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O ‘Jo Acuso’ visa fazer emerger o carater político do juízo, que existe porque na Catalunha se exerceu o direito de autodeterminaçom”

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Entrevista a Benet Salellas, advogado de Jordi Cuixart

A es­tra­té­gia que for­mu­la­des ba­seia-se em vi­rar a acu­sa­çom do es­tado e si­tuar este como o acu­sado. Em de­fi­ni­tivo: plan­tar cara ao po­der es­ta­be­le­cido. Perante um Estado como o es­pa­nhol, umha de­fesa po­lí­tica pode be­ne­fi­ciar os pre­sos?

A es­tra­té­gia do ‘Jo Acuso’ visa fa­zer emer­ger o ca­rá­ter po­lí­tico do juízo. Este existe por­que na Catalunha, no ou­tono de 2017, exer­ceu-se o di­reito de au­to­de­ter­mi­na­çom, e te­mos que ten­tar que isso seja um dos ei­xos do juízo. Para pa­rar este exer­cí­cio de­mo­crá­tico o Estado apli­cou umha sorte de es­tado de ex­ce­çom mais ou me­nos en­co­berto re­gis­tando diá­rios, fe­chando webs, de­tendo car­gos elei­tos, apli­cando vi­o­lên­cia in­dis­cri­mi­nada à po­pu­la­çom que exerce o di­reito de ma­ni­fes­ta­çom pa­ci­fi­ca­mente… Queremos ex­pli­car isso todo, para pôr no cen­tro a re­a­li­dade do es­tado que te­mos di­ante e, por­tanto, a ope­ra­çom de es­tado que se cons­truiu em forma de juízo. Esta es­tra­té­gia pro­cura a cons­ci­en­ti­za­çom de sec­to­res de­mo­crá­ti­cos am­plos, ca­ta­láns e do resto do es­tado, que te­nhem que ser quem em­purre con­tra este re­gime que cons­trói a jus­tiça como fer­ra­menta de ata­que em vez de afron­tar de­mo­cra­ti­ca­mente as de­man­das da ci­da­da­nia, como neste caso o exer­cí­cio do di­reito de au­to­de­ter­mi­na­çom ou do di­reito de pro­testa.

A ati­tude ga­ran­tista do juiz Marchena nos pri­mei­ros dias mu­dou de ma­neira no­tá­vel. Isto fai pres­sa­giar umha sen­tença des­fa­vo­rá­vel?

Marchena é ci­ente de que o jul­ga­mento é visto por muita gente aqui e fora, e por isso tenta ter umhas for­mas im­pe­cá­veis. Ora bem, tam­bém é ci­ente de que tem que cons­truir um muro de con­ten­çom para evi­tar que as de­fe­sas uti­li­zem o jul­ga­mento em ter­mos po­lí­ti­cos. Evita a uti­li­za­çom das ima­gens du­rante os in­ter­ro­ga­tó­rios, por­que som mui cla­ras e evi­den­tes e des­mon­tam todo o re­lato cons­truído so­bre umha vi­o­lên­cia da ci­da­da­nia e do mo­vi­mento in­de­pen­den­tista, que é to­tal­mente ine­xis­tente. O Tribunal nom quere aten­der à re­a­li­dade, quere que a sen­tença sirva para jus­ti­fi­car a atu­a­çom dos po­de­res do Estado em re­la­çom à ques­tom ca­talá. De feito, nom po­de­mos dei­xar de lado que um Estado de Direito se ca­ra­te­riza nom só pola se­pa­ra­çom for­mal dos po­de­res, mas por umha açom de con­tra­pe­sos en­tre eles, con­jun­ta­mente com a so­ci­e­dade ci­vil. Aqui to­dos os po­de­res do es­tado (Tribunal Constitucional, go­verno es­pa­nhol, cá­ma­ras par­la­men­ta­res com o 155, a jus­tiça…) ac­tuá­rom ao unís­sono, e a sen­tença deste pro­ce­di­mento tem de ser a chave de abó­bada que con­firme o des­ca­be­ça­mento ins­ti­tu­ci­o­nal do in­de­pen­den­tismo.

A ní­vel es­tri­ta­mente ju­rí­dico quais som as ano­ma­lias mais gra­ves deste juízo?

Estamos pe­rante um con­texto de ex­ce­ci­o­na­li­dade ju­rí­dica. Temos um tri­bu­nal es­pe­cial, pois o Supremo tem-se au­to­a­tri­buído a com­pe­tên­cia para o caso; de­li­tos es­pe­ci­ais ‑pois a re­be­liom, de­lito com que o fran­quismo exe­cu­tou mi­lha­res após a guerra ci­vil, é uti­li­zado por vez pri­meira con­tra ci­vis de­pois de 1978-; e uns fei­tos ob­jeto de acu­sa­çom de na­tu­reza es­tri­ta­mente po­lí­tica (apro­va­çom de leis, ma­ni­fes­ta­çons, tuí­tes, dis­cur­sos, ma­ni­fes­ta­çons pa­cí­fi­cas). O con­texto de ga­ran­tias ju­rí­di­cas fica num canto e o tri­bu­nal es­cor­rega para es­tru­tu­ras do de­no­mi­nado ‘di­reito pe­nal do ini­migo’ ou do que hoje tam­bém se di law­fare. Trata-se de guerra ju­rí­dica e di­reito de guerra em que fai falta aba­ter a qual­quer preço os ad­ver­sá­rios po­lí­ti­cos do po­der es­ta­be­le­cido, pro­cu­rando me­ca­nis­mos de neu­tra­li­za­çom e ino­cui­za­çom como lon­gas pe­nas de pri­som e ina­bi­li­ta­çom po­lí­tica, no sí­tio de re­a­li­zar um ver­da­deiro jul­ga­mento em ter­mos de res­pon­sa­bi­li­dade ju­rí­dica como fa­ria falta es­pe­rar num pro­ce­di­mento pe­nal.

Como pas­sam os pre­sos os dias de juízo?

Erguem-se às 6h e vol­tam ao cen­tro pe­ni­ten­ciá­rio de­pois da hora de jan­tar e isso su­pom um in­ves­ti­mento fí­sico mui im­por­tante. Agora bem, em tanto que pre­sos po­lí­ti­cos, o tri­bu­nal nom os trata nem como pre­sos or­di­ná­rios nem como os pre­sos da Audiência Nacional. Nom ve­nhem al­ge­ma­dos, aguar­dam numha sala to­dos jun­tos com acesso aos ad­vo­ga­dos, e por­tanto no tri­bu­nal te­nhem certa mar­gem para a açom po­lí­tica, bem mais do que na pri­som. Isto, por pa­la­vras de Cuixart, já é umha vi­tó­ria par­cial: a pres­som ci­dadá e po­lí­tica obri­gou a tratá-los todo o bem que per­mite a si­tu­a­çom de pri­va­çom de li­ber­dade.

A pre­sença de im­prensa in­ter­na­ci­o­nal e ob­ser­va­do­res, pre­o­cupa ou in­co­moda o Tribunal?

Muito. Os ele­men­tos in­ter­na­ci­o­nais in­co­mo­dam o tri­bu­nal. Há umha sorte de pa­tri­o­tismo ju­rí­dico, no ge­ral, e neste caso em con­creto po­las de­ci­sons dos tri­bu­nais belga e ale­mám en­car­re­ga­dos das ex­tra­di­çons dos exi­la­dos. Para nós é umha nova con­fir­ma­çom do ca­rá­ter po­lí­tico e an­ti­de­mo­crá­tico do jul­ga­mento. Se os mes­mos fei­tos som um dos de­li­tos mais gra­ves num país e nom som in­fra­çom no país do lado, de­mons­tra-se que a per­se­gui­çom no mí­nimo é des­pro­por­ci­o­nada. Em re­la­çom à ob­ser­va­çom in­ter­na­ci­o­nal, a so­ci­e­dade ci­vil or­ga­ni­zou-se na International Trial Watch, umha ini­ci­a­tiva muito ino­va­dora e in­te­res­sante.

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