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Nós, as esquecidas

por
Fotograma do do­cu­men­tá­rio ‘Meu corpo é po­lí­tico’ (Alice Riff, Brasil, 2017)

Bem é sa­bida a si­tu­a­çom das mu­lhe­res trans na so­ci­e­dade, e o fe­mi­nismo nom é um es­paço ex­cluído desta in­vi­si­bi­li­za­çom e, por ve­zes, in­clu­sive dis­cri­mi­na­çom. É certo que para nós, as trans, pode re­sul­tar des­con­for­tá­vel e pode che­gar a fa­zer sen­tir-nos ex­cluí­das, mas tam­bém po­de­mos evi­tar. Por exem­plo, evi­tando con­sig­nas ou ma­ni­fes­tos em que se men­ci­o­nem as va­gi­nas e as te­tas como ele­men­tos ca­rac­te­rís­ti­cos das mu­lhe­res. É ne­ces­sá­rio re­vi­sar de­ti­da­mente os tex­tos, ou pre­gun­tar, para po­der che­gar a ser to­tal­mente in­clu­si­vas, pois a cis­norma en­si­nou-nos a pen­sar uni­ca­mente na mu­lher cis.

É necessário revisar detidamente os textos para poder chegar a ser totalmente inclusivas, pois a cisnorma ensinou-nos a pensar só na mulher cis

Por ou­tro lado, ainda que non hou­ver nen­gumha es­pe­ci­fi­ca­çom que poda fa­zer-nos pen­sar que as mu­lhe­res te­nhem ape­nas um tipo de corpo e ge­ni­tais, mai­o­ri­ta­ri­a­mente tende-se a pen­sar em cis e bran­cas, polo que está bem in­cluir um lem­brete de que to­das so­mos mu­lhe­res. Por exem­plo, no ma­ni­festo dumha ma­ni­fes­ta­çom ou em qual­quer ati­vi­dade rei­vin­di­ca­tiva po­de­ría­mos agre­gar, a se­guir da pri­meira alu­som às mu­lhe­res, umha pa­rên­tese para lem­brar quem per­ten­ce­mos ao fe­mi­nismo, ao co­le­tivo (trans, tra­ba­lha­do­ras se­xu­ais, ne­gras, ra­ci­a­li­za­das…) e as­sim evi­tar per­pe­tuar e con­tri­buir com dita in­vi­si­bi­li­za­çom.

Conseguir umha sen­sa­çom de in­clu­som é re­la­ti­va­mente sin­gelo mas re­quere de certo tra­ba­lho e es­tar pen­dente dos teus ac­tos. A mai­o­res, tam­bém sig­ni­fica par­ti­lhar a luita e dei­xar-nos a to­das pro­ta­go­ni­zar o que nos per­tence, cousa que pode se­me­lhar do­ada, mas nom o é. Devemos con­se­guir que seja um es­paço se­guro, já non só para as mu­lhe­res trans, se­nom para qual­quer mu­lher. Isto é polo que luita o fe­mi­nismo, polo fu­turo das mu­lhe­res, de to­das as mu­lhe­res, as­sim que de­ve­mos com­pro­me­termo-nos e fa­zer o pos­sí­vel para que to­das es­te­mos in­cluí­das!

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