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U‑lo independentismo?

por
álex ro­za­dos

À hora de fa­lar com mi­li­tan­tes das or­ga­ni­za­çons in­de­pen­den­tis­tas –al­gumhas de­las já de­sa­pa­re­ci­das– existe con­senso em as­si­na­la­rem a fra­queza, ou mesmo o ques­ti­o­na­mento da exis­tên­cia do in­de­pen­den­tismo como mo­vi­mento. “Nom te­nho claro que se poda fa­lar agora mesmo de mo­vi­mento in­de­pen­den­tista por­que fal­tam or­ga­ni­za­çons sec­to­ri­ais e di­ver­sas, que se de­fi­nam ou que se sin­tam in­de­pen­den­tis­tas, e que con­for­mem esse mo­vi­mento”, ana­lisa Beatriz Bieites, atu­al­mente ati­vista na Gentalha do Pichel e na es­cola Semente de Compostela. “Há mui­tas pes­soas in­de­pen­den­tis­tas tra­ba­lhando nos fren­tes de todo tipo: cul­tu­ral, vi­zi­nhal, fe­mi­nista…”, acres­centa Bieites, quem la­menta que todo esse tra­ba­lho nom con­flua em nada comum.

Após vá­rios anos em que o con­junto do campo so­be­ra­nista vem en­fren­tado pro­fun­das trans­for­ma­çons, so­bre­todo a ní­vel or­ga­ni­za­tivo, o mo­vi­mento in­de­pen­den­tista ga­lego en­con­tra-se numha en­cru­zi­lhada. Após a dis­sol­vi­çom ou re­fun­da­çom dos re­fe­ren­tes or­gâ­ni­cos da pri­meira dé­cada deste sé­culo XXI fica um pa­no­rama que, como to­das as cri­ses, pode ser umha opor­tu­ni­dade e que se­me­lha ser in­di­ca­tivo de um tempo de mudanças.

Agora pa­rece que resta o tema anti-re­pres­sivo, por­que há pre­sas que é ne­ces­sá­rio aten­der, e de­pois os cen­tros so­ci­ais, que aten­dem a muita cousa, como o âm­bito cul­tu­ral. A mim dá-me a sen­sa­çom de que é o que fi­cou, como umha res­saca de quando houvo mais or­ga­ni­za­çom in­de­pen­den­tista”, re­flete Josefa Rodríguez Porca, ex-presa in­de­pen­den­tista, de Ferrol. Assim, essa sen­sa­çom de fra­queza e de re­sis­tên­cia é a tó­nica do­mi­nante nos âm­bi­tos po­lí­ti­cos que fi­cam à mar­gem do tra­ba­lho or­gâ­nico, mais clás­sico, de par­tido. Simom Uveira, mi­li­tante da or­ga­ni­za­çom ju­ve­nil Briga, acha que “do ponto de vista or­ga­ni­za­tivo, a maior parte do in­de­pen­den­tismo está hoje di­luído no mo­vi­mento cul­tu­ral. O qual nom é mau, mas sim que é sin­to­má­tico da nossa fraca ca­pa­ci­dade or­ga­ni­za­tiva. Aliás, esta si­tu­a­çom pode ser um es­tá­dio mais no pro­cesso de ama­du­ra­çom do mo­vi­mento in­de­pen­den­tista galego”.

Umha ques­tom que acom­pa­nha esta si­tu­a­çom de fra­queza or­ga­ni­za­tiva está a ser a ex­pan­som do dis­curso so­be­ra­nista nas or­ga­ni­za­çons do na­ci­o­na­lismo. Antom Santos, mi­li­tante da or­ga­ni­za­çom po­lí­tica Causa Galiza, con­corda com que o in­de­pen­den­tismo tal­vez nom poda de­fi­nir-se como mo­vi­mento no mo­mento atual, “o real é umha cons­te­la­çom de gru­pos de afi­ni­dade e um es­tado de opi­niom in­de­pen­den­tista em cres­ci­mento con­tí­nuo com nú­cleos mi­li­tan­tes que tra­tam de ver­te­brá-lo sub­me­ti­dos a for­tes ní­veis de re­pres­som”. Pola sua banda, Maurício Castro, que mi­li­tou em Nós-UP até a sua dis­sol­vi­çom, acha que o in­de­pen­den­tismo “como cor­rente den­tro da es­querda na­ci­o­nal per­deu au­to­no­mia, mas ao tempo im­preg­nou o resto da es­querda nacional”.

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Na pro­cura de cau­sas
Procurar as cau­sas desta si­tu­a­çom atual é umha ta­refa po­lié­drica, com mui­tas ca­pas de aná­lise, e to­das as vo­zes apon­tam ma­ti­zes di­ver­sos. A ex-mi­li­tante da AMI, Maria Bagaria, aponta a exis­tên­cia dumha mu­dança de ci­clo e as­si­nala que vem de­ter­mi­nado “pola der­rota do pro­jeto an­te­rior e a açom re­pres­siva do ini­migo, mu­dan­ças so­ci­o­ló­gi­cas de fundo ‑como a so­ci­e­dade tec­no­lo­gi­zada ou o des­lo­ca­mento dos se­to­res pro­du­ti­vos- que tam­bém in­fluem no pró­prio mo­vi­mento, e po­las mu­dan­ças de pa­ra­digma do pró­prio mo­vi­mento, que ainda nom ca­lhá­rom em pro­pos­tas bem ar­ti­cu­la­das nem as­su­mi­das coletivamente”.

Falando da ne­ces­si­dade de re­no­va­çom en­con­tra­mos a voz de César Caramês, quem se con­si­dera so­be­ra­nista e ati­vista dos mo­vi­men­tos so­ci­ais. Para ele, “o in­de­pen­den­tismo in­sere-se den­tro dum dis­curso glo­bal de país, é um erro se­pa­rar a rei­vin­di­ca­çom pola se­pa­ra­çom ab­so­luta, pola plena so­be­ra­nia na­ci­o­nal, dum dis­curso de em­po­de­ra­mento na­ci­o­nal que abrange um campo dis­cur­sivo muito mais am­plo”. A ní­vel ge­ral, acha que o na­ci­o­na­lismo e so­be­ra­nismo “te­nhem um grande pro­blema de adap­ta­çom às mu­dan­ças so­ci­ais que se es­ti­vé­rom a pro­du­zir”. Acrescenta que “te­mos um dis­curso de país quiçá muito an­co­rado no na­ci­o­na­lismo de co­me­ços do XX, como umha iden­ti­dade pé­trea com a que há que co­mun­gar e da qual há que par­ti­ci­par para po­der ser aco­lhido den­tro da na­çom a cons­truir. Isto im­pede que a nova re­a­li­dade, mais plu­ral e que re­co­lhe múl­ti­plos su­jei­tos, se in­te­gre na cons­tru­çom de umha nova re­a­li­dade nacional”.

César Caramês: “Temos um dis­curso an­co­rado no na­ci­o­na­lismo de co­me­ços do XX

Para Brais González, quem pro­vém do sec­tor da or­ga­ni­za­çom de mo­ci­dade Adiante, que aca­ba­ria ra­chando com a FPG, e mi­lita no sin­di­cato CUT, tem acon­te­cido que as or­ga­ni­za­çons in­de­pen­den­tis­tas “nom ti­vé­rom nos úl­ti­mos anos que as­su­mir umha res­pon­sa­bi­li­dade po­lí­tica ver­da­deira. Nom ha­via va­sos co­mu­ni­can­tes nem res­pon­sa­bi­li­da­des para ge­rir as ex­pe­ta­ti­vas de­po­si­ta­das ou de ge­rir umha ini­ci­a­tiva po­lí­tica de longo al­cance”. González con­tra­pom esta aná­lise com a si­tu­a­çom de co­le­ti­vos como os da de­fesa das pen­sons “que te­nhem unha for­mu­la­çom e umha luita e res­pon­sa­bi­li­da­des con­cre­tas, pois há gente que está a di­zer-che que se nom se dá um passo adi­ante vai ha­ver si­tu­a­çom de so­fri­mento para es­tas pes­soas e há que as­su­mir essa responsabilidade”.

Anos de trans­for­ma­çons
Olhando para atrás, com a pre­ten­som de co­lher pers­pe­tiva das trans­for­ma­çons dos úl­ti­mos anos, che­ga­mos até co­me­ços de 2000. Este novo sé­culo co­me­çava com umha ini­ci­a­tiva de uni­fi­ca­çom como a do Processo Espiral, que fru­ti­fi­ca­ria no nas­ci­mento da or­ga­ni­za­çom Nós-UP. Assim, a re­a­li­dade or­ga­ni­za­tiva na dé­cada de 90 pas­sava a umha nova fase: nesta nova or­ga­ni­za­çom con­flui­ria a Primeira Linha –nas­cida em 1996 no seio do BNG, par­tido que aban­dona em 1999– e o in­de­pen­den­tismo da cha­mada “li­nha his­tó­rica” her­deiro da APU e o EGPGC, cujo tes­te­mu­nho re­co­lhe AMI –cons­ti­tuída em 1996–. Ainda que co­me­çou par­ti­ci­pando do pro­cesso, fi­cara fora desta nova or­ga­ni­za­çom a FPG, que vi­nha as­su­mindo o do­cu­mento co­nhe­cido como ‘Posiçom Luís Soto’, pu­bli­cado em 1992, que con­forma um pro­grama de acu­mu­la­çom de for­ças em que en­tra­ria a es­querda espanhola.

Umha das no­vi­da­des ide­o­ló­gi­cas de Nós-UP será a su­pe­ra­çom da “con­tra­di­çom prin­ci­pal” na ques­tom na­ci­o­nal, e a equi­pa­ra­çom da luita na­ci­o­nal, de classe e de gé­nero. Em 2005, a AMI e mi­li­tan­tes pro­ve­ni­en­tes da li­nha his­tó­rica do in­de­pen­den­tismo aban­do­na­rám Nós-UP. Esta ru­tura ali­cerça-se no ques­ti­o­na­mento da di­re­çom po­lí­tica do mo­vi­mento, ne­gando a le­gi­ti­mi­dade de Primeira Linha para exer­cer tal di­re­çom, e do en­caixe po­lí­tico es­tra­té­gico de cer­tas mo­da­li­da­des de luita, no­me­a­da­mente do apoio da AMI ao ci­clo de sa­bo­ta­gens em andamento.

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Em re­la­çom com o na­ci­o­na­lismo he­ge­mó­nico, nos úl­ti­mos anos po­dem-se se­pa­rar duas eta­pas. Por um lado, a que exis­tia nesse co­meço de sé­culo, em que o in­de­pen­den­tismo pro­cura aglu­ti­nar-se em con­tra­po­si­çom a umha praxe do BNG que ex­clui a rei­vin­di­ca­çom do di­reito de au­to­de­ter­mi­na­çom; e umha ou­tra fase, que se­ria a atual, em que após a XIII Assembleia Nacional do BNG em 2012 o na­ci­o­na­lismo so­fre umha pro­funda re­for­mu­la­çom e se­me­lha ini­ciar-se um diá­logo com o independentismo.

Durante o pri­meiro des­tes dous ce­ná­rios, as or­ga­ni­za­çons in­de­pen­den­tis­tas en­ce­tam umha sé­rie de ini­ci­a­ti­vas fo­ca­das na auto-or­ga­ni­za­çom, como pode ser a cri­a­çom de cen­tros so­ci­ais. Nesses anos, está tam­bém ativa umha fase de vi­o­lên­cia po­lí­tica cujo iní­cio pode si­tuar-se em 2005 com a pu­bli­ca­çom do pri­meiro ma­ni­festo da re­sis­tên­cia ga­lega, e que a par­tir de 2011 vai ser du­ra­mente re­pri­mida. Em pa­ra­lelo, vai-se abrindo um ques­ti­o­na­mento das fer­ra­men­tas exis­ten­tes, polo que quando o na­ci­o­na­lismo es­gaça em 2012 as ini­ci­a­ti­vas elei­to­rais re­sul­tan­tes com certo dis­curso so­be­ra­nista ‑por um lado Anova e por ou­tro o pró­prio BNG- vam tam­bém ab­sor­ver al­gumhas mi­li­tân­cias do in­de­pen­den­tismo. E aque­les se­to­res que nom pri­o­ri­zam a con­tenda elei­to­ral fi­cam no tra­ba­lho de base ou nal­guns ca­sos aban­do­nam a militância.

Dissolviçons e re-es­tru­tu­ra­çons
Neste con­texto dam-se umha sé­rie de dis­sol­vi­çons e re­es­tru­tu­ra­çons: Em no­vem­bro de 2013 dis­solve-se a or­ga­ni­za­çom ju­ve­nil Adiante, pró­xima à FPG. Daqui sur­gem duas ten­dên­cias: umha que con­forma Xeira, que nasce em de­zem­bro do mesmo ano e a qual in­ten­si­fica a sua re­la­çom or­gá­nica com este par­tido; a ou­tra, umha cor­rente que vi­nha co­lo­car o seu in­te­resse na par­ti­ci­pa­çom de pro­ces­sos de mas­sas como o 15M ou no diá­logo com os mo­vi­men­tos so­ci­ais, que re­ma­tará ra­chando com a FPG.

Em se­tem­bro de 2014 se­ria a AMI a que anun­ci­a­ria a sua dis­sol­vi­çom. No co­mu­ni­cado em que se anun­ci­ava esta de­ci­som afir­mava-se: “Dedicamos enor­mes es­for­ços a ce­le­brar efe­mé­ri­des, res­pos­tar agres­sons em base à agenda me­diá­tica do ini­migo e re­a­li­zar pro­pa­ganda do modo que nos apren­dé­rom que isto se fa­zia. Mantendo-nos aí, no jogo, sem que a acu­mu­la­çom de for­ças mude e sem me­lho­rar as nos­sas pró­prias con­di­çons vi­tais. (…) Achamos mais in­te­res­sante de­di­car es­for­ços a ir vendo no­vas pos­si­bi­li­da­des de criar fen­das e ir ra­chando o que nom vale”.

Em ju­nho de 2015 fará pu­blica a sua dis­sol­vi­çom Nós-UP. Já com al­guns anos de pers­pe­tiva, Maurício Castro ex­plica que “che­gou um mo­mento em que a en­trega mi­li­tante e o vo­lun­ta­rismo ser­via para con­ti­nuar auto-re­pro­du­zindo-nos, mas como pro­jeto es­tra­té­gico de cres­ci­mento do nosso pro­grama po­lí­tico era in­su­fi­ci­ente. Chegou um mo­mento em que a mi­li­tân­cia con­si­de­rou que ha­via que ten­tar ou­tras vias”. Desta mi­li­tân­cia “houvo gente que foi para ou­tras or­ga­ni­za­çons, quem fi­cou no ati­vismo do mo­vi­mento po­pu­lar, houvo quem foi para a casa…”, sa­li­enta Castro, quem as­se­gura que “há uns anos que de­sa­pa­re­ceu Nós-UP, mas os pro­ble­mas que ar­ras­tou con­ti­nuam ar­ras­tando-se por parte do in­de­pen­den­tismo or­ga­ni­zado. Da dis­sol­vi­çom de 2015 nasce tam­bém a or­ga­ni­za­çom Agora Galiza, que nu­cleia as in­te­gran­tes dis­con­for­mes com a de­sa­pa­ri­çom de Nós-UP e que con­ti­nu­a­vam afins à Primeira Linha.

Quando o na­ci­o­na­lismo es­gaça em 2012, as ini­ci­a­ti­vas elei­to­rais re­sul­tan­tes com certo dis­curso so­be­ra­nista vam ab­sor­ver al­gumhas mi­li­tân­cias do independentismo

Por ou­tra banda, em 2014 re­cons­ti­tuia-se Causa Galiza como or­ga­ni­za­çom po­lí­tica, após a sua pri­meira fase como pla­ta­forma polo di­reito à au­to­de­ter­mi­na­çom. Assim, Causa Galiza re­co­lhe umha parte da mi­li­tân­cia her­deira da de­no­mi­nada “li­nha his­tó­rica” do in­de­pen­den­tismo, mas pouco de­pois do seu re­nas­ci­mento terá que en­fren­tar a ‘Operaçom Jaro’ de­cre­tada pola Audiência Nacional, que su­porá a sus­pen­som das suas ati­vi­da­des du­rante mais de um ano. Após quase qua­tro anos de ins­tru­çom ju­di­cial, Causa Galiza vem de anun­ciar a re­ti­rada do cargo de ‘in­te­gra­çom em banda ar­mada’, polo que as nove mi­li­tan­tes de­ti­das na ope­ra­çom se en­fren­ta­rám só à acu­sa­çom de ‘enal­te­ci­mento do terrorismo’.

Refletindo no pas­sado
Toda esta si­tu­a­çom se­me­lha um mo­mento de tran­si­çom, em que as fór­mu­las or­ga­ni­za­ti­vas da pas­sada dé­cada já nom som re­pre­sen­ta­ti­vas do agir po­lí­tico e das sen­si­bi­li­da­des atu­ais. “Enquanto houvo or­ga­ni­za­çons par­ti­dá­rias mais gran­des, e em que eu es­ti­vem, sem­pre me pa­re­ceu que es­ta­vam hi­per­tro­fi­a­das, que de­sen­vol­viam um pro­ta­go­nismo ex­ces­sivo e ab­sor­viam de­ma­si­a­das ener­gias da mi­li­tân­cia e que, se ca­lhar, nom eram ne­ces­sá­rias. Que o im­por­tante era cons­truir o te­cido so­cial in­de­pen­den­tista, a ní­vel sec­to­rial e desde ou­tro tipo de co­lec­ti­vos. E con­ti­nuo a pen­sar isso, mas é mui di­fí­cil man­ter com­pa­tada a massa in­de­pen­den­tista se nom há re­fe­ren­tes po­lí­ti­cos”, re­flete Beatriz Bieites.

Pola sua banda, Mónica Devesa, ex-mi­li­tante das Mulheres Nacionalistas Galegas (MNG), in­tui que “in­de­pen­den­te­mente dos con­teú­dos de cada or­ga­ni­za­çom, exis­tem umhas di­nâ­mi­cas por baixo, ge­ra­das há mui­tos anos que fa­zem com que a ten­den­cia seja a di­vi­som e o fra­ci­o­na­mento, em vez de a uniom”. Devesa acres­centa que “es­tas di­nâ­mi­cas som da­das numha so­ci­e­dade pa­tri­ar­cal que este, e qual­quer mo­vi­mento, reproduz”.

Sobre a falta de um pro­jeto po­lí­tico forte ar­re­dor da rei­vin­di­ca­çom in­de­pen­den­tista, Maria Bagaria fai um apelo “a fa­zer re­passo da me­mó­ria co­le­tiva e ver como era o pa­no­rama quando a queda do pro­jeto in­de­pen­den­tista dos anos 80. Também penso que nesta úl­tima jeira con­se­gui­mos im­preg­nar com boa parte do nosso dis­curso a umha parte mui im­por­tante do na­ci­o­na­lismo, e isto é umha grande vi­tó­ria”. “Estamos num mo­mento de trân­sito, te­cendo en­tre o ve­lho e o novo”, con­clui Bagaria.

charo lo­pes

Fim do ciclo da violência política

A re­sis­tên­cia cul­tu­ral, a re­sis­tên­cia eco­nó­mica, a re­sis­tên­cia es­tri­ta­mente po­lí­tica e a re­sis­tên­cia ile­gal, num sen­tido am­plo, som to­das per­ti­nen­tes e ne­ces­sá­rias”, esta era umha das afir­ma­çons do pri­meiro ma­ni­festo da re­sis­tên­cia ga­lega, pu­bli­cado em ju­lho de 2005 numha web de mí­dia in­de­pen­dente bra­si­leira. Este ma­ni­festo ex­pu­nha umha nova fase na uti­li­za­çom da vi­o­lên­cia po­lí­tica no seio do in­de­pen­den­tismo num sé­culo XXI em que já se des­bo­tava a es­tra­té­gia po­lí­tico-mi­li­tar da dé­cada de 80 e 90 em que se in­se­ria o EGPGC. Assim, este ma­ni­festo ex­pu­nha a nova praxe da vi­o­lên­cia po­lí­tica na Galiza: “Na nova re­sis­tên­cia ga­lega ile­gal há lu­gar para tod@s, para to­das as mo­da­li­da­des de in­ter­ven­çom e to­das as va­riá­veis or­ga­ni­za­ti­vas, sem­pre e quando fo­rem res­pei­ta­dos os in­te­res­ses e a saúde do povo tra­ba­lha­dor galego”.

Assim, den­tro da re­sis­tên­cia ga­lega es­ta­riam os ata­ques in­cen­diá­rios con­tra se­des ban­cá­rias, in­fra­es­tru­tu­ras do exér­cito es­pa­nhol ou par­ti­dos po­lí­ti­cos que se vi­nham re­a­li­zando de forma anó­nima nos anos an­te­ri­o­res. Pouco de­pois da pu­bli­ca­çom do ma­ni­festo, na vés­pera do dia da Pátria de 2005 es­tou­rava um ar­te­facto ex­plo­sivo numha sé de Caixa Galicia, da qual re­sul­ta­riam de­ti­das e en­car­ce­ra­das as mi­li­tan­tes da AMI Ugio Caamanho e Giana Rodrigues. Desde esse ano até 2014, ano em que se re­gista a ex­plo­som dum ar­te­fato no Concelho de Baralha, ti­vé­rom lu­gar mais de ses­senta açons com ar­te­fa­tos ex­plo­si­vos ou in­cen­diá­rios con­tra imo­bi­liá­rias, es­cri­tó­rios do INEM, en­ti­da­des ban­cá­rias ou sés do PP e do PSOE.

Em ou­tu­bro de 2011 fa­zia-se pú­blico o se­gundo ma­ni­festo da re­sis­tên­cia ga­lega. Nesta oca­siom de­fine-se a re­sis­tên­cia ga­lega como “braço ar­mado do povo” e as­se­gura-se que “o in­de­pen­den­tismo ga­lego nunca es­tivo tam forte como quando soubo com­pa­gi­nar in­te­li­gen­te­mente to­das as fren­tes de luita e ar­ti­cu­lar um am­plo le­que de res­pos­tas”. No seu úl­timo pa­rá­grafo ma­ni­festa-se que “a re­sis­tên­cia ga­lega con­ti­nu­ará os ata­ques ar­ma­dos con­tra in­te­res­ses do con­glo­me­rado de ocu­pa­çom”. Nos se­guin­tes juí­zos na Audiência Nacional em que se di­ta­mi­nará a exis­tên­cia de umha banda ar­mada na Galiza, este do­cu­mento será um dos in­dí­cios que fun­da­men­tem a resoluçom.

Após o ar­te­facto de Baralha nom se te­nhem re­gis­tado mais ata­ques rei­vin­di­ca­dos ou atri­buí­dos à re­sis­tên­cia ga­lega. Porém, em 2015 e 2016 eram pu­bli­ca­dos em in­ter­net os exem­pla­res d’A Guerrilheira, umha pu­bli­ca­çom que se de­fi­nia como ‘Voz da re­sis­tên­cia ga­lega’. No seu se­gundo nú­mero conta com umha cro­no­lo­gia dos ata­ques da re­sis­tên­cia desde o ano 2002.

Mais de vinte mi­li­tan­tes in­de­pen­den­tis­tas pas­sá­rom polo cár­cere em di­fe­ren­tes ope­ra­çons con­tra a re­sis­tên­cia ga­lega. Desde 2013, ano em que se res­solve na Audiência Nacional a exis­tên­cia dumha banda ar­mada com o nome de ‘Resistência Galega’, as pe­nas de pri­som au­men­tam. Isto afe­tou tam­bém à con­torna so­cial, com as ope­ra­çons Jaro I e Jaro II, a pri­meira con­tra nove mi­li­tan­tes de Causa Galiza em 2015 e a se­gunda con­tra três ati­vis­tas do or­ga­nismo anti-re­pres­sivo Ceivar em 2017.

As re­cen­tes de­ten­çons de qua­tro in­de­pen­den­tis­tas na de­no­mi­nada ope­ra­çom Lusista pa­rece pôr o fe­che a um ci­clo de vi­o­lên­cia po­lí­tica ao en­cer­rar ‑junto com Miguel Garcia e Xanma Sanches- a Asun Losada Camba e Antom Garcia Matos, mi­li­tan­tes in­de­pen­den­tis­tas que se en­con­tra­vam na clan­des­ti­ni­dade desde 2006. Neste mo­mento es­tám em pri­som de­ri­va­das das de­ten­çons li­ga­das à re­sis­tên­cia nove pes­soas: Eduardo Vigo, Teto Fialhega, Raul Agulheiro, Carlos Calvo, Hadriam Mosqueira, Miguel Garcia, Xanma Sanches, Asun Losada e Antom Garcia Matos.

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