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Queremos que o dia 12 de janeiro seja o Dia da Morte Digna na Galiza”

por
ana vi­queira

Com tranquilidade e mais um sorriso, Ascensión Cambrón aparece caminhando polo passeio do porto de Sada. É umha dessas pessoas que transmitem calma e prestam muita atençom a todo o que a rodeia. Em galego, com marcado sotaque cordobês, explica o importante que é para as pessoas viver umha vida digna. Para isso, sustém, é imprescindível garantir um bom morrer. O seu ativismo atinge do plano intelectual, com obras como “A eutanásia: direito e deveres” (2013) ao organizativo, sendo atualmente a vozeira da associaçom Direito a Morrer Dignamente (DMD) na Galiza.

Desde os três anos em que Galiza conta com a Lei de Morte Digna, 7.000 ga­le­gas e ga­le­gos re­a­li­zá­rom o seu tes­ta­mento vi­tal, um do­cu­mento no qual a pes­soa deixa cons­tar como de­seja ser tra­tada ao fi­nal da sua vida. Que opi­niom tem dessa lei a Asociaçom do Direito a Morrer Dignamente (DMD) na Galiza?
A Lei de Morte Digna na Galiza foi pouco an­tes de su­ce­der o caso de Andrea Lago (umha nena com umha do­ença neuro-de­ge­ne­ra­tiva para a qual o pai e a nai so­li­ci­ta­ram umha morte digna com o aval do co­mité de ética, umhas pe­ti­çons que fô­rom ig­no­ra­das pola ge­rên­cia do Hospital Clínico de Compostela até que en­trou no jogo a pres­som me­diá­tica) . Com essa nor­ma­tiva, re­co­nhece-se a au­to­no­mia da pa­ci­ente. Se o di­ag­nós­tico re­co­lhe que nom existe umha so­lu­çom à do­ença, ou­tor­gam os cui­da­dos pa­li­a­ti­vos ou dei­xam mor­rer a pa­ci­ente polo pró­prio passo da do­ença, bem no hos­pi­tal bem na sua casa.

“A igreja controla as consciências igual do que os votos”

Por ve­zes, o cri­té­rio fica en­tre o pes­soal mé­dico e a fa­mí­lia. Caso exis­tir una­ni­mi­dade no grupo fa­mi­liar, nom cos­tuma exis­tir pro­blema, mas cada vez é mais di­fí­cil essa una­ni­mi­dade e está bem que acon­teça. Isto é umha mos­tra dumha so­ci­e­dade plu­ral e de­mo­crá­tica. O que nom de­ve­ria acon­te­cer é que de­cida o pes­soal mé­dico. Nos fo­ros in­sis­ti­mos em que cada quem re­a­lize um do­cu­mento de ins­tru­çons pré­vias que é de balde. Contodo, nós como as­so­ci­a­çom de­fen­de­mos a le­ga­li­za­çom da eu­ta­ná­sia.

Por que é im­por­tante para vós le­ga­li­zar a eu­ta­ná­sia?
Com a lei atual, pes­soas como Ramón Sampedro nom te­riam nen­gumha so­lu­çom. Ou al­guém com Esclerose Lateral Amiotrófica ou, em ge­ral, qual­quer pes­soa com umha en­fer­mi­dade de­ge­ne­ra­tiva que irá vendo o seu pró­prio de­te­ri­o­ra­mento nom sendo que morra dumha in­fe­çom. A DMD pede que umha pes­soa com umha pa­to­lo­gia in­cu­rá­vel, desde a sua li­ber­dade, poida ser au­to­ri­zada a que o pes­soal mé­dico lhe ajude a mor­rer den­tro do sis­tema de saúde pú­blica.

A so­ci­e­dade está pre­pa­rada para im­ple­men­tar umha lei que re­gule a eu­ta­ná­sia?
Está, sim. Mostra-o um inqué­rito de Metroscopia do ano 2017 que de­mons­tra que o 84 por cento da so­ci­e­dade de­cla­rava que era ne­ces­sá­rio, já que in­ter­pre­ta­vam que é um be­ne­fí­cio para os pa­ci­en­tes. Mas tam­bém o digo pola nossa ex­pe­ri­ên­cia. Levamos anos a per­cor­rer Galiza em di­ver­sas char­las e as pes­soas re­a­gem bas­tante bem.

A mi­nha per­ce­çom é que es­tes úl­ti­mos dous anos houvo umha me­lhor re­ce­çom que a co­me­ços de 2010. Quando vês um fa­mi­liar so­frer e nom existe so­lu­çom para essa dor… Os avan­ços mé­di­cos con­tri­buem ao pro­lon­ga­mento da vida e isso per­cebe-se, há quem nom quer vi­ver com dor nem um ní­vel alto de de­pen­dên­cia. Os paí­ses que nom ti­vé­rom tanta in­fluên­cia do ca­to­li­cismo já dis­po­nhem de leis que re­gu­lam a eu­ta­ná­sia.

Qual é o po­der da Igreja neste tema?
A igreja con­trola as cons­ci­ên­cias igual do que os vo­tos.

Perante isto, o que pro­pom a DMD?
Vam-se fa­zer 21 anos da morte de Ramón Sampedro e que­re­mos que esse dia, o 12 de ja­neiro, seja o Dia da Morte Digna na Galiza.

ana vi­queira

Que fai de Sampedro um re­fe­rente de luita?
Estou se­gura de que Sampedro ti­nha claro a exem­pla­ri­dade do seu caso. Ele pe­dia a des­pe­na­li­za­çom de quem lhe aju­dasse a mor­rer. Fijo umha de­manda a um tri­bu­nal em Catalunha, mas de­ses­ti­má­rom-lha por re­si­dir em Junho. Tivo que ir à Audiência Provincial da Corunha, a quem se di­ri­giu. E de­ses­ti­má­rom-lhe a de­manda sem ir ao fundo do caso, ao igual que o fijo o Tribunal Constitucional.

Havia juí­zes e cu­ras que lhe di­ziam que dei­xasse de co­mer, umha re­ceita mui cruel. Ele só po­dia mo­ver a ca­beça. Eu mesma lhe di­xem que se ele que­ria mor­rer e ele res­pon­deu que o que nom que­ria era vi­ver as­sim. Também nos ofe­re­ce­mos a ar­re­ca­dar fun­dos para ir à Suíça e ele dixo que nom, que que­ria mor­rer vendo o mar. Tivo que mu­dar-se a Boiro para mor­rer ali. Sofreu muito, mas era cons­ci­ente da sua luita. Nengum di­reito caiu do céu. Necessita-se da luita.

Como che­gas­tes à DMD?
Estudei di­reito na fa­cul­dade com es­pe­cial in­te­resse po­los di­rei­tos hu­ma­nos e dumha po­si­çom po­lí­tica mar­xista, polo que creio numha in­ter­pre­ta­çom dos di­rei­tos ba­se­ada no seu exer­cí­cio. Antes de en­trar na as­so­ci­a­çom já ti­nha umha es­pe­cial pre­o­cu­pa­çom polo bom mor­rer. Na Constituiçom es­pa­nhola re­co­lhe-se o di­reito à vida mas nom a obriga a vi­ver. O sui­cí­dio está des­pe­na­li­zado, nom de­ve­mos es­que­cer que an­tes a igreja fi­cava com as suas pro­pri­e­da­des.

“O calendário dos direitos nom está fechado"

Há que en­ten­der que podo dei­xar de ter ga­nas de vi­ver se te­nho umha do­ença e nom vou me­lho­rar… Um ho­mem evan­gé­lico dixo-me um dia: “deus deu-me umha ta­refa, agora já nom a podo cum­prir polo que che­gou o meu fim”. Os teó­lo­gos ca­tó­li­cos apos­tam nesta li­nha de dis­curso. Aos pou­cos, o di­reito ao bom mor­rer vai ca­lando na so­ci­e­dade e avan­çando no seu ca­mi­nho, tal e como su­ce­deu com ou­tros di­rei­tos con­quis­ta­dos pola so­ci­e­dade. O ca­len­dá­rio dos di­rei­tos nom está fe­chado. Vamos exi­gindo.

Como vos or­ga­ni­za­des?
Há umha es­tru­tura na Galiza e aqui per­cebo que existe mais sen­si­bi­li­dade do que nou­tros lu­ga­res. Trabalhamos de balde. As pes­soas só­cias apoi­a­mos, acom­pa­nha­mos por­que às ve­zes en­con­tra­mos pes­soal mé­dico que nom se­gue os de­se­jos das pa­ci­en­tes ou che­gam a nós pes­soas que es­tám soas e que­rem ga­ran­tir que vam po­der co­mu­ni­car-se. Contamos com pro­fis­si­o­nais que nos as­ses­so­ram e, ade­mais, per­cor­re­mos a Galiza dando char­las em fa­cul­da­des ou nos cha­mam de par­ti­dos, sin­di­ca­tos… O im­por­tante é vi­si­bi­li­zar e co­nhe­cer os di­rei­tos que te­mos e os que po­de­ría­mos ter.

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