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Mulheres, músicas e galegas

por
Paula López Lodeiro, umha das in­te­gran­tes do pro­jeto 85C e vento no grupo Liska! | borxa toxa

Maes, ami­gas, ar­tis­tas e ir­más, mas so­bre­todo, ga­le­gas e mú­si­cas “das que lui­tam na vida”. Assi é como se de­fi­nem as MGK, um co­le­tivo de mais de 30 mu­lhe­res mú­si­cas ga­le­gas, no seu tema con­junto “Somos”. Como elas, som mui­tas as mú­si­cas da Galiza que as­su­mem um pa­pel di­na­mi­za­dor da cul­tura mu­si­cal do país desde a som­bra ou acima de gran­des ce­ná­rios, num eido onde ainda resta muito ca­mi­nho por per­cor­rer quanto à vi­si­bi­li­za­çom fe­mi­nina, mas so­bre­todo fe­mi­nista. Do fol­que até o he­avy me­tal, pas­sando polo rock ou o ska, as mu­lhe­res ga­le­gas fam parte dum pa­no­rama mu­si­cal mai­o­ri­ta­ri­a­mente mas­cu­li­ni­zado, que rei­vin­di­cam como es­paço pró­prio a pas­sos lar­gos. 

com o afám de visibilizar a grande presença feminina no ámbito musical galego, surgírom iniciativas como Músicas Galegas Ilustradas


O em­po­de­ra­mento mu­si­cal fe­mi­nino chega até nós em so­li­tá­rio com pro­je­tos tam pro­fis­si­o­nais como re­bel­des, em forma de agru­pa­men­tos uni­ca­mente fe­mi­ni­nos, ou com a in­te­gra­çom das mu­lhe­res em gru­pos mu­si­cais onde an­ti­ga­mente a sua pre­sença era ane­dó­tica. Com ta­lento, tra­ba­lho e muito que di­zer, gran­des ar­tis­tas como Ugia Pedreira, Sés, Guadi Galego, Lidia Botana ou As Tanxugueiras le­vam o nosso idi­oma por ce­ná­rios de todo o país e de fora da Galiza. Outras como a Ugia che­gá­rom até África e América, e le­vá­rom adi­ante com êxito pro­je­tos tam des­ta­ca­dos como o fes­ti­val Cantos na Maré. “Sempre há essa ten­ta­çom de cri­ti­car umha mu­lher polo seu dis­curso, por­que é va­lente e di o que pensa. Ainda há quem se sur­pre­enda por algo tam nor­mal como a li­ber­dade de ex­pres­som e de­vem sa­ber que nom so­mos mu­lhe­res ao ser­viço dum dis­curso pa­tri­ar­cal, se­nom que te­mos o nosso pró­prio”, rei­vin­dica a ar­tista. Para Ugia é im­por­tante tam­bém des­ta­car o pa­pel da mu­lher como cri­a­dora, já que em pa­la­vras suas “nom so­mos, como pre­ten­dé­rom mui­tas ve­zes, um ob­jeto do au­tor, gente que só canta ou in­ter­preta. A mu­lher tam­bém é au­tora e cri­a­dora e há que su­bli­nhar a au­to­ria das nos­sas can­çons e mos­trarmo-nos sem­pre mui or­gu­lho­sas do que fa­ze­mos”.  

"na música clássica nom se dá esta situaçom, mas em bandas de rock, ska ou punk é menos frequente que haja mulheres"

Nos úl­ti­mos anos vá­rios gru­pos fe­mi­ni­nos coma As Punkiereteiras, com o seu “Canto fe­mi­nista”, A Banda da Loba ou The Tetas’ Van su­bí­rom aos ce­ná­rios do país de­mons­trando que a uniom fai a força e que as mú­si­cas ga­le­gas já nom vam fi­car ca­la­das. Com o afám de vi­si­bi­li­zar a grande pre­sença fe­mi­nina no ám­bito mu­si­cal ga­lego, sur­gí­rom tam­bém ini­ci­a­ti­vas como Músicas Galegas Ilustradas, da bai­xista e ilus­tra­dora Laura Romero, quem de­nún­cia a mi­no­ria de atu­a­çons fe­mi­ni­nas em fes­ti­vais e con­cer­tos a golpe de lá­pis e pa­pel. Outras como as Mulheres Galegas Kanheras (MGK), ci­ta­das no co­meço deste texto, saí­rom à luz no ano pas­sado da mao da vo­ca­lista Patty Castro, fa­zendo toda umha de­cla­ra­çom de in­ten­çons ao jun­tar mais de 30 mu­lhe­res de todo o país que de­sen­vol­vem a sua ati­vi­dade mu­si­cal ar­re­dor dos gé­ne­ros rock e he­avy me­tal. A ini­ci­a­tiva, que pre­para a sua se­gunda edi­çom, com­pre­en­deu a gra­va­çom dum disco e um con­certo con­junto, ade­mais de vi­si­bi­li­zar a pre­sença de mu­lhe­res can­tando em gu­tu­ral, to­cando a ba­te­ria, o baixo ou a gui­tarra em gru­pos coma Strikeback, Ith, Galiryon ou Bala, este úl­timo com­posto por duas mu­lhe­res vo­ca­lis­tas e ins­tru­men­tis­tas. “Temos que po­der apren­der dos er­ros do pas­sado para criar umha so­ci­e­dade mais justa e igua­li­tá­ria para to­das. É um tra­ba­lho da so­ci­e­dade em ge­ral, na vida diá­ria, com pe­que­nos ges­tos, e dar vi­si­bi­li­dade às mu­lhe­res é um des­ses ges­tos”, as­se­gura a pro­mo­tora do pro­jeto.

O ta­lento jo­vem e fe­mi­nino tam­bém está a des­pon­tar nos úl­ti­mos tem­pos no pa­no­rama ga­lego e as no­vas ge­ra­çons ve­nhem cheias de ener­gia para se fa­ze­rem ver. Com esta força nasce o pro­jeto 85C, que umha vez ao ano reúne mo­ças que can­tam, dan­çam, to­cam ins­tru­men­tos e re­ci­tam po­e­sia. “Definimo-nos como um pro­jeto cri­ado para que toda pes­soa que o de­seje poda sen­tir a ma­gia atra­vés da arte dumhas mu­lhe­res que já nom cho­ram para ma­mar, que nom sa­bem de ajo­e­lhar-se e que nom que­rem vi­ver mais na sub­mis­som que al­guém um dia lhes quijo im­por”, ex­plica Paula López Lodeiro, umha das in­te­gran­tes do pro­jeto. Aos seus 21 anos, conta com o Grau Profissional de trom­bom no Conservatório, e é umha das três in­te­gran­tes fe­mi­ni­nas que for­mam o grupo de ska Liska!. A in­te­gra­çom de mu­lhe­res em ban­das como esta, que tem nove mem­bros, de­sem­pe­nha, na sua opi­niom, “um pa­pel nor­ma­li­za­dor da si­tu­a­çom de de­si­gual­dade que se vê nos ce­ná­rios, so­bre­todo neste es­tilo mu­si­cal”. Segundo esta ar­tista, “de­ve­ria ser nor­mal en­con­trar mu­lhe­res to­cando em gru­pos, já que, por exem­plo, na mú­sica clás­sica nom se dá esta si­tu­a­çom, mas em ban­das de rock, ska ou punk é me­nos fre­quente que haja mu­lhe­res”. Neste pa­no­rama, ou­tras ban­das como Dudecan, Trapallada ou A Compañía do Ruído in­te­gram tam­bém gran­des mú­si­cas na sua for­ma­çom. “Por sorte cada vez imos so­mando, mas ainda resta muito ca­mi­nho por per­cor­rer”,   ava­lia Paula quem, como ou­tras mui­tas mú­si­cas ga­le­gas, tra­ba­lha cada dia pola mú­sica, o idi­oma e a igual­dade. 

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