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Múltiplas vozes em favor das Letras Galegas para Carvalho em 2021

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Dada a si­tu­a­çom de crise sa­ni­tá­ria de­ri­vada do Covid-19, as ce­le­bra­çons de di­fu­som e ho­me­na­gem a Carvalho Calero pro­je­ta­das para vá­rios me­ses, as­sim como a apro­xi­ma­çom à sua fi­gura nos cen­tros de en­sino, fi­cou pa­ra­li­sada. A Real Academia Galega pro­pom mo­ver a ce­le­bra­çom do 17 de maio para o dia 31 do mês de ou­tu­bro, coin­ci­dindo com o 110 ani­ver­sá­rio do nas­ci­mento do au­tor, mas já som dú­zias os co­le­ti­vos de todo tipo que se po­si­ci­o­ná­rom pu­bli­ca­mente polo adi­a­mento da ce­le­bra­çom para o ano próximo.

A AGAL re­a­giu ime­di­a­ta­mente à po­si­çom da RAG e des­taca que “nom fai sen­tido ce­le­brar umhas le­tras ao 10% po­dendo fazê-lo ao 100%”, fo­cando a ar­gu­men­ta­çom em três ei­xos: pri­meiro, que nom se po­dem ga­ran­tir as con­di­çons da ce­le­bra­çom em ou­tu­bro. Em se­gundo lu­gar, es­ta­riam em risco múl­ti­plos even­tos pro­gra­ma­dos para a pri­ma­vera, e no­me­a­da­mente os dous cen­trais: a Leitura Continuada co­le­tiva de Scórpio em Compostela e a ex­po­si­çom “A voz pre­sente” que per­cor­re­ria 10 lo­ca­li­da­des ga­le­gas e umha por­tu­guesa. E como ter­ceiro ponto, a perda das ati­vi­da­des pro­gra­ma­das no en­sino, já que no novo curso es­co­lar nom ha­ve­ria es­paço aca­dé­mico para apro­vei­tar to­dos os re­cur­sos edu­ca­ti­vos fun­da­men­tais para de­sen­vol­ver as ati­vi­da­des li­ga­das à di­fu­som do autor.

A Mesa pola Normalización Lingüística tam­bém se di­ri­giu à RAG com o mesmo mo­tivo. O seu pre­si­dente, Marcos Maceiras, fai finca-pé na ex­ce­ci­o­na­li­dade do mo­mento e des­taca a im­por­tân­cia do peso so­cial na ho­me­na­gem a Carvalho Calero: “A de­di­ca­tó­ria do Dia das Letras Galegas a Carvalho Calero foi mo­tivo de ce­le­bra­çom por grande parte das en­ti­da­des so­ci­ais e cul­tu­rais de Galiza polo me­re­ci­mento do au­tor e por ser re­cla­mado por mui­tas des­tas en­ti­da­des, en­tre elas a Mesa, desde ha­via muito tempo.”

A AGAL re­a­giu ime­di­a­ta­mente à po­si­çom da RAG e des­taca que “nom fai sen­tido ce­le­brar umhas le­tras ao 10% po­dendo fazê-lo ao 100%”

Da Asociación de Escritoras e Escritores en Lingua Galega (AELG) pro­nun­ciá­rom-se fa­zendo pú­blica umha carta aberta ao pre­si­dente da RAG, Víctor Freixanes, em que as­si­na­lam que “se­ria umha in­jus­tiça his­tó­rica que o au­tor ho­me­na­ge­ado nom poda ser ache­gado à so­ci­e­dade e aos seus es­co­la­res como todo au­tor e au­tora me­re­cê­rom no pas­sado, den­tro de umha maior nor­ma­li­dade so­cial e cul­tu­ral.” E de passo, apro­vei­tá­rom para as­si­na­lar que aguar­dam que a se­guinte ho­me­na­ge­ada, em 2022, seja umha mulher.

Também a Federación Galega de Asociacións Culturais se soma, em carta para a RAG, so­li­ci­tando que “com in­de­pen­dên­cia dos atos cuja pro­gra­ma­çom se pu­der re­to­mar em me­ses su­ces­si­vos (e/ou da di­fu­som te­le­má­tica que de al­guns atos ou ini­ci­a­ti­vas se está a re­a­li­zar) (…) que de­di­que de novo o ano 2021 à ce­le­bra­çom com­pleta e de­vida da pes­soa e obra de Ricardo Carvalho Calero.”

Da AELG aguar­dam que a se­guinte ho­me­na­ge­ada em 2022 seja umha mulher

O Instituto de Estudos Chairegos tam­bém se adere à de­manda e ex­pri­mí­rom a des­con­for­mi­dade dei­xando ver o risco de “que a fi­gura de Carvalho Calero fi­que mais umha vez es­va­e­cida, oculta por um véu, ob­je­tivo sem dú­vida de in­te­resse para de­ter­mi­na­dos se­to­res.” E igual­mente o fijo a Associação Sócio-Cultural Lareira de Sonhos dos Vilares e o grupo Nova Poesia Guitirica (NPG) ou mesmo a Fundación Manuel María de Estudos Galegos ao con­si­de­ra­rem que a pro­lon­ga­çom da ho­me­na­gem ao 2021 “sem oca­si­o­nar pre­juí­zos a nin­guém, re­sul­tará be­ne­fi­ciá­ria para a ex­ten­som da cul­tura ga­lega, o afi­an­ça­mento do con­junto do seu te­cido cul­tu­ral e su­porá um tra­ta­mento justo para a fi­gura de Carvalho Calero.” 

tino viz

Manifesto conjunto de centros sociais, escolas Semente e organizaçons

As or­ga­ni­za­çons Associaçom de Estudos Galegos, Briga, o Coletivo Terra, a SCD Condado, as Escolas de Ensino em Galego Semente, as­sim como os cen­tros so­ci­ais CS A Revolta e CS Faísca de Vigo, a CS O Pichel de Compostela, o CS Gomes Gaioso da Corunha, o CS Madia Leva de Lugo, o CS O Quilombo de Ponte Vedra, a Fundaçom Artábria de Trasancos e o CS Fuscalho do Baixo Minho as­si­nam con­jun­ta­mente um co­mu­ni­cado pú­blico em que ex­pri­mem a sua opo­si­çom à de­ci­som do adi­a­mento a ou­tu­bro pro­posta pola RAG. No ma­ni­festo in­cide-se no pro­blema para o en­sino: “Sendo a co­me­ços do ano le­tivo e tendo que re­cu­pe­rar parte do cur­rí­culo sem de­sen­vol­ver nes­tes me­ses, se­me­lha que a pre­sença do au­tor se­ria tes­te­mu­nhal. Aliás, a data es­co­lhida coin­cide com a ce­le­bra­çom do Samaim, tra­di­çom na qual o te­cido as­so­ci­a­tivo le­va­mos anos tra­ba­lhando na sua re­cu­pe­ra­çom.” Por ou­tra parte tam­bém re­co­lhem a falta de ga­ran­tias a res­peito de qual se­rám as con­di­çons nesse mo­mento, e co­lo­cam que “nom ima­gi­na­mos um Dia das Letras sem a rei­vin­di­ca­çom na rua da de­fesa do nosso idi­oma ou sem as mui­tas ati­vi­da­des cul­tu­rais que se de­sen­vol­vem por todo o País.”

O pa­pel da cul­tura de base e do rein­te­gra­ci­o­nismo foi, é e será fun­da­men­tal na di­vul­ga­çom de Carvalho Calero. Sabemos que foi ne­gado du­rante anos pola RAG, só polo facto de ser reintegracionista”

Por ou­tra parte, afir­mam que “o pa­pel da cul­tura de base e do rein­te­gra­ci­o­nismo foi, é e será fun­da­men­tal na di­vul­ga­çom de Carvalho Calero. Sabemos que foi ne­gado du­rante anos pola RAG, só polo facto de ser rein­te­gra­ci­o­nista. Por isso aguar­da­mos que seja es­cui­tada a de­manda de adiar para 2021 esta me­re­cida ho­me­na­gem, que cada vez conta com mais ade­sons (…) Faga o que fi­ger a RAG fi­nal­mente, Carvalho con­ti­nu­ará a ser lem­brado e rei­vin­di­cado. Continuaremos a di­fun­dir a obra de um dos gran­des da nossa his­tó­ria con­tem­po­râ­nea e des­ta­cado teó­rico do rein­te­gra­ci­o­nismo lingüístico.”

BNG, CIG-ensino e Compostela Aberta também se somam

O Bloque Nacionalista Galego, pola sua parte, tam­bém se vém de si­tuar nesta mesma re­cla­ma­çom, e as­si­na­lam que “é de jus­tiça ga­ran­tir que to­das as pes­soas ho­me­na­ge­a­das go­zem do re­co­nhe­ci­mento e co­me­mo­ra­çom que cor­res­ponde ao longo do ano, mais se cabe quem, como acon­te­ceu com Carvalho Calero, foi tam aguardado.”

Por sua parte, A CIG, sin­di­cato mai­o­ri­tá­rio no en­sino pú­blico ga­lego, soma-se tam­bém à de­manda do adi­a­mento para 2021 e de­sa­cre­di­tam a pos­si­bi­li­dade da ce­le­bra­çom no ou­tono, por nom ser um con­texto ade­quado para po­der dar o es­paço aca­dé­mico pre­ciso para o de­sen­vol­vi­mento cur­ri­cu­lar de Carvalho en­tre o alunado.

No ní­vel lo­cal, o grupo po­lí­tico mu­ni­ci­pal Compostela Aberta fijo pú­blico que ins­tará à Corporaçom da câ­mara mu­ni­ci­pal a re­a­li­zar umha de­cla­ra­çom ins­ti­tu­ci­o­nal para tras­la­dar esta de­manda de parte do Concelho de Santiago à RAG. Na de­fesa desta po­si­çom, a or­ga­ni­za­çom lem­bra que no pas­sado mês de se­tem­bro foi apro­vada umha de­cla­ra­çom ins­ti­tu­ci­o­nal no con­ce­lho, a par­tir dumha mo­çom sua, em que se ins­tava ao go­verno a pre­pa­rar umha pro­gra­ma­çom pró­pria du­rante todo o ano para di­fun­dir a fi­gura de Carvalho e no­meá-lo fi­lho ado­tivo de Santiago.

Também som mui­tas as vo­zes que es­tám a mos­trar o seu apoio atra­vés das re­des so­ci­ais e em ar­ti­gos de opi­niom in­di­vi­du­ais. Assim, as vo­zes a fa­vor de alar­gar a ce­le­bra­çom do Dia das Letras Galegas em ho­me­na­gem a Carvalho Calero pas­sam a ser cla­mor popular.

Cumpre lem­brar, aliás, que ne­nhumha ou­tra pes­soa ho­me­na­ge­ada com o Dia das Letras Galegas tivo o apoio so­cial e a rei­vin­di­ca­çom de base que du­rante anos se de­sen­vol­veu nos mo­vi­men­tos cul­tu­rais e de de­fesa da lín­gua por Carvalho Calero. Um brado di­fí­cil de si­len­ciar, e que, com a soma de for­ças e de vo­zes tam di­ver­sas em fa­vor de fa­zer jus­tiça a um re­fe­rente fun­da­men­tal da nossa cul­tura, alenta a ima­gi­nar que o 2021 vai ser o ano Carvalho.

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