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O anti-terrorismo na maquinária repressiva

por
ga­liza con­trainfo

O em­prego da le­gis­la­çom an­ti­ter­ro­rista para o con­trole da dis­si­dên­cia po­lí­tica é um me­ca­nismo do Estado com anos de tra­je­tó­ria na Galiza, sendo apli­cada es­pe­ci­al­mente a mi­li­tan­tes in­de­pen­den­tis­tas. A fase atual de apli­ca­çom de este di­reito de ex­ce­çom foi ati­vada polo es­tado es­pa­nhol num mo­mento em que se es­pa­lha­vam polo país di­ver­sas açons de sa­bo­ta­gem, di­ri­gi­das es­pe­ci­al­mente a imo­bi­liá­rias e en­ti­da­des ban­cá­rias.
Caraterísticas de esta le­gis­la­çom de ex­ce­çom som a in­co­mu­ni­ca­çom du­rante a de­ten­çom e a posta a dis­po­si­çom da Audiência Nacional, tri­bu­nal com com­pe­tên­cias em de­li­tos de ter­ro­rismo. Outras me­di­das pe­nais cos­tu­mam acom­pa­nhar es­tas cau­sas como o in­gresso em pri­som in­con­di­ci­o­nada, a dis­per­som pe­ni­ten­ciá­ria e a ca­ta­lo­ga­çom como preso de es­pe­cial se­gui­mento umha vez na ca­deia. A mé­dia de tempo que as ati­vis­tas de­ti­das pola le­gis­la­çom an­ti­ter­ro­rista pas­sam em pri­som sem juízo é su­pe­rior ao ano e meio. Entre 2005 e 2009, duas mi­li­tan­tes in­de­pen­den­tis­tas pas­sá­rom três anos e três me­ses em pri­som pre­ven­tiva, sendo umha de elas fi­nal­mente con­de­nada a três anos, um tempo me­nor do qual le­vava presa.

A média de tempo que as detidas pola legislaçom antiterrorista passam em prisom sem juízo é superior ao ano e meio

Castinheira e Cacharrom
Pode-se ubi­car como ponto de par­tida da apli­ca­çom de este dis­po­si­tivo ju­rí­dico de ex­ce­çom no 2005, quando dous in­de­pen­den­tis­tas som de­ti­dos após a ex­plo­som de um ar­te­facto numha sede da Caixa Galicia na ci­dade de Compostela, na vés­pera do 25 de ju­lho. Nesse mesmo ano, umha nova ope­ra­çom ata­cava em 2005 o in­de­pen­den­tismo ga­lego: a Operaçom Castinheira, de­sen­vol­vida no mês de no­vem­bro. Onze mi­li­tan­tes in­de­pen­den­tis­tas, a grande mai­o­ria vin­cu­la­das à Assembleia da Mocidade Independentista (AMI), fô­rom de­ti­das em di­fe­ren­tes par­tes do país e des­lo­ca­das até a Audiência Nacional, fi­cando em li­ber­dade após o de­poi­mento ante o juiz. Durante o ope­ra­tivo po­li­cial fô­rom re­gis­tra­dos cen­tros so­ci­ais, vá­rios do­mi­cí­lios e mesmo de­sa­ti­va­das al­gumhas webs in­de­pen­den­tis­tas. Toda esta ope­ra­çom, e as suas con­se­quen­tes acu­sa­çons de as­so­ci­a­çom ilí­cita e enal­te­ci­mento do ter­ro­rismo, fi­cou ar­qui­vada em 2008. Nom era a pri­meira vez que umha or­ga­ni­za­çom in­de­pen­den­tista se en­fren­tava ao cargo de ‘as­so­ci­a­çom ilí­cita’, pois uns me­ses an­tes seis mi­li­tan­tes da as­so­ci­a­çom ju­ve­nil Briga se­riam de­ti­dos no marco da Operaçom Cacharrom, a qual tam­bém se­ria ar­qui­vada. Estas duas ope­ra­çons, Cacharrom e Castinheiras, fô­rom bap­ti­za­das com os ape­li­dos de dous garda-ci­vis mor­tos po­los Grapo em 1978 e 1980, anos an­tes de exis­ti­rem as or­ga­ni­za­çons ju­ve­nis as­sal­ta­das.
Nesta fase re­pres­siva, a apli­ca­çom de me­di­das ex­ce­ci­o­nais atin­giu tam­bém o mo­vi­mento ope­rá­rio. A fi­nais de 2010 e co­me­ços de 2011 som de­ti­dos em Vigo três sin­di­ca­lis­tas acu­sa­dos de ata­ques a es­cri­tó­rios do Inem nesta ci­dade. Ainda que pa­de­ce­rám a in­co­mu­ni­ca­çom e a dis­per­som pe­ni­ten­ciá­ria, as suas açons nom se­rám con­si­de­ra­das “ter­ro­ris­tas” e nom com­pe­tem à Audiência Nacional mas a um jul­gado de Vigo. Dos três de­ti­dos, dous irám a juízo re­sul­tando um de­les con­de­nado a dous anos de pri­som por da­nos, de­pois de ter pas­sado um ano e cinco me­ses em in­con­di­ci­o­nada, e ou­tro de­les a qua­tro anos por tença de ex­plo­si­vos, após dous anos de pri­som in­con­di­ci­o­nada.

Sentença e enal­te­ci­mento

ga­liza con­trainfo

Porém, um ponto de in­fle­xom na apli­ca­çom de me­di­das de ex­ce­çom a mi­li­tan­tes in­de­pen­den­tis­tas che­gará após o juízo con­tra qua­tro mi­li­tan­tes em ju­nho de 2013. Nesta oca­siom por vez pri­meira som con­de­na­dos ati­vis­tas por “par­ti­ci­pa­çom em or­ga­ni­za­çom ter­ro­rista” numha sen­tença que con­clui que desde 2005 opera na Galiza umha or­ga­ni­za­çom qua­li­fi­cada como “ter­ro­rista” que tem “por fi­na­li­dade sub­ver­ter a or­dem cons­ti­tu­ci­o­nal de Espanha”.
Nesse 2013, de jeito pa­ra­lelo a este pro­cesso ju­di­cial e ime­di­a­ta­mente após a sen­tença, a Audiência Nacional abriu pro­ces­sos por “enal­te­ci­mento do ter­ro­rismo” por por­tar fo­tos de pre­sas in­de­pen­den­tis­tas no es­paço pú­blico. O or­ga­nismo anti-re­pres­sivo Ceivar con­ta­bi­li­zava no pri­meiro tri­mes­tre de 2014 umhas 26 pes­soas com este pro­ce­di­mento aberto, mas o nú­mero con­ti­nuou cres­cendo nos se­guin­tes me­ses. Se polo ge­ral, es­sas cau­sas fô­rom de­le­ga­das a jul­ga­dos ga­le­gos para a toma de de­cla­ra­çom, um to­tal de sete pes­soas (três de elas me­no­res de idade) fô­rom cha­ma­das a de­cla­rar a Madrid. Finalmente, es­tas cau­sas fi­cá­rom ar­qui­va­das.

Mais sen­ten­ças so­bre per­tença a banda ar­mada

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Desde a sen­tença de 2013 sete mi­li­tan­tes in­de­pen­den­tis­tas pas­sa­ram ante a Audiência Nacional com acu­sa­çons re­la­ci­o­na­das com a sua pre­sunta par­ti­ci­pa­çom numha or­ga­ni­za­çom ter­ro­rista. De es­ses sete, um de­les, a quem se as­si­na­lava como res­pon­sá­vel do apa­re­lho fi­nan­ceiro de essa or­ga­ni­za­çom, viu como após mais de um mês de pri­som sem juízo e o pa­ga­mento de umha fi­ança de 6000 eu­ros a sua causa era ar­qui­vada.
Os in­de­pen­den­tis­tas aos que se lhes aplica a le­gis­la­çom anti-ter­ro­rista en­fren­tam-se a pe­ti­çom e con­de­nas de cár­cere mais ele­va­das do que na fase an­te­rior à sen­tença de 2013. Porém, em três de es­tes ca­sos os car­gos de per­tença ou co­la­bo­ra­çom com or­ga­ni­za­çom ter­ro­rista fô­rom des­bo­ta­dos pola jus­tiça es­pa­nhola.

Perseguiçom po­lí­tica
Em no­vem­bro de 2015 abre-se umha nova fase na apli­ca­çom de le­gis­la­çom de ex­ce­çom con­tra o in­de­pen­den­tismo. É a Operaçom Jaro I, onde nove mi­li­tan­tes da or­ga­ni­za­çom po­lí­tica Causa Galiza som de­ti­das, fi­cando em li­ber­dade após o de­poi­mento ju­di­cial acu­sa­das de in­te­gra­çom em banda ar­mada e enal­te­ci­mento do ter­ro­rismo. As de­ten­çons es­tám acom­pa­nha­das do apa­rato me­diá­tico, re­gis­tos do­mi­ci­liá­rios e in­co­mu­ni­ca­çom. Produto de esta causa, a ati­vi­dade po­lí­tica da Causa Galiza será sus­pen­dida pola Audiência Nacional du­rante mais de um ano. Em ju­nho de 2017, o juiz Eloy Velasco de­clara esta causa como “com­plexa”, umha de­ci­som que per­mite alon­gar de­zoito me­ses mais a ins­tru­çom.

É logo quando acon­tece a Operaçom Jaro II, onde som de­ti­das três mi­li­tan­tes do or­ga­nismo anti-re­pres­sivo Ceivar por “enal­te­ci­mento do ter­ro­rismo”, umha ope­ra­çom que con­tou com re­gis­tos do­mi­ci­liá­rios, mas nom com o des­lo­ca­mento de es­tas pes­soas ante a Audiência Nacional. Estes pro­ce­di­men­tos con­tra in­te­gran­tes de Causa Galiza e Ceivar con­ti­nuam aber­tos.

Aranhas nas re­des so­ci­ais
Nos úl­ti­mos anos, or­ga­nis­mos anti-re­pres­si­vos es­ta­tais te­nhem de­te­tado umha mu­dança de pa­ra­digma na re­pres­som atra­vés da ati­vi­dade an­ti­ter­ro­rista, a qual nom se cen­tra­ria tanto nos fei­tos con­cre­tos se­nom nas re­la­çons ou a in­ten­ci­o­na­li­dade. Ademais, nos úl­ti­mos anos dis­pa­rou-se a per­se­gui­çom de opi­ni­ons po­lí­ti­cas nas re­des so­ci­ais por parte da Audiência Nacional, en­qua­drando-as no de­lito de “enal­te­ci­mento do ter­ro­rismo”. Se bem es­tas ope­ra­çons nom con­tam com a ex­ce­ci­o­na­li­dade dos ca­sos até agora des­cri­tos (nom cos­tuma pro­du­zir-se in­co­mu­ni­ca­çom, re­gis­tos do­mi­ci­liá­rios ou a ime­di­ata dis­po­si­çom pe­rante um juiz), te­nhem em co­mum que pro­ce­dem do mesmo tri­bu­nal.

Desde o ano 2014 a justiça espanhola levou a cabo quatro redadas vinculadas com a Operaçom Aranha, que persegue as mensagens de “enaltecimento do terrorismo” polas redes sociais


Desde o ano 2014 a jus­tiça es­pa­nhola le­vou a cabo qua­tro re­da­das vin­cu­la­das com a Operaçom Aranha, que per­se­gue as men­sa­gens de “enal­te­ci­mento do ter­ro­rismo” po­las re­des so­ci­ais. Segundo os re­la­tó­rios do Observatório para a Defesa dos Direitos e Liberdades Esculca, um to­tal de qua­tro pes­soas fo­ram de­ti­das na Galiza no marco de es­tas ope­ra­çons.
Em ju­lho de 2016 umha ope­ra­çom po­li­cial no con­ce­lho de Cangas, de­no­mi­nada como Operaçom Tarántula, de­tivo três jo­vens desta lo­ca­li­dade por men­sa­gens que su­pos­ta­mente in­ci­ta­vam ao ódio, sendo umha das pes­soas de­ti­das um con­ce­lheiro do go­verno mu­ni­ci­pal. O jul­gado de Cangas ar­qui­vará duas de es­sas cau­sas, en­tre elas a do con­ce­lheiro, en­quanto ou­tra a de­ri­vará à Audiência Nacional.

Mas a per­se­gui­çom pola ex­pres­som de ideá­rio po­lí­tico nom re­mata nes­tas re­da­das. Assim, três jo­vens ga­le­gos es­tám en­tre os doze in­te­gran­tes do co­le­tivo de rap La Insurgencia con­de­na­dos pola Audiência Nacional a dous anos e um dia de pri­som. Considera-os cul­pá­veis de enal­te­ci­mento do ter­ro­rismo po­las le­tras das suas can­çons.

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