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Efecto Bandúa: “Com a distância social, a participaçom e a construçom coletiva vira essencial”

por
agos­tiño igle­sias

Em outubro de 2016, um grupo de vizinhas de Ourense decidiu parar de receber os média e iniciou um projeto de rádio colaborativo autogerido para transmitir as suas próprias informaçons. Surge assim a Rádio LiVerdade, um meio comunitário que nos fala da realidade galega com uma agenda própria que lhes permite estabelecer as suas próprias prioridades temáticas.

É neste es­paço que o pro­grama Efecto Bandúa apa­rece, um novo pro­jeto co­la­bo­ra­tivo, desde a sua forma até o seu con­teúdo. Conversamos com umha das cri­a­do­ras, Beatriz Pirês Laranxeira, so­bre a ex­pe­ri­ên­cia de fa­zer rá­dio e for­mar umha equipa de tra­ba­lho que pri­o­riza cui­da­dos, pro­ces­sos e in­te­res­ses pes­so­ais.  

Como é que surge o Efecto Bandua?
Nasce da ne­ces­si­dade que te­mos de re­la­ci­o­na­mento e per­tença, de con­tacto en­tre nós e o nosso meio am­bi­ente, e es­pe­ci­al­mente tendo em conta a si­tu­a­çom de re­pres­som po­lí­tica na Galiza. Começa quando duas co­le­gas nos en­con­trá­mos numha reu­niom aberta em Ourense so­bre vi­si­bi­li­dade e apoio às acu­sa­das e pen­sá­mos que po­día­mos criar um es­paço para con­ver­sar so­bre a ques­tom da re­pres­som po­lí­tica, em par­ti­cu­lar a re­pres­som ao mo­vi­mento in­de­pen­den­tista, e foi a par­tir daí que nos pro­pu­ge­mos fa­zer um pro­grama de rá­dio. Entom, fi­ge­mos um pri­meiro pro­grama cen­trado na Operaçom Jaro para in­for­mar so­bre essa ques­tom. Na al­tura, par­ti­ci­pá­mos qua­tro pes­soas. Três de­las na ela­bo­ra­çom de con­teú­dos e umha, que já co­la­bo­rava com a Rádio Liverdade, a tra­tar da parte de edi­çom.

A par­tir daí, co­me­çá­rom a sur­gir ideias para fa­zer ou­tros pro­gra­mas e dar as­sim con­ti­nui­dade à ques­tom da re­pres­som po­lí­tica, ao passo que ex­pan­día­mos con­teú­dos. Tínhamos von­tade de con­ti­nuar e foi a par­tir daí que tam­bém sur­giu o nome…

O que sig­ni­fica o nome do pro­grama?
Bandua é umha di­vin­dade. Foi a Gema, umha co­lega his­to­ri­a­dora, que o ideou. No iní­cio, pen­sá­mos em cha­mar o pro­grama «Efecto Bolboreta», mas nom es­tá­va­mos mui con­ven­ci­das. Entom a Gema fa­lou-nos dumha di­vin­dade cas­treja, umha fi­gura pro­te­tora da co­mu­ni­dade. Tínhamos a con­vic­çom de que o pro­grama de­via tra­tar ques­tons como a re­pres­som po­lí­tica ao ní­vel co­mu­ni­tá­rio e de como isso nos afe­tava tam­bém às pes­soas que nom es­tá­va­mos en­vol­vi­das di­re­ta­mente no mo­vi­mento in­de­pen­den­tista e foi por isso que o achá­mos ajei­tado.

Figemos um pri­meiro pro­grama cen­trado na ‘Operaçom Jaro’. A par­tir de aí co­me­çá­rom a sur­gir ideias para fa­zer ou­tros pro­gra­mas”

Como se or­ga­niza e gere o tra­ba­lho co­la­bo­ra­tivo?
Nom te­mos umha es­tru­tura fixa. Nom há fun­çons es­ta­be­le­ci­das. Todas fa­ze­mos tudo. Relevamo-nos. Nom é um grupo fe­chado, mas existe esse es­paço so­noro, o pro­grama atra­vés do qual po­der ge­rar con­teúdo e ver pes­soas di­fe­ren­tes.

Nas reu­ni­ons an­te­ri­o­res à COVID-19, jun­tá­vamo-nos na casa de al­guns de nós, mas a par­tir do es­tado de emer­gên­cia tra­ba­lhá­mos atra­vés de en­con­tros vir­tu­ais. Fôrom sur­gindo ou­tras ne­ces­si­da­des e mo­ti­va­çons e con­vi­da­mos ou­tras co­le­gas. Começámos tam­bém a tra­tar nós da edi­çom. Isto é, fa­ze­mos tanto os con­teú­dos quanto a edi­çom. Tudo é um pro­cesso de au­to­for­ma­çom: fa­ze­mos e apren­de­mos a fa­zer.  

Cobrides umha am­pla gama de tó­pi­cos nos quais fa­la­des so­bre ques­tons atu­ais e tam­bém so­bre tó­pi­cos mais es­co­lhi­dos, como a morte …, qual o fio con­du­tor dos pro­gra­mas do Efecto Bandua?
É mui di­verso. Respeitam as cou­sas que nos ape­te­cem. Temos fle­xi­bi­li­dade e li­ber­dade su­fi­ci­en­tes para pro­por. A Radio LiVerdade es­tava lá e, por ser um pro­jeto aberto, que­ría­mos ti­rar pro­veito dessa pla­ta­forma de som para tor­nar vi­sí­vel e fa­lar so­bre aquilo que nos di­zia res­peito. A rá­dio é um meio in­te­res­sante atra­vés do qual for­ne­cer ou­tras in­for­ma­çons que nos per­mi­tem en­ten­der o am­bi­ente que nos ro­deia e nos in­cen­tiva a atu­ar­mos. Falo dum tipo de in­for­ma­çom que nom en­con­tra­mos nos meios de de­sin­for­ma­çom ge­ne­ra­lis­tas que ins­ti­gam medo e des­con­fi­ança, que in­cen­ti­vam ru­mo­res e pen­sa­men­tos nom crí­ti­cos.

agos­tiño igle­sias

Da ex­pe­ri­ên­cia de fa­zer Efecto Bandua, que é aquilo que mais va­lo­ri­za­des?
Que é um es­paço onde to­das as vo­zes som ou­vi­das e onde há cui­dado su­fi­ci­ente com o pro­cesso de cada umha. Partilhámos en­tre to­das aquilo que mais nos pre­o­cupa, se nos ape­tece ou nom par­ti­ci­par em cada pro­grama. O pro­cesso de cons­tru­çom dos pro­grama tam­bém é feito em co­mum. Se al­guém quer tra­tar da parte téc­nica ou quem pre­fira dei­xar de tra­tar dos con­teú­dos, ou­vi­mos o que se tem para di­zer e mu­da­mos. O pro­cesso é agra­dá­vel no sen­tido em que fa­ze­mos o que que­re­mos. Nom há res­pon­sa­bi­li­dade ou obriga de ter de fa­zer ou criar um pro­grama. Damo-nos tempo de acordo com o ritmo de cada um. 

Porque é im­por­tante para vós que o es­paço seja cons­truído em co­mu­ni­dade?
Em ge­ral, to­dos gos­ta­mos de cons­truir a par­tir do co­mu­ni­tá­rio. Entre as pes­soas que fa­ze­mos parte do Efecto Bandua existe muita afi­ni­dade. Umha das co­le­gas cos­tuma de­fi­nir-nos como uma flo­resta di­versa de que to­das par­ti­ci­pa­mos até por­que nom po­de­mos fa­zer nada as umhas sem as ou­tras, so­mos in­ter­de­pen­den­tes. Gostamos de fa­zer o pro­grama, po­de­mos ex­pri­mir-nos e fa­lar da­quilo que nos in­te­ressa fa­lar na­quilo que lhe in­te­ressa e trans­la­dar a sua voz, e tam­bém por­que fa­ze­mos de elo de li­ga­çom com ou­tras pes­soas que que­rem trans­mi­tir o seu ponto de e vista e nom es­tám a ter forma de o trans­la­dar. 

Bandua é umha di­vin­dade cas­treja, umha fi­gura pro­te­tora da co­mu­ni­dade”

Como adap­tas­tes este tra­ba­lho co­mu­ni­tá­rio ao con­fi­na­mento?
Com o es­tado de alarme, a dis­tân­cia so­cial e o iso­la­mento, torna-se mais ne­ces­sá­rio man­ter as re­des fun­ci­o­nando. A par­ti­ci­pa­çom vira es­sen­cial, tal como os es­pa­ços de apoio mú­tuo e a cons­tru­çom co­le­tiva. Entom criá­mos a sec­çom “Community Talk!”  na qual qual­quer um po­de­ria par­ti­ci­par. Precisávamos co­nhe­cer ou­tras vo­zes e que as pes­soas per­ma­ne­ces­sem li­ga­das mesmo es­tando con­fi­na­das. Queríamos ou­vir-nos, sa­ber como es­tá­va­mos e dar es­paço às pes­soas para trans­la­dar o que lhes es­tava a pas­sar e o que pen­sa­vam. Queríamos pôr em co­mum as es­tra­té­gias que cada um es­tava a as­su­mir para se sen­tir mais à von­tade com a si­tu­a­çom. 

Tendes al­gumha ideia so­bre o que ire­des que­rer fa­lar quando isto pas­sar?
Queremos con­ti­nuar com a ques­tom da re­pres­som po­lí­tica, da re­a­li­dade dos cár­ce­res e do sui­cí­dio. Agora es­ta­mos a tra­ba­lhar num novo pro­grama so­bre o sig­ni­fi­cado da morte nou­tras cul­tu­ras. Lá, en­tra­mos em con­tacto com umha co­lega pa­les­ti­ni­ana e com umha me­xi­cana in­te­res­sa­das em par­ti­ci­par e que já ti­nham co­la­bo­rado na sec­çom «Fala a co­mu­ni­dade!” de um pro­grama an­te­rior. 

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