Periódico galego de informaçom crítica

Dificuldades e novos reptos no contexto da pandemia

por
agos­tiño iglesias

A crise da co­vid-19 pujo em re­levo as enor­mes con­tra­di­çons das po­lí­ti­cas ne­o­li­be­rais e a fa­lá­cia da le­gi­ti­ma­çom ide­o­ló­gica do mer­cado como or­ga­ni­za­dor su­premo e bon­doso das re­la­çons eco­nó­mi­cas e so­ci­ais, ig­no­rando os li­mi­tes bi­o­fí­si­cos do pla­neta e as con­sequên­cias dum mo­delo ba­se­ado em grande me­dida na ex­plo­ra­çom da na­tu­reza e mesmo das pessoas.

Com o con­fi­na­mento nom pu­de­mos sair à rua nem ir aos cen­tros de saúde, ex­ceto por cau­sas mui jus­ti­fi­ca­das, nem aten­der os nos­sos hor­tos de auto-con­sumo, nem ir ao mer­cado da nossa vila com­prar ali­men­tos, mas sim que pu­de­mos ir aos su­per­mer­ca­dos em todo mo­mento ou mo­ver-nos em massa para que se­guis­sem a fun­ci­o­nar em­pre­sas nom es­sen­ci­ais. Vimos, por exem­plo, como fô­rom es­ta­be­le­ci­das ex­ce­çons para as pes­soas “sem pa­peis” po­de­rem tra­ba­lhar e as­se­gu­rar o fun­ci­o­na­mento da agroin­dús­tria – em con­di­çons quase de es­cra­vi­tude e em fin­cas que eram gran­des fo­cos de pro­pa­ga­çom do co­ro­na­ví­rus – mas sem que isso su­pu­gesse po­der le­ga­li­za­rem a sua si­tu­a­çom. As pes­soas tra­ba­lha­do­ras fo­mos mais do que nunca “re­cur­sos hu­ma­nos” para usar e logo dei­tar fora.

Pôr a vida no cen­tro, os di­rei­tos la­bo­rais, os cui­da­dos das pes­soas, da terra e da na­tu­reza são, com frequên­cia, o con­trá­rio da ló­gica da eco­no­mia ca­pi­ta­lista. A cons­ci­ên­cia da in­ter­co­ne­xom en­tre as  emer­gên­cias sa­ni­tá­ria, so­cial, eco­ló­gica e cli­má­tica polo me­ta­bo­lismo eco­nó­mico é fun­da­men­tal para criar um mo­delo ba­se­ado na so­li­da­ri­e­dade para as pes­soas, e nom para o ca­pi­tal. Neste mo­mento é im­pres­cin­dí­vel o res­su­gir­mento da di­men­som co­mu­ni­tá­ria, e a or­ga­ni­za­çom so­cial é a nossa fer­ra­menta bá­sica para lo­grar umha so­be­ra­nia real so­bre o es­sen­cial (corpo, terra, auga, ener­gia, ali­men­ta­çom, saúde…). Nom se trata, po­rém, dumha ta­refa fá­cil após dé­ca­das em que se im­pujo a he­ge­mo­nia ne­o­li­be­ral como pen­sa­mento único, o in­di­vi­du­a­lismo, a des­con­fi­ança nas lui­tas da so­ci­e­dade e nas suas or­ga­ni­za­çons, e o “salve-se quem puder”.

O go­verno do es­tado pre­tende dar a maior parte dos fun­dos eu­ro­peus de re­cu­pe­ra­çom a gran­des em­pre­sas à vez que apoia me­di­das de ajuste es­tru­tu­ral, como re­du­çons nas pen­sons, in­cre­men­tos de im­pos­tos ou a ma­nu­ten­çom da re­forma laboral

O go­verno do es­tado pre­tende hoje dar a maior parte dos 70.000 mi­lhons de eu­ros dos fun­dos eu­ro­peus de re­cu­pe­ra­çom a gran­des em­pre­sas, à vez que apoia me­di­das de ajuste es­tru­tu­ral, como re­du­çons nas pen­sons, in­cre­men­tos de im­pos­tos ou a ma­nu­ten­çom dos as­pe­tos mais le­si­vos da re­forma la­bo­ral. Na mesma li­nha, Feijó, sem trans­pa­rên­cia nen­gumha, anun­ciou a can­di­da­tura de 108 pro­je­tos com que aguarda “mo­bi­li­zar” 9.400 mi­lhons de eu­ros, 3.200 mi­lhons de eu­ros em sete pro­je­tos, e umha lei para agi­li­zar as tra­mi­ta­çons. Apresentou como “ini­ci­a­ti­vas tra­tó­rias” um pro­jeto de fa­bri­ca­çom de fi­bras têx­teis, de in­te­resse para a Inditex, por 950 mi­lhons de eu­ros, a fá­brica mais grande da Europa de hi­dro­gé­nio verde, a ins­ta­la­çom de 1.000 me­ga­vá­tios de ener­gia re­no­vá­vel, so­bre­todo eó­lica – eó­li­cos em to­dos os mon­tes, ener­gia cara e sem pra­ti­ca­mente be­ne­fí­cios so­ci­ais –, ou umha mega-ins­ta­la­çom de tra­ta­mento de purins. 

Estamos a pi­ques de as­si­nar umha grossa hi­po­teca so­bre o nosso fu­turo e nom é na sua maior parte para res­ga­tar as pes­soas, nem a saúde, nem a edu­ca­çom, nem para aten­der as pes­soas ido­sas, as au­tó­no­mas ou a pe­quena e me­di­ana em­presa – que som quem mais em­prego ge­ram –, se­nom para as­se­gu­rar mai­o­res ga­nán­cias às gran­des em­pre­sas e para a es­po­li­a­çom do país sub­ven­ci­o­nada por to­dos nós. 

Isabel Vilalba é secretaria geral do Sindicato Labrego Galego.

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