Periódico galego de informaçom crítica

Os negócios que acompanham o jogo

por
José González Fuentes, pre­si­dente de Luckia.

Se há umha cidade na Galiza que poda considerar-se epicentro do jogo no nosso país essa pode ser A Corunha. É a cidade galega com mais lojas de apostas e salons com máquinas de apostas desportivas, o seu desenvolvimento urbanístico estivo vinculado a um dos grandes empresários do jogo e a sua equipa de futebol leva publicidade de umha de estas empresas. É assim um exemplo de como as grandes empresas do jogo se vinculam com o negócio imobiliário, chegando nalguns casos a ver-se envolvidas em investigaçons por atividades irregulares.

Fai-nos ilu­som am­pliar o con­trato com o Dépor, ao que trans­la­da­mos o de­sejo de que as­cenda o mais pronto pos­sí­vel como co­ru­nhe­ses e como ‘de­por­ti­vis­tas’”, es­tas eram as pa­la­vras de José González Fuentes, pre­si­dente de Luckia, quando neste ve­rao re­no­vava por mais três anos a sua pu­bli­ci­dade na ca­mi­sola da equipa de fu­te­bol co­ru­nhesa. Luckia Gaming Group é o nome que a Egasa co­me­çou a em­pre­gar com o es­tou­rido das má­qui­nas de apos­tas des­por­ti­vas e o jogo on-line. Porém, a do Dépor -nos úl­ti­mos anos Luckia tam­bém con­tava com pu­bli­ci­dade na ca­mi­sola do Celta- nom é a única in­cur­som no fu­te­bol ga­lego. Neste ve­rao, esta mul­ti­na­ci­o­nal do jogo e a Federaçom Galega de Futebol pre­si­dida por Rafael Louzán acor­da­ram a cri­a­çom de um sis­tema de apos­tas so­bre os par­ti­dos de equi­pas ga­le­gas das di­vi­sons pri­meira, se­gunda e se­gunda B da liga de fu­te­bol mas­cu­lino.

Luckia e a Federaçom Galega de Futebol, pre­si­dida por Rafael Louzán, acor­da­ram a cri­a­çom de um sis­tema de apos­tas so­bre os par­ti­dos de equi­pas ga­le­gas

Porém, os in­te­res­ses de Luckia vam muito além da Galiza. Os seus úl­ti­mos in­ves­ti­men­tos re­a­li­za­ram-se em Chile, onde re­cen­te­mente inau­gu­rava um ho­tel de cinco es­tre­las em Arica, li­gado a um com­plexo ur­ba­nís­tico que con­tará com ca­sino, bu­le­var co­mer­cial e pis­ci­nas cli­ma­ti­za­das e ou­tros equi­pa­men­tos. Nesse mesmo país Luckia conta com ou­tro ho­tel e mais ou­tro ca­sino. Nos seus ne­gó­cios re­la­ci­o­na­dos com o âm­bito do jogo, a fa­tu­ra­çom da Luckia em 2017 as­cen­deu aos 506 mi­lhons de eu­ros.

Entre os ca­si­nos que opera Luckia en­con­tra-se o da Toxa, no Grove, cuja pro­pri­e­dade par­ti­lhava com a Cirsa de Manuel Lao -em­presa que foi re­cen­te­mente mer­cada pola Blackstone-. Luckia está tam­bém a ponto de con­se­guir um dos seus ve­lhos ob­je­ti­vos: abrir um ca­sino na ci­dade de Vigo. Esta pos­si­bi­li­dade abriu-se em 2014, quando a Junta mo­di­fi­cou a Lei do Jogo para eli­mi­nar a res­tri­çom de um ca­sino por pro­vín­cia e per­mi­tindo aos ca­si­nos exis­ten­tes a aber­tura de umha sala adi­ci­o­nal na mesma pro­vín­cia. Assim, essa sala adi­ci­o­nal do Casino da Toxa ins­ta­lará-se no cen­tro co­mer­cial A Laxe de Vigo, muito perto do porto onde atra­cam os tran­sa­tlân­ti­cos.

Lavagem de di­nheiro
A Cirsa opera no mer­cado das apos­tas des­por­ti­vas atra­vés da sua marca Sportium, que atu­al­mente é a casa de apos­tas ofi­cial de LaLiga e de LaLiga123 e conta com mais de 2000 lo­cais de apos­tas des­por­ti­vas em todo o es­tado.

O pre­si­dente da Cirsa, Manuel Lao, con­se­guiu ven­der por mais de 2.000 mi­lhons de eu­ros esta em­presa ao fundo Blackstone, dei­xando fora dessa ope­ra­çom os seus ne­gó­cios na Argentina, onde opera dous ca­si­nos que se en­con­tram in­ves­ti­ga­dos por la­va­gem de di­nheiro. Precisamente neste país Manuel Lao era re­tido em 2005 ao en­con­trar-se-lhe di­vi­sas por va­lor de 500.000 eu­ros após che­gar num voo pri­vado.

A Cirsa é de ori­gem ca­talá e tem sido in­ves­ti­gada por par­ti­ci­pa­çom na la­va­gem de di­nheiro pro­ce­dente do nar­co­trá­fico. Em 1999 era aberta umha ins­tru­çom por es­tes de­li­tos, le­vada a cabo polo juiz Baltasar Garzón, que re­ma­tou fe­chando-se sem im­pli­car a Manuel Lao na rede. Novas da Galiza nos seus nú­me­ros 25, 26 e 49 tem pu­bli­cado re­por­ta­gens so­bre a vin­cu­la­çom das duas gran­des em­pre­sas de má­qui­nas re­cre­a­ti­vas na al­tura, a Cirsa e Recreativos Franco, com ati­vi­da­des ir­re­gu­la­res.

Construindo A Corunha
Mas se há al­gum ga­lego que se poda con­si­de­rar o rei do jogo esse é o co­ru­nhês José Collazo Mato, dono do grupo Comar, quem conta tam­bém com umha am­pla vin­cu­la­çom com o se­tor imo­bi­liá­rio. Entre as ope­ra­çons ur­ba­nís­ti­cas deste em­pre­sá­rio que vi­ram baixo sus­peita es­ti­ve­ram o frus­trado ma­cro­pro­jeto de ur­ba­ni­za­çom de Aranga, de­nun­ci­ado pola Fiscalia Superior da Galiza em 2006 por ver in­dí­cios de de­lito na re­qua­li­fi­ca­çom de solo rús­tico em ter­re­nos para uso in­dus­trial e re­si­den­cial.

José Collazo Mato, dono do grupo Comar, par­ti­cipa do ne­gó­cio imo­bi­liá­rio e es­tivo vin­cu­lado com o ‘vaz­quismo’ que go­ver­nou a ci­dade da Corunha

Collazo Mato es­tivo vin­cu­lado com o ‘vaz­quismo’ que go­ver­nou na Corunha desde a dé­cada de 80. Assim, Comar fi­gé­rasse com a con­ces­som do Palácio de Congressos -hoje da Ópera-, atra­vés de um acordo com o Concelho em que es­tava in­cluída a au­to­ri­za­çom do Casino Atlántico. Assim, o con­ce­lho au­to­ri­zava a aber­tura do ca­sino de Collazo Mato e re­nun­ci­ava a ad­qui­rir umha parte do aci­o­na­rado que lhe cor­res­pon­de­ria. Em tro­cas, Comar apor­ta­ria uns 350 mi­lhons de pe­se­tas para a cons­tru­çom do Palácio de Congressos de Santa Margarita, fi­cando ade­mais como con­ce­si­o­ná­rio desta es­tru­tura. Outras con­ces­sons que o grupo Comar tem na Corunha som a do Palexco e Los Cantones Village.

Este em­pre­sá­rio es­tivo pre­sente tam­bém na cons­tru­çom da Marineda City, atra­vés da sua par­ti­ci­pa­çom, junto com Manuel Jove e José Souto, da so­ci­e­dade Invest Cos, que desde 2004 co­me­ça­ram a fa­zer-se com os ter­re­nos da an­tiga sub-es­ta­çom da Fenosa. Entre as ope­ra­çons desta so­ci­e­dade es­tivo a com­pra por 18 mi­lhons de eu­ros de fin­cas pro­pri­e­dade da em­presa de María del Carmen de la Iglesia, es­posa do ex-al­calde Francisco Vázquez, tal como se ex­pli­cava em Novas da Galiza 96. Marineda City era inau­gu­rada em 2011 e três anos de­pois Invest Cos ven­dia-a a Merlin Properties por 260 mi­lhons de eu­ros.

Nos pro­je­tos fu­tu­ros da Comar en­con­tra-se tam­bém a aber­tura de um novo ca­sino, umha sala adi­ci­o­nal do Casino Atlántico, em Compostela gra­ças à ci­tada mo­di­fi­ca­çom da Lei do Jogo.

Interior de um dos lo­cais da Codere, na Corunha

Portas gi­ra­tó­rias
A grande em­presa de jogo Comar en­trou no ne­gó­cio das má­qui­nas de apos­tas des­por­ti­vas na Galiza em as­so­ci­a­çom com a Codere, a casa de apos­tas ofi­cial do Real Madrid. A Codere é umha mul­ti­na­ci­o­nal es­pa­nhola do jogo, que opera em vá­rios pái­ses de América Latina e na Itália. Em 2017 os seus in­gres­sos su­pe­ra­ram os 1.600 mi­lhons de eu­ros.

A his­tó­ria da Codere está vin­cu­lada aos ir­maos Martínez Sampedro e aos ir­maos Franco, de Recreativos Franco. Porém, es­tes úl­ti­mos dei­xa­ram a em­presa em 2006, dous anos de­pois que um de­les fora de­tido nos Estados Unidos da América acu­sado de su­borno, cargo que teve que acei­tar pe­rante a jus­tiça es­ta­dou­ni­dense para evi­tar o in­gresso em pri­som.

A Codere trata-se tam­bém de umha em­presa his­to­ri­ca­mente vin­cu­lada com a di­reita es­pa­nhola. Assim, o que foi o seu pre­si­dente até este ano, José Antonio Martínez Sampedro, tem sido can­di­dato polo PP em Alcobendas e mi­li­tante de Fuerza Nueva. Em 2018 Martínez Sampedro era des­ti­tuído po­los fun­dos que nos úl­ti­mos anos fo­ram en­trando no ac­ci­o­na­rado da Codere.

Polo con­se­lho de ad­mi­nis­tra­çom da Codere te­nhem pas­sado po­lí­ti­cos como Pío Cabanillas, ex-mi­nis­tro porta-voz do go­verno de José María Aznar de 2000 a 2002, ou Rafael Catalá, en­tre 2005 e 2012, ín­te­rim en­tre o seu posto como se­cre­tá­rio de Estado de Justiça e o seu no­me­a­mento como se­cre­tá­rio de Estado no mi­nis­té­rio de Fomento.

Esta re­vi­som de he­me­ro­teca ex­pom como o em­pre­sa­ri­ado do sec­tor do jogo conta com po­der e in­fluên­cia na so­ci­e­dade atual, um sec­tor que com a re­gu­la­ri­za­çom das apos­tas des­por­ti­vas e o jogo on-line viu a opor­tu­ni­dade de ex­pan­dir o seu ne­gó­cio e re­no­var a sua ima­gem.

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