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Simbologia franquista na Galiza. Umha vergonha coletiva

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Açom de Nós-UP con­tra umha es­tá­tua fran­quista em Narom em 2003.

Poderia co­me­çar di­zendo que avan­ça­mos na re­ti­rada da sim­bo­lo­gia fran­quista, o qual é ver­dade: em Ferrol mu­dá­rom o nome de 61 ruas em 1981; na Corunha, e de­pois do re­la­tó­rio dumha cha­mada “co­mis­som de es­pe­ci­a­lis­tas” em que par­ti­ci­pei, fô­rom re­ti­ra­dos 52 sím­bo­los fran­quis­tas em 2009; em Lugo aca­bam de re­ti­rar re­tra­tos de pre­si­den­tes da Deputaçom na di­ta­dura, por ini­ci­a­tiva da Vice-Presidência. Poderíamos di­zer o mesmo de Compostela, Vigo, Ourense ou Ponte Vedra, e de ou­tros mui­tos con­ce­lhos ga­le­gos. Mas nom é o tempo da auto-com­pla­cên­cia, se­nom de fa­zer umha va­lo­ra­çom crítica. 

Se de­pois de qua­renta e três anos de de­mo­cra­cia e de treze da apro­va­çom da Lei de Memória Histórica ainda res­tam na Galiza mais de 600 sím­bo­los fran­quis­tas em no­venta con­ce­lhos, há que fa­lar cla­ra­mente dum fra­casso de País e dumha au­tên­tica ver­go­nha coletiva.

Se ainda res­tam na Galiza mais de 600 sím­bo­los fran­quis­tas em no­venta con­ce­lhos, há que fa­lar cla­ra­mente dum fra­casso de País e dumha au­tên­tica ver­go­nha coletiva

Como re­co­lho no meu li­vro Os res­tos do fran­quismo en Galiza, pu­bli­cado por Laiovento neste ano, na Corunha ainda res­tam 104 sím­bo­los fran­quis­tas, 50 em Compostela (en­tre eles, 20 re­la­ti­vos a mi­nis­tros de Franco), 47 em Ferrol, 36 na Deputaçom da Corunha, 21 em Lugo, 21 em Pontevedra, 18 em Vila Garcia de Arouça, 16 em Betanços, 10 em Vigo, 7 em Cangas… Naturalmente que a prin­ci­pal res­pon­sa­bi­li­dade é da di­reita e do PP, que ocu­pam a Junta da Galiza há quase 40 anos e que se ne­gá­rom a apro­var umha Lei de Memória Democrática da Galiza apre­sen­tada polo BNG, mas to­das es­tas ins­ti­tui­çons e con­ce­lhos que acabo de no­mear es­tám go­ver­na­dos por or­ga­ni­za­çons po­lí­ti­cas pro­gres­sis­tas, de es­querda e nacionalistas.

Faltou von­tade po­lí­tica e co­e­rên­cia para apli­car os mes­mos cri­té­rios em todo o país, fal­tou or­ga­ni­za­çom po­lí­tica para fa­zer um se­gui­men­tos dos acor­dos, nom fô­rom apro­va­das as par­ti­das nos or­ça­men­tos dos con­ce­lhos e das de­pu­ta­çons para re­a­li­zar um in­ven­tá­rio da sim­bo­lo­gia fran­quista e apli­car as san­çons correspondentes.

Faltou von­tade po­lí­tica e co­e­rên­cia para apli­car os mes­mos cri­té­rios em todo o país, or­ga­ni­za­çom po­lí­tica para fa­zer um se­gui­mento dos acor­dos e or­ça­men­tos para re­a­li­zar um in­ven­tá­rio da sim­bo­lo­gia fran­quista e apli­car as san­çons correspondentes

A per­ma­nên­cia da sim­bo­lo­gia fran­quista é umha exal­ta­çom das pes­soas que par­ti­ci­pá­rom na su­ble­va­çom de 1936 ou na sua pre­pa­ra­çom con­tra o Governo le­gí­timo da República, e na Galiza te­mos nu­me­ro­sos gol­pis­tas e fa­lan­gis­tas que con­ser­vam todo tipo de dis­tin­çons; exal­ta­çom e re­co­nhe­ci­mento so­cial a quem ocu­pou car­gos de res­pon­sa­bi­li­dade nas ins­ti­tui­çons fran­quis­tas e co­la­bo­rou com a di­ta­dura, ou aos po­lí­ti­cos que fô­rom afe­tos ao re­gime ou le­gi­ti­má­rom a di­ta­dura fran­quista, como re­co­lhe a Lei de Memória Democrática de Aragom. Aqui po­de­riam es­tar in­cluí­dos mi­nis­tros de Franco, pre­si­den­tes de de­pu­ta­çons, al­cal­des e al­cal­de­sas na di­ta­dura, go­ver­na­do­res ci­vis, em­pre­sá­rios fran­quis­tas como Pedro Barrié de la Maza, bis­pos como José Guerra Campos etc.

Atualizando essa sim­bo­lo­gia fran­quista que resta por re­ti­rar, lem­bro as ruas e dis­tin­çons que ainda con­serva Manuel Fraga e que fô­rom con­ce­di­das quando era mi­nis­tro da di­ta­dura e de­pois de mais de trinta anos de mi­li­tân­cia fas­cista. Nom po­de­mos es­que­cer que o rei Juan Carlos ainda con­serva na Galiza ruas e dis­tin­çons que mui pouca gente pode de­fen­der hoje de­pois de co­nhe­cer os ca­sos de cor­ru­çom da monarquia.

Sem ver­go­nha nom te­mos fu­turo. Acabemos com esta vergonha!

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Manuel Monge é sociólogo, foi presidente da Comisión pola Recuperación da Memoria História da Coruña (2007-2011) e, na atualidade, é secretário do clube de opiniom Foro Cívico e presidente de Defensa do Común

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