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Um plano reitor para criar um parque temático

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Em de­zem­bro de 2018 a Junta da Galiza anun­ci­ava a apro­va­çom do Plano Reitor de Uso e Gestom (PRUG) para o Parque Nacional Marítimo-Terrestre das Ilhas Atlânticas da Galiza, mais de de­zas­seis anos após a cri­a­çom desta en­ti­dade. Depois dos mui­tos anos que os co­le­ti­vos eco­lo­gis­tas le­vam de­man­dando a apro­va­çom deste do­cu­mento, a Junta dá por fim luz verde ao tra­tar-se de um do­cu­mento im­pres­cin­dí­vel para o que é o seu se­guinte ob­je­tivo: con­ver­ter o par­que das Ilhas Atlânticas em Património Mundial da Unesco. Porém, para o am­bi­en­ta­lismo este PRUG é in­su­fi­ci­ente para ga­ran­tir a pro­te­çom do pa­tri­mó­nio na­tu­ral dos ar­qui­pé­la­gos das Cíes e Ons, as­sim como as ilhas de Sálvora e Cortegada.

O feito de que o Parque Nacional vaia con­tar, quinze anos de­pois da data le­gal­mente fi­xada, com um Plano Reitor é po­si­tivo”, ex­po­nhem da or­ga­ni­za­çom eco­lo­gista Adega. Porém, a crí­tica a este do­cu­mento é fron­tal, pois “a norma dista muito do que aguar­dá­va­mos para po­der ga­ran­tir a con­ser­va­çom dos va­lo­res na­tu­rais do único par­que na­ci­o­nal ga­lego. A nor­ma­tiva zo­nal é aci­en­tí­fica, a in­for­ma­çom so­bre as es­pé­cies an­ti­quada, as me­di­das de con­ser­va­çom e ges­tom cla­ra­mente in­su­fi­ci­en­tes e as li­mi­ta­çons ao uso pú­blico ex­ce­si­va­mente dis­cre­ci­o­nais e per­mi­si­vas. Todo ao ser­viço da ideia da Junta de pri­mar o uso pú­blico, no­me­a­da­mente o tu­rís­tico, e con­ver­ter este es­paço num par­que te­má­tico”.

A di­la­tada de­mora na apro­va­çom de um plano rei­tor para o par­que na­ci­o­nal tam­bém foi de­nun­ci­ada pola or­ga­ni­za­çom Verdegaia. Segundo as or­ga­ni­za­çons eco­lo­gis­tas, este do­cu­mento te­ria que ter sido ela­bo­rado no prazo de um ano a par­tir da apro­va­çom da lei 15/2002 pola que se cri­ava este Parque Nacional, tal como se re­co­lhia numha das suas dis­po­si­çons fi­nais. É di­zer, chega com umha de­mora su­pe­rior aos qua­torze anos. Nas suas ale­ga­çons, em 2018, ao ras­cu­nho do PRUG, Verdegaia de­nun­ci­ava que “al­gumhas das atu­a­çons le­va­das a cabo polo pró­prio Parque Nacional nom se­riam au­to­ri­za­das se este PRUG es­ti­vesse apro­vado em tempo e forma”.

Entre as crí­ti­cas en­con­tra-se a re­du­zida per­cen­ta­gem de zona de re­ser­vas ma­ri­nhas, a falta de men­çons es­pe­ci­ais para es­pé­cies em risco e a di­mi­nui­çom de zo­nas de re­ser­vas nas Ons e Sálvora

Entre as crí­ti­cas desta or­ga­ni­za­çom eco­lo­gista ao PRUG en­con­tra-se a re­du­zida per­cen­ta­gem de zona de re­ser­vas ma­ri­nhas, a falta de men­çons es­pe­ci­ais para es­pé­cies em risco, a di­mi­nui­çom de zo­nas de re­ser­vas nas Ons e Sálvora em com­pa­ra­çom com um an­te­rior ras­cu­nho apre­sen­tado em 2011, a falta de aná­lise so­bre o im­pacto das re­ser­vas de ca­va­los au­tóc­to­nes im­plan­ta­dos na ilha de Sálvora ou a per­mis­si­vi­dade para a ce­le­bra­çom de car­rei­ras pe­des­tres na ilha de Ons.

Corvo ma­ri­nho cris­tado
Segundo de­nun­cia Verdegaia, o ras­cu­nho para o PRUG uti­li­zou da­dos do ano 2005 para umha das es­pé­cies em­ble­má­ti­cas das Ilhas Atlânticas, o corvo ma­ri­nho cris­tado (Phalacrocorax aris­to­te­lis). “Segundo a in­for­ma­çom do pró­prio Parque Nacional, em 2014 ha­via 337 pa­rel­las de corvo ma­ri­nho cris­tado re­pro­du­cindo-se nas ilhas Cíes en­quanto que em 2017 tam só eram 235, com um de­clive de mais do 30% das pa­re­lhas re­pro­du­to­ras neste pe­ríodo”, ex­po­nhem nas ale­ga­çons apre­sen­ta­das ao ras­cu­nho no ano pas­sado. No do­cu­mento fi­nal pu­bli­cado no DOG neste mês de fe­ve­reiro nom apa­rece nen­gumha me­dida es­pe­cí­fica nem se sa­li­enta a im­por­tân­cia da con­ser­va­çom desta es­pé­cie.

O de­clive da po­pu­la­çom do corvo ma­ri­nho cris­tado co­me­çou com o sé­culo XXI. Concretamente, com a ca­tás­trofe do ‘Prestige’, cujo pe­tró­leo che­gava às Ilhas Atlânticas ape­nas uns me­ses de­pois do de­creto polo que o Parque Nacional era cri­ado. Segundo umha in­ves­ti­ga­çom dos bió­lo­gos Ignacio Munilla e Alberto Velando, no con­junto dos ar­qui­pé­la­gos do Parque Nacional exis­tiam em 2004 umhas 2047 pa­re­lhas re­pro­du­to­ras mas em 2009 esta ci­fra bai­xava às 911. No seu tra­ba­lho, Munilla e Velando quan­ti­fi­cam num 2% a mor­tan­dade di­reta desta es­pé­cie como con­sequên­cia do pe­tró­leo, mas essa nom foi a única afe­ta­çom. Ao tra­tar-se de fê­meas as que fo­ram es­pe­ci­al­mente afe­ta­das, o que pro­vo­ca­ria umha di­mi­nui­çom dos seus efe­ti­vos re­pro­du­to­res, e ade­mais sa­li­en­tam que o pe­tró­leo puido con­ta­mi­nar de modo per­sis­tente os fun­dos de areia e pro­vo­car a re­du­çom dos pei­xes da fa­mi­lia Ammodytidae, que for­ma­riam parte da di­eta dos cor­vos ma­ri­nhos.

Porém, Munilla e Velandi in­di­cam ou­tras im­por­tan­tes ame­a­ças para esta ave, como a sua mor­tan­dade ao fi­car en­re­da­das em ar­tes de pesca me­no­res, a in­ter­fe­rên­cia de em­bar­ca­çons de re­creio quando es­tas es­pé­cies es­tám na pro­cura de ali­mento ou a apa­ri­çom nas ilhas Cíes e em Sálvora de de­pre­da­do­res como o vi­som ame­ri­cano, pro­ce­dente das gran­jas pe­le­tei­ras das Rias Baixas. A cam­pa­nha de er­ra­di­ca­çom do vi­som do Parque en­tre 2005 e 2014 cap­tu­rou uns 87 exem­pla­res de vi­som. Para 2015 con­si­de­rava-se er­ra­di­cada a pre­sença do vi­som ame­ri­cano nas Ilhas Atlânticas, mas o re­cente PRUG man­tém como ob­je­tivo o con­trole desta es­pé­cie. 

Irregulariedades ur­ba­nís­ti­cas
Do eco­lo­gismo tam­bém se de­nun­cia o des­leixo com o que tem fun­ci­o­nado até agora o Parque, mesmo no re­fe­rido a ir­re­gu­la­ri­da­des ur­ba­nís­ti­cas. É mais, em ou­tu­bro de 2018 o di­re­tor-con­ser­va­dor do Parque Nacional, José Antonio Fernández-Bouzas, pres­tava de­cla­ra­çom nos jul­ga­dos de ins­tru­çom nú­mero 3 de Vigo ao en­con­trar-se in­ves­ti­gado por pre­va­ri­ca­çom. Segundo nar­ram os meios de co­mu­ni­ca­çom que se fi­ge­ram eco da no­tí­cia, esta in­ves­ti­ga­çom te­ria sido ini­ci­ada polo Seprona ao ter de­te­tado obras pre­sun­ta­mente ile­gais em três es­ta­be­le­ci­men­tos das Ilhas Cíes que con­ta­vam com o re­la­tó­rio fa­vo­rá­vel do di­re­tor-con­ser­va­dor mas nom com a li­cença mu­ni­ci­pal, neste caso do con­ce­lho de Vigo.

em ou­tu­bro de 2018 o di­re­tor-con­ser­va­dor do Parque Nacional, José Antonio Fernández-Bouzas, pres­tava de­cla­ra­çom nos jul­ga­dos de ins­tru­çom nú­mero 3 de Vigo ao en­con­trar-se in­ves­ti­gado por pre­va­ri­ca­çom

Ao co­nhe­cer-se este pro­ce­di­mento, a or­ga­ni­za­çom Verdegaia, atra­vés de umha nota de im­prensa, afir­mava que “este tipo de con­du­tas su­pos­ta­mente co­me­ti­das por Fernández Bouzas nom nos sur­pre­en­dem em ab­so­luto dada a sua tra­je­tó­ria desde que foi no­me­ado na dé­cada pas­sada di­rec­tor-con­ser­va­dor do Parque Nacional”. Assim, em 2009 era pa­ra­li­sada polo Seprona a cons­tru­çom de umha pas­sa­rela que atra­ves­sa­ria o com­plexo du­nar Figueiras-Muxieiro na ilha do Faro, nas Cíes. Assim, co­le­ti­vos eco­lo­gis­tas como Adega e Verdegaia de­nun­ci­a­ram es­tas obras, que con­ta­ram com a in­tro­du­çom de ma­qui­ná­ria pe­sada no com­plexo do areal. Verdegaia che­gou a apre­sen­tar umha de­nún­cia nos jul­ga­dos de Vigo con­tra a di­re­çom do Parque, ar­gu­men­tando que tal atu­a­çom oca­si­o­na­ria “um se­vero e ir­re­ver­sí­vel im­pacto am­bi­en­tal no ecos­sis­tema que im­pe­di­ria a re­ge­ne­ra­çom da ve­ge­ta­çom das du­nas”. Esta or­ga­ni­za­çom ar­gu­men­tava tam­bém que “nom exis­tí­rom pro­ces­sos de in­for­ma­çom nem par­ti­ci­pa­çom pú­blica, nem de ava­li­a­çom am­bi­en­tal do pro­jeto”.

Em 2011 Verdegaia en­vi­ava um es­crito à Direçom Geral de Conservaçom da Natureza de­nun­ci­ando pe­rante a au­to­ri­dade am­bi­en­tal que a em­presa Tragsa es­tava a le­van­tar umha nave de 325 me­tros qua­dra­dos com a fi­na­li­dade de fa­zer de ga­ra­gem de veí­cu­los e al­ber­gar ge­ra­do­res. No es­crito, sa­li­en­tava-se que es­tas obras es­ta­vam si­tu­a­das em solo rús­tico de pro­te­çom de cos­tas e que nom con­ta­ram com li­cença mu­ni­ci­pal nem com as au­to­ri­za­çons au­to­nó­mi­cas pre­ce­ti­vas. Em 2010 Verdegaia  aler­tara de que na ilha sul das Cíes fo­ram uti­li­za­das pe­dras do an­tigo mos­teiro me­di­e­val e sal­ga­doiro para ca­na­li­zar um rego ca­re­cendo da au­to­ri­za­çom do Parque, da Conselharia de Meio Ambiente e re­a­li­zando-se sem li­cença mu­ni­ci­pal.

Estas nom se­riam as úni­cas açons con­tro­ver­ti­das. Em 2006 a Federaçom Ecologista Galega la­men­tava que umhas obras nas ime­di­a­çons do faro da­na­ram umha po­pu­la­çom da pranta Erodium ma­ri­ti­mum, em risco de ex­tin­çom. Em 2008 esta Federaçom de­nun­ci­ava tam­bém que as obras para a ins­ta­la­çom de umha pe­quena de­pu­ra­dora para as águas de um res­tau­rante na ilha norte das Cíes es­ta­riam afe­tando à ve­ge­ta­çom du­nar.

Máximos
O PRUG es­ta­be­lece tam­bém o má­ximo de vi­si­tas diá­rias para to­das as ilhas, tanto para a tem­pada alta como para a tem­pada baixa, re­du­zindo-se nesta úl­tima a gru­pos or­ga­ni­za­dos que con­tem com a au­to­ri­za­çom do di­re­tor-con­ser­va­dor do Parque. Em tem­pada alta, as Cíes po­de­rám re­ce­ber en­tre 1.600 e 1.800 vi­si­tas diá­rias atra­vés das na­vi­ei­ras, as Ons en­tre 1.200 e 1.300 e Sálvora e Cortegada en­tre 150 e 250. 

Estes mo­vi­men­tos che­gam de­pois do es­cân­dalo em 2017 das ven­das de vi­a­gens por acima dos má­xi­mos que re­a­li­za­vam os na­vios com a con­ces­som para a vi­a­gem cara às Cíes. Após aquele ve­rao, a Junta im­puxo du­ras san­çons eco­nó­mi­cas a vá­rias de es­tas na­vi­ei­ras. Também vem de abrir-se umha in­ves­ti­ga­çom ju­di­cial, a par­tir de umha que­rela da Fiscalia, por um pos­sí­vel de­lito con­ti­nu­ado de es­tafa e fal­si­dade em do­cu­mento mer­can­til por parte de vá­rias des­tas em­pre­sas.

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