Periódico galego de informaçom crítica

O que é ecológico?

por
Bruno Ruival

A certificaçom oficial aplica as normas do regulamento europeu enquanto a auto-organizaçom de pequenas produçons procura mecanismos de confiança.

Se algo de­fine a agri­cul­tura eco­ló­gica som umas prá­ti­cas fun­da­men­ta­das em prin­cí­pios como a de­fesa da bi­o­di­ver­si­dade, a re­jei­çom do uso de pes­ti­ci­das e her­bi­ci­das ou o tra­ba­lho com cas­tas au­tóc­to­nes. Para ve­ri­fi­car que os pro­du­tos agro-ali­men­ta­res  co­mer­ci­a­li­za­dos fô­rom cui­da­dos ou ela­bo­ra­dos em con­cor­dán­cia com es­ses prin­cí­pios es­ta­be­le­cê­rom-se os sis­te­mas de cer­ti­fi­ca­çom e de ga­ran­tia.

O que conta com maior pre­sença no mer­cado e o que está a apli­car e de­sen­vol­ver a re­gu­la­men­ta­çom eu­ro­peia é o selo do Consello Regulador de Agricultura Ecolóxica da Galicia (Craega). Em 2015 o Craega cer­ti­fi­cou uns 20306,36 hec­ta­res e o vo­lume de ne­gó­cio de pro­du­tos ca­rim­ba­dos por este  or­ga­nismo su­pe­rava os 33 mi­lhons. Umhas ci­fras que evi­den­ciam a im­por­tán­cia deste mer­cado, mesmo a um ní­vel in­ter­na­ci­o­nal, sus­ten­tado por umha pro­cura cres­cente.

Ecologia re­gu­la­men­tada
O sis­tema de cer­ti­fi­ca­çom do Craega, pro­mo­vido pola norma eu­ro­peia, é um sis­tema que se de­no­mina “cer­ti­fi­ca­çom de ter­ceira parte”. A re­gu­la­men­ta­çom do mer­cado eco­ló­gico a ní­vel eu­ro­peu co­meça nos anos 90. Em 1995 pu­bli­cam-se as nor­mas que de­vem se­guir es­sas en­ti­da­des de cer­ti­fi­ca­çom, que se­rám in­de­pen­den­tes dos agen­tes de pro­du­çom e de con­sumo. Nesse con­texto nasce o Craega em 1997, or­ga­ni­zado em duas es­tru­tu­ras: a de ges­tom e go­verno, em que par­ti­ci­pam gen­tes im­pli­ca­das na pro­du­çom, e a de con­trole e cer­ti­fi­ca­çom, com­posta por pes­soal téc­nico.

A pro­du­çom bi­o­ló­gica cer­ti­fi­cada na Europa ga­nha força após a pu­bli­ca­çom do re­gu­la­mento eu­ro­peu 834/2007 so­bre a pro­du­çom e ro­tu­la­gem dos pro­du­tos bi­o­ló­gi­cos, de­ter­mi­nando as con­di­çons obri­ga­tó­rias para co­mer­ci­a­li­zar gé­ne­ros ali­men­tí­cios com a de­fi­ni­çom de ‘ecológico/biológico’. Isto terá vá­rios efei­tos: com­bate a fraude, abre um mer­cado em que os pro­du­tos eco­ló­gi­cos che­gam à con­su­mi­dora a um preço mais alto e ex­clui da cer­ti­fi­ca­çom, e por­tanto desse novo mer­cado, pe­que­nas ex­plo­ra­çons com­pro­me­ti­das com umha agri­cul­tura sus­ten­tá­vel que nom se vem ca­pa­zes de cum­prir to­dos os re­qui­si­tos da norma.

O Regulamento 834/2007 de­fine a “pro­du­çom bi­o­ló­gica” como “um sis­tema glo­bal de ges­tom das pro­du­çons agrí­co­las e de gé­ne­ros ali­men­tí­cios, que com­bina as me­lho­res prá­ti­cas am­bi­en­tais, um ele­vado ní­vel de bi­o­di­ver­si­dade, a pre­ser­va­çom de re­cur­sos na­tu­rais, a apli­ca­çom de nor­mas exi­gen­tes em ma­té­ria bem-es­tar dos ani­mais e mé­to­dos de pro­du­çom em sin­to­nia com as pre­fe­rên­cias de cer­tos con­su­mi­do­res por pro­du­tos ob­ti­dos  uti­li­zando subs­tán­cias e pro­ces­sos na­tu­rais”. Mais adi­ante o re­gu­la­mente es­pe­ci­fica que que passa a en­ten­der-se por ‘pro­du­çom eco­ló­gica’ como “o uso de mé­to­dos de pro­du­çom con­for­mes com as re­gras es­ta­be­le­ci­das no pre­sente re­gu­la­mento”.

A par­tir desta de­fi­ni­çom, de­sen­volve-se umha sé­rie de nor­mas téc­ni­cas, mais es­pe­ci­fi­ca­das no re­gu­la­mento eu­ro­peu 889/2008 que, na Galiza, se en­car­rega de de­sen­vol­ver o Consello Regulador da Agricultura Ecolóxica de Galicia (Craega). Assim, o Craega é o único or­ga­nismo de con­trole e cer­ti­fi­ca­çom au­to­ri­zado na Galiza, de­pen­dente da Conselharia com com­pe­tên­cias em agri­cul­tura.

Vantagens e des­van­ta­gens para pro­du­to­ras
Pode ob­ter a cer­ti­fi­ca­çom do Craega qual­quer pes­soa fí­sica ou ju­rí­dica que, com do­mi­cí­lio so­cial na “Comunidade Autónoma”, re­a­lize umha ati­vi­dade agrí­cola con­forme com os re­qui­si­tos es­ta­be­le­ci­dos nos re­fe­ri­dos re­gu­la­men­tos eu­ro­peus e nas nor­mas téc­ni­cas es­pe­cí­fi­cas do pró­prio Craega. No pe­dido de cer­ti­fi­ca­çom, a pes­soa in­te­res­sada deve de­ta­lhar to­dos os meios e ins­ta­la­çons, ache­gar os pla­nos das par­ce­las e di­versa do­cu­men­ta­çom. A se­guir, pes­soal téc­nico do Meio Rural vi­si­tará a ex­plo­ra­çom e es­ta­be­le­cerá, se ne­ces­sá­rio, pe­río­dos de con­ver­som, du­rante os quais nom se po­derá ven­der pro­duto sob o nome de ‘biológico/ecológico’. Preveem-se vi­si­tas anu­ais para ve­ri­fi­car o cum­pri­mento dos re­qui­si­tos e efe­tuar as ana­lí­ti­cas ne­ces­sá­rias.

Antia Puentes, pro­du­tora eco­ló­gica em Ponte-Areias, ex­plica que a cer­ti­fi­ca­çom do Craega tem van­ta­gens quanto “à co­mer­ci­a­li­za­çom em ca­nais lon­gos, me­di­ante dis­tri­bui­do­ras ou fora do ám­bito lo­cal”, mas as­si­nala tam­bém como des­van­ta­gens deste mo­delo de cer­ti­fi­ca­çom que “os meios de prova som so­bre­todo do­cu­men­tais, está bas­tante bu­ro­cra­ti­zado, há cus­tos em tempo e di­nheiro, e só se te­nhem em conta cri­té­rios es­tri­ta­mente téc­ni­cos, mas som ig­no­ra­das ou­tras va­riá­veis só­cio-eco­nó­mi­cas e ge­o­grá­fi­cas”.

Pola sua banda, o se­cre­tá­rio do Craega Fernando García Lozano jus­ti­fica que to­dos os re­qui­si­tos exi­gi­dos por este or­ga­nismo cons­tam no re­gu­la­mento eu­ro­peu e que se pres­cre­vem “os mes­mos re­qui­si­tos para umha ex­plo­ra­çom de 500m2 que para umha de 5000m2”. Porém, en­tende que para umha ex­plo­ra­çom pe­quena este tra­ba­lho de re­gisto e de ga­bi­nete nom é sim­ples. “Para umha em­presa grande”, diz García Lozano, “que conta com mais pes­soal, é mais do­ado ter um li­vro de ex­plo­ra­çom. Para as gran­des em­pre­sas o eco­ló­gico é tra­tado como mais umha li­nha na sua pro­du­çom e já te­nhem ou­tros sis­te­mas de ras­tre­a­bi­li­dade na sua pro­du­çom con­ven­ci­o­nal”.

O emprego das palavras 'orgánico', 'biológico' e 'ecológico' (ou as abreviaturas 'bio' e 'eco') está regulado pola normativa europeia

Destarte, som as pe­que­nas ex­plo­ra­çons, sus­ten­ta­das por umha ou duas pes­soas,  que en­fren­tam mais di­fi­cul­da­des para abrir um ni­cho nesse mer­cado eco­ló­gico, por nom dis­po­rem por ve­zes de ca­pa­ci­dade de tra­ba­lho su­fi­ci­ente para sa­tis­fa­zer as ne­ces­si­da­des da ex­plo­ra­çom e os re­qui­si­tos da cer­ti­fi­ca­çom ofi­cial. Dificuldade acres­cen­tada som as pró­prias quo­tas de cer­ti­fi­ca­çom, que se es­ta­be­le­cem em ra­zom do ta­ma­nho da ex­plo­ra­çom e que vam, no sec­tor de pro­du­çom ve­geta, a par­tir de 60 eu­ros, para ex­plo­ra­çons me­no­res de 1 hec­tare, a 205 eu­ros, se som mai­o­res de 30 hec­ta­res. Mas du­rante os pri­mei­ros cinco anos de cer­ti­fi­ca­çom, o Craega ofe­rece umha ajuda que co­bre essa quota pola pres­ta­çom de ser­vi­ços de con­trole e cer­ti­fi­ca­çom.

Palavras re­gis­ta­das
A cer­ti­fi­ca­çom do Craega é a única forma tam­bém para po­der co­mer­ci­a­li­zar na Galiza em­pre­gando o termo ‘eco­ló­gico’. O em­prego das pa­la­vras ‘or­gá­nico’, ‘bi­o­ló­gico’ e ‘eco­ló­gico’ (ou as suas abre­vi­a­tu­ras ‘bio’ e ‘eco’) está re­gu­lado polo ar­tigo 23º da nor­ma­tiva 834/2007, o qual en­tende es­tas pa­la­vras como ga­ran­tia de apli­ca­çom do re­gu­la­mento na ro­tu­la­gem dos pro­du­tos. Esta re­a­li­dade é cri­ti­cada por produtora/es que em­pre­gam as téc­ni­cas pró­prias da agri­cul­tura eco­ló­gica mas que de­ci­di­ram nom ade­rir ao Craega. Assim, de­nun­ciá­rom-se ca­sos de ex­plo­ra­çons agrí­co­las que ti­vé­rom que re­ti­rar o termo ‘eco­ló­gico’ dos seus blo­gues e re­des so­ci­ais, de­pois de se­rem ad­ver­ti­das polo Craega de pos­sí­veis mul­tas, se nom o fi­gês­sem.

 

Convencional e ecológico: realidades paralelas

Ao ana­li­sar as es­ta­tís­ti­cas do vo­lume de ne­gó­cios cer­ti­fi­cado polo Craega, o se­cre­tá­rio deste or­ga­nismo sa­li­enta que “as re­a­li­da­des em agri­cul­tura con­ven­ci­o­nal e eco­ló­gica som mui se­me­lhan­tes”. “Aqui é em­ba­lado mais de 50% do leite eco­ló­gico de todo o Estado es­pa­nhol”, as­si­nala García Lozano, “nom há ca­pa­ci­dade por parte das ga­le­gas para as­su­mir toda essa pro­du­çom. Com a cas­ta­nha passa-se algo se­me­lhante”. Assim, 50% da pro­du­çom cer­ti­fi­cada polo Craega é ex­por­tada.

Se bo­ta­mos um olho aos 20.306,36 hec­ta­res cer­ti­fi­ca­dos em 2015, que re­pre­sen­tam ape­nas um 3,1% do to­tal da su­per­fí­cie agrá­ria uti­li­zá­vel ga­lega, ve­mos que 53,8% desta ex­ten­som som pas­tos e pra­da­rias per­ma­nen­tes e um 25,7% é ter­reno flo­res­tal com carga pe­cuá­ria e/ou apí­cola, o que in­dica umha pre­va­lên­cia do sec­tor pe­cuá­rio. Do resto de ter­reno cer­ti­fi­cado, um 7,2% está de­di­cado à co­lheita de cas­ta­nha e ou­tro tanto é ter­reno flo­res­tal sem uso pe­cuá­rio. Os pro­du­tos com maior vo­lume de ne­gó­cio som os pro­du­tos lác­teos, as car­nes e de­ri­va­dos, as con­ser­vas de peixe e o ali­mento para gado, no­tando-se a emer­gên­cia de pro­du­tos como o azeite, as con­ser­vas ve­ge­tais ou os pro­du­tos apí­co­las.

 

Sistemas participativos de garantia: cultivando a participaçom

Os Sistemas Participativos de Garantia (SPG) som um mo­delo de umha grande va­ri­e­dade na prá­tica e aberto às di­ná­mi­cas do lu­gar em que se de­sen­volve. A Federaçom Internacional de Movientos Agroecológicos (Ifoam), or­ga­nismo que nas­ceu na Europa dos 70 e que en­globa cen­tos de ini­ci­a­ti­vas agro­e­co­ló­gi­cas a ní­vel in­ter­na­ci­o­nal, de­fi­nia em 2008 as­sim os SPG: “Os SPG som sis­te­mas de ga­ran­tia de qua­li­dade que ope­ram a ní­vel lo­cal. Certificam pro­du­to­res to­mando como base a par­ti­ci­pa­çom ativa dos ato­res e se cons­truem a par­tir da con­fi­ança, as re­des so­ci­ais e o in­ter­cám­bio de co­nhe­ci­mento”.

O Ifoam, de­pois de ana­li­sar di­ver­sos SPG de todo o mundo, de­fi­niu seis pon­tos co­muns: umha vi­som com­par­tida en­tre to­das as in­te­gran­tes, a par­ti­ci­pa­çom de pro­du­to­ras e con­su­mi­do­ras, a con­fi­ança como base e ob­je­tivo, a trans­pa­rên­cia como base para essa con­fi­ança, umha re­vi­som ex­terna re­a­li­zada por pa­res e o pro­cesso de apren­di­za­gem que su­póm a troca de sa­be­res e co­nhe­ci­men­tos. Assim, os SPGs es­ta­riam pre­sen­tes em três es­pa­ços: no pro­du­tivo, pro­mo­vendo um ma­nejo agro­e­co­ló­gico; no eco­nó­mico, com a aposta em ca­nais cur­tos de co­mer­ci­a­li­za­çom, e no só­cio-cul­tu­ral, com a ci­tada troca de sa­be­res.

Os SPG apa­re­cem nos anos 70, quando agroma um mo­vi­mento so­cial a ní­vel eu­ro­peu pola pro­du­çom de ali­men­tos com mé­to­dos res­pei­to­sos com o am­bi­ente e a saúde. Este mo­vi­mento surge como res­posta às con­sequên­cias das po­lí­ti­cas agrá­rias ba­se­a­das na tec­ni­fi­ca­çom e a in­ten­si­fi­ca­çom da pro­du­çom, as­sim como na ex­ten­som do em­prego de pes­ti­ci­das. Este mo­vi­mento en­ten­derá o pro­cesso de cer­ti­fi­ca­çom como um pro­cesso par­ti­ci­pa­tivo e apa­re­cem ex­pe­ri­ên­cias de cer­ti­fi­ca­çom como a da fran­cesa Nature et Progrès. Na dé­cada de 80, a ad­mi­nis­tra­çom fran­cesa re­co­nhece ofi­ci­al­mente as nor­mas desta or­ga­ni­za­çom como o pa­drom para a agri­cul­tura bi­o­ló­gica neste es­tado, co­me­çando as­sim o pro­cesso re­gu­la­men­ta­dor que logo se es­ten­derá à le­gis­la­çom eu­ro­peia.

Já nos anos 2000 apa­re­cer a fi­gura dos SPG, es­pe­ci­al­mente na América do Sul, com o ob­je­tivo de apoiar as pe­que­nas e mé­dias pro­du­çons no mer­cado in­terno, pois o emer­gente mer­cado bi­o­ló­gico es­tava a se­guir as di­ná­mi­cas ex­por­ta­do­ras e re­pro­du­zindo a bre­cha Norte-Sul. Em 2004, um se­mi­ná­rio que de­cor­reu no Rio Grande do Sul é o iní­cio de um mo­vi­mento a ní­vel in­ter­na­ci­o­nal.

O Ifoam atu­a­liza um mapa em que se re­co­lhem as SPG’s de todo o mundo. Em 2015 este mapa re­fere ini­ci­a­ti­vas em 72 Estados dos cinco con­ti­nen­tes e quan­ti­fica em 109.317 as pro­du­to­ras que es­tám a par­ti­ci­par num SPG.

 

 

A Gavela

Após um pro­cesso de de­bate e re­fle­xom, nas­cia em ou­tu­bro de 2015 o pri­meiro Sistema de Garantia Participativo da Galiza: A Gavela. Sob este selo reú­nem-se pro­du­to­ras e con­su­mi­do­ras do su­do­este do País, do Morraço ao Baixo Minho e a Paradanta. Esta zona ti­nha grande po­ten­cial para de­sen­vol­ver umha ex­pe­ri­ên­cia deste tipo de­vido ao seu alto ní­vel de pro­du­çom bi­o­ló­gica nom cer­ti­fi­cada polo Craega.

Há mais de dous anos a Cooperativa Árbore, em Vigo, lan­çava umha con­vo­ca­tó­ria en­tre as pro­du­to­ras do su­do­este da Galiza para es­tu­dar a pos­si­bi­li­dade de for­mar um SPG. Nesta zona, ade­mais da pre­sença ativa des­tas ex­plo­ra­çons, exis­tem ou­tras va­riá­veis que aju­dá­rom a es­pa­lhar a cons­ci­ên­cia agro­e­co­ló­gica, como por exem­plo os Congressos de Agroecologia or­ga­ni­za­dos polo Grupo de Investigaçom em Economia Ecológica e Agroeocológica da Universidade de Vigo, atra­vés dos que houve con­tato com ini­ci­a­ti­vas como a Rede Ecovida de Agroeocologia do Brasil.

A Gavela reúne atu­al­mente um to­tal de 16 ex­plo­ra­çons, fun­da­men­tal­mente hor­tí­co­las e fru­tí­co­las, mas tam­bém gru­pos de con­sumo e pe­que­nos co­mér­cios, como a pró­pria Árbore em Vigo. Para to­dos es­tes se­to­res exis­tem uns cri­té­rios obri­ga­tó­rios e va­lo­rá­veis. Entre os cri­té­rios obri­ga­tó­rios para as pro­du­çons en­con­tram-se a proi­bi­çom de tra­ba­lhar com pro­du­tos de sín­tese quí­mica, a con­ser­va­çom da fer­ti­li­dade da terra, a pre­fe­rên­cia pola venda di­reta e lo­cal e o apoio mú­tuo en­tre as in­te­gran­tes. Neste sis­tema, as vi­si­tas de cer­ti­fi­ca­çom fam-as pro­du­to­ras e con­su­mi­do­ras par­ti­ci­pan­tes do SPG.

Transformaçom e apoio
Onde mais ên­fase po­nhem as pes­soas que par­ti­ci­pam da Gavela é em que se trata de umha fer­ra­menta para a trans­for­ma­çom so­cial e que pro­cura re­es­ta­be­le­cer la­ços no ru­ral. Belén Fervenza, da Horta do Cadaval, as­se­gura que “este tipo de cer­ti­fi­ca­çom nos em­po­dera, dig­ni­fica o nosso tra­ba­lho” e que na sua ex­plo­ra­çom op­tá­rom por nom en­trar no Craega por duas ra­zons: “umha é que nunca nos fijo falta. Fazemos venda di­reta e já o pró­prio con­tato é umha forma de cer­ti­fi­ca­çom”; e ou­tra por que “a cer­ti­fi­ca­çom do Craega nom é o mo­delo de so­ci­e­dade que que­re­mos”. Fervenza sa­li­enta que “o SPG quer fa­ci­li­tar que as pes­soas po­dam vi­ver da pro­du­çom, para o que tam­bém é im­por­tante a posta em an­da­mento e o bom fun­ci­o­na­mento de mer­ca­dos de pro­xi­mi­dade”.

Para Ugio Caamanho, da Veiga no Palheiro, “um SPG é umha grande reu­niom de to­dos os elos da ca­deia ali­men­tar. Para a fi­lo­so­fia que há de­trás, é im­por­tante que os cri­té­rios da boa pro­du­çom nom se­jam de­ter­mi­na­dos por ins­tán­cias alheias como o Parlamento Europeu, mas tam­bém nom uni­la­te­ral­mente po­los pro­du­to­res, se­nom que se­jam fruito de um de­bate e um acordo en­tre to­das as par­tes”. Caamanho in­dica tam­bém que es­tám a sair ini­ci­a­ti­vas de apoio mú­tuo em todo este “caldo de cul­tura” como a cri­a­çom de um “grupo de what­sapp que fun­ci­ona como fo­rum de as­ses­so­ra­mento e como cen­tral de com­pras, para se­men­tes por exem­plo. E tam­bém se cons­ti­tuiu umha co­o­pe­ra­tiva que per­mita que aque­les pro­du­to­res que de­se­jam co­ti­zar à se­gu­rança so­cial po­dam fazê-lo”.

 

 

Mercados para unir pequenas exploraçons

Auto-or­ga­ni­za­dos por pro­du­to­ras e con­so­mi­do­ras es­tám a apa­re­cer di­ver­sos mer­ca­dos de pro­xi­mi­dade pe­rió­di­cos polo País, que es­tám a do­tar de pre­sença e de­manda às pe­que­nas ex­plo­ra­çons. Assinalam-se en­tre es­tas ini­ci­a­ti­vas os Encontros de Consumo Reponsável Entre Lusco e Fusco em Compostela, o Mercado da Terra em Lugo ou, o mais re­cente, or­ga­ni­zado por Labrega Natura no mer­cado de Santo Agostinho na Corunha.

Mauro Alvarez, pro­du­tor da Ecolleita, tem a sua ex­plo­ra­çom em Culheredo e conta que a ini­ci­a­tiva do mer­cado na Corunha nas­ceu “pro­mo­vido pola as­so­ci­a­çom Labrega Natura, na sequên­cia de um curso que deu o SLG em Betanços. Há umhas 30 pes­soas as­so­ci­a­das, ainda que na fei­ri­nha par­ti­ci­pam oito pos­tos”. A ini­ci­a­tiva nom deu pros­pe­rado até que mu­dou o go­verno mu­ni­ci­pal e a nova cor­po­ra­çom lhes deu es­paço no pri­meiro an­dar do mer­cado de Santo Agostinho. Entre os seus ob­je­ti­vos está tam­bém a cri­a­çom dum SPG. “Criamos um grupo de tra­ba­lho e es­ta­mos em con­tato com a gente da Gavela”, ex­plica Mauro. “Para nós, o SPG é umha ne­ces­si­dade para as pe­que­nas pro­du­to­ras”.

Mais avan­çada en­con­tra-se a cri­a­çom de um SPG em Lugo, li­gado às pes­soas que pro­mo­vem o Mercado da Terra. Dora Cabaleiro, que tem a sua ex­plo­ra­çom Ernes (Negueira de Moniz) e par­ti­cipa no Mercado da Terra, ex­plica que o fun­ci­o­na­mento deste é as­sem­blear e que na to­mada de de­ci­sons par­ti­ci­pam con­su­mi­do­ras e pro­du­to­ras. Também neste mer­cado está a pro­mo­ver-se um SPG. “Contamos com um sis­tema par­ti­ci­pa­tivo de ga­ran­tia e cer­ti­fi­ca­mos os pro­du­tos fa­zendo vi­si­tas às ex­plo­ra­çons que for­mam parte do mer­cado”, ex­plica Cabaleiro. “A es­sas vi­si­tas as­siste umha equipa com­posta por umha pro­du­tora, umha con­su­mi­dora e umha téc­nica. Proximamente fa­re­mos umha ava­li­a­çom e apre­sen­ta­re­mos pu­bli­ca­mente o SPG”, diz ainda Cabaleiro, quem in­dica como re­fe­rente a Nature et Progrès, que ti­vé­rom a opor­tu­ni­dade de con­ta­tar atra­vés de umhas jor­na­das or­ga­ni­za­das polo SLG.

 

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