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Sombras da “Ley de Extranjería”

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Muitas das pessoas migrantes que chegam a território espanhol vem-se atadas nas contradiçons dumha Ley de Extranjería que as discrimina e obriga a viver em situaçom de irregularidade administrativa durante anos, sem direitos e com um futuro incerto, à espera da sua oportunidade.

A au­to­ri­za­çom de re­si­dên­cia: umha cor­rida de obs­tá­cu­los
A vida das pes­soas es­tran­gei­ras rege-se pola Lei Orgânica 4/2000, de 11 de ja­neiro, so­bre li­ber­da­des e di­rei­tos de es­tran­gei­ros no Estado es­pa­nhol e a sua in­te­gra­çom so­cial (tam­bém co­nhe­cida como Ley de Extranjería), e polo seu Regulamento de de­sen­vol­vi­mento. Para es­sas pes­soas po­de­rem re­si­dir de forma re­gu­lar em ter­ri­tó­rio es­pa­nhol, é ne­ces­sá­ria a ob­ten­çom de umha das au­to­ri­za­çons de re­si­dên­cia re­gu­la­das na­quela Lei, que cria dis­tin­çons en­tre ci­da­daos es­tran­gei­ros se­gundo pro­ce­dam de um país ou ou­tro.

A Ley de Extranjería re­gula o cha­mado Regime Geral, que se aplica uni­ca­mente a pes­soas pro­ce­den­tes de paí­ses de fora da Uniom Europeia. Por ou­tro lado, existe ou­tro re­gime, o Comunitário, que ape­sar da sua pro­gres­siva res­tri­çom, é um re­gime mais van­ta­joso. Tendo em conta es­tes dous ele­men­tos, po­de­mos ob­ser­var que nom to­das as pes­soas mi­gran­tes te­nhem a mesma ca­te­go­ria nos olhos do Estado.

A via de re­gu­la­ri­za­çom mais ha­bi­tual no Regime Geral é me­di­ante a au­to­ri­za­çom ini­cial de re­si­dên­cia tem­po­rá­ria e tra­ba­lho, com du­ra­çom de um ano e li­mi­tada a umha ocu­pa­çom de­ter­mi­nada e âm­bito ge­o­grá­fico con­creto. Isto é, a ri­gi­dez da norma nom per­mite que, du­rante a vi­gên­cia da au­to­ri­za­çom, a pes­soa poda tro­car de posto de tra­ba­lho ou mo­ver-se li­vre­mente den­tro do ter­ri­tó­rio. Esta via foi-se en­du­re­cendo com o passo do tempo, so­bre­todo desde a eclo­som da crise eco­nó­mica do 2008, que tivo como con­sequên­cia umha mo­di­fi­ca­çom da Ley de Extranjería em ma­té­ria la­bo­ral.

A via de re­gu­la­ri­za­çom mais ha­bi­tual no Regime Geral é me­di­ante a au­to­ri­za­çom ini­cial de re­si­dên­cia tem­po­rá­ria e tra­ba­lho, com du­ra­çom de um ano e li­mi­tada a umha ocu­pa­çom de­ter­mi­nada e âm­bito ge­o­grá­fico con­creto. Isto é, a ri­gi­dez da norma nom per­mite que, du­rante a vi­gên­cia da au­to­ri­za­çom, a pes­soa poda tro­car de posto de tra­ba­lho ou mo­ver-se li­vre­mente den­tro do ter­ri­tó­rio.

A con­tra­ta­çom dumha pes­soa mi­grante de­pende da Situaçom Nacional de Emprego; isto é, de que nom exis­tam no mer­cado la­bo­ral de­man­dan­tes de em­prego que po­dam co­brir o posto de tra­ba­lho. Para isso cria-se o Catálogo de Ocupaçons de Difícil Abrangência, pu­bli­cado polo Serviço Público de Emprego Estatal de forma tri­mes­tral. A modo de exem­plo, na úl­tima pu­bli­ca­çom cor­res­pon­dente ao pri­meiro tri­mes­tre do 2020, para a Galiza re­co­lhem-se pos­tos tais como fri­go­ris­tas na­vais, bom­bei­ros de na­vios es­pe­ci­a­li­za­dos ou des­por­tis­tas pro­fis­si­o­nais. Existe, além disso, umha isen­çom à Situaçom Nacional de Emprego, a de ser ci­da­dao da República de Chile ou da República do Peru, em vir­tude de cada um dos acor­dos in­ter­na­ci­o­nais as­si­na­dos polo Estado Espanhol com es­ses paí­ses.

A con­tra­ta­çom dumha pes­soa mi­grante de­pende da Situaçom Nacional de Emprego; isto é, de que nom exis­tam no mer­cado la­bo­ral de­man­dan­tes de em­prego que po­dam co­brir o posto de tra­ba­lho. A modo de exem­plo, na úl­tima pu­bli­ca­çom cor­res­pon­dente ao pri­meiro tri­mes­tre do 2020, para a Galiza re­co­lhem-se pos­tos tais como fri­go­ris­tas na­vais, bom­bei­ros de na­vios es­pe­ci­a­li­za­dos ou des­por­tis­tas pro­fis­si­o­nais.

Assim, é fá­cil ver os obs­tá­cu­los que a Ley de Extranjería co­loca às pes­soas mi­gran­tes para a ob­ten­çom dum con­trato de tra­ba­lho, bem por­que os tra­ba­lhos ofe­re­ci­dos som muito es­pe­ci­a­li­za­dos bem ge­rando umha de­si­gual­dade em fun­çom do país do que pro­ce­dam.

Nom me­nos im­por­tante é que, um dos re­qui­si­tos para ob­ter umha au­to­ri­za­çom, é nom es­tar em si­tu­a­çom ir­re­gu­lar em ter­ri­tó­rio es­pa­nhol. Isto exige que bem se vi­aje com um visto de tra­ba­lho desde o país de ori­gem ‑com os re­qui­si­tos ex­pos­tos an­te­ri­or­mente para a sua ob­ten­çom- bem se for­ma­lize o pe­dido den­tro dos pri­mei­ros no­venta dias desde a che­gada ao Estado es­pa­nhol.

Inevitavelmente, e da­das to­das as di­fi­cul­da­des que en­fren­tam, mui­tas das pes­soas mi­gran­tes aca­bam en­con­trando-se com a re­a­li­dade de vi­ver de forma ir­re­gu­lar, com pro­ble­mas para ace­der a umha mo­rada digna, sem acesso à pre­vi­dên­cia pú­blica e obri­ga­dos a sub­sis­tir na eco­no­mia sub­mer­gida.

con­cen­tra­çom do Foro Galego de Imigración

O ar­raigo so­cial como via de re­gu­la­ri­za­çom
O anel da ir­re­gu­la­ri­dade é di­fí­cil de rom­per vi­vendo com o medo a ser iden­ti­fi­cada pola po­lí­cia e com a con­se­quente aber­tura de um ex­pe­di­ente de ex­pul­som. Um de­feito no his­to­rial de an­te­ce­den­tes pe­nais fe­cha quase por com­pleto qual­quer pos­si­bi­li­dade de re­gu­la­ri­zar-se.

Existe umha saída a esta si­tu­a­çom que se ar­ti­cula atra­vés do ar­raigo so­cial. O Regulamento de Extranjería di ao seu res­peito que “po­de­rám ob­ter umha au­to­ri­za­çom os es­tran­gei­ros que acre­di­tem a per­ma­nên­cia con­ti­nu­ada em Espanha du­rante um pe­ríodo mí­nimo de três anos”. Além do re­qui­sito tem­po­rá­rio, re­quer-se-lhes que, junto ao seu pe­dido, apre­sen­tem umha pro­posta de con­trato de tra­ba­lho.

O anel da ir­re­gu­la­ri­dade é di­fí­cil de rom­per vi­vendo com o medo a ser iden­ti­fi­cada pola po­lí­cia e com a con­se­quente aber­tura de um ex­pe­di­ente de ex­pul­som. Um de­feito no his­to­rial de an­te­ce­den­tes pe­nais fe­cha quase por com­pleto qual­quer pos­si­bi­li­dade de re­gu­la­ri­zar-se.

A mesma Administraçom que lhes de­nega a au­to­ri­za­çom por nom cum­pri­rem com os re­qui­si­tos exi­gi­dos, ple­na­mente ci­ente da si­tu­a­çom ir­re­gu­lar em que se en­con­tram, ofe­rece-lhes agora ‑três anos de­pois- umha forma de re­gu­la­ri­za­rem-se nom isenta de pro­ble­mas. O maior obs­tá­culo vem no mo­mento de en­con­trar um con­trato de tra­ba­lho tendo em conta a si­tu­a­çom do mer­cado la­bo­ral atual, com uma taxa de de­sem­prego que se si­tua no 11,7% no quarto tri­mes­tre de 2019 se­gundo o Instituto Galego de Estatística. No en­tanto, nom basta com qual­quer con­trato, este deve ter umha du­ra­çom mí­nima dum ano, jor­nada com­pleta e sa­lá­rio equi­pa­rá­vel ao sa­lá­rio mí­nimo in­ter­pro­fis­si­o­nal. Somado a es­tes dous re­qui­si­tos nada tri­vi­ais, à pes­soa mi­grante obriga-se-lhe a apre­sen­tar um re­la­tó­rio de ar­raigo onde se de­mons­tre que du­rante es­ses anos re­a­li­zou um “es­forço de in­te­gra­çom so­cial”, as­sim o di li­te­ral­mente o mo­delo de re­la­tó­rio pro­posto pela Secretaria de Estado de Migraçons. Neste re­la­tó­rio deve-se re­fle­tir o ní­vel de apren­di­za­gem do idi­oma, o ní­vel de in­te­ra­çom com a co­mu­ni­dade ou a par­ti­ci­pa­çom em as­so­ci­a­çons, en­tre ou­tras.

À pes­soa mi­grante obriga-se-lhe a apre­sen­tar um re­la­tó­rio de ar­raigo onde se de­mons­tre que du­rante es­ses anos re­a­li­zou um “es­forço de in­te­gra­çom so­cial”, as­sim o di li­te­ral­mente o mo­delo de re­la­tó­rio pro­posto pela Secretaria de Estado de Migraçons. Neste re­la­tó­rio deve-se re­fle­tir o ní­vel de apren­di­za­gem do idi­oma, o ní­vel de in­te­ra­çom com a co­mu­ni­dade ou a par­ti­ci­pa­çom em as­so­ci­a­çons, en­tre ou­tras.

Em re­sumo: es­tas pes­soas nom só te­nhem que sub­sis­tir ex­plo­di­das no mer­cado de tra­ba­lho, com medo a se­rem iden­ti­fi­ca­das e sem di­rei­tos, se­nom que tam­bém de­vem ser boas ci­da­dás.

A in­cer­teza após es­go­tar to­das as vias
Depois de todo este pé­ri­plo, e no me­lhor dos ca­sos, a pes­soa con­se­gue ob­ter dita au­to­ri­za­çom. Mas que acon­tece com aque­las que nom con­se­guem? O cír­culo da ir­re­gu­la­ri­dade se­gue o seu curso, por ve­zes, de forma in­de­fi­nida. No ano 2018, se­gundo da­dos do Instituto Nacional de Estatística, na Galiza con­ce­dé­rom-se 5.659 au­to­ri­za­çons de re­si­dên­cia den­tro do Regime Geral; desse to­tal, 924 fô­rom con­ce­di­das por mo­ti­vos de ar­raigo. Esta ci­fra nom re­flete a re­a­li­dade já que exis­tem pes­soas que le­vam três ou mais anos em si­tu­a­çom ir­re­gu­lar, mas a im­pos­si­bi­li­dade de en­con­trar um tra­ba­lho fe­cha-lhes as por­tas do “ar­raigo so­cial”. Especial con­si­de­ra­çom me­re­cem as mu­lhe­res mi­gran­tes que tra­ba­lham como em­pre­ga­das do­més­ti­cas, sem con­trato e tra­ba­lhando por ho­ras, já que os re­qui­si­tos de con­tra­ta­çom som tam ele­va­dos que os em­pre­ga­do­res ne­gam-se a car­re­gar com a des­pesa das co­ta­çons. Nom exis­tem mais vias ex­tra­or­di­ná­rias de re­gu­la­ri­za­çom, nem tam­pouco se pre­veem, polo que as pes­soas po­dem pas­sar anos da sua vida na som­bra, es­pe­rando que che­gue a sua opor­tu­ni­dade.

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