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O TOP e a herdança franquista na justiça espanhola

por
Tribunal de Ordem Pública es­pa­nhol (TOP).

Em 2017 saiu do prelo da editorial Laiovento o trabalho de Francisco Xavier Redondo Abal ‘Arelas de Liberdade. Galegos perante o Tribunal de Orde Pública (TOPGAL, 1964–1976)’. Nele, o autor resgata os nomes das pessoas retaliadas pola sua atividade política no franquismo que passárom polos julgados do TOP e apresenta este tribunal como umha instituiçom que assentou as bases de umhas elites judiciais que permanecêrom ativas após a ditadura franquista. 

Mais de 400 ga­le­gas fô­rom de­ti­das, in­ter­ro­ga­das e pos­te­ri­or­mente pro­ces­sa­das polo Tribunal de Ordem Pública, ativo en­tre os anos 1964 e 1976. Lembrar es­tas pes­soas que lui­tá­rom con­tra a di­ta­dura é um dos mo­ti­vos que le­vou a Francisco Xabier Redondo Abal, li­cen­ci­ado em his­tó­ria e tra­ba­lha­dor na bi­bli­o­teca da USC, a es­cre­ver Arelas de Liberdade. Assim, umha das pri­mei­ras de­nún­cias que Redondo Abal emite no seu tra­ba­lho é a falta de umha in­ves­ti­ga­çom his­tó­rica so­bre as ati­vi­da­des do TOP. Fai ci­ta­çom do li­vro edi­tado em 2001, ‘El TOP, la re­pre­sión de la li­ber­tad (1963–1977)’ de Juan José del Águila, mas de­nun­cia que este tra­ba­lho “pas­sou de­sa­per­ce­bido ab­so­lu­ta­mente: nem as ins­ti­tui­çons ju­di­ci­ais nem aca­dé­mi­cas, as­sim como tam­pouco os meios de co­mu­ni­ca­çom qui­gé­rom sa­ber nada da­quele en­saio; nom houve quase apre­sen­ta­çons pú­bli­cas nem re­cen­sons ou crí­ti­cas”. Este si­lên­cio, Redondo Abal, im­puta-lho es­pe­ci­al­mente ao pro­cesso de­no­mi­nado como ‘Transición’, “umha etapa onde o es­que­ci­mento do pas­sado foi mo­eda co­mum: nom fa­lar so­bre de­ter­mi­na­dos as­sun­tos que po­de­riam in­co­mo­dar as eli­tes fran­quis­tas agora re­con­ver­ti­das em fer­vo­ro­sos democratas”. 

O au­tor co­me­çou a sua in­ves­ti­ga­çom con­tac­tando com a Fundaçom ‘Abogados de Atocha’ de Madrid, o que lhe per­mi­tiu re­co­lher in­for­ma­çom so­bre as sen­ten­ças do tri­bu­nal fran­quista. No seu tra­ba­lho fai tam­bém um es­forço por­que as lei­to­ras com­pre­en­dam o con­texto em que nas­ceu o TOP e a re­le­vân­cia deste. “Em 1959 deu iní­cio o cha­mado ‘Plan de Estabilización Económica’, um pro­jeto aus­pi­ci­ado po­los mi­nis­tros tec­no­cra­tas do fran­quismo que per­ten­ciam ao Opus Dei. Neste con­texto, en­tram en jogo no­vas ge­ra­çons nom con­ta­mi­na­das polo hor­ror, o medo e a mi­sé­ria pro­vo­ca­das pola Guerra Civil”, ex­pom Redondo Abal. A ati­vi­dade de opo­si­çom po­lí­tica des­tas no­vas ge­ra­çons fai que a con­fli­tu­a­li­dade so­cial se in­cre­mente so­bre­tudo nos âm­bi­tos la­bo­ral e es­tu­dan­til. “Ao mesmo tempo, o fran­quismo en­tende que nom pode se­guir fu­zi­lando e en­car­ce­rando pes­soas trás ce­le­brar juí­zos mi­li­ta­res su­ma­rís­si­mos. Assim nasce o TOP, umha ‘jus­tiça’ ci­vil que vem para subs­ti­tuir os an­ti­gos con­se­lhos de guerra. A ‘jus­tiça’ mi­li­tar nom de­sa­pa­re­cerá por com­pleto, mas o seu es­paço será ocu­pado por umha ju­ris­di­çom es­pe­cial ci­vil que nom le­van­tará o pé do ace­le­ra­dor re­pres­sivo. Ante o in­cre­mento da luita da opo­si­çom, o re­gime fran­quista apos­tou po­los es­ta­dos de ex­ce­çom (onze de­cla­ra­dos em 39 anos), a tor­tura nas es­qua­dras po­li­ci­ais e o TOP”, acres­centa o au­tor. Precisamente, um dos epi­só­dios em que Arelas de Liberdade co­loca o foco é na re­pres­som exer­cida du­rante mo­bi­li­za­çons ope­rá­rias no Vigo de 1972, um mo­mento ca­ra­te­ri­zado po­las tor­tu­ras em de­pen­dên­cias policiais.

Continuidade nas eli­tes judiciais

Segundo sa­li­enta este in­ves­ti­ga­dor, o facto de que o TOP fosse de ju­ris­di­çom ci­vil nom im­pli­cou umha di­mi­nui­çom das ati­vi­da­des re­pres­si­vas: “O prin­cí­pio da pre­sun­çom de ino­cên­cia per­ma­ne­ceu sem dar si­nais de vida: to­dos eram cul­pá­veis en­quanto nom de­mons­tras­sem o con­trá­rio e o tri­bu­nal sem­pre li­mi­tou o di­reito à de­fesa. Se en­tra­vas como acu­sado no TOP era nor­mal sair de ali condenado”.

Francisco Xabier Redondo Abal, au­tor de ‘Arelas de li­ber­dade. ga­le­gos pe­rante o Tribunal de Orde Pública (TOPgAl, 1964–1976)’.

Neste li­vro, Redondo Abal deixa claro tam­bém como o TOP es­ta­be­le­ceu umhas eli­tes ju­di­ci­ais que man­te­riam pos­tos de re­le­vân­cia no sis­tema ju­di­cial es­pa­nhol. Assim, ex­pom al­guns exem­plos: “O TOP con­ti­nuou tra­ba­lhando trás o ano 1977 com ou­tra de­no­mi­na­çom mas com os mes­mos in­te­gran­tes.  O pri­meiro ma­gis­trado pre­si­dente do TOP cha­mava-se Enrique Amat Casado. Este ho­mem jul­gou e sen­ten­ciou a pe­nas de cár­cere a mi­lha­res de ho­mens e mu­lhe­res que lui­ta­vam con­tra a di­ta­dura. Pois bem, em agosto de 1982 re­ma­tou a sua car­reira pro­fis­si­o­nal como ma­gis­trado do Tribunal Supremo. Um caso si­mi­lar foi o de José Garralda, juiz ins­tru­tor do TOP que tam­bém che­gou ao Supremo, ou o de José de Hijas Palacios, ou­tra fi­gura clave do TOP que re­ma­tou ju­bi­lado em 1984 após tra­ba­lhar na Sala Segunda do Supremo. Jaime Mariscal de Gante y Moreno, pai da que se­ria mi­nis­tra de Justiça co PP de Aznar, exer­ceu no TOP e foi re­com­pen­sado com um posto na Audiência Nacional. O des­ta­cá­vel é su­bli­nhar que to­dos eles per­ma­ne­cê­rom e tra­ba­lhá­rom iden­ti­fi­ca­dos to­tal­mente com a ide­o­lo­gia fran­quista”. Segundo se in­dica em Arelas de Liberdade, dez de de­zas­seis juí­zes ti­tu­la­res do TOP con­ver­te­riam-se em ma­gis­tra­dos do Tribunal Supremo ou da Audiência Nacional. 

Redondo Abal: “O TOP con­ti­nuou tra­ba­lhando trás o ano 1977 com ou­tra de­no­mi­na­çom mas com os mes­mos integrantes”

O TOP dis­sol­verá-se o 4 de ja­neiro de 1977 e ao mesmo tempo cri­ava-se a Audiência Nacional. “A AN é a fi­lha na­tu­ral e con­ti­nu­a­dora do TOP. Nom só por umha ques­tom cro­no­ló­gica, mas po­las ati­tu­des mos­tra­das numha e ou­tra: tanto no TOP fran­quista como na AN atual, os pro­ces­sos te­nhem muito a ver com as ideias, as ide­o­lo­gias, os pen­sa­men­tos…”, opina o au­tor. Chama tam­bém a aten­çom so­bre um caso que con­si­dera es­cla­re­ce­dor das se­me­lhan­ças en­tre um e ou­tro tri­bu­nal: o caso Bateragune. Neste, vá­rios in­te­gran­tes da es­querda abert­zale fô­rom jul­ga­das e con­de­na­das a pri­som pola Audiência Nacional. Em 2018 o Tribunal Europeu de Direitos Humanos sen­ten­ciou a im­par­ci­a­li­dade do tri­bu­nal, o que pro­vo­cou que re­cen­te­mente o Tribunal Supremo es­pa­nhol anu­lasse a sentença. 

Também na Audiência Nacional se ce­le­brará o jul­ga­mento con­tra as in­de­pen­den­tis­tas ga­le­gas de­ti­das no marco das Operaçons Jaro I e Jaro II, que se en­con­tram acu­sa­das de “enal­te­ci­mento do ter­ro­rismo” e “per­tença a or­ga­ni­za­çom cri­mi­nal”. Um jul­ga­mento em que tam­bém está em jogo a ile­ga­li­za­çom de or­ga­ni­za­çons como Causa Galiza e Ceivar. Redondo Abal ex­prime a sua “so­li­da­da­ri­e­dade sin­cera e ili­mi­tada” com as pes­soas jul­ga­das e sa­li­enta que “essa é umha ope­ra­çom con­tra o in­de­pen­den­tismo ga­lego, por­tanto, con­tra umhas ideias que po­dem coin­ci­dir com as tuas ou nom, mas som ideias. Esse juízo mos­tra, mais umha vez, o dé­fice de­mo­crá­tico que vive este es­tado, pois, ao meu en­ten­der, a ques­tom da ‘Operación Jaro’ tem muito a ver com um ata­que fron­tal cara a um pro­jeto po­lí­tico”. Este in­ves­ti­ga­dor de­nun­cia tam­bém o tra­ta­mento me­diá­tico ar­re­dor das de­ten­çons de in­de­pen­den­tis­tas e que mui­tos meios já jul­gá­rom e con­de­ná­rom as de­ti­das. “Umha ca­ri­ca­tura que em nada deve in­ve­jar aquela jus­tiça do TOP”.

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