Periódico galego de informaçom crítica

O jornalismo militante: a resistência da imprensa crítica

por
ález ro­za­dos

O Novas nasce em fe­ve­reiro de 2002 por ini­ci­a­tiva do in­de­pen­den­tismo, que na al­tura de­sen­vol­via te­o­ri­ca­mente a ne­ces­si­dade da cons­tru­çom na­ci­o­nal e pro­cu­rava es­pa­ços de uni­dade ‑como vi­nha acon­te­cendo com o Processo Espiral- para avan­çar nos pro­ces­sos de li­ber­ta­çom. Entendia-se que ha­via que tra­ba­lhar to­das as fren­tes, sendo a me­diá­tica es­tra­té­gica. Daquela era ne­ces­sá­rio um meio de co­mu­ni­ca­çom que tra­ba­lhasse com pers­pe­tiva crí­tica, de um marco na­ci­o­nal ga­lego, que fi­gesse uso da or­to­gra­fia in­ter­na­ci­o­nal com nor­ma­li­dade e fa­lasse de te­mas ge­ra­lis­tas. Assim é como com al­tas do­ses de tra­ba­lho e ge­ne­ro­si­dade, e a im­pli­ca­çom de cen­tos de ati­vis­tas, cons­ti­tui-se a Sociedade Limitada Minho Media: ca­torze pes­soas par­ti­ci­pam para o ar­ran­que com açons de 300 eu­ros e sem vo­ca­çom de ti­rar lu­cros, mas de ver em fun­ci­o­na­mento um meio de co­mu­ni­ca­çom in­de­pen­dente. Mais de cin­quenta as­si­nan­tes ini­ci­ais e dú­zias de ati­vis­tas pu­gé­rom ho­ras e es­forço em dis­tri­buir, dar a co­nhe­cer, pro­cu­rar subs­cri­çons e pu­bli­ci­da­des e ge­rar con­teúdo, tanto grá­fico e vi­sual como tex­tual. Assim foi como um mo­vi­mento so­cial pa­riu um pe­rió­dico em pa­pel no iní­cio deste século.

Primeira etapa 2002–2005

O Novas nasce após algo mais de um ano de ges­tons, ao se jun­ta­rem-se vá­rias fa­mí­lias do in­de­pen­den­tismo e do rein­te­gra­ci­o­nismo com o ob­je­tivo co­mum de cons­truir um meio de co­mu­ni­ca­çom em co­mum. Era umha época con­vulsa, com gran­des mo­bi­li­za­çons como a crise do Prestige, a guerra no Iraque, a ago­nia do fra­guismo e certa ma­du­ra­çom do in­de­pen­den­tismo, com a re­or­ga­ni­za­çom do Processo Espiral e a aposta na cri­a­çom de Centros Sociais.

Enceta-se aí um ca­mi­nho ainda em de­fi­ni­çom. Nos seis pri­mei­ros nú­me­ros a pe­ri­o­di­ci­dade é bi­men­sal, sendo di­re­tor J. M. Aldea. As ca­pas som a cor e o in­te­rior um nú­mero va­riá­vel en­tre 16 e vinte qua­tro pá­gi­nas a branco e ne­gro. O pri­meiro nú­mero custa 2 €, sendo os cinco se­guin­tes de dis­tri­bui­çom gratuita.

A par­tir do nú­mero 7 pro­duz-se um ponto de in­fle­xom com a mar­cha de Aldea. O pro­jeto está de novo num ponto de iní­cio, as con­tas baixo mí­ni­mos. Aí da-se um pa­rom de 5 me­ses, de novo to­cou pe­tar nas por­tas para pe­dir di­nhei­ros, sendo Ugio Caamanho o co­or­de­na­dor da am­pli­a­çom de ca­pi­tal e ati­vista com um tra­ba­lho forte em la­bo­res de ex­pan­som e ad­mi­nis­tra­çom. Consegue-se. Retoma-se o tra­ba­lho, sendo di­re­tor Ramom Gonçalves. Este re­lan­ça­mento tem vo­ca­çom pro­fis­si­o­na­li­zante: a pe­ri­o­di­ci­dade passa a ser men­sal e de­fi­nem-se me­lhor os ob­je­ti­vos do pro­jeto: “ha­via duas cou­sas im­por­tan­tes ‑aponta o ex-di­re­tor Ramom Gonçalves- op­tar pola in­ves­ti­ga­çom e dar-lhe umha es­tru­tura mais mas­siva, introduzindo‑o nos quiosques.”

Nessa al­tura o peso da parte da equipa en­car­re­gada da ad­mi­nis­tra­çom do pe­rió­dico tem muito pro­ta­go­nismo, tra­ba­lhasse a pro­cura de subs­cri­çons, a di­vul­ga­çom da marca Novas da Galiza, o con­tato e re­co­nhe­ci­mento en­tre ou­tros meios e a vi­a­bi­li­dade eco­nó­mica: “A pri­meira vez que me pu­gem um fato foi por culpa do Novas, para acon­se­guir pu­bli­ci­dade”, lem­bra Ramom Gonçalves.

O ‘Novas da Galiza’ nasce em fe­ve­reiro de 2002 por ini­ci­a­tiva do in­de­pen­den­tismo, que na al­tura de­sen­vol­via a ne­ces­si­dade da cons­tru­çom nacional

A res­peito do la­bor jor­na­lís­tico, umha nu­trida equipa de ati­vis­tas co­meça a es­cre­ver com vo­ca­çom de ri­gor e de crí­tica, re­co­lhendo as no­tí­cias re­la­ti­vas ao in­de­pen­den­tismo e aos mo­vi­men­tos so­ci­ais. E de­sen­vol­vendo um tipo de tra­ba­lho em pe­rigo de ex­tin­çom no nosso país: a in­ves­ti­ga­çom jor­na­lís­tica com vo­ca­çom de des­ven­dar os tra­pos su­jos de quem os­tenta po­si­çons de poder.

No nú­mero 10, em se­tem­bro de 2003 pu­bli­casse umha re­por­ta­gem so­bre os vín­cu­los en­tre o nar­co­trá­fico e os po­de­res po­lí­ti­cos e em­pre­sa­ri­ais, tema que foi ob­jeto de de­nún­cia em di­fe­ren­tes nú­me­ros do Novas.

Em maio de 2004 (nú­mero 18) o Novas des­ta­pava frau­des nas obras da Cidade da Cultura. E em de­zem­bro desse mesmo ano, as in­ves­ti­ga­çons so­bre os vín­cu­los en­tre a em­presa do se­tor do jogo Cirsa e a la­va­gem de di­nheiro da droga foi uti­li­zada como prova num pro­cesso ju­di­cial em Chile.

Segunda etapa 2005–2010

Em março de 2005 sai o nú­mero 28 com umha nova ma­queta e for­ças renovadas.

Capa no nú­mero 77 (2ª etapa)

Em maio de 2005, no nú­mero 30, de­nún­cia-se que fil­tra­çons de adu­a­nei­ros im­pe­dí­rom a im­pu­ta­çom da em­presa Rodman por nar­co­trá­fico. Este nú­mero do Novas foi de­nun­ci­ado ju­di­ci­al­mente pola Agência Tributária. Certamente, nesta al­tura o tra­ba­lho da equipa de in­ves­ti­ga­çom, e no­me­a­da­mente o par for­mado por Iván Garcia e Carlos Barros, tra­ba­lha­vam ao es­tilo dos fil­mes, de­di­cando-lhe ho­ras, amar­rando ca­bos e com muita agu­deza, reu­nindo-se com fon­tes di­re­tas até de forma clandestina.

Nesta al­tura Ramom Gonçalves deixa a di­re­çom, que é as­su­mida por Carlos Barros, o re­da­tor chefe na al­tura, que já es­tava fa­mi­li­a­ri­zado com todo o pro­cesso e ges­tom do pe­rió­dico, e par­ti­ci­pava na equipa desde an­tes do lan­ça­mento do Novas.

Em de­zem­bro de 2005 (nú­mero 37), foi de­nun­ci­ada a rede con­tra­ban­dista de Manuel Gulias, que aca­bou sendo des­man­te­lada em ja­neiro de 2012. Por este con­teúdo fô­rom im­pu­ta­dos dous re­da­to­res deste jor­nal, num pro­cesso ju­di­cial que aca­bou por ser ar­qui­vado, de­pois de que os jor­na­lis­tas de­mos­tra­ram a ve­ra­ci­dade das in­for­ma­çons com do­cu­men­tos e fontes.

Vive-se um pe­ríodo de ex­pan­som, o longo fra­guismo fora subs­ti­tuído polo go­verno do bi­par­tito PSOE-BNG (2005–2009) e os mo­vi­men­tos so­ci­ais es­ta­vam for­tes: foi a época de Galiza Nom se Vende, das mani-festa-açons e de sa­bo­ta­gens con­tra os in­ves­ti­men­tos dos in­te­res­ses especulativos.

O facto do exe­cu­tivo au­to­nó­mico es­tar em maos do PSOE-BNG, por ou­tra parte, nom sig­ni­fi­cou que o Novas ti­vesse qual­quer re­paro em des­ta­par cor­rup­te­las que sal­pi­cas­sem a Junta: Em ou­tu­bro de 2007, no nú­mero 59, de­nun­ci­ava-se nas nos­sas pá­gi­nas a im­pli­ca­çom da ex-pre­si­denta do Parlamento au­to­nó­mico polo PSOE, Dolores Villarino, em frau­des ur­ba­nís­ti­cas mi­li­o­ná­rias na ci­dade de Vigo.

Em de­zem­bro de 2005, foi de­nun­ci­ada a rede con­tra­ban­dista
de Manuel Gulías, que aca­bou
sendo des­man­te­lada em ja­neiro de 2012.
Por este con­teúdo fô­rom im­pu­ta­dos
dous re­da­to­res deste jor­nal, num
pro­cesso ju­di­cial que aca­bou por ser
ar­qui­vado

E no nú­mero 70, de se­tem­bro de 2008, lan­ça­mos a ex­clu­siva de como a em­presa Carrumeiro Media fora uti­li­zada para o fi­nan­ci­a­mento do BNG atra­vés das con­se­lha­rias que di­ri­gia no go­verno. Esta pri­mí­cia do Novas foi de­pois di­vul­gada por ou­tros meios.

Entretanto, a in­ves­ti­ga­çom com­ple­men­tava-se com mais con­teú­dos ex­clu­si­vos, pu­bli­ca­çons com­ple­men­tá­rias e even­tos. No ve­rao de 2006 sai o su­ple­mento de 8 pá­gi­nas “tem­pos li­vres”, que se in­ter­cala com o “Dito e Feito”, da mesma ex­ten­som, so­mando em to­tal 7 pu­bli­ca­çons extra.

Vive-se um mo­mento de força, e em abril de 2007 en­tra Irene Cancelas como tra­ba­lha­dora con­tra­tada, para re­a­li­zar la­bo­res de ad­mi­nis­tra­çom, tra­ba­lho que de­sen­vol­verá até de­zem­bro de 2011. O pro­jeto con­so­lida-se: sente-se a ne­ces­si­dade de ter um lo­cal de seu ‑até esse mo­mento o con­se­lho reu­nia-se no hoje ex­tinto Centro Social A Casa Encantada em Compostela‑, e com a inau­gu­ra­çom da Gentalha do Pichel o Novas ins­tala-se o seu es­cri­tó­rio pró­prio no pri­meiro an­dar do novo lo­cal so­cial.

Em maio edita-se o li­vro-cd Um país na ja­nela, que re­co­lhe os me­lho­res tra­ba­lhos jor­na­lís­ti­cos até a al­tura. Em ju­lho edita-se o li­vro Guia dos Centros Sociais, um vo­lume onde se apre­sen­tam vinte e um cen­tros so­ci­ais au­to­ge­ri­dos: com en­tre­vis­tas, fi­chas téc­ni­cas e fo­to­gra­fias a toda cor. Nas 186 pá­gi­nas do li­vro, se­gundo Carlos Barros, “vi­si­bi­liza-se um novo mo­vi­mento e gera-se ener­gia co­le­tiva, “ins­ti­tu­ci­o­na­li­zando” de al­gumha ma­neira os lo­gros atin­gi­dos e fa­vo­re­cendo tanto o co­nhe­ci­mento mú­tuo como a pro­je­çom ex­terna dos co­le­ti­vos participantes.”

Nesse mesmo ve­rao de 2007 nasce o su­ple­mento O Pasquim, qua­tro pá­gi­nas de hu­mor grá­fico das quais se im­pri­mí­rom 14 ediçons.

Begonha Caamanho num ví­deo hu­mo­rís­tico ela­bo­rado para a festa do dé­cimo aniversário.

Em 2008 lan­çam-se dous es­pe­ci­ais, um para o Festival da Mocidade de Aguilhoar, em Ginzo, e mais um para o Festival da Poesia, no Condado. Ademais, inau­gura-se um novo su­ple­mento, A Revista, qua­tro pá­gi­nas de fo­ca­gem cul­tu­ral, do qual che­ga­ram a pu­bli­car-se 80 edi­çons, até ju­lho de 2015.

Também em 2008 fai-se a festa “Compromisso com a in­de­pen­dên­cia”, em Compostela, com umha mesa re­donda so­bre Jornalismo de in­ves­ti­ga­çom, umha charla so­bre jor­na­lismo na­ci­o­na­lista de on­tem e hoje e con­cer­tos, acom­pa­nhada de umha pro­du­çom au­di­o­vi­sual hu­mo­rís­tica apre­sen­tada por Xiana Arias e a de­funta Begonha Caamanho. Os ví­deos deste evento po­dem ser con­sul­ta­dos na ex­po­si­çom on­line que lan­ça­mos com mo­tivo deste nú­mero 200, que pode ser ace­dida aqui.

Terceira etapa 2010–2015

Em Janeiro de 2010, coin­ci­dindo o nú­mero 86, há umha nova re­for­mu­la­çom da ma­queta e acres­cen­tam-se à pu­bli­ca­çom até as 32 páginas.

Capa do nú­mero 145 (3ª etapa)

Seguem-se a con­se­guir ex­clu­si­vas e fi­tos in­for­ma­ti­vos. Em agosto de 2010 (nú­mero 93), pu­blica-se a des­co­berta de ser di­nheiro nazi o que fi­nan­ciou gran­des for­tu­nas ga­le­gas e deu pé ao nas­ci­mento do Banco Pastor, da Fenosa ou da Finsa.

Na pri­ma­vera de 2011, sai o nú­mero 100, e edita-se um es­pe­cial que ava­lia o seu per­curso, em que par­ti­ci­pam um grupo di­verso de lei­to­ras e lei­to­res, o qual dá ideia da he­te­ro­ge­nei­dade do pú­blico do Novas da Galiza.

No nú­mero 101, em abril de 2011, de­nun­cia-se que a em­presa in­for­má­tica Plexus, li­gada ao PP, ela­bo­rou ba­ses téc­ni­cas de con­cur­sos pú­bli­cos aos que pos­te­ri­or­mente con­cor­reu e, lo­gi­ca­mente, ga­nhou. E as­sim mês a mês, umha equipa mi­li­tante e pro­fis­si­o­nal vai ache­gando fer­ra­men­tas para a aná­lise a um pú­blico que nesta al­tura toca má­xi­mos his­tó­ri­cos, com ar­re­dor de 5000 lei­to­ras em cada nú­mero, en­tre subs­cri­çons, ven­das em qui­os­ques, dis­tri­bui­çom em ba­res e cen­tros so­ci­ais e des­car­gas do jor­nal em pdf.

Em março de 2012 ce­le­brasse umha festa polo X ani­ver­sá­rio sob a le­genda “10 anos de jor­na­lismo po­pu­lar”, com um en­con­tro-co­ló­quio de jor­na­lis­tas com as lei­to­ras e lei­to­res, apre­sen­ta­çom da cam­pa­nha “Vitaminas para o Galego”, pre­cur­sora da cons­ti­tui­çom da AMEGA (Asociación de Medios en ga­lego), da qual o Novas foi mem­bro fun­da­dor em ja­neiro de 2013. Também houvo umha ex­po­si­çom so­bre a his­tó­ria do jor­nal e con­certo de Os tres Trebóns, Habelas Hainas e as Bouba.

No nú­mero 101, em abril de 2011,
de­nun­cia-se que a em­presa in­for­má­tica
Plexus, li­gada ao PP, ela­bo­rou
ba­ses téc­ni­cas de con­cur­sos pú­bli­cos
aos que pos­te­ri­or­mente con­cor­reu e,
lo­gi­ca­mente, ganhou

Ainda que a ní­vel jor­na­lís­tico o tra­ba­lho fun­ci­ona, a si­tu­a­çom eco­nó­mica é di­fí­cil de sus­ter e Carlos Barros re­pre­senta um pi­lar fun­da­men­tal. Ele, en­quanto exerce de di­re­tor, fai em pa­ra­lelo ao seu la­bor no Novas, ser­vi­ços fre­e­lance de de­se­nho sob a marca Innova, sendo 90% do be­ne­fí­cio do seu tra­ba­lho in­ver­tido no pe­rió­dico. Ademais, fai parte tanto do con­se­lho de re­da­çom como do de ad­mi­nis­tra­çom: “eu con­vo­cava os con­se­lhos e co­or­de­nava o grupo, es­cre­via, ma­que­tava, e se era ne­ces­sá­rio, até re­sol­via um qua­dri­nho de hu­mor na úl­tima da hora”. O ex-di­re­tor re­co­nhece que car­re­gar tanto fardo numha única pes­soa nom é boa es­tra­té­gia. Nessa al­tura, de­cide aban­do­nar o seu la­bor como di­re­tor ‑fi­gura que nom se subs­ti­tui, fi­cando na di­re­çom a as­sem­bleia do con­se­lho de redaçom‑, mas nom se des­vin­cula do pro­jeto, e con­ti­nua en­car­re­gado es­pe­ci­fi­ca­mente dos la­bo­res de ma­que­ta­çom e ad­mi­nis­tra­çom. Em pa­ra­lelo tra­ba­lha as­sa­la­ri­ado fora do pe­rió­dico e tem que dei­xar os ser­vi­ços em Innova com o que se fi­nan­ci­ava o Novas da Galiza.

A Sociedade Limitada é um las­tre, muita es­tru­tura para um la­bor que nom pre­tende lu­cro, as­sim é que, com a ajuda ati­vista de Kiko Neves, re­for­mula-se a fi­gura ju­rí­dica da edi­tora, e Minho Media S.L passa a ser, em ja­neiro de 2013, Associaçom Cultural Minho Media.

Dentro da equipa, e em par­ti­cu­lar no con­se­lho de re­da­çom, apa­re­cem no­vas in­cor­po­ra­çons, a mai­o­ria vin­das da fa­cul­dade de jor­na­lismo e com um per­fil mais téc­nico do que nas pri­mei­ras pro­mo­çons, em que o per­fil era di­verso, com des­ta­que em fi­ló­lo­gas e ati­vis­tas da língua.

Contodo, o ca­rá­ter vo­lun­ta­rista do tra­ba­lho fai com que se­jam cen­tos as pes­soas que te­nhem con­tri­buído com a ela­bo­ra­çom de con­teú­dos ao longo dos anos.

Em de­zem­bro de 2014 Xoán R. Sampedro as­sume a co­or­de­na­çom do con­se­lho de re­da­çom, la­bor que de­sen­vol­verá até o re­mate desta etapa, quem en­tende que “o grande de­sa­fio foi o mo­mento em que co­le­ti­va­mente de­ci­di­mos pa­rar. Pararmos, para con­ti­nuar. Ao tempo, re­sul­tava ab­so­lu­ta­mente ne­ces­sá­ria aquela pausa para re­de­se­nhar e re­de­fi­nir o pro­jeto, alar­gar a equipa e, tam­bém fun­da­men­tal, des­can­sar e re­fa­zer forças.”

O can­saço, a li­mi­ta­çom da par­ti­ci­pa­çom no pro­jeto, sem­pre con­di­ci­o­nada ao de­vir dos ci­clos vi­tais que le­vam a di­ri­gir o tempo e es­forço em ati­vi­da­des que ge­rem di­nheiro, etc., po­dem ser con­di­çons equi­va­len­tes a ou­tro tipo de mi­li­tân­cias po­lí­ti­cas. Porém, Xoán Sampedro aponta que “a pe­ri­o­di­ci­dade in­con­tor­ná­vel, a pre­ten­som de pro­cu­rar di­ver­si­dade de vo­zes ‑al­gumhas mi­li­tan­tes no con­se­lho, ou­tras es­po­rá­di­cas e nem ne­ces­sa­ri­a­mente afins por com­pleto ao pe­rió­dico- dam num jogo de pe­ças com­plexo de ama­bi­li­dade, exi­gên­cia, pre­ca­ri­e­dade, com­pai­xom, dis­ci­plina…” o que fai com que nom seja exa­ta­mente igual a ou­tras mi­li­tân­cias. Aliás, des­taca: “com frequên­cia an­te­pu­nha o cui­dado de quem se en­con­tra­vam mais afas­ta­das, com a con­se­quente maior carga para quem es­tá­va­mos nas ca­pas de den­tro dessa es­tru­tura de ce­bola em que po­de­mos ver um pro­jeto como este.”

Finalmente em ve­rao de 2015 acon­tece: o Novas para, por algo mais de um ano, até re­to­mar no fim de 2016.

Quarta etapa 2016-hoje

Durante este ponto de in­fle­xom Carlos Barros des­pede-se de­fi­ni­ti­va­mente do pro­jeto. Mas re­co­meça-se após umha cam­pa­nha de mi­cro­me­ce­nado in­ti­tu­lada “Além do ba­ru­lho”, que lo­gra jun­tar 5100€ de 122 me­ce­nas. É as­sim que o Novas re­nasce com a pe­ri­o­di­ci­dade men­sal, 32 pá­gi­nas a toda cor e um preço por exem­plar de 3 eu­ros. Mantém o grosso da equipa do con­se­lho de re­da­çom da etapa an­te­rior, sem fi­gura de di­re­tora nem co­or­de­na­dora for­mal, ainda que, de jeito in­for­mal, o mem­bro do con­se­lho de re­da­çom Aarón L. Rivas ‑que fai parte do Novas desde 2012- vem as­su­mindo umha parte des­ta­cada do tra­ba­lho global.

Parte do Conselho de Redaçom num en­con­tro em Andeade (Touro) na pri­ma­vera de 2019 | charo lopes

Ao longo dos úl­ti­mos anos tem ha­vido al­gumhas no­vas in­cor­po­ra­çons e tam­bém bai­xas. A equipa re­força-se di­vi­dindo res­pon­sa­bi­li­da­des, como a co­or­de­na­çom de ima­gem ‑que ativa fo­tó­gra­fas e ilustradoras‑, a co­or­de­na­çom da cor­re­çom lin­guís­tica ‑que sem­pre foi umha pri­o­ri­dade do jor­nal- e a co­or­de­na­çom da se­çom de opi­niom, que em cada nú­mero conta com vo­zes di­fe­ren­tes. A ad­mi­nis­tra­çom ‑que em tem­pos era umha equipa am­pla para fa­zer tra­ba­lho es­tra­té­gico com vo­ca­çom ex­pan­siva- está hoje a cargo de Miguel Valcárcel, com apoios pon­tu­ais do con­se­lho de re­da­çom e a re­cente in­cor­po­ra­çom ‑há pou­cas se­ma­nas- de Antia Balseiro.

Seguimos a apos­tar polo pa­pel, mas tam­bém re­de­se­nha­mos a web, nom sendo ape­nas um ar­quivo dos jor­nais em pdf, mas um es­paço com os con­teú­dos dis­po­ní­veis em aberto para lei­tura por pe­ças in­de­pen­den­tes, e ten­ta­mos es­tar pre­sen­tes, de ma­neira dis­creta mas cons­tante, nas re­des so­ci­ais de Twitter, Facebook e Instagram, onde nos se­guem mais de 9000 usuárias.

As dis­po­ni­bi­li­da­des par­ci­ais fam com que seja di­fí­cil re­to­mar o ní­vel de pro­je­tos in­ves­ti­ga­do­res de anos atrás, e a nova fo­ca­gem pri­o­riza acom­pa­nhar e di­vul­gar o la­bor dos mo­mi­ven­tos so­ci­ais. Ademais, o Novas nom fica à mar­gem da si­tu­a­çom po­lí­tico-so­cial do in­de­pen­den­tismo, que nos úl­ti­mos anos tem fi­cado di­luída em ter­mos de or­ga­ni­za­çons po­lí­ti­cas clás­si­cas, após im­por­tan­tís­si­mos gol­pes re­pres­si­vos ‑com, ainda hoje, me­dia dú­zia de mi­li­tan­tes em pri­som- mas com cen­tos de ati­vis­tas par­ti­ci­pando em pro­je­tos lo­cais populares.

Porém, nom se dei­xou de tra­ba­lhar em pro­cu­rar fa­zer um pro­duto jor­na­lís­tico de qua­li­dade, acom­pa­nhando as ini­ci­a­ti­vas po­pu­la­res que con­ti­nuam a ati­var-se ao longo do país, a re­co­lher e di­vul­gar as re­vol­tas, e tam­bém a pro­cu­rar ser um es­paço para a re­fle­xom e a aprendizagem.

Na etapa atual se­gue a aposta polo pa­pel e foi re­de­se­nhada a pá­gina web, ten­tando es­tar pre­sen­tes nas re­des so­ci­ais onde se­guem o pro­jeto mais de 9000 usuárias

Também ten­ta­mos, na me­dida do pos­sí­vel, criar es­pa­ços fí­si­cos de de­bate e par­ti­lha, como por exem­plo, a re­por­ta­gem de in­ves­ti­ga­çom so­bre os ca­sos de be­bés rou­ba­dos pola igreja ca­tó­lica na Galiza, pu­bli­cada em março de 2017, que deu pé à or­ga­ni­za­çom pos­te­rior de um co­ló­quio na Livraria de mu­lhe­res Lila de Lilith, em Compostela. E em ju­lho de 2019 or­ga­ni­za­mos a pro­je­çom do do­cu­men­tá­rio O si­lên­cio, so­bre a ba­ta­lha de Cambedo na raia en­tre Galiza e Portugal, e con­ta­mos com a an­tro­pó­loga Paula Godinho, o re­a­li­za­dor José Alves Pereira e a jor­na­lista Ana Luísa Rodrigues, num evento que en­cheu com dú­zias de pes­soas o soto da Gentalha do Pichel.

Também par­ti­ci­pa­mos num co­ló­quio so­bre re­pres­som a meios em de­zem­bro de 2018 com gz con­trainfo e La Haine. Nas jor­na­das de Lugo Sem Mordaças fa­lando so­bre jor­na­lismo li­vre, em abril de 2019 ou em maio desse mesmo ano, apre­sen­tando o jor­nal na ce­le­bra­çom do Banquete de Conxo. Também es­ti­ve­mos fa­zendo co­ber­tura de rua nos 24 e 25 de ju­lho, as­sim como nos des­pe­jos de Centros Socais ocu­pa­dos como Escárnio e Maldizer em Compostela (2017) e A Insumisa na Corunha (2018) e pu­bli­cando tra­ba­lhos de do­cu­men­ta­lismo como a re­por­ta­gem “tres dé­ca­das de ocu­pa­çons” pu­bli­cada no nú­mero 158.

A de­nún­cia do mo­delo de im­ple­men­ta­çom do ne­gó­cio eó­lico, os in­cên­cios flo­res­tais, o se­gui­mento do con­flito em Alcoa, os mo­de­los da pre­ca­ri­e­dade la­bo­ral do sé­culo XXI, a aná­lise da si­tu­a­çom do com­boio na Galiza ou umha pa­no­râ­mica das múl­ti­plas ca­ma­das da crise da pan­de­mia da Convid-19 te­nhem sido al­guns dos fi­tos in­for­ma­ti­vos da úl­tima jeira.

No pas­sado mês de abril de 2021, acu­sando de novo umha im­por­tante fra­queza, vimo-nos na obriga de re­du­zir o vo­lume do jor­nal até 24 pá­gi­nas, com a in­ten­çom de po­der re­cu­pe­rar as 32 pá­gi­nas ha­bi­tu­ais as­sim for pos­sí­vel. A pre­ten­som da equipa atual é re­for­çar a parte de ad­mi­nis­tra­çom para po­der­mos dis­por de fol­gança eco­nó­mica e am­pli­tude de maos para tra­ba­lhar a di­fu­som, pro­cu­rando che­gar aos mi­lha­res de pes­soas que ainda nom co­nhe­cem o Novas da Galiza. E tam­bém ache­gar o nosso grao de areia com in­for­ma­çom ve­raz, útil e de qua­li­dade para as nos­sas lei­to­ras, as no­vas e as que le­vam 18 anos connosco.

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