Periódico galego de informaçom crítica

O que entendemos por justiça?

por
alex ro­za­dos

O apelo à jus­tiça e à igual­dade é umha das prin­ci­pais rei­vin­di­ca­çons e ob­je­ti­vos da es­querda e dos mo­vi­men­tos so­ci­ais ao longo da sua his­tó­ria. Mas, do que se fala quando fa­la­mos de jus­tiça?

A jus­tiça es­ta­be­lece o marco mo­ral e o có­digo de con­duta dumha so­ci­e­dade, e este có­digo con­verte-se em lei atra­vés do exer­cí­cio do po­der. O po­der ju­di­cial fun­ci­ona quando há re­la­tivo con­senso no seu re­co­nhe­ci­mento so­cial, sendo o en­car­re­gado do cum­pri­mento de leis, ou an­tes bem, de jul­gar e pe­nar polo seu in­cum­pri­mento. Resulta com­plexo dar umha de­fi­ni­çom de jus­tiça, como re­co­nhece a ad­vo­gada Julia Álvarez Martín “é umha pa­la­vra que en­globa por um lado a jus­tiça en­ten­dida como le­ga­li­dade e, por ou­tro, a jus­tiça en­ten­dida como equi­dade ou como con­junto de va­lo­res que de­vem ins­pi­rar a umha so­ci­e­dade, o que pro­voca que em mui­tas oca­si­ons os dous sig­ni­fi­ca­dos da pa­la­vra jus­tiça se­jam con­tra­di­tó­rios”.
Assim, há di­fe­ren­tes jus­ti­ças se­gundo a co­mu­ni­dade ou es­paço po­lí­tico-ide­o­ló­gico, como acon­tece em po­vos ori­gi­ná­rios de di­fe­ren­tes la­ti­tu­des que con­se­guem ge­rir a sua jus­tiça à mar­gem da in­ter­ven­çom es­ta­tal, em parte tam­bém nas re­li­gi­ons, e ainda duns es­ta­dos para ou­tros.
Na es­querda e nos mo­vi­men­tos so­ci­ais joga-se num equi­lí­brio en­tre o re­co­nhe­ci­mento do marco ju­rí­dico-po­lí­tico vi­gente e as es­tra­té­gias para a sua su­pe­ra­çom. Neste sen­tido, a maior parte dos lo­gros que su­po­nhem ga­ran­tias ju­rí­di­cas som fruto de du­ras e im­por­tan­tes lui­tas po­pu­la­res.

Na es­querda e nos mo­vi­men­tos so­ci­ais joga-se num equi­lí­brio en­tre o re­co­nhe­ci­mento do marco ju­rí­dico-po­lí­tico vi­gente e as es­tra­té­gias para a sua su­pe­ra­çom

Na prá­tica a lei aca­tam-na mo­vi­men­tos po­pu­la­res e or­ga­ni­za­çons po­lí­ti­cas, em maior ou me­nor grau em fun­çom de mui­tas va­riá­veis. Nos mo­vi­men­tos so­ci­ais, da­quela, fam-se equi­lí­brios en­tre o re­co­nhe­ci­mento e o re­chaço à le­ga­li­dade do marco es­ta­tal vi­gente. Graças a ins­ti­tui­çons como o sis­tema edu­ca­tivo e os meios de co­mu­ni­ca­çom, di­funde-se a le­gi­ti­mi­dade do le­gal, como marco de norma e, por­tanto, como re­fe­rên­cia de va­lo­res, com mais ou me­nos dis­tân­cias. Para a ad­vo­gada e ati­vista Sandra Garrido: “há umha par­ti­lha de va­lo­res en­tre a le­gis­la­çom e a so­ci­e­dade. Nós vi­ve­mos num he­te­ro­pa­tri­ar­cado, le­gal e so­ci­al­mente”.

A si­tu­a­çom das mu­lhe­res
Fazendo um ache­ga­mento es­pe­cí­fico à si­tu­a­çom das mu­lhe­res, se­gundo os da­dos pu­bli­ca­dos polo Conselho de Europa em 2017, umha de cada três na Uniom Europeia foi ví­tima de vi­o­lên­cia fí­sica ou se­xual a par­tir dos 15 anos. E ou­tro terço so­freu vi­o­lên­cia fí­sica ou se­xual por parte de um ho­mem adulto du­rante a in­fân­cia. Umha de cada vinte mu­lhe­res foi vi­o­lada e mais da me­tade (55%) so­fre­mos acosso se­xual. Umha de cada três so­freu abuso psi­co­ló­gico por parte da pa­re­lha.

Socialmente nom se con­si­dera ter­ro­rismo o ter­ro­rismo ma­chista, por­que o sis­tema de va­lo­res nor­ma­li­zou a hi­e­rar­quia e opres­som das mu­lhe­res: “Se o 20% das as­sas­si­na­das no Estado no que vai de 2019 apre­sen­tas­sem de­nún­cia… O que fijo o Estado para pro­tegê-las?” per­gunta a ati­vista fe­mi­nista e psi­qui­a­tra Lola Ferreiro. Lembremos, ade­mais, que a in­ter­po­si­çom de de­nún­cia nos jul­ga­dos é con­di­çom obri­ga­tó­ria para ter acesso a de­ter­mi­na­dos ser­vi­ços de pro­te­çom, como as ca­sas de aco­lhida. Ainda as­sim, há ca­rên­cias es­tru­tu­rais que de­sa­cre­di­tam a de­nún­cia nos jul­ga­dos como fer­ra­menta para o apoio às mu­lhe­res, em par­ti­cu­lar às mais vul­ne­rá­veis; lem­bra de novo Sandra Garrido: “se és umha mu­lher com in­ca­pa­ci­dade nom vás ace­der a umha casa de aco­lhida, se és umha mu­lher com do­ença men­tal tam­pouco, se és umha mu­lher com cir­cuns­tân­cias es­pe­ci­ais, por exem­plo, que te­nhas umha to­xi­co­de­pen­dên­cia. Nom te vam pôr um re­curso ainda que es­te­jas em risco de morte imi­nente. Isto é as­sim.”

Segundo os da­dos pu­bli­ca­dos polo Conselho de Europa em 2017, umha de cada três mu­lhe­res na Uniom Europeia foi ví­tima de vi­o­lên­cia fí­sica ou se­xual a par­tir dos 15 anos.

Sandra Garrido é ro­tunda ao de­nun­ciar a dis­cri­mi­na­çom da mu­lher no sis­tema ju­rí­dico es­pa­nhol: “No Estado es­pa­nhol nom está mal visto que se agrida umha mu­lher. Nom se vai con­si­de­rar de­lito que umha mu­lher saia cor­rer e um ho­mem a siga todo o tra­jeto, to­dos os dias, mi­rando-lhe o cu. Nom se en­tende como ame­aça, e esse de­lito já existe, nom se en­tende como co­a­çom, nom se en­tende como um ata­que aos di­rei­tos fun­da­men­tais…. Quanto to­dos es­ses de­li­tos já exis­tem. Portanto nom há que pe­na­li­zar mais, só há que in­ter­pre­tar-se em fa­vor da de­fesa da mu­lher, e con­tra um mal­tra­ta­dor, um acos­sa­dor ou um vi­o­la­dor.”
A de­manda nom é pe­dir um trato es­pe­cial para os ca­sos de vi­o­lên­cias ma­chis­tas, mas que se dê o mesmo trato que quando os que so­frem o de­lito som ho­mens. Segue Sandra Garrido: “Por que a pro­clama de ‘eu si te creo’ tem essa força? Porque nom acre­di­tam em nós, e mesmo nós mes­mas às ve­zes nem acre­di­ta­mos, en­si­ná­rom-nos a du­vi­dar. Quando al­guém de­nun­cia um roubo, em prin­cí­pio, acre­dita-se. No caso de agres­sons con­tra as mu­lhe­res, a posta em dú­vida é para a ví­tima”.
Hoje existe um sis­tema es­pe­cí­fico do mi­nis­té­rio do Interior, o “vi­o­gen”, para tra­tar ca­sos re­la­ci­o­na­dos com vi­o­lên­cia de gé­nero, mas sem atri­bui­çom con­cre­tas, e so­bre­todo, sem for­ma­çom es­pe­cí­fica nem res­pon­sá­veis fe­mi­nis­tas. Explica Sandra Garrido que: “dam cur­sos de oito ho­ras a ca­ra­bi­nei­ros, e es­tes pseudo-pro­fis­si­o­nais pre­ten­dem aten­der mu­lhe­res ví­ti­mas de vi­o­lên­cia de gé­nero? De aí que haja mu­lhe­res as­sas­si­na­das que fô­rom a co­mis­sa­ria e nom fô­rom aten­di­das, nom acre­di­tá­rom ne­las e nom se des­pre­gou nem a mí­nima pro­te­çom. Mas isto acon­tece com a po­lí­cia, acon­tece com os juí­zes, acon­tece com os fis­cais e acon­tece com to­dos os es­ta­men­tos.”

Sandra Garrido: “Quando al­guém de­nun­cia um roubo, em prin­cí­pio, acre­dita-se. No caso de agres­sons con­tra as mu­lhe­res, a posta em dú­vida é para a ví­tima”

Cumpre des­ta­car que para além dos cor­pos de se­gu­rança do Estado, a mai­o­ria dos ser­vi­ços so­ci­ais, in­clu­sive pes­soal res­pon­sá­vel dos Centro de Informaçom à Mulher mu­ni­ci­pais ou dos Centros de Orientaçom Familiar, há umha falta de for­ma­çom em gé­nero muito ele­vada, so­mada ao des­leixo e falta de fis­ca­li­za­çom da ati­vi­dade deste fun­ci­o­na­ri­ado. Recentemente a ‘Unión de Muchachas de Boiro’ de­nun­ci­ava um obra­doiro de au­to­de­fesa para mu­lhe­res le­ci­o­nado pola po­lí­cia, di­fun­dido polo CIM do mesmo mu­ni­cí­pio, em que as di­cas ofe­re­ci­das eram de cul­pa­bi­li­za­çom e re­pre­ga­mento das mu­lhe­res cara ao pri­vado. Seguindo a cul­tura da vi­o­la­çom em que som as mu­lhe­res quem se te­nhem que pro­te­ger, como des­creve Lola Ferreiro: “a chave pa­tri­ar­cal é: mais me­di­das re­pres­si­vas con­tra os agres­so­res e, no­me­a­da­mente, mais re­pres­som so­cial para as ne­nas e as mu­lhe­res, às quais se ‘con­vida’ a nom sai­rem a cer­tas ho­ras, a nom fre­quen­ta­rem cer­tos lu­ga­res, a nom usa­rem de­ter­mi­nada in­du­men­tá­ria… en­fim, a volta ao pri­vado. Portanto, nom é só me­ter medo para jus­ti­fi­car me­di­das re­pres­si­vas pe­nais, mas tam­bém para ar­re­dar as mu­lhe­res do es­paço pú­blico ou, quando me­nos, para nos li­mi­tar o acesso.”

jui­zes do CGPJ e do tri­bu­nal su­premo es­pa­nhol

O Convénio de Istambul, tu­ruru
Este Convénio do Conselho de Europa so­bre “pre­ven­çom e luita con­tra a vi­o­lên­cia con­tra as mu­lhe­res e a vi­o­lên­cia do­més­tica” foi apre­sen­tado em 2011 e ra­ti­fi­cado polo Estado es­pa­nhol em 2014. A dia de hoje foi as­si­nado por 46 Estados e ra­ti­fi­cado por 34. Nele es­ta­be­lece-se que a vi­o­lên­cia de gé­nero é a exer­cida con­tra as mu­lhe­res polo facto de o se­rem. Isto quer di­zer que obriga os Estados a adap­ta­rem os seus sis­te­mas ju­rí­di­cos, mas no Estado es­pa­nhol ainda nom acon­te­ceu. “Por que se se­gue a con­si­de­rar que o as­sas­si­nato de umha mu­lher só é vi­o­lên­cia ma­chista se o co­me­teu a sua pa­re­lha ou ex-pa­re­lha, ainda es­tando no Pacto de Estado que as mu­lhe­res as­sas­si­na­das, ou agre­di­das, som-no por vi­o­lên­cia ma­chista, in­de­pen­den­te­mente do vín­culo que ti­ves­sem com o as­sas­sino?”, per­gunta-se Lola Ferreiro, as­si­na­lando umha das ei­vas que me­lhor de­fi­nem umha le­gis­la­çom que se ma­qui­lha de li­lás com um Pacto de Estado con­tra a Violência de Género que nom cum­pre. E mesmo den­tro do li­mi­tado deste côm­puto, desde 2013 a ní­vel es­ta­tal vam mais de 1000 as­sas­si­na­das. Que co­le­tivo cri­mi­nal ou banda ar­mada acu­mula tal ci­fra? Um dos pou­cos avan­ços, para a ad­vo­gada Sandra Garrido, foi “a con­si­de­ra­çom em 2015 das cri­an­ças como ví­ti­mas de vi­o­lên­cia de gé­nero, e que poi­dam acu­dir a um psi­qui­a­tra para tra­ta­mento sem a au­to­ri­za­çom do pai mal­tra­ta­dor.”

Por que se se­gue a con­si­de­rar que o as­sas­si­nato de umha mu­lher só é vi­o­lên­cia ma­chista se o co­me­teu a sua pa­re­lha ou ex-pa­re­lha, ainda es­tando no Pacto de Estado que as mu­lhe­res as­sas­si­na­das, ou agre­di­das, som-no por vi­o­lên­cia ma­chista, in­de­pen­den­te­mente do vín­culo que ti­ves­sem com o as­sas­sino?”, per­gunta-se Lola Ferreiro.

No re­fe­rido à vi­o­lên­cia se­xual, o con­vé­nio de Istambul es­ta­be­lece que “o con­sen­ti­mento deve pres­tar-se vo­lun­ta­ri­a­mente como ma­ni­fes­ta­çom de li­vre ar­bí­trio da pes­soa con­si­de­rado no con­texto das con­di­çons cir­cun­dan­tes”. Mas a re­cente e co­nhe­cida sen­tença “da Manada” onde se re­duz a “abu­sos se­xu­ais” após umha vi­o­la­çom em grupo por parte de cinco ho­mens con­tra unha mu­lher de 18 anos nos Sam Fermins vem pôr de ma­ni­festo que a as­si­na­tura deste con­vé­nio nom está a ter apli­ca­bi­li­dade real. No texto da sen­tença de­sen­volve-se que a ví­tima “sin­tió un in­tenso ago­bio y de­sa­so­si­ego, que le pro­dujo es­tu­por y le hizo adop­tar una ac­ti­tud de so­me­ti­mi­ento y pa­si­vi­dad, de­ter­mi­nán­dole a ha­cer lo que los pro­ce­sa­dos le de­cían que hi­ci­era, man­te­ni­endo la mayor parte del ti­empo los ojos cer­ra­dos”, e que foi “uti­li­zada como um mero ob­jeto” e re­co­lhem que se es­cui­tam gri­tos de dor em vá­rias oca­si­ons, po­rém con­cluem que “des­car­ta­mos el em­pleo por los acu­sa­dos de vi­o­len­cia o in­ti­mi­da­ción que in­te­gran el con­cepto nor­ma­tivo de agre­sión”. Assim, o mo­vi­mento fe­mi­nista vem co­lo­cando o pe­rigo da in­ter­pre­ta­çom pa­tri­ar­cal por parte dos tri­bu­nais dos con­cei­tos de vi­o­lên­cia e in­ti­mi­da­çom. Contodo neste caso, cum­pre ci­tar que no Tribunal Supremo esta sen­tença foi cor­ri­gida e re­co­nhe­cé­rom-se os fei­tos como agres­som se­xual. A chave está no olhar mais ou me­nos pa­tri­ar­cal, como es­cla­rece Sandra Garrido, na com­pa­ra­tiva de vá­rios ca­sos: “A sen­tença da Arandina ‑três fu­te­bo­lis­tas deste clube que vi­o­lá­rom umha me­nor em 2017-po­rém, está a ser um fito por­que fai finca-pé nom ape­nas na vi­o­lên­cia e in­ti­mi­da­çom mas so­bre­todo, em que ao se­rem vá­rios, cada um de­les puido ter im­pe­dido a co­mis­som do de­lito seu e dos ou­tros, as­sim que os con­dena a to­dos por to­das as vi­o­la­çons. E esta sen­tença con­vive no mesmo su­posto es­tado de di­reito com ou­tra que acaba de sair que diz que um ra­paz que “só se mas­tur­bou” en­quanto os seus ami­gos vi­o­la­vam umha ra­pa­riga tem que se ab­sol­vido. Tal é o ba­ru­lho in­ter­pre­ta­tivo que há no sis­tema ju­di­cial es­pa­nhol, por­que as leis som as mes­mas nos três ca­sos.…” Por ou­tra parte, A se­xó­loga an­da­luza Mónica Ortiz Rios ana­lisa este as­sunto num ar­tigo in­ti­tu­lado ‘La mi­rada cóm­plice y las­civa del juez’ na re­vista Pikara e con­clui, ade­mais, que “a sen­tença pom de ma­ni­festo um grande des­co­nhe­ci­mento do feito se­xual hu­mano e da vi­o­lên­cia ma­chista, ao nom ver que o com­por­ta­mento des­tes cinco su­jei­tos nada tem a ver com o de­sejo se­xual, mas com de­mons­tra­çom e re­a­fir­ma­çom de do­mí­nio.”

Julia Álvarez Marín: “A me­dida mais efi­caz nom pode es­tar nos jul­ga­dos se­nom que passa polo der­rube do sis­tema pa­tri­ar­cal”

Para a ad­vo­gada Julia Álvarez Marín a so­lu­çom prin­ci­pal nom vai vir do sis­tema ju­di­cial: “A me­dida mais efi­caz nom pode es­tar nos jul­ga­dos se­nom que passa polo der­rube do sis­tema pa­tri­ar­cal, mas den­tro deste sis­tema, a pri­meira ne­ces­si­dade para as so­bre­vi­ven­tes da vi­o­lên­cia ma­chista é po­der ter um pro­cesso pe­nal em ter­mos de se­gu­rança, cre­di­bi­li­dade, dig­ni­dade e res­peito que afasta qual­quer pos­si­bi­li­dade de so­frer vi­o­lên­cia ins­ti­tu­ci­o­nal, pos­si­bi­li­tando um ver­da­deiro acesso à jus­tiça”.

A cul­tura do cas­tigo
A ló­gica pa­tri­ar­cal ali­cerça-se no abuso e no pu­ni­ti­vismo, usando-se o cas­tigo como prá­tica “cor­re­tiva”, e nor­ma­liza a vi­o­lên­cia psi­co­ló­gica, a chan­ta­gem, e até os gol­pes, desde a in­fân­cia e em con­tex­tos fa­mi­li­a­res. Estas prá­ti­cas som to­le­ra­das pola mai­o­ria so­cial e até por umha parte im­por­tante da es­querda que tira ferro a isto, entendendo‑o como tra­di­ci­o­nal e nom da­ni­nho. Mas o ní­vel do da­ni­nho é mui ques­ti­o­ná­vel, tendo conta a nor­ma­li­za­çom das agres­sons, o sis­tema eco­nó­mico ge­no­cida que su­por­ta­mos, a des­trui­çom do meio e até a in­gente quan­ti­dade de pro­ble­mas psi­co­ló­gi­cos e psi­quiá­tri­cos.

Manifestaçom em Vigo con­tra a sen­tença da “Manada” | gz­con­trainfo

Ao mesmo tempo que se me­di­a­ti­zam os ca­sos de vi­o­lên­cia ma­chista mais bru­tais e me­diá­ti­cos, no le­gis­la­tivo apro­veita-se para a apro­va­çom de le­gis­la­çom mais pu­ni­tiva, como a pri­som per­ma­nente re­vi­sá­vel, apro­vada em 2015 e apli­cá­vel para de­li­tos con­tra a li­ber­dade se­xual ou as­sas­si­nato de me­no­res de 16 anos, para o as­sas­si­nato de três pes­soas ou mais pes­soas, para ca­sos de cri­mes con­si­de­ra­dos de lesa hu­ma­ni­dade, e tam­bém para caso do as­sas­si­nato do rei de Espanha, o as­sas­si­nato dum ou­tro chefe de Estado que se en­con­tre no Estado es­pa­nhol, ou bem para os as­sas­si­na­tos co­me­ti­dos por or­ga­ni­za­çons con­si­de­ra­das cri­mi­no­sas ou ter­ro­ris­tas.

Lucia Barros: “O pu­ni­ti­vismo cas­tiga as pes­soas con­si­de­rando o de­lito como algo ex­clu­si­va­mente in­di­vi­dual e nom se ocupa das cau­sas nem das con­di­çons que con­for­mam um con­flito. O sis­tema pe­nal e pe­ni­ten­ciá­rio re­pro­duz as ló­gi­cas de do­mi­na­çom e vi­o­lên­cia pa­tri­ar­cais.”

Sobre os ris­cos da cul­tura do cas­tigo re­flete a ati­vista do ob­ser­va­tó­rio po­los di­rei­tos e li­ber­da­des, Esculca, Lucia Barros: “O pu­ni­ti­vismo cas­tiga as pes­soas con­si­de­rando o de­lito como algo ex­clu­si­va­mente in­di­vi­dual e nom se ocupa das cau­sas nem das con­di­çons que con­for­mam um con­flito. O sis­tema pe­nal e pe­ni­ten­ciá­rio re­pro­duz as ló­gi­cas de do­mi­na­çom e vi­o­lên­cia pa­tri­ar­cais.” Ademais, lem­bra que o risco de acei­tar de­ter­mi­na­das fór­mu­las le­gais para uns ca­sos, abre a veda a se­rem de­pois uti­li­za­das para ou­tros: “O Poder, pa­tri­ar­cal, dis­pom da ar­ti­lha­ria le­gal e bu­ro­crá­tica com que cas­ti­gar e vai de­ci­dir de forma se­le­tiva os seus ob­je­ti­vos, que es­ta­rám sem­pre en­tre as pes­soas mais vul­ne­rá­veis e aque­las que trans­gri­dem em ques­tons éti­cas ou po­lí­ti­cas.”

Julia Álvarez Marín tam­bém de­sa­cre­dita o cas­tigo como so­lu­çom e de­riva o foco para os ali­cer­ces: “Considero que se de­ve­ria in­ves­tir em açons de pre­ven­çom, re­pa­ra­çom e acom­pa­nha­mento. A ex­pe­ri­ên­cia de­mons­tra que pôr ex­clu­si­va­mente o acento no cas­tigo nem so­lu­ci­ona o con­flito, nem ajuda ao res­sar­ci­mento da ví­tima, nem evita no­vas agres­sons.”

Sandra Garrido: “Repara fa­lar, contá-lo, que lhe sirva de algo a ou­tra gente, re­pa­ram ou­tro tipo de cou­sas. Mas nom o cas­tigo, de facto mui­tas ve­zes au­toim­po­nhem-se o má­ximo cas­tigo os pró­prios agres­so­res, ao sui­ci­da­rem-se após a agres­som, mas se­gue sem se re­pa­rar o dano em ab­so­luto.”

Lola Ferreiro aponta a perda de po­der como o prin­ci­pal fa­tor mo­ti­vante: “Os agres­so­res ma­chis­tas nom te­nhem em conta as con­sequên­cias, nem pe­nais nem so­ci­ais, que vai ter para eles a sua con­duta, e isto se­ria im­pres­cin­dí­vel para dis­su­adi-los da dita agres­som. Por ou­tra parte, a in­ten­çom que rege este tipo de com­por­ta­men­tos está em re­la­çom com a ân­sia de nom per­der o po­der, de nom per­mi­tir que as mu­lhe­res nos re­vi­re­mos e se­ja­mos li­vres”. Sandra Garrido acres­centa ade­mais, pos­sí­veis vias para a re­pa­ra­çom: “Repara fa­lar, contá-lo, que lhe sirva de algo a ou­tra gente, re­pa­ram ou­tro tipo de cou­sas. Mas nom o cas­tigo, de facto mui­tas ve­zes au­toim­po­nhem-se o má­ximo cas­tigo os pró­prios agres­so­res, ao sui­ci­da­rem-se após a agres­som, mas se­gue sem se re­pa­rar o dano em ab­so­luto.”

E a au­to­ges­tom?
Nom fun­ci­ona para o nosso con­texto umha di­co­to­mia en­tre pro­ces­sos au­to­ge­ri­dos e pro­ces­sos ge­ri­dos no sis­tema ju­di­cial ins­ti­tu­ci­o­nal. E nen­gu­nha das en­tre­vis­ta­das para esta re­por­ta­gem os con­si­de­ram es­pa­ços ex­clu­den­tes neste mo­mento. Contodo, nos úl­ti­mos anos tem-se avan­çado no pro­cesso de de­sen­vol­vi­mento e es­tru­tu­ra­çom do tra­ba­lho de au­to­ges­tom das agres­sons ma­chis­tas nos mo­vi­men­tos so­ci­ais, mas com mui­tas di­fi­cul­da­des, como co­menta a fe­mi­nista Giada Barcelona: “Ninguém che vai dar me­da­lhas para ques­ti­o­nar pri­vi­lé­gios: É um tra­ba­lho duro, lento, que en­fra­quece re­la­çons, que­bra ami­za­des e cria mui­tos con­fli­tos”. Giada Barcelona com­ple­xiza a si­tu­a­çom com umha sé­rie de ques­tons cha­ves: “O que acon­tece se num de­ter­mi­nado âm­bito exis­tem fer­ra­men­tas de jus­tiça res­tau­ra­dora, como pode ser um pro­to­colo, mas nom se res­pei­tam ou acei­tam-se só ‘de fa­chada’? Quais ou­tras fer­ra­men­tas exis­tem? A vi­o­lên­cia vin­ga­tiva é umha res­posta útil e vá­lida? O que acon­tece quando nos mo­vi­men­tos so­ci­ais se uti­liza um lé­xico muito li­gado à le­gi­ti­mi­dade do uso da vi­o­lên­cia na luita po­lí­tica, mas esta vi­o­lên­cia é au­to­ri­zada só em de­ter­mi­na­dos con­tex­tos e en­tre ato­res mas­cu­li­nos?”

Giada Barcelona: “Ninguém che vai dar me­da­lhas para ques­ti­o­nar pri­vi­lé­gios: É um tra­ba­lho duro, lento, que en­fra­quece re­la­çons, que­bra ami­za­des e cria mui­tos con­fli­tos”

A alta in­ci­dên­cia de ca­sos tem des­bor­dado a as­sem­bleia con­tra as agres­sons ma­chis­tas, cri­ada em 2015 em Compostela a par­tir de um caso de agres­som num es­paço de la­zer por parte de um ati­vista, para vi­si­bi­li­zar as vi­o­lên­cias, sem gra­du­a­çons. A par­tir de aqui re­ce­bé­rom-se nu­me­ro­sas de­nún­cias, e cada caso re­quer um tra­ba­lho es­pe­cí­fico, se­guindo em par­ti­cu­lar as ne­ces­si­da­des da mu­lher agre­dida. No pas­sado ano apre­sen­tou-se um de­ta­lhado Protocolo de atu­a­çom, que insta à cri­a­çom dumha Comissom de Resposta ante as Violências Machistas (CRVM), e ofe­rece um guia de tra­ba­lho com ati­vi­da­des pre­ven­ti­vas con­cre­tas e fo­lhas de rota para a ges­tom de agres­sons. Destaca o pró­prio texto as di­fi­cul­da­des es­pe­cí­fi­cas deste âm­bito: “As vi­o­lên­cias ma­chis­tas nos mo­vi­men­tos so­ci­ais te­nhem um im­pacto du­plo nas mu­lhe­res, já que, à parte dos efei­tos que com­por­tam na saúde e no bem-es­tar, acresce a di­fi­cul­dade de tor­nar evi­dente que os agres­so­res som os pró­prios com­pa­nhei­ros de mi­li­tân­cia, tendo que des­cons­truir de­ter­mi­na­dos mi­tos como, em pri­meiro lu­gar o es­te­reó­tipo do ho­mem mal­tra­ta­dor como ho­mem vi­o­lento, em se­gundo, o mito da mu­lher ati­vista como mu­lher forte, in­de­pen­dente, se­gura e sem con­tra­di­çons… E em ter­ceiro lu­gar, rom­per com o mito da pro­vo­ca­çom, ou seja, de­sar­ti­cu­lar os ru­mo­res e juí­zos cul­pa­bi­li­za­do­res para com as mu­lhe­res quando ocor­rem si­tu­a­çons de vi­o­lên­cia: pen­sar que “se a agre­diu é por­que ela lho per­mi­tiu” ou “que se a re­la­çom era no­civa, ela tam­bém de­via ter parte de culpa”.

Manifestaçom em Vigo con­tra a sen­tença da “Manada” | gz­con­trainfo

Agressons ma­chis­tas nos mo­vi­men­tos so­ci­ais
Neste mo­mento na Galiza som vá­rios os co­le­ti­vos que es­tám a tra­ba­lhar in­ter­na­mente com o Protocolo e com o apoio, e acom­pa­nha­mento nal­guns ca­sos, de fe­mi­nis­tas li­ga­das ao pro­cesso de tra­ba­lho nele. Temos cons­tân­cia de, no mí­nimo, dous cen­tros so­ci­ais, umha or­ga­ni­za­çom po­lí­tica na­ci­o­nal e um sin­di­cato.
Segundo se ex­plica no pró­prio texto: “Dar le­gi­ti­mi­dade ao pró­prio pro­to­colo é já em si umha açom pre­ven­tiva das vi­o­lên­cias, pois im­plica co­me­çar a criar umha cul­tura de nom-to­le­rân­cia em re­la­çom a es­tas e ge­rar fer­ra­men­tas para in­ter­vir de forma pre­coce, ten­tando evi­tar as­sim um au­mento das mes­mas.”

Na Galiza som vá­rios os co­le­ti­vos que es­tám a tra­ba­lhar in­ter­na­mente com o “Protocolo con­tra as agres­sons ma­chis­tas nos mo­vi­men­tos so­ci­ais” e com o apoio, e acom­pa­nha­mento nal­guns ca­sos, de fe­mi­nis­tas li­ga­das ao pro­cesso de tra­ba­lho nele. Temos cons­tân­cia de, no mí­nimo, dous cen­tros so­ci­ais, umha or­ga­ni­za­çom po­lí­tica na­ci­o­nal e um sin­di­cato.

Centrar es­for­ços em ge­rir ca­sos de agres­sons de­ses­ta­bi­li­zou a calma mas­cu­lina, ao nom ser pres­su­posta a im­pu­ni­dade e in­vi­si­bi­li­dade com que vi­nham acon­te­cendo as vi­o­lên­cias ma­chis­tas sem “man­char” os no­mes dos mi­li­tan­tes. Ainda que a mai­o­ria con­ti­nuam, polo de agora, no si­lên­cio. Saiu par­ti­cu­lar­mente “ai­roso” o vi­o­la­dor con­fesso Saul Santim Da Branca, quem fora ativo no mo­vi­mento so­be­ra­nista em Compostela e re­ma­tara como res­pon­sá­vel da co­marca de Compostela de Compromiso por Galicia, con­de­nado em 2016 nos tri­bu­nais por vi­o­la­çom num des­ses ca­sos de prova fá­cil, com res­tos de sé­men e parte mé­dico. Porém, ilu­diu a pena de pri­som, mas dei­xou o seu ati­vismo po­lí­tico e agora mora em Lugo.
Foi mais co­nhe­cido me­di­a­ti­ca­mente o caso da acu­sa­çom con­tra Brais Borrajo, ex-se­cre­tá­rio ge­ral da or­ga­ni­za­çom ju­ve­nil Xeira, de­nun­ci­ado na pri­ma­vera de 2018, pri­meiro nas re­des so­ci­ais por acoso a vá­rias ex-ca­ma­ra­das e mais tarde nos tri­bu­nais por vi­o­la­çom. Posteriormente o pro­cesso foi ar­qui­vado no ve­rao de 2019. Este ar­quivo, que nom ab­sol­vi­çom, foi ce­le­brado como umha vi­tó­ria do su­posto agres­sor, que até ti­rou um co­mu­ni­cado ce­le­brando a “açom” da jus­tiça. Entretanto o mo­vi­mento fe­mi­nista se­gue a apoiar a de­nun­ci­ante. Aí nom houvo apro­xi­ma­çom nem es­cuita dos fe­mi­nis­mos de base, nom se­ria por­tanto viá­vel a apli­ca­çom do pro­to­colo: toda a de­fensa foi es­cu­dar-se num ar­quivo na jus­tiça ins­ti­tu­ci­o­nal.

Reproduçom da per­for­mance de Las Tesis em Vigo | gz­con­trainfo

O Estado opres­sor é um ma­cho vi­o­la­dor
Esta é umha das fra­ses da re­cente e vi­ral per­for­mance ‘Un vi­o­la­dor en tu ca­mino’ en­ce­ta­do­polo grupo fe­mi­nista Las Tesis, em Chile, e que foi re­pe­tido em nu­me­ro­sos paí­ses, tam­bémno nosso, com pe­que­nas mo­di­fi­ca­çons do texto. A açom con­siste num grupo de mu­lhe­res (em mui­tos ca­sos cen­tos) que com os olhos co­ber­tos re­ci­tam ao uní­sono en­quanto fa­zem umha co­re­o­gra­fia: El pa­tri­ar­cado es un juez/que nos juzga por nacer/ y nu­es­tro castigo/ es la­vi­o­len­cia que no ves./ El pa­tri­ar­cado es un juez/ que nos juzga por nacer/ y nu­es­tro castigo/es la vi­o­len­cia que ya ves./ Es femicidio./ Impunidad para mi asesino./ Es la desaparición./Es la vi­o­la­ción. Y la culpa no era mía, ni dónde es­taba ni cómo vestía./ Y la culpa no era­mía, ni dónde es­taba ni cómo vestía./ El vi­o­la­dor eras tú./ El vi­o­la­dor eres tú./ Son lospacos/los jueces/el Estado/ el Presidente./ El Estado opre­sor es un ma­cho violador./ El Estado opre­sor es un ma­cho violador./ El vi­o­la­dor eras tú./ El vi­o­la­dor eres tú. A cul­tura da vi­o­la­çom im­pregna to­das as pes­soas e es­ta­men­tos da so­ci­e­dade, tam­bém apró­pria con­ce­çom da se­xu­a­li­dade para as mu­lhe­res, in­vi­si­bi­li­zando ou­tras prá­ti­cas e ou­tros­mo­de­los re­la­ci­o­nais e ou­tras eró­ti­cas nom he­te­ro­nor­ma­ti­vas. Nesta mesma li­nha tem jáha­vido mais tra­ba­lhos en­tre o ar­tís­tico e o po­lí­tico nos fe­mi­nis­mos em par­ti­cu­lar desde adé­cada de 60, gru­pos como as norte-ame­ri­ca­nas WITCH, o ma­ni­festo SCUM, ou a TeoriaKing Kong vam nesta li­nha de re­pre­sen­ta­çom das mu­lhe­res na nom-ne­go­ci­a­çom, co­mo­vi­o­len­tas e ca­pa­zes de en­fren­tar os ho­mens, trata-se dum exer­cí­cio sim­bó­lico, dis­cur­sivo eper­for­má­tico que con­tri­bui a ques­ti­o­nar a hi­e­rar­quia pa­tri­ar­cal.

Manifestaçom em Ourense con­tra a sen­tença da “Manada” | ana sa­gredo

O que acon­te­ceu no Aturujo?
No pas­sado mês de ju­nho no cen­tro so­cial com­pos­te­lano CSOA Aturujo das Marias, um grupo de mu­lhe­res con­vo­cou ar­re­dor de cin­quenta ho­mens dos mo­vi­men­tos so­ci­ais que or­bi­tam Compostela a umha jun­tança para tra­tar o tema das vi­o­lên­cias ma­chis­tas, após te­rem posto em co­mum al­guns ca­sos de agres­sons por parte de com­pa­nhei­ros. Fôrom con­vo­ca­dos os acu­sa­dos, e tam­bém ou­tros sem nen­gumha acu­sa­çom con­creta, mas em qua­li­dade de ho­mens. Também con­vo­cá­rom ar­re­dor de qua­renta mu­lhe­res, para se­cun­dar e pres­tar apoio no mesmo en­con­tro, em que mui­tas nom sa­biam o que iria acon­te­cer, cuja con­signa era res­pei­tar a ex­pres­som de raiva das de­mais. A con­vo­ca­tó­ria tanto das mu­lhe­res como dos ho­mens foi di­reta, pri­vada e sem base or­gá­nica, se­nom por rede de afi­ni­da­des. Ali al­guns fô­rom as­si­na­la­dos como agres­so­res, e to­dos obri­ga­dos a as­si­na­la­rem-se en­tre si e a si pró­prios, me­di­ante a auto-in­cul­pa­çom so­bre fo­to­gra­fias de to­dos nas pa­re­des do es­paço. As mu­lhe­res ví­ti­mas das prin­ci­pais agres­sons con­cre­tas de­nun­ci­a­das nom par­ti­ci­pá­rom, e al­gumhas ti­nham pe­dido que nom se in­ter­visse nem se di­fun­dis­sem os seus ca­sos. Depois, um pe­queno grupo das con­vo­can­tes, ar­re­dor de meia dú­zia, ba­té­rom e cus­pí­rom nal­guns de­les.
Dezanove fô­rom as as­si­nan­tes dum pri­meiro co­mu­ni­cado in­ti­tu­lado ‘Declaraçom de Guerra’, en­vi­ado a umha pu­bli­ca­çom anar­quista coin­ci­dindo com a con­vo­ca­tó­ria do tal ato. Aqui, nom se uti­li­zou o Protocolo para ge­rir as agres­sons con­cre­tas e fe­mi­nis­tas crí­ti­cas com a con­vo­ca­tó­ria ape­lam a “re­vi­sar e re­vi­sar-se para que exista pos­si­bi­li­dade de mu­dança e per­mi­tir a re­pa­ra­çom do que se fixo mal, se­nom nom é umha prá­tica fe­mi­nista.”

Aqui nom se uti­li­zou o Protocolo para ge­rir as agres­sons con­cre­tas e fe­mi­nis­tas crí­ti­cas com a con­vo­ca­tó­ria ape­lam a “re­vi­sar e re­vi­sar-se para que exista pos­si­bi­li­dade de mu­dança.”


Um mês após o acon­te­cido, as par­ti­ci­pan­tes ti­rá­rom um se­gundo co­mu­ni­cado, em que ana­li­sam as re­a­çons e se in­ter­preta o re­chaço à açom por ser­­­ as mu­lhe­res a uti­li­za­rem a vi­o­lên­cia. Frente a este acon­te­ci­mento al­gumhas das vo­zes crí­ti­cas re­co­lhé­rom-se no blo­gue contraodogma.noblogs.org, onde se cri­tica “a açom e di­nâ­mi­cas to­ta­li­tá­rias es­co­lhi­das por um se­tor acrí­tico den­tro do âm­bito li­ber­tá­rio como fer­ra­men­tas nem eman­ci­pa­do­ras nem vá­li­das.”

Contodo, a mai­o­ria das fon­tes con­sul­ta­das, fe­mi­nis­tas au­tó­no­mas pró­xi­mas a este âm­bito e mesmo al­gumhas das par­ti­ci­pan­tes, coin­ci­dem em res­tar pro­ta­go­nismo ao acon­te­cido, em en­ten­der que as di­nâ­mi­cas de grupo som ab­sor­ven­tes e que cum­pre ter pre­sente o di­reito equi­vo­car-se.

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