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O nacionalismo espanhol, presente também em Podemos, acordou o fascismo”

por
al­bert sa­lamé

O objetivo da sua cámara ajudou Jordi Borràs a decifrar os movimentos da extrema-direita nos Países Cataláns. Hoje este fotojornalista é um grande conhecedor do funcionamento de organizaçons como Societat Civil Catalana e das ligaçons de Ciutadans com a extrema-direita, e plasmou-no em vários livros. Acabou de publicar ‘Dies que duraran anys’, umha escolma de fotografias e textos de diversa autoria do 1 de outubro em diante, e que ele descreve como “o outono mais besta das nossas vidas”. Um dos livros mais vendidos neste Sant Jordi.

O 1 de Outubro deixa um im­por­tante pa­tri­mó­nio emo­ci­o­nal na Catalunha, mas que pa­tri­mó­nio deixa a ní­vel po­lí­tico?
Podem-se ti­rar mui­tas coi­sas boas. A pri­meira: o país avan­çou quando houvo umha co­ne­xom di­reta en­tre a von­tade po­pu­lar e o go­verno. O que acon­te­ceu nom foi que qua­tro lí­de­res in­de­pen­den­tis­tas se de­ram um golpe na ca­beça e en­ga­na­ram muita gente. Havia umha de­manda so­cial que se tra­du­ziu numha co­ne­xom com o Parlament. A gente do par­la­mento fijo caso à gente da rua, e isto é im­por­tan­tís­simo já que ainda que poda pa­re­cer ló­gico nom há mui­tos pre­ce­den­tes disto. A se­gunda: o facto de que sec­to­res do in­de­pen­den­tismo tra­di­ci­o­nal­mente en­fren­ta­dos fo­ram ca­pa­zes de dei­xar de lado o que os se­para para se cen­trar no que ti­nham em co­mum. Por úl­timo, o ca­pi­tal po­lí­tico que deixa en­ten­der que co­le­ti­va­mente, de­pois da pro­posta de fa­zer um re­fe­rendo, fô­ra­mos ca­pa­zes de levá-lo a cabo e que nin­guém o desse pa­rado. Isto é umha li­çom tre­menda e creio que vai ser a base do rumo in­de­pen­den­tista nos pró­xi­mos anos: se fo­mos ca­pa­zes de fa­zer isto, po­de­mos fa­zer ou­tras coi­sas “im­pos­sí­veis” até o ob­je­tivo fi­nal. A prova de que o in­de­pen­den­tismo nom fra­cas­sou é que, pola pri­meira vez em 40 anos, o es­tado tem di­ante um ini­migo po­lí­tico que nom sabe como com­ba­ter; nom fa­la­mos dumha or­ga­ni­za­çom “ter­ro­rista” que há que com­ba­ter, mas gente que se uniu para vo­tar e mos­trou as ver­go­nhas do Estado.

“Nom houvo manifestaçons unionistas sem agressons violentas”

Paralelo ao re­fe­rendo, xorde o fe­nó­meno uni­o­nista. Foi o in­de­pen­den­tismo quem re­a­ti­vou este fe­nó­meno?
Como dixo Pablo Iglesias, nom? Isto é umha fa­lá­cia imensa. Quem acor­dou o fas­cismo foi o na­ci­o­na­lismo es­pa­nhol. De facto, o na­ci­o­na­lismo es­pa­nhol -coma re­a­çom ao in­de­pen­den­tismo- é o fa­tor de co­e­som. O grande pro­blema é que o na­ci­o­na­lismo es­pa­nhol é in­ca­paz de res­pei­tar to­das as na­çons, as lín­guas, as cul­tu­ras que in­te­grou sem­pre, pri­meiro quando eram im­pé­rio e agora que som es­tado. O es­tado es­pa­nhol há 400 anos que está a per­der ter­ri­tó­rios, o úl­timo o Saara no ano 75. Partindo da­qui, o que fijo o na­ci­o­na­lismo es­pa­nhol foi dar co­e­som a toda esta ex­trema-di­reita com um único ob­je­tivo que é man­ter a uni­dade de Espanha. Esta ex­trema-di­reita sai agora à rua com par­ti­dos te­o­ri­ca­mente de­mo­crá­ti­cos. PSOE, PP e Ciutadans ma­ni­fes­tá­rom-se com umha dú­zia de or­ga­ni­za­çons de ex­trema-di­reita. No dia 8 de ou­tu­bro ha­via 14 or­ga­ni­za­çons de ex­trema-di­reita na rua do braço com o Albiol e a Arrimadas. Portanto, quem acor­dou o fas­cismo, ainda que pese ao se­nhor Iglesias, é o na­ci­o­na­lismo es­pa­nhol. Um na­ci­o­na­lismo es­pa­nhol que tam­bém en­con­tra­mos den­tro de Podemos.

O que é a Societat Civil Catalana e por que há que des­montá-la?
É umha or­ga­ni­za­çom que nasce em abril de 2014 ten­tando imi­tar a ANC mas que nom de­corre dumha de­manda so­cial mas ao in­vés. Som par­ti­dos e gente mui afim ao go­verno es­pa­nhol, como é o se­nhor Moragas, quem de­ci­dem mon­tar isto. Nasce de di­re­tri­zes po­lí­ti­cas muito con­cre­tas e cara abaixo. A Societat Civil Catalana tem 72 só­cios fun­da­do­res e nom é as­sem­blear como o é a ANC, ade­mais gasta enor­mes quan­ti­da­des de di­nheiro que nom se sabe de onde saem… Qual é o seu grande pro­blema? Que como amos­tra do que é o es­pa­nho­lismo trans­ver­sal está for­mado por um nú­cleo im­por­tante de ex­trema-di­reita: desde fran­quis­tas, car­lis­tas-tra­di­ci­o­na­lis­tas até ne­o­na­zis. Isto quijo-se ne­gar até que fi­gem um li­vro para o de­mons­trar, e ape­sar das ame­a­ças de me de­nun­ci­a­rem por in­jú­rias, nunca re­ci­bim a de­nún­cia.

jordi bor­ràs

Ciutadans é um par­tido de ex­trema-di­reita como o qua­li­fi­cou há pouco um jor­nal fran­cês?
Nom. Com isto há que ser mui ri­go­roso. Isto nom quer di­zer que nom seja um par­tido com vín­cu­los com a ex­trema-di­reita. Há mui­tos ca­sos de gente que em 2011 ia por Plataforma per Catalunya e nas mu­ni­ci­pais de 2015 ma­gi­ca­mente pas­sou para Ciutadans e evi­den­te­mente há muito tras­passo de vo­tos de gente que um ano vo­tava op­çons de ex­trema-di­reita e agora vota Ciutadans. Como fijo o PP, Ciutadans sem­pre ten­tou que nom hou­vesse um par­tido de ex­trema-di­reita para po­der con­tar com es­tes vo­tos. O maior es­pe­ci­a­lista nisto foi Manuel Fraga. Numha en­tre­vista no ano 96 dixo “se Espanha nom tem umha ex­trema-di­reita vi­o­lenta é por­que o PP foi ca­paz de a fa­zer mo­de­rada e cons­ti­tu­ci­o­nal”. O PP, e agora Ciutadans, som ca­pa­zes de ins­tau­rar gente da ex­trema-di­reita nas ins­ti­tui­çons. A ex­trema-di­reita es­pa­nhola sem­pre es­tivo mui an­co­rada no pas­sado e nom con­se­guiu re­vi­sar o seu dis­curso. Estes par­ti­dos con­cor­rem com ella. De facto, os pri­mei­ros que pro­po­nhem re­ti­rar o car­tom sa­ni­tá­rio aos imi­gran­tes no Parlamento ca­ta­lám fô­rom PP e Ciutadans. Além disso, pola pri­meira vez nas elei­çons de 2015 nom se apre­sen­tam par­ti­dos de ex­trema-di­reita. Partidos como o MSR (Movimento Social Republicano) ou a Falange ex­pli­cam que é para nom di­vi­dir o voto es­pa­nho­lista num ce­ná­rio de alto risco na­ci­o­nal para uni­dade de Espanha.

"PP e Ciutadans sempre tentárom que nom houvesse um partido de extrema-direita para poder contar com estes votos"

Na Galiza ou tam­bém em Euskal Herria a ex­trema-di­reita or­ga­ni­zada como tal é pra­ti­ca­mente re­si­dual. Por que é que nos Países Cataláns está tam ac­tiva?
Sempre fo­mos o mo­tor ide­o­ló­gico da ex­trema-di­reita. Falange nas­ceu em Madrid e Barcelona. No ano 66 funda-se em Barcelona Cedade (Círculo Español de Amigos de Europa), a or­ga­ni­za­çom ne­o­nazi mais po­tente da Europa após a queda do Terceiro Reich, fun­dada por fa­lan­gis­tas an­ti­fran­quis­tas, que con­si­de­ra­vam Franco um trai­dor à sua re­vo­lu­çom. De facto, Franco nom era um lí­der fas­cista mas um mi­li­tar. A Cedade foi fun­dada por ofi­ci­ais das SS. Léon Degrelle (um mi­li­tar belga que lui­tou sob or­des de Hitler, e que no ano 45 che­gou a Donosti e foi aco­lhido polo re­gime) foi um dos seus pro­mo­to­res. A ex­trema-di­reita ca­talá sem­pre tivo mais in­fluên­cias da Europa, em vez de olhar o que acon­te­cia em Madrid. Além disso, a ex­trema-di­reita es­pa­nhola tem umha ob­ses­som: lui­tar con­tra o ca­ta­la­nismo, por­que a sua ob­ses­som, mar­cada pola guerra de Cuba, é a uni­dade de Espanha. Já nos anos 20 cons­ta­ta­mos con­fron­tos com paus e pis­to­las en­tre mi­li­ta­res ou gru­pos pro­to­fas­cis­tas como a Unión Patriotica con­tra gente da Unió Catalanista ou gente do Estat Català.

Desde a re­a­li­za­çom do re­fe­rendo re­gis­tam-se cen­tos de agres­sons de ti­po­lo­gia mui di­versa con­tra o in­de­pen­den­tismo, tu fi­geste um re­la­tó­rio…
Numha amos­tra de 95 dias en­tre se­tem­bro e de­zem­bro cor­ro­boro 139 in­ci­den­tes vi­o­len­tos, desde agres­sons até co­a­çons e ame­a­ças, dei­xando de lado ame­a­ças pe­las re­des so­ci­ais ou pin­ta­das nas se­des. Falo de pu­nha­la­das, ma­lhei­ras, ame­a­ças a jor­na­lis­tas como é o meu caso. E, ao con­trá­rio de ou­tros pe­río­dos, esta vi­o­lên­cia nom é pra­ti­cada só por mi­li­tan­tes da ex­trema-di­reita; é mui pe­ri­goso, pois a vi­o­lên­cia tres­pas­sou para um es­pa­nho­lismo mui trans­ver­sal, que fai que mi­li­tan­tes do PSC ou Ciutadans a le­vem cabo. Onte sou­bem dum ho­mem que sal­tou den­tro do Arquivo Nacional de Catalunha com umha na­va­lha para cor­tar la­ços ama­re­los, e le­vava umha pul­seira re­pu­bli­cana! Ou um vi­zi­nho que lhe dis­pa­rou cinco ba­las de per­di­gons a ou­tro por par­ti­ci­par nas ca­ça­ro­la­das con­tra a vi­o­lên­cia po­li­cial. Som im­pu­nes!.

jordi bor­ràs

Porque os meios nom te­nhem pres­tado aten­çom nes­sas agres­sons?
Porque se ne­gou a re­a­li­dade ten­tando im­por um re­lato ofi­cial que é que o in­de­pen­den­tismo é vi­o­lento e que a vi­o­lên­cia a exer­cem os in­de­pen­den­tis­tas. Isto fai que se leve à Audiência Nacional umha moça por ter um laço ama­relo e umha ca­reta do Jordi Cuixart na casa. Ou que os Jordis es­tám na ca­deia acu­sa­dos de “al­za­mi­ento tu­mul­tu­a­rio”, sem qual­quer vi­o­lên­cia…
Polo con­trá­rio, houvo cen­te­nas de ata­ques do na­ci­o­na­lismo es­pa­nhol mais va­ri­ado, até com dous Ateneus quei­ma­dos -um de­les com gente em as­sem­bleia den­tro-. Isto nom apa­re­ceu nos meios es­pa­nhóis por­que nom con­corda com o re­lato ofi­cial. Onte mesmo houvo um atro­pe­la­mento a umha pes­soa, mas nom sai no Espejo Público.

“Numha amostra de 95 dias entre setembro e dezembro corroboro 139 incidentes violentos, desde agressons até coaçons e ameaças”

Que pe­ri­go­si­dade pode ter o novo dis­curso da ex­trema-di­reita que fala de que nom há es­quer­das nem di­rei­tas?
Nom é novo, já o di­zia Primo de Rivera. Também o fas­cismo clás­sico, um mo­vi­mento mo­derno ao res­peito do mar­xismo, pois nasce nos anos 20 em Itália, já di que nom som nem mar­xis­tas nem li­be­rais.
Hoje, al­guns sec­to­res da ex­trema-di­reita rei­vin­di­cam de novo este dis­curso. Temos que en­ten­der a ul­tra-di­reita como um magma, com sec­to­res mais ra­di­cais, car­lis­tas, fas­cis­tas… Por exem­plo, Josep Anglada (fun­da­dor de Plataforma per Catalunya) nom é um fas­cista, mas um na­ci­o­nal po­pu­lista. Na es­querda tam­pouco di­ría­mos que a Marta Rovira é co­mu­nista mas so­cial-de­mo­crata. Conhecer bem a ex­trema di­reita é mui im­por­tante para com­batê-la.

Que evo­lu­çom tivo nos ul­ti­mos anos a ex­trema-di­reita?
Quando Fuerza Nueva re­benta e o seu lí­der Blas Piñar deixa de sê-lo, houvo ten­ta­ti­vas de uniom mas o seu grande pro­blema é a nos­tal­gia fran­quista. Isto que­bra em 2003 com Plataforma per Catalunya que tenta mu­dar o dis­curso sem con­se­gui-lo. Agora o mo­vi­mento pon­teiro está em Madrid com Hogar Social, sem nen­gumha ban­deira fran­quista nas mo­bi­li­za­çons. Isto te­nhem-no cla­rís­simo e fam le­mas mui cur­tos, que re­pe­ti­dos cons­tan­te­mente todo o mundo po­de­ria com­prar. Açons do es­tilo, Alba Dourada, re­par­tindo jan­tar para os na­ci­o­nais. Mesmo a sua lí­der é umha mu­lher, co­lo­cada no cen­tro do de­bate para con­tra­por o facto fe­mi­nino com o is­lam, imi­tando Marie LePen. Mesmo tam­bém mu­dá­rom a sua es­té­tica, já nom vam “pe­la­dos” nem com ti­ran­tes, agora é muito mais ca­sual.

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