agro­gan­dei­ros.

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Crescen as gran­jas de por­cino
Daniel Rodício, mem­bro da re­cém-cri­ada pla­ta­forma Águas Limpas Já, bota a olhada para trás na his­tó­ria da Límia e sa­li­enta que a de­se­ca­çom da la­goa de Antela trouxo con­sigo um dos mo­de­los mais in­ten­si­vos de pro­du­çom agrí­cola de toda Europa. “Estes pro­ble­mas de con­ta­mi­na­çom co­me­çá­rom a apa­re­cer, de jeito bas­tante agra­vado, na dé­cada de 80. Há de­nún­cias fei­tas nes­ses anos e a par­tir de aí al­gu­mas pes­soas co­me­çam a se or­ga­ni­zar e ao longo do tempo to­das as al­te­ra­çons que vam so­frendo as águas da Límia co­me­ça­rám a ser de­nun­ci­a­das”, ex­póm Rodício.

Este ati­vista co­loca a crise eco­nó­mica de 2008 como um ponto de in­fle­xom na in­ten­si­fi­ca­çom gan­deira da Límia. Esta suba na carga gan­deira da co­marca pro­vo­cará pro­ble­mas de con­ta­mi­na­çom como a eu­tro­fi­za­çom da bar­ra­gem das Conchas, umha si­tu­a­çom que já fora re­co­lhida polo jor­nal es­pa­nhol El País em 2013.

A Confederaçom Hidrográfica re­co­nhece os pro­ble­mas de eu­tro­fi­za­çom na bar­ra­gem das Conchas

Rodício as­si­nala que um dos mo­ti­vos da in­ten­si­fi­ca­çom das gran­jas de por­cino na crise é que “o Ministério de Agricultura toma a de­ci­som de que o por­cino es­pa­nhol tem que ser um dos mo­to­res da ex­por­ta­çom e isso pro­voca que a ní­vel es­ta­tal haja umha pro­du­çom de por­cino bru­tal”. Se bem na Galiza nom se ma­ni­festa o pro­blema na mesma mag­ni­tude em que pode es­tar pre­sente nou­tros ter­ri­tó­rios do es­tado es­pa­nhol como Aragom ou Catalunha, “há duas co­mar­cas em que sim que há umha quan­ti­dade mui grande de gran­jas in­ten­si­vas como som a Límia e o Deça, en­tre as duas co­mar­cas reú­nem cerca de 40% de porco que se pro­duz no país”, es­tima Rodicio.
Da pla­ta­forma Águas Limpas Já es­ti­mam que a carga gan­deira da co­marca pro­duz umha quan­ti­dade de re­sí­duos si­mi­lar à que pro­du­zi­ria umha ci­dade de 1.800.000 ha­bi­tan­tes. “Isso é o que é agora a Límia, umha grande ci­dade sem ges­tom de re­sí­duos, e as­sim acaba tudo no rio Límia”, acres­centa Rodício.

Evoluçom do mo­delo
“O que se vê nas gran­jas de por­cino é umha tran­si­çom do que eram os mo­de­los eu­ro­peus de pe­que­nas ex­plo­ra­çons fa­mi­li­a­res que agora vai a co­piar o mo­delo de pro­du­çom ame­ri­cano, onde o que há som gran­des ma­cro-gran­jas de pro­du­çom”, ex­póm este mem­bro da pla­ta­forma. “Aqui passa-se de um país de mi­ni­fún­dio a que­rer fa­zer um país de gran­des pro­je­tos agro­gan­dei­ros”, acres­centa Rodicio; “mesmo se de­bate se se pode de­fi­nir es­tes como gran­jas, pois o que som é au­tên­ti­cos po­lí­gi­nos cár­ni­cos com gran­des con­cen­tra­çons de ani­mais e de pro­ble­mas”. Entre es­tes pro­ble­mas, as­si­nala o alto con­sumo de an­ti­bió­ti­cos por parte dos ani­mais cri­a­dos nes­tas ma­cro­gran­jas.
“Acho que tem que ha­ver um de­bate so­cial so­bre se é ren­tá­vel para a so­ci­e­dade ex­por­tar carne, se é ren­tá­vel as­su­mir os cus­tos am­bi­en­tais que su­pom este tipo de in­dús­tria para a ex­por­ta­çom, que nom deixa de ser carne low cost, o qual tam­bém deixa umhas mar­gens de lu­cro pe­que­nas”, acres­centa. “Há anos na Galiza era inau­dito di­zer que para vi­ver do por­cino é ne­ces­sá­rio ter dous mil por­cos, e a dia de hoje umha pes­soa que está nessa es­tru­tura é cons­ci­ente que se quer vi­ver do por­cino pre­cisa de ter essa quan­ti­dade de por­cos”, in­dica Rodício. Esta é a pe­gada do ca­pi­ta­lismo sel­va­gem do sé­culo XXI no ru­ral do nosso país.

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