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Nós TV: “O jornalismo colaborativo, galego, feminista e de classe é umha batalha permanente”

por
pa­blo santiago

No passado mês de março, em plena pandemia, Nós Televisión celebrava o primeiro aniversário da sua atual etapa na plataforma de R. Falamos com Diego Frey, Ana Viqueira e Roi Barros do modelo do meio, de jornalismo e de projetos de futuro em tempos incertos.

Nós Televisión apre­senta-se como um meio que tra­ba­lha “desde abaixo e desde den­tro”. Que su­pom este mo­delo de jornalismo?

Diego Frey: Supom um es­forço diá­rio por bus­car te­má­ti­cas dis­tin­tas, de­man­das de co­le­ti­vos pouco vi­si­bi­li­za­dos que nom po­de­riam ter esse es­paço nou­tra te­le­vi­som. Nós Televisión sem­pre tivo um olhar so­cial e co­la­bo­ra­tivo, se­gu­ra­mente pola pró­pria na­tu­reza do projeto.

Ana, como di­re­tora do pro­grama ‘Espazo Aberto’, quais som os cri­té­rios com os que es­co­lhe­des os te­mas que tra­ta­des no informativo?

Ana Viqueira: O ‘Espazo Aberto’ leva à prá­tica o mo­delo de jor­na­lismo de­fen­dido desde a marca Nós Televisión. Procura dar es­paço e voz às que cos­tu­mam ser es­ma­ga­das po­los mass me­dia e pre­tende in­ter­pre­tar as in­for­ma­çons com umha pers­pe­tiva ga­lega, de classe, fe­mi­nista e que te­nha em conta os di­rei­tos da terra e do povo. Nom sem­pre é pos­sí­vel. Cada dia en­fren­tas-te às agen­das me­diá­ti­cas dos mass me­dia, às li­mi­ta­çons dos teus pró­prios re­cur­sos ou a obs­tá­cu­los ao di­reito de acesso à in­for­ma­çom e a da­dos pú­bli­cos. Exercer um jor­na­lismo co­la­bo­ra­tivo, ga­lego, fe­mi­nista e de classe é exer­cer umha ba­ta­lha permanente.

Nós nasce em 2013 e desde en­tom o pro­jeto foi cres­cendo e evo­lu­ci­o­nando num con­texto de mu­dan­ças mui ace­le­ra­das nos meios au­di­o­vi­su­ais. Que ba­lanço fa­ze­des des­tes anos e como en­ca­ra­des o futuro?

D.F.: No iní­cio a te­le­vi­som nom ti­nha um rumo de­fi­nido, nom ha­via umha es­tru­tura pro­fis­si­o­na­li­zada nem pes­soas com ex­pe­ri­ên­cias pré­vias. A com­ple­xi­dade téc­nica para fa­zer te­le­vi­som é grande e ti­ve­mos de apren­der tudo de zero, pou­qui­nho a pouco.

O fu­turo vemo-lo com oti­mismo. Vimos de ga­nhar o Prémio Rosalia da Deputaçom da Corunha, um grande re­co­nhe­ci­mento para nós. Além disso, cre­mos que a te­le­vi­som já é um re­fe­rente para umhas pou­cas pes­soas no país e isso já dá fô­le­gos avondo. Gostaríamos de apro­fun­dar mais em con­teú­dos cul­tu­rais e lin­guís­ti­cos; re­pousá-los mais, se ca­lhar. Tratar o tema das fron­tei­ras é algo que nos in­te­ressa muito… Como exem­plo, nes­tes vin­dou­ros me­ses fa­re­mos umha re­por­ta­gem ao longo da Raia e ou­tra so­bre a re­la­çom que tivo o Zeca Afonso com a Galiza.

Emitides na pla­ta­forma de R, mas tam­bém di­fun­di­des con­teú­dos atra­vés da rede. Percebedes que os di­fe­ren­tes ca­nais de acesso ao vosso tra­ba­lho im­pli­cam di­fe­ren­ças em as­pe­tos como o per­fil da au­di­ên­cia, a res­posta, a repercussom…?

D.F.: Nom acha­mos que seja mui dis­tinto. Se ca­lhar a idade pode va­riar, mas o per­fil da au­di­ên­cia é bas­tante se­me­lhante. A gente que sin­to­niza Nós em R fai-no com certa cum­pli­ci­dade, é gente com umha sen­si­bi­li­dade se­me­lhante à nossa, que va­lo­riza a ini­ci­a­tiva ape­sar da falta de recursos.

Onde sim que en­con­tra­mos essa di­fe­rença nas au­di­ên­cias é no YouTube. Quase 40% das pes­soas que se­guem a te­le­vi­som ali som do Brasil ou de Portugal. Nesta etapa es­ta­mos tra­tando de pro­du­zir con­teú­dos in­te­res­san­tes para essa au­di­ên­cia, como é o caso do pro­grama ‘Galego de Todo o Mundo’, di­ri­gido por Eduardo Maragoto, da AGAL, e mesmo co­la­bo­rando com meios por­tu­gue­ses, como esquerda.net.

pa­blo santiago

Estes úl­ti­mos me­ses es­ti­vé­rom mar­ca­dos pola crise do co­ro­na­ví­rus. Como afe­tou ao vosso trabalho?

Roi Barros: Como câ­mara, afe­tou-me muito. Nom ha­via ro­das de im­prensa e tanto ins­ti­tu­çons como or­ga­ni­za­çons po­lí­ti­cas e sin­di­cais en­vi­a­vam as in­for­ma­çons já mas­ti­ga­das. Nom po­dia exer­cer o meu tra­ba­lho. A isto so­ma­vas-lhe o medo das pes­soas a com­bi­nar para re­a­li­zar en­tre­vis­tas, e em certo modo, isto per­dura. Pouco a pouco, vai-se per­dendo o medo inicial.

Esta crise si­tuou no foco ques­tons como os bo­a­tos, a so­brein­for­ma­çom, a ideia de pós-verdade…

A.V.: Agravou-se umha si­tu­a­çom já exis­tente, um pro­blema sis­té­mico e es­tru­tu­ral cau­sado em boa parte pola in­dús­tria que se lu­cra da in­for­ma­çom. O ca­pi­ta­lismo con­ver­teu o di­reito à in­for­ma­çom num mar­ke­ting de ‘li­kes’. Podemos dis­se­car a do­ença e di­fe­ren­ciar bo­a­tos, so­brein­for­ma­çom, pós-ver­dade, in­fo­xi­ca­çom, etc., mas, no fundo, a en­fer­mi­dade que afeta ao jor­na­lismo nom é di­fe­rente à que so­fre a saúde pú­blica ou a edu­ca­çom. A guerra con­tra o lu­cro é umha ba­ta­lha co­mum em to­dos os se­to­res pro­fis­si­o­nais que de­fen­de­mos um direito.

Nós Televisión é um dos pou­cos meios pri­va­dos que em­pre­gam a lín­gua ga­lega. Como va­lo­ra­des o fato de que esta aposta su­po­nha hoje umha excecionalidade?

D.F.: É triste, mas nom po­de­mos di­zer que o pa­no­rama dos meios em ga­lego seja um ermo. Há muita vida, mo­reias de pro­je­tos bem in­te­res­san­tes, mas re­sulta di­fí­cil fazê-los vi­sí­veis. O nosso pro­jeto pre­tende co­la­bo­rar na nor­ma­li­za­çom do seu uso no es­paço au­di­o­vi­sual ga­lego, co­o­pe­rando ati­va­mente com pro­du­to­ras e pla­ta­for­mas como Illa Bufarda, GZ Música, Kalandraka TV, Galeguizar Galicia, as­so­ci­a­çons como A Mesa ou a AGAL, ou­tros meios como O Salto ou Galiza Contrainfo… Temos de ser ca­pa­zes de criar umha rede co­la­bo­ra­tiva que te­nha mao da lín­gua galega.

Numha te­le­vi­som pe­quena, quais som as mai­o­res di­fi­cul­da­des para man­ter a vi­a­bi­li­dade eco­nó­mica num mo­mento tam complexo?

D.F.: Atrancos sem­pre houvo. A vi­a­bi­li­dade de qual­quer meio in­de­pen­dente em lín­gua ga­lega pode di­zer que nom é fá­cil. Sendo um meio au­di­o­vi­sual, ainda é mais com­plexo. Financiar um meio em ga­lego, e mais umha te­le­vi­som, é umha aven­tura diá­ria e tés de as­su­mir as di­fi­cul­da­des, dar mui­tas vol­tas e apren­der a tra­ba­lhar com pou­cos re­cur­sos. Mas sim é certo que tem de ha­ver umha aposta mais de­ci­dida nas pró­prias ins­ti­tui­çons e mesmo no te­cido em­pre­sa­rial ga­lego, que nom acaba de ar­ris­car po­los meios al­ter­na­ti­vos em galego.

Há mo­reias de pro­je­tos bem in­te­res­san­tes de meios em ga­lego, mas re­sulta di­fí­cil fazê-los visíveis”

Acabamos de vi­ver um pro­cesso elei­to­ral atí­pico e con­di­ci­o­nado pola pan­de­mia. Como vis­tes o pa­pel dos meios pú­bli­cos ga­le­gos nes­tas cir­cuns­tân­cias e, de jeito mais ge­ral, nos úl­ti­mos anos?

A.V.: Entrei por pri­meira vez na Rádio Galega a fins do ano 2010 no pe­ríodo de prá­ti­cas da car­reira de jor­na­lismo, vol­tei em 2012 com umha bolsa de um ano e a úl­tima vez que a pi­sei foi em 2018, quando re­ma­tei um con­trato de dous anos de du­ra­çom. Neste tempo, a vi­o­lên­cia con­tra as tra­ba­lha­do­ras e con­tra o di­reito à in­for­ma­çom agra­vou-se muito.

O que su­cede na CRTVG é umha agres­som à Galiza: a perda das de­le­ga­çons ter­ri­to­ri­ais que con­ver­teu a in­for­ma­çom lo­cal em apon­ta­men­tos de su­ces­sos pi­to­res­cos, o acosso la­bo­ral que pa­ra­lisa as tra­ba­lha­do­ras e pro­move a auto-cen­sura, as con­tí­nuas sus­pei­tas de ma­ni­pu­la­çom das lis­tas de con­tra­ta­çom pú­blica ou a perda da pro­du­çom pró­pria. E o sen­sa­ci­o­na­lismo e o par­ti­dismo pró-Núñez Feijóo já exis­tente agra­vou-se na pandemia.

Devemos de­fen­der como povo a CRTVG. A edu­ca­çom pú­blica nom só a de­fende o pro­fes­so­rado, a saúde pú­blica nom só a de­fen­dem as pro­fis­si­o­nais da saúde e po­los meios pú­bli­cos nom só deve lui­tar ‘Defende a Galega’. A qua­li­dade da CRTVG é umha ques­tom de país. A CRTVG leva anos a des­san­grar-se e se a dei­xa­mos mor­rer de pri­va­ti­za­çom, de­trás dela irá o jor­na­lismo e o au­di­o­vi­sual ga­le­gos. Os pro­je­tos co­mu­ni­ca­ti­vos au­to­ge­ri­dos e os pro­je­tos co­mu­ni­ca­ti­vos pri­va­dos, por mui afins que se­jam, nunca se­rám nem subs­ti­tui­rám o pú­blico. A equipa de Alberto Núñez Feijóo leva tempo vendo‑o com mais cla­ri­dade que os sin­di­ca­tos e par­ti­dos: na CRTVG jo­gamo-nos todo o país.

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