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Nem Risga, nem rendimento mínimo vital: Renda Básica das Iguais

por
col­lin mcadoo

Perante o medo, o con­trolo so­cial e a de­ses­pe­rança em­pe­nhamo-nos em bus­car as opor­tu­ni­da­des que traz con­sigo a ené­sima crise do ca­pi­ta­lismo pa­tri­ar­cal co­lo­nial. Nom nos re­fe­ri­mos ao man­tra do “há que rein­ven­tar-se” e de­mais pro­mes­sas in­di­vi­du­a­lis­tas de sal­va­çom frente ao co­lapso. Falamos de afi­nar o olhar e de iden­ti­fi­car onde se es­tám a abrir bre­chas para se­guir im­pug­nando este sis­tema biocida.

Esta crise es­tre­me­ceu os ci­men­tos dal­guns con­sen­sos ne­o­li­be­rais que até agora con­ta­vam com nula ou in­su­fi­ci­ente con­tes­ta­çom so­cial. O im­pacto de­vas­ta­dor de anos de des­man­te­la­mento da saúde pú­blica. O es­can­da­loso ne­gó­cio da ex­ter­na­li­za­çom de ser­vi­ços pú­bli­cos para as gran­des em­pre­sas. Que as ati­vi­da­des es­sen­ci­ais te­nham as pi­o­res con­di­çons la­bo­rais e se­jam fe­mi­ni­za­das. As di­fi­cul­da­des que grande parte da po­pu­la­çom te­mos para sa­tis­fa­zer as ne­ces­si­da­des de ali­men­ta­çom, ha­bi­ta­çom e abas­te­ci­men­tos. E, claro, a fa­lên­cia das atu­ais po­lí­ti­cas pú­bli­cas para res­pon­der à pre­ca­ri­e­dade e ao empobrecimento.

O de­bate so­bre as ne­ces­si­da­des bá­si­cas e so­bre quais som os ele­men­tos im­pres­cin­dí­veis para umha vida vi­ví­vel pas­sou de es­tar nas as­sem­bleias fe­mi­nis­tas para fil­trar-se nas agen­das de se­to­res so­ci­ais mais am­plos. Nas con­ver­sas da vi­zi­nhança. É bem pro­vá­vel que mui­tas des­sas re­fle­xons ar­re­fe­çam com as me­di­das de re­torno à “nova nor­ma­li­dade”. Tudo de­pen­derá de em que me­dida se­ja­mos ‑quem tra­ba­lha­mos na cons­tru­çom de ho­ri­zon­tes de trans­for­ma­çom so­cial- ca­pa­zes de pôr o foco em ques­tons que nom po­dem es­pe­rar até a pró­xima crise sistémica.

Levamos tempo cons­truindo umha lei­tura crí­tica da re­a­li­dade, tra­tando de in­tuir as mu­dan­ças pro­fun­das nas for­mas de or­ga­ni­zar vi­das, tra­ba­lhos, em­pre­gos e cui­da­dos que es­ta­mos a vi­ver agora. Nesta al­tura, já nom va­lem as mes­mas re­cei­tas de sem­pre, que nos le­vam ao mesmo lu­gar. É tempo de ques­ti­o­nar de forma clara o nú­cleo das po­lí­ti­cas so­ci­ais atu­ais e a sua a ló­gica de funcionamento. 

Os ren­di­men­tos mí­ni­mos som umha es­pora de an­gús­tia, es­tigma e mal-es­tar, con­de­nam a umha nom vida, à pura so­bre­vi­vên­cia a meio dumha selva de trâ­mi­tes, en­tre­vis­tas e informes

Os ren­di­men­tos mí­ni­mos nom som ou­tra cousa que ges­tom e con­trolo das pes­soas em­po­bre­ci­das. Gestom de mao de obra pre­ca­ri­zada e sub­missa para o mer­cado me­di­ante os iti­ne­rá­rios de in­ser­çom e da eterna ca­pa­ci­ta­çom para o em­prego. Controlo polo exame a que som sub­me­ti­das as cha­ma­das “usuá­rias” dos ser­vi­ços so­ci­ais. Além disso, os ren­di­men­tos mí­ni­mos som umha es­pora de an­gús­tia, es­tigma e mal-es­tar para quem se en­frenta ao la­bi­rinto da bu­ro­cra­cia. Condenam a umha nom vida, à pura so­bre­vi­vên­cia ao meio dumha selva de trâ­mi­tes, en­tre­vis­tas e re­la­tó­rios. Tudo isso para ace­der a quan­tias ir­ri­só­rias, que es­tám longe de ga­ran­tir umha vida digna. Ou al­guém crê que se pode vi­ver com 400 euros? 

Esse é o es­que­leto do ren­di­mento mí­nimo vi­tal apro­vado polo go­verno cen­tral. Um ren­di­mento con­di­ci­o­nado, di­ri­gido a co­le­ti­vos es­pe­cí­fi­cos, ou­tor­gado a fa­mí­lias ou uni­da­des de con­vi­vên­cia, com im­por­tes por de­baixo do li­miar da po­breza e ao qual se ace­de­ria logo de es­go­tar ou­tros sub­sí­dios e pres­ta­çons. Conhecemos muito bem como le­vam fun­ci­o­nando es­sas po­lí­ti­cas em di­fe­ren­tes ter­ri­tó­rios, tam­bém na Galiza com a Risga.

Por isso é tempo de rei­vin­di­car umha vida digna como um di­reito ir­re­nun­ciá­vel. De avan­çar nun mo­delo que ga­ranta a au­to­no­mia e a dig­ni­dade das pes­soas. Que aposte pola de­fesa do pú­blico e polo res­gate do co­mu­ni­tá­rio e do co­mum. Nom se trata de mar­cas nem de so­bre­no­mes. Trata-se dos va­lo­res que per­meiam e que ori­en­tam o sen­tido das pro­pos­tas. Defendemos a Renda Básica das Iguais por­que tra­ba­lha­mos para criar ri­queza co­mu­nal. Para ge­rar prá­ti­cas e ex­pe­ri­ên­cias de auto-or­ga­ni­za­çom lo­cais des­ti­na­das a sa­tis­fa­zer ne­ces­si­da­des bá­si­cas. E tam­bém para aju­dar-nos a de­ci­dir quê, como e para quê pro­du­zi­mos e re­pro­du­zi­mos a vida.

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mari fidalgo, iria zas, leo da cruz e diego lores participam em Baladre, Coordenaçom de luitas contra a precariedade e o empobrecimento.

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