O mar é um campo de batalha

por
brin­da­voi­ne2002

Nas cos­tas ga­le­gas es­tám a se de­sen­vol­ver atu­a­çons que des­pos­suem a po­pu­la­çom do acesso aos re­cur­sos na­tu­rais e en­trega es­tes para as gran­des trans­na­ci­o­nais. Tal ini­ci­a­tiva nom po­de­ria efe­ti­var-se sem o apoio das ad­mi­nis­tra­çons a di­ver­sas es­ca­las -au­to­nó­mica, es­ta­tal e su­pra­es­ta­tal-, nas quais os ló­bis das trans­na­ci­o­nais tra­ba­lham a diá­rio por ver cum­pri­das as suas ne­ces­si­da­des e onde o fe­nó­meno das ‘por­tas gi­ra­tó­rias’ (pes­soas da ad­mi­nis­tra­çom que pas­sam a tra­ba­lhar em gran­des em­pre­sas ou vice-versa) é umha re­a­li­dade pal­pá­vel.
Se umha in­dús­tria se viu be­ne­fi­ci­ada pola ad­mi­nis­tra­çom ga­lega, es­pe­ci­al­mente desde a che­gada de Alberto Núñez Feijó à pre­si­dên­cia da Junta, é a da aqui­cul­tura. Após a le­ga­li­za­çom de di­ver­sas ir­re­gu­la­ri­da­des ur­ba­nís­ti­cas com as que as em­pre­sas aquí­co­las ope­ra­vam, a Junta de­cla­rava a aqui­cul­tura como in­te­resse pú­blico de pri­meira orde, abrindo a porta à ins­ta­la­çom de plan­tas aquí­co­las em zo­nas pro­te­gi­das am­bi­en­tal­mente. Porém, a forte mo­bi­li­za­çom que no ano pas­sado re­cha­çou o an­te­pro­jeto de Lei de Aquicultura da Junta des­ven­dou a am­pla opo­si­çom po­pu­lar a to­dos es­tes pro­je­tos.
O que será do mar? O úl­timo re­la­tó­rio da or­ga­ni­za­çom das Naçons Unidas para a Alimentaçom e a Agricultura (FAO) so­bre o es­tado glo­bal da pesca e da aqui­cul­tura as­si­na­lava que por vez pri­meira, em 2014, a pro­du­çom aquí­cola su­pe­rava a pro­du­çom ex­tra­tiva de peixe para con­sumo hu­mano. As pers­pe­ti­vas da FAO fa­lam mesmo de “umha nova etapa” a par­tir de 2021, para quando prevê que a pro­du­çom aquí­cola su­pere na sua to­ta­li­dade à ex­tra­tiva a ní­vel glo­bal. Umhas pers­pe­ti­vas que de se cum­pri­rem con­ver­te­rám Galiza numha ex­por­ta­dora de ro­da­va­lho, a es­pé­cie mai­o­ri­ta­ri­a­mente cul­ti­vada nas pis­ci­fa­to­rias im­plan­ta­das nas nos­sas cos­tas.
Atualmente nas vi­las ma­ri­nhei­ras está-se a dar um con­flito en­tre quem de­fende a ne­ces­si­dade de pro­te­ger o en­tra­mado so­ci­o­e­co­nó­mico tra­di­ci­o­nal do mar, com to­dos os pos­tos de tra­ba­lho que gera em di­fe­ren­tes se­to­res, e a en­trada de trans­na­ci­o­nais e pro­je­tos em­pre­sa­ri­ais na costa que le­vam cara a umha pri­va­ti­za­çom dos re­cur­sos e es­pa­ços, se­jam pis­ci­fa­to­rias ou com­ple­xos ho­te­lei­ros nos fa­ros da Costa da Morte. Nas lui­tas de hoje está a se­mente do fu­turo do nosso país e, tanto na terra como no mar, ur­gem ini­ci­a­ti­vas que per­mi­tam a ges­tom dos re­cur­sos por parte da po­pu­la­çom e cons­truam a Galiza li­vre de ex­plo­ra­çom do ama­nhá.