Periódico galego de informaçom crítica

É publica toda a informaçom que partilhamos nas redes sociais?

por

Há tempos que com a irrupçom das redes sociais nas nossas vidas, o Direito, entendido como o instrumento para a resoluçom de conflitos surgidos no campo das relaçons sociais, está a ser em parte superado por esta nova realidade.

Com cer­teza, se bem na atu­a­li­dade es­ta­mos fa­mi­li­a­ri­za­dos com pro­du­tos como Facebook, Twitter, Instagram, … sendo es­tes meios bas­tante in­tui­ti­vos atra­vés dos quais ge­ri­mos e man­te­mos re­la­çons in­ter­pes­so­ais, o marco nor­ma­tivo que de­ve­ria co­brir es­tes no­vos ce­ná­rios de re­a­li­dade vir­tual acha-se ór­fao dumha nor­ma­tiva es­pe­cí­fica, uni­tá­ria e com­pleta que atinja e dê res­posta aos con­fli­tos ge­ra­dos polo seu uso.

O marco normativo que deveria cobrir estes novos cenários de realidade virtual acha-se órfao dumha normativa específica

Neste novo con­texto de re­la­çons in­ter­pes­so­ais, al­gumhas ques­tons (como quais re­qui­si­tos de­vem ter as in­for­ma­çons ti­ra­das das re­des so­ci­ais para ser­vi­rem como prova em pro­ce­di­men­tos ju­di­ci­ais, ou quando é vá­lido que ter­cei­ras pes­soas pu­bli­quem in­for­ma­çons di­fun­di­das numha rede so­cial pola pes­soa ti­tu­lar, sem con­sen­ti­mento, e qual pro­te­çom ou­torga o sis­tema no seu caso, ou se é ou nom lí­cito par­ti­lhar umha con­ver­sa­çom man­tida en­tre duas pes­soas numha rede so­cial, etc) for­mu­lá­rom-se e con­ti­nuam-se a for­mu­lar a par­tir do co­nhe­ci­mento mais ou me­nos in­tui­tivo da exis­tên­cia duns di­rei­tos que cor­res­pon­dem às pes­soas polo facto de o se­rem, e que po­dem re­sul­tar le­si­o­na­dos pola uti­li­za­çom de in­ter­net e as re­des so­ci­ais.

Direito à in­ti­mi­dade
Esses di­rei­tos, de­no­mi­na­dos “da per­so­na­li­dade”, que to­das as pes­soas os­ten­ta­mos como ga­ran­tes da nossa dig­ni­dade e li­ber­dade hu­mana, en­con­tram-se com­pi­la­dos no ar­tigo 18 da Constituiçom Espanhola, quando ga­rante o di­reito à honra, à in­ti­mi­dade pes­soal e fa­mi­liar e à pró­pria ima­gem. É jus­ta­mente o con­teúdo do di­reito à in­ti­mi­dade e os seus li­mi­tes o que nos serve para de­ter­mi­nar se som ou nom pú­bli­cas, em qual­quer caso, as in­for­ma­çons pu­bli­ca­das por nós pró­prias na nossa rede so­cial.

No nosso or­de­na­mento ju­rí­dico, o di­reito à in­ti­mi­dade en­tende-se como o di­reito a nom ter que su­por­tar in­tro­mis­sons nom que­ri­das no âm­bito da pró­pria vida pes­soal. Refere-se por­tanto à vida pri­vada do in­di­ví­duo, já for uma pes­soa pú­blica ou umha ci­dadá, e todo o que seja re­la­tiva dessa in­ti­mi­dade de­verá ser con­si­de­rado como in­for­ma­çom pri­vada.

Este di­reito fun­da­men­tal foi de­sen­vol­vido na Lei Orgânica 1/1982, em 5 de maio, de pro­te­çom ci­vil do di­reito à honra, à in­ti­mi­dade pes­soal e fa­mi­liar e à pró­pria ima­gem. Aí de­li­mita-se o con­teúdo do di­reito à in­ti­mi­dade em sen­tido ne­ga­tivo, é di­zer, in­di­cando o que é umha in­tro­mis­som ile­gí­tima ao mesmo. Podemos ob­ser­var que em nen­gum dos su­pos­tos que marca como aten­ta­dos con­tra a in­ti­mi­dade som re­fe­ri­das as pu­bli­ca­çons pes­so­ais em re­des so­ci­ais. Mas nom é pos­sí­vel de­du­zir desta omis­som que to­das as pu­bli­ca­çons em re­des so­ci­ais se­jam pú­bli­cas ou, para me­lhor di­zer, que nen­gumha atente con­tra o di­reito à in­ti­mi­dade, já que como an­te­ci­pá­mos acima essa falta de pre­vi­som é umha con­sequên­cia ló­gica ape­nas do facto de se­rem esta umha das pri­mei­ras leis or­gâ­ni­cas da etapa cons­ti­tu­ci­o­nal.

O âm­bito da in­ti­mi­dade pro­te­gida no nosso or­de­na­mento ju­rí­dico como ex­pres­som dessa dig­ni­dade e li­ber­dade do in­di­ví­duo tam­bém de­pende em gram me­dida do que cada pes­soa ou fa­mí­lia de­seje man­ter re­ser­vado, polo que a pró­pria Lei no ar­tigo 2.1 dis­pom que a pro­te­çom ci­vil da honra, a in­ti­mi­dade e a pró­pria ima­gem fica de­li­mi­tada po­las leis e usos so­ci­ais do âm­bito que, po­los seus pró­prios atos, man­te­nha cada pes­soa re­ser­vado para si pró­pria ou para a sua fa­mí­lia.

É di­zer, cada pes­soa pode ter umha in­ter­pre­ta­çom di­fe­rente da in­ti­mi­dade e por­tanto sub­traído à uti­li­za­çom ou co­nhe­ci­mento in­dis­cri­mi­nado polo gram pú­blico. A ques­tom for­mula-se quando existe umha dis­cre­pân­cia en­tre o que o ti­tu­lar da in­for­ma­çom pu­bli­cada nas suas re­des so­ci­ais en­tende que é umha in­for­ma­çom pri­vada e o que ter­cei­ros per­ce­bem como in­for­ma­çom pú­blica, aces­sí­vel para to­das.

Nos pro­ce­di­men­tos ju­di­ci­ais
Em tais su­pos­tos, a de­ci­som so­bre se umha in­for­ma­çom é pri­vada ou pú­blica e pode, neste úl­timo caso, ser uti­li­zada por ter­cei­ros, por exem­plo num pro­ce­di­mento ju­di­cial, de­pen­derá do cri­té­rio do ór­gao jul­ga­dor e das ca­ra­te­rís­ti­cas do caso con­creto.

O direito à intimidade entende-se como o de nom ter que suportar intromissons nom queridas no âmbito da própria vida pessoal

Desta forma, por exem­plo, a Sentença do Tribunal Superior de Justiça de Astúrias, em 14 de ju­nho e 2013, num caso em que umha tra­ba­lha­dora era des­pe­dida pola sua em­presa logo de sa­ber po­las suas pu­bli­ca­çons de Facebook que a pró­pria tra­ba­lha­dora, de baixa por con­tra­tura cer­vi­cal, ti­nha re­a­li­zado vá­rias vi­a­gens e saí­das lú­di­cas con­train­di­ca­das na sua con­di­çom, o ór­gao jul­ga­dor en­ten­deu que nom se vul­ne­rava a in­ti­mi­dade da tra­ba­lha­dora, “ao se­rem ob­ti­das as fo­to­gra­fias sem ne­ces­si­dade de uti­li­zar chave para ace­der às mes­mas já que nom es­tava li­mi­tado o aceso para o pú­blico, ob­tendo-se li­vre­mente es­tando ‘col­ga­das’ na rede pu­dé­rom ser vis­tas sem nen­gum tipo de li­mite” com o que nom apre­cia umha in­tro­mis­som na in­ti­mi­dade da tra­ba­lha­dora ale­gada por esta para en­ten­der a nu­li­dade do des­pe­di­mento.

Na con­tra, se as in­for­ma­çons e fo­to­gra­fias que ob­tivo a em­presa de­man­dada fos­sem aces­sí­veis ape­nas a ami­za­des da tra­ba­lha­dora, isto é, fosse ne­ces­sá­rio ace­der atra­vés de um per­fil da rede so­cial, que para além disso es­ti­ver en­tre as ami­za­des da pró­pria tra­ba­lha­dora, para po­der con­sul­tar tais in­for­ma­çons, a in­ter­pre­ta­çom do ór­gao jul­ga­dor te­ria sido logo bem di­fe­rente.

Como con­clu­som, o facto de uti­li­zar as re­des so­ci­ais como fer­ra­menta para par­ti­lhar in­for­ma­çom pes­soal so­bre nós pró­prios com as nos­sas ami­za­des ou fa­mi­li­a­res nom su­pom que tais in­for­ma­çons se en­con­trem des­pro­te­gi­das das ga­ran­tias que ofe­rece o Direito para pre­ser­var o nosso di­reito à in­ti­mi­dade. Nom se­rám, por­tanto, in­for­ma­çons pú­bli­cas polo facto de te­rem sido pu­bli­ca­das numha de­ter­mi­nada rede so­cial, mas ha­verá que aten­der às ca­ra­te­rís­ti­cas de dita rede so­cial e as me­di­das de pri­va­ci­dade po­las quais o usuá­rio ou usuá­ria ti­ver op­tado no mo­mento de di­fun­dir ou pu­bli­car tais in­for­ma­çons pri­va­das.

O último de Arquivo

Ir Acima