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O Estado espanhol vai perseguir a independência por todos os meios, mesmo fora da lei”

por
an­drea feliz

Noa González é a coordenadora de Mocidade Pola Independência na comarca do Eume. Falamos com ela sobre esta plataforma que nasceu há algo mais de um ano para “renovar o panorama independentista” e dar espaço à gente nova que quer luitar por umha república independente galega.

Para aque­las pes­soas que nom vos co­nhe­cem, quem sodes?

Mocidade Pola Independência (MPI) —cri­ada a par­tir da ex­tinta Coordenadora Juvenil Galega— nas­ceu como pla­ta­forma em 18 de maio do ano 2019, no CSOA com­pos­te­lano Escárnio e Maldizer. No mo­mento da sua cri­a­çom de­mos a forma de rede de as­sem­bleias aber­tas de ca­rá­ter co­mar­cal, e de ins­cri­çom in­di­vi­dual. Isto quer di­zer que es­ta­mos em to­das as co­mar­cas: Eume, Ourense, Vigo, Compostela… O mo­vi­mento in­de­pen­den­tista é certo que ar­rasta al­gumhas ei­vas desde há bas­tante tempo, que som as que de al­gum jeito mo­ti­vá­rom a nossa ir­rup­çom no pa­no­rama in­de­pen­den­tista ga­lego. Estas som a frag­men­ta­çom, o cho­que de pro­pos­tas de má­xi­mos e os am­bi­en­tes de­ma­si­ado ten­si­o­na­dos. A nossa aposta nisto é criar es­pa­ços con­for­tá­veis, che­gando a con­sen­sos en­tre to­das as par­tes; ade­mais de re­no­var o pa­no­rama in­de­pen­den­tista pola açom e a se­ri­e­dade no trabalho. 

Ademais da ques­tom na­ci­o­nal, quais som os prin­cí­pios ide­o­ló­gi­cos da vossa associaçom?

Os nos­sos prin­cí­pios ide­o­ló­gi­cos, além da aposta na ar­ti­cu­la­çom de umha República da Galiza Independente —como bem co­men­tas na per­gunta— som o an­ti­ca­pi­ta­lismo, o fe­mi­nismo, a de­fensa dos di­rei­tos LGBTI+, o anti-im­pe­ri­a­lismo e o an­ti­fas­cismo. Assim como a de­fensa da terra e da cul­tura ga­lega. Basicamente, baixo es­tas pre­mis­sas or­ga­ni­za­mos a nossa in­ter­ven­çom pú­blica. Estes prin­cí­pios es­tám re­co­lhi­dos nos tex­tos do nosso úl­timo en­con­tro na­ci­o­nal que tivo lu­gar em se­tem­bro deste ano, e som nos quais ba­se­a­mos as nos­sas intervençons. 

Segundo in­dica o CIS, perto de um dez por cento das ga­le­gas es­ta­ria de acordo com a pos­si­bi­li­dade do nosso país bus­car en­caixe fora do es­tado espanhol”

Enquanto fa­la­mos está-se a ce­le­brar o juízo pola cha­mada Operaçom Jaro. Achades que há umha maior vi­o­lên­cia da jus­tiça cara ao in­de­pen­den­tismo? Vamos para me­lhor, para pior ou todo está como sempre?

Desde um pri­meiro mo­mento em que se deu a co­nhe­cer a Operaçom Jaro, a nossa res­posta foi clara e con­cisa: o Estado es­pa­nhol vai per­se­guir a in­de­pen­dên­cia por to­dos os meios, tanto le­gais como mesmo fora da lei. E o es­per­pento ju­rí­dico que dé­rom em cha­mar Operaçom Jaro é umha boa prova disto. Nom é nada novo. O in­de­pen­den­tismo ga­lego da pós-guerra pa­de­ceu desde o pri­meiro mo­mento in­ti­mi­da­çoms por parte do po­der, acosso po­li­cial e mesmo cas­ti­gos ju­di­ci­ais con­tun­den­tes. Pensamos que esta ope­ra­çom é um obs­tá­culo mais na ques­tom re­pres­siva por­que, se bem já som mui­tos os pro­ces­sos que houvo, es­ta­mos pe­rante a que po­de­ría ser a pri­meira ile­ga­li­za­çom de or­ga­ni­za­çoms in­de­pen­den­tis­tas ga­le­gas desde o ano 1975. Nesta si­tu­a­çom, às por­tas de umha nova re­cen­som eco­nó­mica, o Estado es­pa­nhol fai parte da cor­rente in­ter­na­ci­o­nal de cor­tes dos di­rei­tos ci­vis e po­lí­ti­cos das dis­si­dên­cias como arma de con­trole so­cial. Assim que de­ve­mos ser cons­ci­en­tes de que ve­nhen tem­pos bas­tante duros. 

Sobre a si­tu­a­çom do Independentismo na mo­ci­dade. Que aná­lise so­ci­o­ló­gica fazedes?

Segundo in­dica o CIS, preto dum dez por cento das ga­le­gas es­ta­ria de acordo com a pos­si­bi­li­dade do nosso país bus­car en­caixe fora do es­tado es­pa­nhol. Também, o au­mento em vo­tos das for­ças ins­ti­tu­ci­o­nais que de­fen­dem a Galiza como ob­jeto po­lí­tico de seu in­dica umha onda de sim­pa­tias cara à in­de­pen­dên­cia na­ci­o­nal. E a re­a­li­dade é que es­tas ci­fras som in­cluso mai­o­res no seio da mo­ci­dade, onde nos mo­ve­mos. A isto soma-se que o des­man­te­la­mento dos nos­sos se­to­res pro­du­ti­vos, os ata­ques da ex­trema-di­reita con­tra a cul­tura e a forma de vida e os re­fe­ren­tes do nosso povo, junto com umhas ex­pe­ta­ti­vas vi­tais cada dia mais ne­ga­ti­vas, po­dem ser o de­to­nante que ajude a tra­du­zir essa sim­pa­tia em or­ga­ni­za­çom e em pos­si­bi­li­da­des re­ais de trans­for­ma­çom. Nós gos­tá­va­mos muito que se pui­desse fa­zer re­a­li­dade, obviamente. 

ga­liza contrainfo

Quais po­dem ser as so­lu­çons para so­mar mais pes­soal? Fazer do in­de­pen­den­tismo um mo­vi­mento trans­ver­sal pode ser umha delas?

Pensamos que nom existe umha so­lu­çom má­gica nem ca­mi­nho sem pe­dras, ainda que é ver­dade que sim que po­de­mos re­sol­ver o que de­pende de nós. Como co­men­tei sim que acho que exis­tem umha sé­rie de ei­vas que vi­mos ar­ras­tando e que te­mos que su­pe­rar, por exem­plo, no nosso mo­vi­mento nom de­ve­ria ha­ver lui­tas fra­tri­ci­das, e sim o res­peito in­te­lec­tual e hu­mano a quem nom pense exa­ta­mente como nós. Penso que ga­nha­ría­mos em se­ri­e­dade se as­su­mir­mos como pró­prios os acor­dos co­muns, ainda que dis­cor­de­mos com eles, nom? Por isso en­tendo que é bá­sico su­pe­rar os egos e os per­so­na­lis­mos, e en­ten­der que os per­fis de ati­vismo som mui­tos e diversos. 

É di­zer, é im­pos­sí­vel es­tar de acordo com tudo numha or­ga­ni­za­çom. Além disto, de­ve­ría­mos ela­bo­rar tam­bém pro­pos­tas po­lí­ti­cas úteis para a mo­ci­dade e re­fi­nar a nossa co­mu­ni­ca­çom, saindo das con­sig­nas e apa­re­cendo dumha forma mais pro­fis­si­o­nal nas re­des so­ci­ais. Agora es­ta­mos a pro­cu­rar me­lho­rar as nos­sas li­nhas vi­su­ais grá­fi­cas, e te­mos que se­guir tra­ba­lhando ne­las. Enquanto in­cre­men­ta­mos tam­bém a nossa pre­sença nas ruas, e apren­de­mos de his­tó­ria, de eco­no­mia, ou mesmo de po­lí­tica in­ter­na­ci­o­nal, para ser quem de ex­pli­car às pes­soas as van­ta­gens de umha re­pú­blica ga­lega hoje. 

Animamos qual­quer pes­soa nova que es­teja a ler isto a so­mar-se e a ache­gar ideias e maos, que nunca so­bram. Será bem-vinda com as maos abertas”

Algumha ou­tra ques­tom que acha­des de in­te­resse ou im­por­tante acrescentar?

É ver­dade que o tra­ba­lho por fa­zer é muito. Mais pre­ci­sa­mente por isso, e como Mocidade Pola Independência é um pro­jeto em cons­tru­çom, ani­ma­mos a qual­quer pes­soa nova que es­teja a ler isto —e que sinta que quer par­ti­ci­par— a so­mar-se e a ache­gar ideias e mans, que nunca so­bram. Será bem-vida com as maos abertas.

E que­re­mos, como es­paço que as­pira a es­tar no seio dos mo­vi­men­tos po­pu­la­res, dar as gra­ças à vossa equipa de Novas da Galiza, polo vosso in­te­resse em nós. Mais so­bre todo por le­var duas dé­ca­das a in­for­mar do que se move no nosso país. Muito obrigadas!

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