Periódico galego de informaçom crítica

O estado de alarme nom implica suspensom de direitos

por
ne­rea v. lameiro

O ponto de par­tida do ob­ser­va­tó­rio Esculca é que a de­cla­ra­çom do es­tado de alarme, ne­ces­sá­ria para ga­ran­tir a saúde pú­blica, nom pode im­pli­car a sus­pen­som ar­bi­trá­ria e des­ne­ces­sá­ria dos di­rei­tos fun­da­men­tais. Contodo, e ape­sar do ca­rá­ter crí­tico da si­tu­a­çom, nom fal­tá­rom nes­tes dias mo­men­tos em que os di­rei­tos da pes­soas fô­rom pos­tos em pe­rigo. Em par­ti­cu­lar, so­fré­rom es­tes cor­tes de di­rei­tos co­le­ti­vos es­pe­ci­al­mente vulneráveis.

Situaçom nos cár­ce­res galegos

Tal é o caso das pes­soas pre­sas, vá­rias das quais pa­de­cem do­en­ças imu­no­de­fi­ci­en­tes e dou­tro tipo, feito que as con­verte em po­pu­la­çom de risco. Este fa­tor, unido ao amo­re­a­mento pró­prio das pri­sons, fai com que a si­tu­a­çom seja es­pe­ci­al­mente de­li­cada den­tro. No que di res­peito a este co­le­tivo, num pri­meiro mo­mento che­gá­rom de­nún­cias a Esculca so­bre a falta de ma­te­rial e de pes­soal sa­ni­tá­rio nas pri­sons ga­le­gas da Lama e de Teixeiro. Esta úl­tima nom con­tava com pes­soal mé­dico no mo­mento do es­ta­lido da crise, em que in­cluso che­gou a a re­ce­ber no­vas pes­soas in­gres­sa­das com sus­pei­tas ra­zoá­veis de con­tá­gio. Logo que ti­ve­mos co­nhe­ci­mento deste feito, foi ime­di­a­ta­mente de­nun­ci­ado ao Defensor del Pueblo, já que tal si­tu­a­çom vul­nera di­re­ta­mente a obriga le­gal que re­cai nas pri­sons de con­ta­rem com pes­soal mé­dico e, in­di­re­ta­mente, tem o po­ten­cial de vul­ne­rar o di­reito fun­da­men­tal à in­te­gri­dade fí­sica e o di­reito à pro­te­çom da saúde. Pouco de­pois, Instituciones Penitenciarias con­tra­tou um mé­dico para a pri­som, nú­mero que ainda fica mui longe dos três que nor­mal­mente ope­ram no cen­tro penitenciário.

Num pri­meiro mo­mento che­gá­rom de­nún­cias a Esculca so­bre a falta de ma­te­rial e de pes­soal sa­ni­tá­rio nas pri­sons ga­le­gas da Lama e de Teixeiro.

No caso da Lama, ta­mém che­gá­rom de­nún­cias so­bre a falta de ma­te­rial pre­ven­tivo para os in­ter­nos e para os fun­ci­o­ná­rios da pri­som. As quei­xas re­caíam ta­mém na falta de me­di­das de dis­tan­ci­a­mento em re­fei­tó­rios e nou­tros es­pa­ços do cen­tro pe­ni­ten­ciá­rio. Apesar de que tais de­fi­ci­ên­cias pa­re­cem ter sido cor­ri­gi­das por parte das au­to­ri­da­des pú­bli­cas, o certo é que la­men­ta­mos a de­mora numha res­posta que, se bem que foi breve, nom pa­rece justificável.

Libertaçom de pes­soas presas

No que atinge à si­tu­a­çom das pri­sons num plano ge­ral, ante a a crise da Covid-19 ou­tros es­ta­dos to­má­rom me­di­das de li­ber­ta­çom de pri­si­o­nei­ros e de for­ne­ci­mento de me­ca­nis­mos al­ter­na­ti­vos à pre­sen­ci­a­li­dade, para per­mi­tir co­mu­ni­ca­çons en­tre pes­soas pre­sas e as suas fa­mí­lias. A si­tu­a­çom nas pri­sons es­pa­nho­las vem de­fi­nida polo feito de que umha quan­ti­dade in­gente de  pes­soas pre­sas está em si­tu­a­çom de  pri­som pro­vi­só­ria – quer di­zer, à es­pera de jul­ga­mento sem te­rem sido con­de­na­das ainda –, en­quanto mui­tas ou­tras es­tám a des­fru­tar de li­cen­ças de saída ao es­ta­rem clas­si­fi­ca­das no ter­ceiro grau penitenciário.

Outros es­ta­dos to­má­rom me­di­das de li­ber­ta­çom de pri­si­o­nei­ros e me­ca­nis­mos al­ter­na­ti­vos à pre­sen­ci­a­li­dade para per­mi­tir co­mu­ni­ca­çons en­tre pes­soas pre­sas e as suas famílias.

Ao ver de Esculca, se­ria ló­gico que os jul­ga­dos e as ins­ti­tui­çons pe­ni­ten­ciá­rias va­lo­ras­sem a pos­si­bi­li­dade de dei­xar em li­ber­dade com me­di­das pes­soas nas si­tu­a­çons agora re­fe­ri­das. Por umha banda, por­que isso per­mi­ti­ria pôr em prá­tica nas pri­sons as re­co­men­da­çons so­bre dis­tan­ci­a­mento so­cial in­di­ca­das po­las au­to­ri­da­des sa­ni­tá­rias e ga­ran­tir umha as­sis­tên­cia ajei­tada às pes­soas in­ter­nas. Por ou­tra banda, con­si­de­ra­mos que ta­mém é pre­ciso por cir­cuns­tân­cias hu­ma­ni­tá­rias. Por isso, e ante as re­co­men­da­çons da di­re­tora do Conselho de Direitos Humanos da ONU, da Organizaçom Mundial da Saúde e do Comité Europeu para a Prevençom da Tortura, de­ci­di­mos pe­dir às má­xi­mas au­to­ri­da­des da fis­ca­lia, da ju­di­ca­tura e da ad­vo­ga­cia ga­le­gas que con­si­de­ras­sem a pos­si­bi­li­dade de im­pul­sar as de­van­di­tas excarceraçons.

No plano ge­ral, e no que di res­peito à ad­mi­nis­tra­çom pe­ni­ten­ciá­ria, além de so­li­ci­tar o pes­soal e o ma­te­rial sa­ni­tá­rio pre­ciso para en­fren­tar a pan­de­mia, con­si­de­ra­mos de es­pe­cial re­le­vân­cia a co­mu­ni­ca­çom en­tre as pes­soas in­ter­nas e os seus fa­mi­li­a­res. Este di­reito de co­mu­ni­car, que su­pom um grande apoio para as pes­soas pre­sas, co­bra maior im­por­tân­cia nas cir­cuns­tân­cias pre­sen­tes, que po­dem che­gar a ser mui du­ras no plano afe­tivo. Assim, sou­be­mos que na Itália as au­to­ri­da­des pe­ni­ten­ciá­rias per­mi­tí­rom a re­a­li­za­çom de ví­deo-con­fe­rên­cias, e isso foi o que Esculca pe­diu ao Ministério do Interior. Este, em tro­ques disso, op­tou por per­mi­tir mais al­gumhas cha­ma­das te­le­fó­ni­cas en­tre os in­ter­nos e as fa­mí­lias. Contodo, nom pa­rece que esta me­dida seja apta para subs­ti­tuir as co­mu­ni­ca­çons pre­sen­ci­ais, que nor­mal­mente de­cor­rem com um grau su­pe­rior de in­ti­mi­dade para as participantes.

Desproporçom po­li­cial

Além do tra­ba­lho re­fe­rente às pri­sons, Esculca tivo co­nhe­ci­mento nes­tes dias de vá­rios ca­sos de in­ter­ven­çons po­li­ci­ais des­pro­por­ci­o­na­das em ter­ri­tó­rio ga­lego. Por isso, o ob­ser­va­tó­rio fijo um cha­ma­mento a to­das as pes­soas afe­ta­das a dar conta des­sas si­tu­a­çons, com a fi­na­li­dade de ela­bo­rar re­la­tó­rios so­bre o acon­te­ci­dos nes­tes dias, cousa que fa­re­mos em co­or­de­na­çom com ou­tros ob­ser­va­tó­rios e com ou­tros co­le­ti­vos em de­fesa dos di­rei­tos que ope­ram nou­tros ter­ri­tó­rios do Estado. Estes re­la­tó­rios som im­por­tan­tes, na me­dida em que per­mi­tem às au­to­ri­da­des in­ter­na­ci­o­nais to­mar co­nhe­ci­mento das ca­rên­cias em ma­té­ria de di­rei­tos ci­vis das au­to­ri­da­des es­pa­nho­las, todo o qual cos­tuma pro­vo­car re­co­men­da­çons, obri­gas e even­tu­ais san­çons por in­cum­pri­mento dos tra­ta­dos e dos pro­to­co­los in­ter­na­ci­o­nais na matéria.

Neste sen­tido, cum­pre lem­brar que toda in­ter­ven­çom po­li­cial deve cin­gir-se ao prin­cí­pio de pro­por­ci­o­na­li­dade, se­gundo o qual a ati­vi­dade po­li­cial deve ser o me­nos le­siva pos­sí­vel para a pes­soa afe­tada e di­ri­gir-se es­tri­ta­mente aos fins de­cla­ra­dos po­las au­to­ri­da­des go­ver­na­men­tais, como pode ser, neste caso con­creto, im­pe­dir des­lo­ca­çons in­jus­ti­fi­ca­das. Além disso, é ne­ces­sá­rio lem­brar que em caso de san­çom te­mos di­reito a co­nhe­cer a in­fra­çom que nos im­pu­tam, as­sim como a re­corre-la umha vez re­ce­bida, ale­gando vul­ne­ra­çom de di­rei­tos ou equi­vo­ca­çom por parte do agente de­nun­ci­ante nos fei­tos que nos im­pu­tam – por­que nos in­ter­pre­tou mal, por exem­plo –, tendo sem­pre pre­sente que o pró­prio Real Decreto polo que é es­ta­be­le­cido o es­tado de alarme per­mite as des­lo­ca­çons por causa de força maior.

Esculca tivo co­nhe­ci­mento nes­tes dias de vá­rios ca­sos de in­ter­ven­çons po­li­ci­ais des­pro­por­ci­o­na­das em ter­ri­tó­rio ga­lego e está a ela­bo­rar re­la­tó­rios de de­nún­cia em co­or­de­na­çom com ou­tros coletivos.

Tamém é pre­ciso des­ter­rar o falso mito da pre­sun­çom de ve­ra­ci­dade dos agen­tes da au­to­ri­dade, que tem sido re­jei­tada por ju­ris­pru­dên­cia rei­te­rada do pró­prio Tribunal Supremo es­pa­nhol. Aliás, para o caso da in­fra­çom mais re­cor­rente nes­tes dias, por causa de de­so­be­di­ên­cia, é ne­ces­sá­rio ter em conta as re­co­men­da­çons da Advogacia do Estado, se­gundo a qual só há de­so­be­di­ên­cia quando, logo de re­ce­ber umha or­dem par­ti­cu­lar dum agente de au­to­ri­dade – po­nha­mos por caso, tor­nar ao do­mi­cí­lio de jeito ime­di­ato –, esta nom é cum­prida, feito que des­bota umha san­çom por de­so­be­di­ên­cia polo mero feito de tran­si­tar por umha via pú­blica. Finalmente, em caso de maus tra­tos, de­ve­mos fa­zer por ob­ter um re­la­tó­rio mé­dico re­a­li­zado tam rá­pido como seja possível.

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