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Festivais ao ritmo da exploraçom

por
fer­nando blanco

Para a Junta da Galiza foi im­por­tante a posta em an­da­mento de um ma­cro-fes­ti­val como ‘O Son do Camiño’ que fun­ci­o­nasse como pro­pa­ganda do que será o seu grande evento cul­tu­ral: o Jacobéu 2021. Para isso, as­si­nou um con­trato mi­li­o­ná­rio com duas das em­pre­sas es­pe­ci­a­li­za­das na or­ga­ni­za­çom deste tipo de even­tos, como som Esmerarte ‑or­ga­ni­za­dora do Portamérica- ou Old Navy Port Producciones ‑or­ga­ni­za­dora do Resurrection Fest-.

Ademais de ‘O Son do Camiño’, a aposta cul­tu­ral da Junta passa por apoiar este tipo de fes­ti­vais, ade­mais de uti­lizá-los como mon­tra para vi­si­bi­li­zar o lo­gó­tipo do Jacobéu 2021. Neste ano a ad­mi­nis­tra­çom au­to­nó­mica de­sen­vol­veu a marca pro­mo­ci­o­nal ‘FEST Galicia’, que tem como lema ‘Festivais que fam ca­mi­nho’ e à que se ade­rem umha dú­zia de fes­ti­vais, en­tre eles o Resurrection Fest, Portamérica ou o SonRías Baixas. Na des­cri­çom desta marca ex­pom-se que nasce “para pro­mo­ci­o­nar o ter­ri­tó­rio ga­lego como des­tino mu­si­cal, baixo cri­té­rios de qua­li­dade e sus­ten­ta­bi­li­dade so­cial. A marca aco­lhe a fes­ti­vais que fun­ci­o­nam de forma pro­fis­si­o­nal e que se pre­o­cu­pam por ache­gar va­lo­res acres­cen­ta­dos à ex­pe­ri­ên­cia mu­si­cal”.

Há mais exem­plos do in­te­resse polo tu­rismo de fes­ti­vais que está a pro­mo­ver o PPdeG. Assim, a Direçom Geral de Juventude, Participaçom e Voluntariado, ór­gao de­pen­dente da Conselharia de Política Social, anun­ciou que den­tro do pro­grama ‘SON Voluntario/a’ fa­ci­li­tará a par­ti­ci­pa­çom de jo­vens vo­lun­tá­rias nos fes­ti­vais, “que vi­vi­rám a ex­pe­ri­ên­cia do fes­ti­val desde den­tro”, ex­pom-se na nota de im­prensa em que se pu­bli­ci­tava esta ini­ci­a­tiva. Nessa mesma nota, in­di­ca­vam-se que nom se re­a­li­za­riam mais de três ho­ras de vo­lun­ta­ri­ado e que as ta­re­fas se­riam “ofe­re­cer in­for­ma­çom de in­te­resse so­bre os ser­vi­ços que ofe­rece o fes­ti­val, fa­ci­li­tar a cir­cu­la­çom das pes­soas den­tro do re­cinto e re­a­li­zar, de ser o caso, ati­vi­da­des de sen­si­bi­li­za­çom me­di­o­am­bi­en­tal”.

A Junta as­si­nou um con­trato mi­li­o­ná­rio com duas das em­pre­sas es­pe­ci­a­li­za­das na or­ga­ni­za­çom deste tipo de even­tos, como som Esmerarte ‑or­ga­ni­za­dora do Portamérica- ou Old Navy Port Producciones ‑or­ga­ni­za­dora do Resurrection Fest-

Voltando ao ‘O Son do Camiño’, para os pró­xi­mos anos a Junta está a pre­pa­rar umha oferta ainda mais am­bi­ci­osa. Recentemente, o jor­nal La Voz de Galicia anun­ci­ava que a ad­mi­nis­tra­çom au­to­nó­mica ti­nha pre­pa­rada a li­ci­ta­çom de 472.000 eu­ros para am­pliar a 50.000 va­gas ‑atu­al­mente conta com 33.000- o aforo do Monte do Goço em 2021. Segundo es­tas in­for­ma­çons, o aforo am­pli­ará-se re­du­zindo o vo­lume do lago.

Exploraçom la­bo­ral
Porém, quando se es­cu­tam as vo­zes das pes­soas que tra­ba­lham nos fes­ti­vais ser­vindo con­su­mi­çons nos bal­cons ou na lim­peza dos acam­pa­men­tos a re­a­li­dade é ou­tra. É um tipo de tra­ba­lho ao que acode so­bre­todo gente nova com in­te­resse em con­se­guir uns in­gres­sos pon­tu­ais, o qual di­fi­culta umha cons­ci­en­ci­a­çom ar­re­dor da de­fesa de umhas con­di­çons la­bo­rais dig­nas.

No caso da con­tra­ta­çom para a edi­çom de ‘O Son do Camiño’ deste ano, ce­le­brado no Monte do Goço de Compostela, a única in­for­ma­çom so­bre as con­di­çons la­bo­rais que se ache­gou às pes­soas que tra­ba­lha­riam como ca­ma­rei­ras é de que se pa­ga­riam oito eu­ros por hora tra­ba­lhada. Indicava-se tam­bém qual se­ria o ho­rá­rio de en­trada, mas nom o de saída, o qual fi­cava à de­ci­som da pes­soa en­car­re­gada por cada bal­com. Assim, as tra­ba­lha­do­ras dos bal­cons re­a­li­za­riam jor­na­das que po­de­riam su­pe­rar as treze ho­ras diá­rias. Todas elas pa­ga­das a oito eu­ros, sem ser re­mu­ne­ra­das como ho­ras ex­tra­or­di­ná­rias nem tendo em conta o plus de no­tur­ni­dade.

A única in­for­ma­çom so­bre as con­di­çons la­bo­rais que se ache­gou às ca­ma­rei­ras de ‘O Son do Camiño’ é que se pa­ga­riam oito eu­ros por hora

Ao nom ver umha có­pia do con­trato as tra­ba­lha­do­ras dos bal­cons fi­cam sem a pos­si­bi­li­dade de sa­ber qual se­ria o con­vé­nio apli­cá­vel. Porém, esse preço de oito eu­ros por hora fica por baixo do con­vé­nio co­le­tivo de ho­te­la­ria da pro­vín­cia da Corunha e tam­bém do con­vé­nio au­to­nó­mico de even­tos, ser­vi­ços e pro­du­çons cul­tu­rais ‑polo que se re­gem ou­tros fes­ti­vais como o Resurrection Fest-.

Segundo in­di­cam pes­soas que tra­ba­lhá­rom nos bal­cons de di­ver­sos fes­ti­vais se­riam tra­ços co­muns: umha falta de co­nhe­ci­mento do con­vé­nio la­bo­ral apli­cá­vel, um preço por hora que os­cila en­tre os 8 ou os 9 eu­ros, jor­na­das la­bo­rais que po­dem su­pe­rar as qua­torze ho­ras e que em oca­si­ons se en­con­tram se­pa­ra­das por me­nos de doze ho­ras de des­canso.

Este ano fa­zia-se pú­blico, dous me­ses de­pois da ce­le­bra­çom do fes­ti­val, que mui­tas tra­ba­lha­do­ras dos bal­cons de ‘O Son do Camiño’ nom re­ce­be­ram o im­porte que lhes cor­res­pon­dia, ha­vendo ca­sos em que in­gres­sa­ram dez ho­ras me­nos. Imediatamente de­pois de fa­zer-se pú­blico po­las re­des so­ci­ais, a em­presa en­car­re­gada da con­tra­ta­çom, Trosma Producciones, co­me­çou a fa­zer caso das quei­xas que du­rante se­ma­nas es­ti­ve­ram a emi­tir as tra­ba­lha­do­ras afe­ta­das, ace­le­rando o pa­ga­mento de boa parte das dí­vi­das.

Nos fes­ti­vais nom se pa­gam ho­ras ex­tra­or­di­ná­rias nem plus de no­tur­ni­dade

Quanto aos ser­vi­ços de acam­pa­mento, em que se­ria apli­cá­vel o con­vé­nio de ho­te­la­ria da pro­vín­cia cor­res­pon­dente, tam­bém se de­nun­ciá­rom pa­ga­men­tos por baixo do cor­res­pon­dente. Assim, umha tra­ba­lha­dora do ser­viço de ‘glam­ping’ do Resurrection Fest ex­plica como re­cor­reu ao seu sin­di­cato, a CIG, umha vez de­ci­diu nom as­si­nar o ‘fi­ni­quito’ ao ver que co­bra­ria me­nos do que ti­nha cal­cu­lado. Ela la­menta que as tra­ba­lha­do­ras deste tipo de even­tos nom re­cor­ram aos sin­di­ca­tos para re­cla­mar o que se lhes deve. Após re­ce­ber as­ses­so­ra­mento, con­ta­tou com o de­par­ta­mento de re­cur­sos hu­ma­nos da em­presa ‑Glamping and Co., se­di­ada em Castellón e que for­nece ser­vi­ços de acam­pa­mento de luxo em di­ver­sos fes­ti­vais do es­tado es­pa­nhol- e con­se­guiu co­brar se­gundo o con­vé­nio co­le­tivo de ho­te­la­ria de Lugo. A sua jor­nada era de oito ho­ras e de ma­nhá, mas esta tra­ba­lha­dora de­nun­cia que as ho­ras ex­tra­or­di­ná­rias pa­ga­vam-se igual que as or­di­ná­rias, e que nom se pa­gava tam­pouco plus de noi­tur­ni­dade.

Insustentabilidade eco­ló­gica
O mo­delo de la­zer em fes­ti­vais está ba­se­ado no con­sumo, tanto de es­pe­tá­cu­los, como de co­mida, be­bi­das ou di­ver­sos ti­pos de ser­viço. Todo está pre­pa­rado para sa­ciar os de­se­jos dos cen­tos ou mi­lha­res de pes­soas que as­si­ti­rám ao fes­ti­val, sem im­por­tar de­ma­si­ado as re­per­cus­sons deste mo­delo nem nas con­di­çons la­bo­rais nem nas agres­sons ao meio am­bi­ente. Os ma­cro-fes­ti­vais som tam­bém umha ocu­pa­çom de modo in­ten­sivo de um es­paço pú­blico que gera umha grande quan­ti­dade de des­per­dí­cios, como pode ser o uso ha­bi­tual de plás­ti­cos de um só uso. Nesta edi­çom de ‘O Son do Camiño’ al­gumhas tra­ba­lha­do­ras ob­ser­va­vam como a cer­veja so­brante das tor­nei­ras era lan­çada ao lago do Monte do Goço, um es­paço que vá­rios dias após a ce­le­bra­çom do fes­ti­val fi­cou cheio de sa­cas de lixo e todo tipo de des­per­dí­cios sem re­co­lher, o que sus­ci­tou as quei­xas da vi­zi­nhança.
“Pensade que quan­tas mais ho­ras fa­ga­des, mais co­bra­re­des. Isto é as­sim”, ani­mava umha das en­car­re­ga­das do bal­com de ‘O Son do Camiño’ às suas tra­ba­lha­do­ras. Um mo­delo de tra­ba­lho que passa por acima dos di­rei­tos con­se­gui­dos po­las tra­ba­lha­do­ras e que, atra­vés do seu apoio ao tu­rismo de fes­ti­vais, é pro­mo­vido pola Junta.

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