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O Estado contra os meios alternativos

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Na sexta-feira, 14 de dezembro, o recentemente inaugurado Centro Social Okupado e Autogerido Aturuxo das Marías, de Compostela, acolheu umha jornada organizada pola editora Ardora (s)ediçons anarquistas para debater sobre a repressom contra jornalistas de meios críticos e alternativos. Nessa jornada, participou o Novas da Galiza, acompanhando Jorge Correa ‘Boro’, de LaHaine e o Galiza Contrainfo.

héc­tor ba­ran­dela

Os ca­sos de per­se­gui­çom po­li­cial e ju­di­cial so­fri­dos polo jor­na­lista Jorge Correa du­rante o de­sem­pe­nho do seu tra­ba­lho como jor­na­lista para o por­tal LaHaine fô­rom o ponto cen­tral da jor­nada, os quais ser­ví­rom, de resto, para ex­por os me­ca­nis­mos que o es­tado es­pa­nhol está a de­sen­vol­ver para o con­trolo da im­prensa crí­tica. Ademais, este re­ve­lou-se nom como um caso iso­lado, mas como umha es­tra­té­gia que está a afe­tar jor­na­lis­tas e ati­vis­tas que pre­ten­dem umha trans­for­ma­çom so­cial.


Monarquia em xe­que
Um dos ca­sos em que ‘Boro’ teve que fa­zer face à per­se­gui­çom polo seu tra­ba­lho foi pola sua co­ber­tura da mo­bi­li­za­çom Jaque a la Monarquía, em Madrid em 29 de março de 2014, umha se­mana de­pois do dia em que ti­ve­ram lu­gar as Marchas da Dignidade na mesma ci­dade. Ao longo dessa se­mana e desde 22 de março, La Haine es­teve pre­sente dando co­ber­tura a di­ver­sas mo­bi­li­za­çons e pro­tes­tos na ca­pi­tal do es­tado.

No dia 29 tivo lu­gar a mo­bi­li­za­çom con­tra a mo­nar­quia, du­rante a qual, «Boro», aca­bou por ser de­tido, tendo sido acu­sado de aten­tado e da­nos que so­ma­riam um pe­dido de seis anos. Decorrido o pro­cesso, e num jul­ga­mento em que a falta de pro­vas fi­cou pa­tente, com as de­cla­ra­çons po­li­ci­ais a mos­tra­rem inú­me­ras in­con­sis­tên­cias, ‘Boro’ aca­ba­ria por ser ab­sol­vido. No se­gui­mento da de­ci­som ju­di­cial, este jor­na­lista vem de anun­ciar que de­nun­ci­ará a Polícia por falso tes­te­mu­nho e de­nún­cia falsa.

Jorge cor­rea, “Boro”, jor­na­lista de La Haine foi re­cen­te­mente ab­solto de umha de­nún­cia de aten­tado à au­to­ri­dade en­quanto co­bria umha mo­bi­li­za­çom de 2014 em Madrid. Também foi de­tido, e neste caso con­de­nado, na Operaçom Aranha

Perante o jul­ga­mento, ‘Boro’ re­ce­beu umha mul­ti­dom de mos­tras de apoio pú­bli­cas, in­cluí­das duas de­cla­ra­çons ins­ti­tu­ci­o­nais do par­la­mento de Navarra.

Na sua ex­po­si­çom, ‘Boro’ in­di­cou tam­bém que du­rante a mo­bi­li­za­çom de 29 de março fo­ram agre­di­das tam­bém ou­tras cinco fo­to­jor­na­lis­tas. Mais à frente, aca­ba­ria por vir a ser pro­vado em tri­bu­nal que dous agen­tes de po­lí­cia fo­ram os agres­so­res.


Operaçom Aranha
Umhas se­ma­nas de­pois da mo­bi­li­za­çom Jaque a la Monarquía teve lu­gar a pri­meira das qua­tro fa­ses da Operaçom Aranha, umha per­se­gui­çom de opi­ni­ons po­lí­ti­cas nas re­des so­ci­ais que a Audiência Nacional pre­ten­dia clas­si­fi­car como cons­ti­tuindo cri­mes de “enal­te­ci­mento do ter­ro­rismo”. Segundo ex­plica ‘Boro’ so­bre a sua ex­pe­ri­ên­cia, “dias de­pois dessa pri­meira ope­ra­çom meios como o ABC di­ziam que ainda se es­ta­vam a pro­cu­rar pes­soas que es­ta­vam a enal­te­cer o ter­ro­rismo nas re­des so­ci­ais, mas que nom ti­nham po­dido ser iden­ti­fi­ca­dos po­los seus per­fis, polo que ainda nom fo­ram de­ti­dos. Um des­ses meios pu­bli­cou cap­tu­ras de ecrám de twe­ets meus”.

Assim, na se­gunda fase da ope­ra­çom Aranha, a Guarda Civil apre­sen­ta­ria-se no do­mi­cí­lio par­ti­cu­lar de ‘Boro’, so­li­ci­tando a sua iden­ti­fi­ca­çom para a en­trega de umha no­ti­fi­ca­çom ju­di­cial. Após a iden­ti­fi­ca­çom co­mu­ni­cam-lhe que está de­tido por enal­te­ci­mento do ter­ro­rismo nas re­des so­ci­ais. O jul­ga­mento teve lu­gar em no­vem­bro de 2017 na Audiência Nacional. ‘Boro’ na pa­les­tra ex­póm o ab­surdo da acu­sa­çom: “in­cluíam-se vinte e umha pu­bli­ca­çons em re­des so­ci­ais, de­zas­sete das quais eram par­ti­lhas dou­tros per­fis, en­tre elas, car­ta­zes da or­ga­ni­za­çom basca Herrira, que a Audiência Nacional con­si­de­rou enal­te­ci­mento do ter­ro­rismo”. Finalmente, ‘Boro’ foi con­de­nado a umha pena de ano e meio de pri­som e atu­al­mente en­con­tra-se tra­ba­lhando no re­curso no Tribunal Supremo con­tra essa sen­tença.

héc­tor ba­ran­dela

O jor­na­lista de LaHaine lem­bra que a Operaçom Aranha con­tou com qua­tro fa­ses e ter­mi­nou com se­tenta e seis de­ten­çons. “Houve cinco ab­sol­vi­çons, al­guns ar­qui­va­men­tos e dú­zias de con­de­nas”, ex­pom, ‘Boro’, quem lem­bra o caso de Alfredo Ramírez, “o pri­meiro preso por twe­e­tar, pas­sou um ano em pri­som”.

A Operaçom Aranha con­tou com qua­tro fa­ses e ter­mi­nou com se­tenta e seis de­ten­çons: “Houvo cinco ab­sol­vi­çons, al­guns ar­qui­va­men­tos e dú­zias de con­de­nas”, lem­bra Boro

Boro so­frera tam­bém ou­tra de­ten­çom em 2014, nesta oca­siom em re­la­çom com os atos polo 20 ani­ver­sá­rio da ocu­pa­çom que dera lu­gar ao gaz­tetxe Euskal Jai, em Irunha, aos quais es­tava a dar co­ber­tura. Este caso fi­cará ar­qui­vado.

Mais ca­sos de per­se­gui­çom no es­tado
Porém, o caso de ‘Boro’ nom é o único re­gis­tado nos úl­ti­mos anos con­tra a exis­tên­cia de meios de co­mu­ni­ca­çons crí­ti­cos. Entre os ca­sos ci­ta­dos por ‘Boro’ na sua pa­les­tra en­con­tra­vam-se os ca­sos dos por­tais na­var­ros fe­cha­dos pola Audiência Nacional, Apurtu e Ateak Ireki. O pri­meiro de­les foi clau­su­rado em 2011, pas­sando um dos seus mem­bros um ano e meio em pri­som pre­ven­tiva. O su­má­rio aberto con­tra este meio foi ar­qui­vado em 2013. Pouco an­tes desse ar­qui­va­mento, um auto da Audiência Nacional or­de­nava tam­bém o en­cer­ra­mento de umha web de re­cente cri­a­çom, Ateak Ireki, acu­sando-a do seu re­la­ci­o­na­mento com a or­ga­ni­za­çom Herrira. Atualmente, en­con­tra-se ativo o meio Ahotsa.info, o qual tem umha causa aberta de enal­te­ci­mento do ter­ro­rismo por em­pre­gar a ex­pres­som “pre­sos po­lí­ti­cos bas­cos”.

Também sob umha acu­sa­çom de enal­te­ci­mento do ter­ro­rismo a Fiscalia so­li­ci­tou dous anos de pri­som para Álex García, pro­mo­tor da Resistencia Films. Após a vista oral na Audiência Nacional este ati­vista fi­ca­ria ab­sol­vido.

Em Irunha dous ati­vis­tas fô­rom de­nun­ci­a­dos por “re­ve­la­çom de se­gre­dos” pola Hermandad de Caballeros Voluntarios de la Cruz, ao te­rem re­co­lhido ima­gens das mis­sas em ho­me­na­gem ao fran­quismo e aos mi­li­ta­res gol­pis­tas de 1936 que se ce­le­bram na cripta do mo­nu­mento aos caí­dos desta ci­dade. A par­tir dessa de­nún­cia, o Ministério Público so­li­cita dous anos de pri­som. A au­di­ên­cia teve lu­gar neste mês de de­zem­bro, pros­se­guindo para o pro­fe­ri­mento da sen­tença.

Os por­tais na­var­ros Apurtu e Ateak Ireki fo­ram clau­su­ra­dos pola Audiência Nacional

Boro’ tam­bém ex­pujo o caso da jor­na­lista Verónica Landa, de Izquierda Diario, quem foi acu­sada por “ca­lú­nias” polo chefe su­pe­rior da Polícia Nacional em Catalunha ao pu­bli­car que este ofi­cial te­ria es­tado en­vol­vido num caso de tor­tu­ras em 1974. Naquele ar­tigo, onde a jor­na­lista re­via di­ver­sos ca­sos de tor­tu­ras por parte das for­ças de se­gu­rança do es­tado, Landa in­di­cava que este mando po­li­cial fora “in­dul­tado pola morte de um sus­peito em 1974. A de­cla­ra­çom de Trapote foi con­si­de­rada im­pro­vá­vel pola fa­mí­lia do fa­le­cido e foi le­vado a jul­ga­mento. Em 1977 a Audiência Provincial de Barcelona ar­qui­vava o caso ao con­si­de­rar que os fac­tos fi­ca­vam aco­lhi­dos aos in­dul­tos de 1975 e 1977”.

A todo isto po­de­riam-se acres­cen­tar di­ver­sos ca­sos de apli­ca­çom da Lei da Mordaça a fo­to­jor­na­lis­tas que re­a­li­za­vam a co­ber­tura de mo­bi­li­za­çons para meios al­ter­na­ti­vos.


Novas da Galiza
Polo Novas da Galiza in­ter­veio Charo Lopes, quem ex­pujo as re­fle­xons de mem­bros do con­se­lho de re­da­çom deste meio ar­re­dor da re­pres­som e a per­se­gui­çom aos jor­na­lis­tas crí­ti­cos. “Nom re­ce­be­mos a re­pres­som por ser­mos jor­na­lis­tas, mas por ser­mos ati­vis­tas”, ex­pujo, acres­cen­tando que a vi­som de li­ber­dade de ex­pres­som e de im­prensa de­fen­dida polo Novas nom par­ti­lha a con­ce­çom que des­sas li­ber­da­des se re­pro­duz na mí­dia em­pre­sa­rial.

Lopes tam­bém in­di­cou que ao ter o tra­ba­lho do Novas da Galiza mais a ver com a aná­lise do que com a co­ber­tura pre­sen­cial de mo­bi­li­za­çons na ru,a a re­pres­som tem che­gado mais atra­vés da sua re­la­çom com os mo­vi­men­tos so­ci­ais ou com as con­sequên­cias de in­for­ma­çons pu­bli­ca­das.

Novas da Galiza” foi as­si­na­lado em su­má­rios pro­mo­vi­dos pola au­di­en­cia na­ci­o­nal con­tra o in­de­pen­den­tismo

Assim, em 2005 dous agen­tes de vi­gi­lân­cia adu­a­neira de­nun­ciá­rom o Novas por in­jú­rias e ca­lú­nias, por este ter pu­bli­cado o seu en­vol­vi­mento na par­ti­lha de in­for­ma­çom com um em­pre­sá­rio vi­guês que per­mi­tiu que este es­ca­passe a um con­trolo po­li­cial que o en­vol­ve­ria num caso de trá­fico de co­caína. Um tempo de­pois so­ma­ria-se a esta que­rela a Agência Tributária ao pu­bli­car-se que o res­pon­sá­vel pola vi­gi­lân­cia adu­a­neira na Galiza es­ta­ria en­vol­vido no con­tra­bando de ta­baco. Depois da ini­bi­çom de vá­rios tri­bu­nais no pro­cesso, este nom avan­çou.

Anos mais tarde, após a pu­bli­ca­çom de umha re­por­ta­gem que re­la­ci­o­nava um co­mando da po­lí­cia es­pa­nhola de Compostela com umha rede de trá­fico de pes­soas mi­gran­tes, o Novas da Galiza teve co­nhe­ci­mento de que o agente em causa pre­ten­deu re­gis­tar a sede do jor­nal, umha ten­ta­tiva que foi im­pe­dida pola au­to­ri­dade ju­di­cial com­pe­tente.

Quanto à sua re­la­çom com os mo­vi­men­tos, Lopes as­si­na­lou que o Novas pa­de­ceu o se­ques­tro de ma­te­rial aquando da ope­ra­çom Castinheiras em 2005 con­tra a AMI que se en­con­tra­vam em do­mi­cí­lios par­ti­cu­la­res, pois na­quela al­tura o jor­nal nom con­tava com umha sede fixa. Também ex­pujo que o Novas da Galiza tem apa­re­cido nos su­má­rios de di­ver­sos jul­ga­men­tos pro­mo­vi­dos pola Audiência Nacional con­tra o in­de­pen­den­tismo.


Galiza Contrainfo
Galiza Contrainfo é um pro­jeto au­di­o­vi­sual que nas­ceu em 2010. Zélia Garcia, umha das duas in­te­gran­tes, ex­pujo no CSOA O Aturuxo das Marías qual foi o saldo re­pres­sivo nes­tes anos que le­vam de tra­ba­lho. Assim, em 2011 este pro­jeto teve que re­a­li­zar umha cam­pa­nha de an­ga­ri­a­çom de fun­dos para pa­gar qua­tro san­çons ad­mi­nis­tra­ti­vas por par­ti­ci­pa­çom em con­cen­tra­çom ile­gal. Após ser re­cha­çado o re­curso e quando já fi­ca­ria ape­nas a op­çom de apre­sen­tar um re­curso de al­çada, o Galiza Contrainfo op­tou por fa­zer um crowd­fun­ding que con­tou com um grande su­cesso.

Em 2011 ga­liza con­trainfo con­se­guiu pa­gar as suas mul­tas gra­ças a um “crowd­fun­ding”

Também em 2011 umha das suas in­te­gran­tes teve que ir a jul­ga­mento de­nun­ci­ada pola po­lí­cia por ale­ga­da­mente ter ber­rado “ETA má­ta­los” en­quanto ti­rava fo­tos du­rante a Cadeia Humhana em fa­vor dos pre­sos in­de­pen­den­tis­tas de 2009. No juízo fi­cou ab­sol­vida, sur­gindo este pro­cesso como mais umha mos­tra da ha­bi­tual ati­tude ame­a­çante e ame­dron­ta­dora das for­ças de se­gu­ri­dade do es­tado pe­rante o tra­ba­lho do Galiza Contrainfo. “Nom te­mos o mesmo pa­pel que a im­prensa sis­té­mica”, sa­li­enta García, “nós nom nos co­lo­ca­mos atrás do cor­dom po­li­cial”.

Nos úl­ti­mos me­ses, e na sequên­cia do abran­dar da mo­bi­li­za­çom de rua, o Galiza Contrainfo co­me­çou tam­bém a tra­ba­lhar na re­a­li­za­çom de re­por­ta­gens au­di­o­vi­su­ais, abor­dando te­má­ti­cas como a opo­si­çom ao cen­tro co­mer­cial de Porto Cabral, a im­plan­ta­çom da ENCE na ria de Ponte Vedra ou a greve fe­mi­nista do 8 de março.

Na sua ex­po­si­çom, Zelia García apon­tou para a ne­ces­si­dade de dei­xar de en­ten­der o jor­na­lismo como algo ob­je­tivo ou como umha mer­ca­do­ria, “o jor­na­lismo fala da vida, de re­sis­tên­cias e de ex­pe­ri­ên­cias co­le­ti­vas”.

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