Periódico galego de informaçom crítica

Um jogo desgenerado de empoderamento erótico

por
carla trin­dade

Para este mo­mento vou ofe­re­cer-nos um quarto pró­prio (que é im­por­tante) e um jogo. Como é nosso, sa­bes que po­de­mos es­tar e fa­zer nele o que qui­ger­mos; como es­tar­mos juntxs ou con­tar-nos al­gumhas cou­sas bá­si­cas, como quando des­pre­ga­mos um jogo de mesa e acor­da­mos as re­gras. Por exem­plo: “que tal es­tás para que com­par­ta­mos o quarto? Há algo que seja mais im­por­tante para ti ou quei­ras que eu saiba?”. Assim ambxs com­par­ti­lha­re­mos a in­for­ma­çom e va­mos cri­ando re­gras. “Tés al­gum de­sejo ou algo que che ape­teça fa­zer?” Há algo que nom quei­ras que su­ceda?” Isto úl­timo, com cer­teza, fica fora do quarto, se nom nom se­ria um jogo! E nós es­ta­mos aqui para des­fru­tar! Para des­fru­tar muito, de facto, e para isso o pri­meiro e in­dis­pen­sá­vel é sen­tir-nos bem: com bom trato, boa vi­bra, con­fi­an­tes e se­gu­ras.

Podemos to­mar o quarto como um con­tato eró­tico en­tre ti e mais eu, esse onde so­mos cons­ci­en­tes um do ou­tro e com­par­ti­lha­mos umha co­mu­ni­ca­çom vi­sual, ver­bal… fí­sica, di­fe­ren­ci­ada da qual es­ta­mos a par­ti­lhar com ou­tras pes­soas e com ele­men­tos de de­sejo, fan­ta­sia, se­du­çom, exi­ta­çom, pra­zer, in­ti­mi­dade, cu­ri­o­si­dade, jogo… Um jogo do mo­mento que pode ir mu­dando, ser sem­pre o mesmo ou di­fe­rente a cada vez.

Para este jogo, te­mos o quarto com umha luz muito té­nue e cá­lida, onde ve­mos os nos­sos cor­pos mais como se vê com a luz das can­deias do que a luz do sol. Temos duas lan­ter­nas e as pa­re­des do quarto cheias de ima­gens. Ligamos as lan­ter­nas para ilu­mi­nar o chao, a dis­tân­cia com a que nos sen­ti­mos có­mo­das para jo­gar: pode ser a dis­tân­cia que fica en­tre tu e mais eu se es­ti­ra­mos os bra­ços e de aí, jo­gar à se­du­çom, a aque­cer-nos sem to­car-nos, a ex­ci­tar-nos para fa­zer-nos pal­pi­tar e mo­lhar-nos, a dan­çar uma frente a ou­tra ou a mas­tur­bar-nos cada quem a si pró­pria. Ou pode ser a dis­tân­cia em que sen­ti­mos as nos­sas res­pi­ra­çons, para nar­rar-nos todo o que nos ex­cita dx ou­tre, todo o que es­ta­mos a fa­zer-lhe na nossa ima­gi­na­çom. Pode ser que es­co­lha­mos um jogo corpo a corpo, em que to­car-nos, mo­ver-nos, mor­der-nos, es­fre­gar-nos… e sen­tir o corpo da ou­tra por to­das as par­tes do meu.

Com a luz da lan­terna alu­mi­a­mos as par­tes dos nos­sos cor­pos com as quais, aqui e agora, que­re­mos brin­car. Pode ser que eu ilu­mine ape­nas os meus bei­ços, por­que gosto imenso de bei­jar, lam­ber, di­zer-nos, ge­mer, sen­tir-te, res­pi­rar em mim e por­que quero de­di­car toda a mi­nha aten­çom a sa­bo­rear-te. Pode que tu alu­mies o teu corpo e eu use a mi­nha boca para per­cor­rer-te, sen­tir-te e es­ti­mu­lar-te. Ou pode que te ilu­mi­nes a pele com a roupa in­te­rior posta, por­que hoje nom que­res jo­gar com os teus ge­ni­tais di­re­ta­mente ou por­que nom te sen­tes con­for­tá­vel com essa parte do teu corpo, ou que­res ser só tu quem a to­que. Pode ser que se ama­nhá vol­ta­mos ao quarto quei­ra­mos pe­ne­trar-nos com dil­dos ar­te­sa­nais de co­res e cur­vas fei­tas para go­zar. Todo está bem! Este é o nosso quarto pró­prio, com acor­dos pró­prios que fi­ge­mos para des­fru­tar muito.

Que bom que no nosso quarto cui­da­mos mais os acor­dos que num jogo de mesa, nom é? Gosto muito de como fa­ze­mos isto. Quero se­guir fa­zendo-o!

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